Aras está numa sinuca de bico

Aras está numa sinuca de bico

O pseudo procurador-geral da República, vulgo poste, tem apenas algumas horas para tomar uma das decisões mais difíceis de seu mandato: dizer se abre ou não inquérito para apurar a agressão praticada por Carla Zambelli contra um homem preto que, segunda ela, a teria xingado. A atitude criminosa da deputada federal bolsonarista e de seu segurança, colocando em risco inclusive a vida das pessoas que se encontravam na região das ruas Lorena com Eugênio de Lima, no bairro paulistano dos Jardins, foi filmada e o vídeo repassado milhões de vezes nas redes sociais e na imprensa. Todos, os que quiseram e os que não quiseram, assistiram as cenas inacreditáveis de Carla Zambelli empunhando uma arma e perseguindo seu ofensor em plena rua, depois de ter atirado para o alto, enquanto seu segurança também atirava até chegar à altura do homem preto e agredí-lo com socos e pontapés.Como se não bastasse, no final do incidente, a deputada entrou num bar, deu ordem para o homem deitar no chão e mandou as pessoas que ali se encontravam enchê-lo de porrada. Ao que o homem preto reagiu de forma ostensiva e violenta, fazendo o L, de Lula, enquanto apanhava.
Fim? Não, a bolsonarista inventou uma história, que os vídeos desmentem, e registrou queixa na polícia, muito embora tivesse agido em total ilegalidade, na véspera da eleição. Mostrou assim que a agressividade, o desprezo à lei, o uso da mentira como única defesa, e a desfaçatez dessa gente não têm limite.
Hoje, Augusto Aras, o mais fiel escudeiro de Jair Bolsonaro, responsável pela impunidade de dezenas de crimes cometidos pelo seu chefe, tem até esta terça-feira para se manifestar, após ter sido intimado pelo ministro Gilmar Mendes, do STF. Até aqui, o poste prevaricou impunemente. Terá de fazer uma mágica para defender Zambelli.
Aras sempre saiu da sinuca apelando para a figura da investigação preliminar, chamada juridicamente “notícia de fato”, ou seja passando os casos para os seus subordinados sob a alegação de que era preciso esclarecer certos pontos obscuros. Desta maneira, o PGR acabou enterrando os inquéritos reclamados pela CPI da Covid, bem como no crime cometido por Bolsonaro ao ameaçar as eleições em uma reunião de embaixadores especialmente convocados no Planalto.
Só que agora, a situação é nova: Lula ganhou a eleição e NINGUÉM pode alegar que Zambelli não feriu a lei ao passear armada na véspera, tanto assim que sua arma foi cassada. Além disso, Aras viu derreter o seu sonho de vir a ser ministro do STF.
Qual será então a atitude do Ministério Público? dizer que não viu o que todo mundo viu porque estava hibernando? pedir novamente a abertura de uma notícia de fato para que tudo dê em pizza ou chegar à conclusão que a deputada bolsonarista agiu em legítima defesa? Aposto que sim, mas ao agir desse modo irá enterrar definitivamente sua carreira e terá de se alegrar quando alguém o chamá-lo de poste, pois os adjetivos serão muito piores.
Antonio Augusto Brandão de Aras entrará para a História como um capanga ou cúmplice de um presidente fascista e criminoso.

Cúmplice de Bolsonaro, Aras resiste

Cúmplice de Bolsonaro, Aras resiste

Estamos chegando na reta final, faltam 11 dias para o segundo turno que definirá o novo presidente da República, a partir de 2023. É hora de prestar homenagem àquele que foi determinante para que chegássemos até aqui. E lembrar um dos fatos marcantes do atual mandato. Vamos lá:

Augusto Aras, o poste-geral, que insiste em ser chamado Procurador-geral da República muito embora não exerça o cargo, recebeu o relatório final da CPI da Covid das mãos de senadores no dia 10 de novembro de 2021. A entrega simbólica do relatório já havia sido realizada pelos senadores da Comissão em 27 de outubro.

Há 1 ano portanto, o Ministério Público publicava uma nota, que poderia ser até engraçada se não fosse trágica, jurando que “a análise do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia seguirá as regras e prazos legais.” A piada é digna da Porta dos Fundos, é de morrer de rir: o PGR afirmou, com todas as letras, que a análise do relatório da CPI seguiria os prazos legais. Quais prazos legais? 6 meses, 1 ano, 2 ?

Hoje os brasileiros, que viram assombrados na tevê desfilar, durante meses a fio, os crimes cometidos pelas mais altas autoridades do país enquanto 400 mil morriam, assassinados pelos negacionistas da vacina e defensores da cloroquina, que menosprezaram a “gripezinha”, se sentem desamparados face ao aparente desprezo da Justiça.

Mas é preciso ser honesto, a Justiça como um todo não pode ser responsabilizada. Se nada aconteceu até agora é por causa de um só indivíduo, aquele que se auto intitula procurador-geral. Cabe a ele dar o pontapé inicial das eventuais ações penais envolvendo autoridades e, sobretudo, o presidente da República. Augusto Aras é cúmplice de Jair Bolsonaro por omissão. Como já disse num outro artigo, eles são irmãos siameses. Naquela altura, o “poste” ficou tão enfurecido que enfim se moveu, tentando me processar. A mim, não àquele que teria cometido os crimes. Só que a juíza do caso lembrou que ainda existe uma réstia de liberdade de imprensa no Brasil. Até quando? Se Bolsonaro for eleito, provavelmente até o dia de finados, data propícia para enterrar a democracia.

Segundo a Procuradoria Geral da República, após o procedimento de internalização, os documentos entregues pelos senadores foram liberados para a equipe de investigadores que atua com Aras. “Dessa análise, decorrerão eventuais pedidos de diligências e demais providências cabíveis em relação a todos os fatos apontados e indiciamentos sugeridos pelos parlamentares”, dizia a nota.

Até agora, nada, apesar dos crimes cometidos, inegáveis, que assistimos ao vivo direto do Senado. De onde concluirmos que para Augusto Aras não havia provas suficientes, nem sequer fortes indícios para pedir a abertura de inquéritos. Pelo jeito, a televisão do PGR está quebrada; precisamos fazer uma “vaquinha” para lhe comprar um aparelho novo.

Um dos principais pontos do documento de 1.299 páginas da CPI sugeriu o indiciamento do presidente Jair Bolsonaro por nove crimes, que vão de delitos comuns, previstos no Código Penal, a crimes de responsabilidade, conforme a Lei de Impeachment. Há também citação de crimes contra a humanidade, de acordo com o Estatuto de Roma, do Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia. Aliás, uma tese reforçada por uma petição ao TPI assinada pelo advogado William Bourdon, da Federação Internacional dos Direitos Humanos, e por advogados da Comissão Arns.

O presidente da República, segundo os senadores, teria cometido os seguintes crimes ou delitos previstos no Código Penal: epidemia com resultado morte, art. 267, § 1º; infração de medida sanitária preventiva, art. 268; charlatanismo, art. 283; incitação ao crime, art. 286; falsificação de documento particular, art. 298; emprego irregular de verbas públicas, art. 315; prevaricação, art. 319; além de crimes contra a humanidade, nas modalidades extermínio, perseguição e outros atos desumanos previstos no art. 7º do Tratado de Roma (Decreto nº 4.388, de 2002); e mais violação de direito social e incompatibilidade com dignidade, honra e decoro do cargo, dois crimes de responsabilidade previstos na Lei no 1.079, de 10 de abril de 1950, que abrem direito ao impeachment. Aqui, a bem da verdade, é preciso lembrar que os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia e Arthur Lira, responsáveis pela abertura do processo de destituição do presidente, são igualmente cúmplices do capitão.

Além do presidente da República, os senadores pediram o indiciamento de outras 77 pessoas, entre elas três filhos do presidente – 01, 02 e 03, ministros, ex-ministros, deputados federais, médicos, empresários e duas empresas: a Precisa Medicamentos e a VTCLog. Com isso, eram 80 pedidos de indiciamento no total. Desses, alguns passaram de criminosos potenciais a recém-eleitos.

O tempo passou, muito embora Augusto Aras tenha afirmado que “os resultados da CPI seguem o devido processo legal, com o Ministério Público atuando juntamente com cada um dos relatores, ministros do STF, cujas diligências investigativas vêm sendo realizadas, nos termos da lei”; fórmula encontrada pelo PGR para protelar qualquer decisão e esconder sua inação sem violar a lei, pois afinal “a lei impõe o sigilo.” Ao invés de dar prosseguimento às demandas de indiciamento da CPI, Aras, a pedido do vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente, pediu ao STF que intimasse Omar Aziz e Renan Calheiros, respectivamente presidente e relator da Comissão Parlamentar de Inquérito.

Sabem quando teremos notícia dos pedidos de indiciamento? NUNCA! Augusto Aras não é apenas um dos três protetores máximos do criminoso que ocupa o palácio presidencial, é um sujeito que despreza a lei e o cidadão que paga o seu salário. A cada dia que passa ele dá um novo tapa na cara dos brasileiros. E coitado daquele que ousa criticá-lo, o PGR processa. Tentou sem sucesso me processar, conseguiu processar o colunista da Folha de S. Paulo, Conrado Hubner, um dos maiores constitucionalistas do país, e se lançou contra turistas brasileiros em Paris, que ousaram criticá-lo, perturbando as suas férias.

É bom lembrar que o poste é oficiosamente candidato a uma vaga no Supremo. Em 2023, o próximo presidente irá nomear os substitutos de Ricardo Lewandowski e Rosa Weber, que se aposentarão. Nesse momento, com jeito de sério, o sizudo Augusto Aras aproveita a campanha do seu chefe para hibernar… em plena primavera. Talvez sonhe com o Código Penal, para ver se acha o artigo que diz que pintar um clima com menininhas menores de idade num bordel é tido como crime.

O fim do mundo

O fim do mundo

O mundo está mudando na nossa cara, embora muitos pretendam não ver. O problema é que está mudando para pior, muito pior, quebrando alicerces que pensávamos inabaláveis.
Esta semana nos chegou da outrora tranquila Suécia uma notícia que a analista política Teresa de Sousa, do Publico, de Lisboa, chamou de “perturbadora”. Neste país, que muitas vezes idealizamos como um modelo de tolerância, de bem estar e desenvolvimento, o partido de extrema-direita Os Democratas Suecos somou 20% dos votos, sendo o mais votado entre os partidos de direita e superado apenas pelos sociais-democratas da atual primeira-ministra Magdalena Anderson, que obteve 30%. Como sempre, desde 1917 o partido Social-Democrata chegou na frente, o que não significa que tenha governado durante os últimos 105 anos. Em razão do número de partidos e do sistema eleitoral sueco, os mais votados nem sempre levam. Os governos são formados na base de coligações, ora à esquerda, ora à direita.
A alternativa para Magdalena Anderson permanecer no poder é se entender com o líder de centro-direita Ulf Kristersson, do Partido Moderado, como tem acontecido. Só que Ulf também cobiça o cargo de primeiro-ministro e para tanto estaria disposto a negociar com os Democratas Suecos. É o mesmo cenário de 2018, com uma diferença: há 4 anos dois pequenos movimentos – os liberais e os centristas – negaram-se a governar com a extrema-direita. Hoje porém, estariam propensos a negociar. Kristersson precisa dos Democratas Suecos, que por sua vez exigem entrar no governo e, como arma de chantagem, agitam a possibilidade de reivindicar o cargo de primeiro-ministro.
O puzzle é complexo e segundo os analistas não haverá governo tão cedo.
O surpreendente é que se trata de um país rico, com uma qualidade de vida invejável e com um estado social que foi durante muito tempo um modelo para as democracias europeias. Aliás, um palmares que partilha com os seus vizinhos nórdicos, hoje igualmente ameaçados pelos partidos de extrema-direita: Partido do Povo, na Dinamarca, os Verdadeiros Finlandeses e o Partido do Progresso, na Noruega.
Isso leva alguns ideólogos a afirmar que a luta de classes morreu.
O pior é que os países nórdicos estão longe de ser exceção. O mapa europeu está em ebulição.
Dentro de alguns dias, nas eleições gerais, os italianos poderão entregar o governo a uma coligação liderada pelo partido neofascista Irmãos da Itália, de Giorgia Meloni. O que já acontece na Hungria e na Polônia, e se alastra pela França, Holanda, Bulgária, Austria, Grécia, Bélgica, Portugal, Grã-Bretanha; sempre com apoio, inclusive financeiro, de Vladimir Putin.
Além da Itália ter a terceira economia da Europa, a projeção de Meloni já ultrapassou as fronteiras da península. Em 2020 ela foi eleita presidente do Partido dos conservadores e reformistas europeus, que congrega os populistas de direita da União Europeia, de Marine Le Pen a Viktor Orban.
Originalmente, os Democratas Suecos eram um movimento neonazista, criado nas últimas décadas do século XX. Recentemente, o partido mudou de nome e adaptou seu discurso, menos abertamente racista e menos chocante para a maioria da população. O mesmo que aconteceu na França, com Marine Le Pen, que com uma estratégia similar obteve ganhos eleitorais impressionantes.
A onda migratória de 2015 e 2016, com milhões de sírios fugindo para a Europa, traduziu-se num enorme impulso para os partidos nacionalistas e populistas europeus, oferecendo-lhes a bandeira do combate à imigração, sobretudo de origem islâmica. Além da imigração, a insegurança jogou água no moinho dos neofascistas, que com um discurso xenófobo associaram os refugiados ao aumento da violência.
Só este ano, já houve 44 vítimas mortais em tiroteios, 21 das quais em Estocolmo e 11 em Malmo. Assim, ficou fácil ao partido de extrema-direita transformar a campanha numa questão de ordem pública, apontar os imigrantes dedo em riste e acusar o governo de não fazer nada.
Também há, na antes tranquila Suécia, o recrudescimento de redes de tráfico de droga, como não se via há muito.
A Suécia é hoje uma das sociedades mais multiculturais da Europa, com um terço da sua população tendo nascido num outro país. Hoje porém, os “estrangeiros” viraram bode expiatório. Os Democratas Suecos, supremacistas, apresentam-se como “o único partido político que pode salvar a maioria da população sueca de origem branca”.
Os suecos vivem, embora em proporção menor, exatamente os mesmos problemas dos outros europeus: carestia de vida, aumento das filas de espera nos serviços de saúde, resultados escolares em queda. Questões que a extrema-direita quer enfrentar com uma velha receita, aplicada na Europa, como nos Estados Unidos por Trump, como no Brasil de Bolsonaro, e que se resume em duas palavras: ódio e radicalização.
O poste

O poste

O poste-geral da República, que em respeito ao Estado Democrático de Direito não merece ser nomeado, tentou pela enésima vez dar uma de d’Artagnan e, no melhor estilo de Alexandre Dumas sair em defesa do ocupante do Palácio. Da mesma forma que os mosqueteiros, cumpriu sua missão cegamente, em desafio da lógica e da lei, para proteger o seu monarca. Se o autor, pai ou filho, estivesse vivo, certamente escreveria uma nova obra-prima ressaltando o heroísmo malsão do PGR.

Desta vez, o inominável n° 2 vestiu capa e espada e desafiou 220 milhões de habitantes do Reino da Mentira, que acompanharam os crimes durante meses a fio, ao vivo, denunciados e confessados pela televisão. Todos viram os horrores cometidos pelo monarca absoluto, todos menos um: o famoso poste.

Vamos ao enredo: o relatório final da CPI da Covid (vocês se lembram?) imputou ao rei (inominável n°1), com abundância de provas, nove crimes: charlatanismo, infração de medida sanitária, emprego irregular de verbas ou rendas públicas, epidemia com resultado de morte, prevaricação e até falsificação de documentos.

Jornais do mundo inteiro seguiram os eventos e concluíram: -Agora o presidente fascista está perdido!

Era sem contar com o mosqueteiro-mor. A testa de ferro do magistrado, vice-procuradora-geral Lindôra Maria Araújo teve desfaçatez extrema de pedir o arquivamento das investigações contra o presidente e seus aliados, como ministros, ex-ministros e familiares. Para quem tem memória curta, vale a pena lembrar que Lindôra foi aquela que arquivou o pedido de investigação do inominável n°1, suspeito de crime de saúde pública por não usar máscara no contato com seus súditos. Para tanto, Lindôra explicou que a eficiência da máscara na prevenção da Covid não estava provada. Ao agir da sorte, como uma cientista negacionista, provocou incontáveis críticas, até mesmo de seu chefete, que alegou se tratar de uma magistrada jovem, iniciante, antes de nomeá-la vice PGR.

Agora, ficou evidente que o inominável n°2 a utilizou como testa de ferro, termo aliás lembrado pelos senadores da CPI que protocolaram no STF um pedido de abertura de inquérito contra Lindôra, sob acusação de suspeita de prevaricação.

Os senadores foram além, solicitando que o PGR se manifeste diretamente sobre os casos ou que os autos sejam enviados ao Conselho Superior do Ministério Público Federal, prova de que perderam o resto de confiança na sua atuação. « A atuação do atual PGR e de seus testas de ferro são claramente políticas. Desde o início evidencia-se uma blindagem ao governo federal. »

A resposta da Procuradoria foi imediata: « A CPI é que teve caráter político.»

Brincadeira à parte, fomos tratados como palhaços.

Jair Bolsonaro e Augusto Aras, como já disse num artigo anterior (que me valeu uma tentativa de processo da parte do PGR) são irmãos siameses. O primeiro comete os crimes, o segundo trata de transformá-los em pizza.

São de tal forma complementares que recentemente, logo após o discurso sobre o golpe eleitoral dedicado a informar aos embaixadores de todo o mundo, o inominável n°2 esqueceu que o número 1 devia ter saído do Palácio algemado, direto para a Papuda por crime de traição à pátria. A invés disso, limitou-se a responder em nome do golpista:

  • Eu já defendi a urna eletrônica.

Amanhã, ou melhor dentro de três meses, ambos (ou as duas metades, como queiram), acompanhados de seus séquitos, estarão preparando as malas para deixar o país para todo o sempre. Se não for o caso, é porque o golpe vingou e o Brasil estará mergulhado em mais um período sombrio de uma ditadura fascista com traços nazistas.

1 milhão de Uigurs detidos e há quem finja não ver

1 milhão de Uigurs detidos e há quem finja não ver

A corrente stalinista, que não hesita em criticar as alianças de Lula com o centro, mesmo sob pena de colocar em risco a eleição do ex-presidente e a permanência do fascismo no Brasil, que não hesita em defender a liberdade plena de expressão quando o que está em jogo é a criação de um partido nazista, que aceita compromissos com o criminoso do Planalto, que defende o antiamericano Vladimir Putin e finge não ver o autocrata de extrema-direita que chefia o Kremlin, pois bem essa facção é incapaz de defender os direitos humanos quando as violações envolvem um país dito comunista, no caso a China. Silencia.
Uma certa mídia que se auto-denomina independente, chamada Brasil 247, que diariamente ataca (com razão) a grande imprensa por falsear a verdade em nome de interesses particulares, foi incapaz de trazer uma palavra sobre a divulgação de dezenas de milhares de documentos secretos chineses expondo a violação de direitos humanos contra a comunidade Uigur. Escamoteia, portanto, os fatos, da mesma maneira que os Marinhos, Saads, Santos e companhia.
Arquivos policiais, fotografias e documentos oficiais de altos funcionários do PCC, Partido Comunista da China, chegaram às mãos da BBC e de outros dezesseis meios de comunicação internacionais, oferecendo um painel da magnitude do sistema prisional e do tratamento desumano imposto por Pequim à minoria Uigur, na região de Xinjiang.
Essa corrente stalinista abandonou, esperemos que não definitivamente, os valores humanistas, a ponto de fechar os olhos para os crimes contra a humanidade cometidos por aqueles que utilizam em vão a palavra comunismo.
Os documentos publicados na imprensa internacional fornecem provas cabais da política repressiva chinesa dirigida contra qualquer expressão da identidade, cultura e fé islâmica Uigur, e citam uma cadeia de comando que chega ao presidente chinês, Xi Jinping, em pessoa. Os ficheiros hackeados contém mais de 5 mil fotografias de uigurs sendo maltratados, tiradas pela polícia entre janeiro e julho de 2018, além de outros 2.884 documentos e também discursos confidenciais de altos funcionários chineses, manuais internos da polícia e informações pessoais, com detalhes do internamento de mais de 20 mil uigurs.
O PCC é acusado de prender mais de um milhão de uigurs e membros de outras minorias muçulmanas na região do extremo oeste da China como medida de repressão, que dura há vários anos e que muitos rotulam de “genocídio”.
Com base nesses documentos da polícia de Xinjiang, defensores dos direitos humanos acusam as autoridades chinesas de realizarem campanhas de trabalho forçado, tortura física e psicológica, a que dão o nome de “reeducação”, esterilização forçada para baixar os níveis de natalidade de mulheres de religião islâmica e destruição do seu patrimônio cultural. Os documentos publicados falam em práticas como ablações do útero, abortos forçados, colocação de stérilets, sem falar em estupros. Muitas mulheres seriam forçadas a virar escravas sexuais.
São no total 150 “Escolas de Reeducação”, que, como mostram os documentos publicados, não passam de campos de reeducação, no melhor estilo da época do Grande Timoneiro. Ali, os uigurs são submetidos a técnicas que visam “retirar de suas cabeças o vírus que os fazem pensar de forma diferente ». No total, haveria 1 milhão de detidos.
Apesar das provas contidas nas publicações, a China reage qualificando as acusações de “mentira do século ». Segundo o Partido, Pequim está preocupada exclusivamente com a desradicalização e o combate ao terrorismo, uma vez que nos últimos anos vários ataques terroristas foram reivindicados pela minoria Uigur.
A afirmação do governo chinês de que os campos de reeducação construídos em Xinjiang desde 2017 nada mais são do que “escolas” é contrariada por instruções internas da polícia, listas de guardas e imagens nunca antes vistas de detidos. Quanto ao uso generalizado das acusações de terrorismo, sob as quais muitos milhares foram condenados à prisão, tudo não passaria de um pretexto para um método paralelo de internamento, através de “sentenças arbitrárias e draconianas”, como se refere a BBC. Muitos uigurs foram detidos apenas por sinais externos comuns da sua fé islâmica, a começar pelas barbas compridas dos homens e o uso de hijab pelas mulheres, ou por visitarem países com população majoritariamente muçulmana, ou fazerem a viagem à Meca. Os cemitérios e lugares de culto são sistematicamente destruídos, a prática religiosa, condenada.
Embora utilize o termo de formação profissional, Pequim reconhece que o objetivo das « escolas » é a reeducação dos uigurs, que teriam aí a oportunidade de sair da pobreza e se preservar do islã radical. Assim, centenas de milhares de prisioneiros são obrigados a renegar as suas convicções religiosas e jurar fidelidade ao PCC. Ex-detidos, reconvertidos em operários a serviço das empresas locais, são frequentemente apresentados nos canais oficiais de televisão como modelos de reinserção social, que hoje vivem felizes.
A televisão estatal afirma que a admissão nesses campos é facultativa. As reportagens mostram imagens de estudantes aprendendo o mandarim e profissões nos setores da alimentação e têxtil. Muito embora as iumagens divulgadas pela imprensa internacional mostrem que os campos têm muros altos, cercas de arame farpado e miradouros como nas prisões.
Para o Estado chinês, o controle de Xinjiang é um elemento econômico primordial. As rotas comerciais entre a Europa e a Ásia se cruzam na região, que está no coração do projeto da nova Rota da Seda, além do que seu subsolo é rico em recursos naturais como petróleo, carvão, gás natural, urânio, cobre, zinco, ouro, prata, e terras raras (compostas de 17 substâncias químicas cujas propriedades são utilizadas em uma grande variedade de aplicações tecnológicas e estão incorporadas em supercondutores, magnetes, catalisadores, entre outros. Essas substâncias também foram muito usadas em tubos de raios catódicos para televisores e computadores.)
Entre 2017 e 2019, segundo o Instituto australiano de Estratégia Política, que depende do Ministério da Defesa, mais de 80 mil uigures foram requisicionados pelo Estado chinês para trabalhar em 83 multinacionais, dentre as quais BMW, Volkswagen, Gap, Adidas, Nike, Uniqlo, H&M, Apple, Samsung, Sony, Microsoft, Huawei, Haier, Oppo, em condições de semi-escravidão, ganhando salários miseráveis por mais de doze horas de trabalho diário.
Os documentos agora publicados mostram ainda que as condições de vida dos uigurs internados nos campos de reeducação são extremamente duras: acordam antes do nascer do sol, cantam o hino chinês e celebram o hasteamento da bandeira às 7h30; em seguida têm duas horas e meia de curso de chinês, onde aprendem história e cantos comunistas. Ao meio-dia tomam uma sopa rala de legumes com um pouco de arroz e um pedaço de pão. Os banhos são raros, para evitar que lavem as mãos e os pés como ditam as regras muçulmanas. Diariamente ouvem discursos sobre os perigos do fundamentalismo religioso e do separatismo e passam testes sobre os perigos da religião islâmica. As respostas “erradas » são sancionadas com castigos corporais. Os detidos são obrigados a comer carne de porco e tomar bebidas alcoólicas, a substituir as rezas antes das refeições por agradecimentos a Xi Jinping. Com frequência dormem a dois em uma cama, quando não são obrigados a dormir em turnos para limitar o número de leitos.
Segundo uma diretiva de 2017, os prisioneiros devem passar o dia a gritar slogans e entoar cantos revolucionários; precisam conhecer de cor o Clássico dos Três Caracteres, comumente conhecido como San Zi Jing ou Clássico Trimétrico , um dos textos clássicos chineses que resume o pensamento de Confúcio .
A tortura é constantemente utilizada.
Em junho do ano passado, a ONU recebeu informações consideradas críveis sobre a extração forçada de órgãos de prisioneiros nos campo, para transplante.
Às acusações, Xi Jinping, que soma mais poderes que todos os seus predecessores, responde pelo sarcasmo. Ao conversar com a alta comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, em visita à China, afirmou que “nenhuma nação se encaixa no ideal de direitos humanos e que não há necessidade de um professor dando lições a outros países. Afinal, a proteção dos direitos humanos é uma tarefa para toda a humanidade”.
Apesar das provas contundentes, esta corrente stalinista, que se diz de esquerda, limita-se a responder que tudo não passa de propaganda ocidental e opta pela pose do avestruz, enterra a cabeça na areia e assim nada vê.
As máscaras caem

As máscaras caem

A CAIXA DE PANDORA ABRE E ESPALHA UM CHEIRO FÉTIDO

As máscaras começam a cair. Ao determinar o bloqueio imediato das contas do Partido da Causa Operária (PCO) nas plataformas Twitter, Instagram, Facebook, Telegram, YouTube e Tik Tok, em razão de postagens em que a legenda pede a dissolução do Supremo e acusa o TSE de ataque à liberdade de expressão e tentativa de fraudar as eleições, o ministro Alexandre de Moraes abriu a caixa de Pandora. E o que pode sair de dentro cheira mal, muito mal.
A decisão foi tomada no âmbito do inquérito das fake news, em andamento no STF. Para o ministro, há fortes indícios de que o partido esteja utilizando dinheiro público para fins ilícitos, como a disseminação em massa de ataques às instituições democráticas e ao próprio Estado de Direito, em desrespeito aos parâmetros constitucionais que protegem a liberdade de expressão. O Partido exige a dissolução do Supremo e acusa os ministros de estarem preparando um golpe eleitoral.
“O que se verifica”, aponta o ministro do Supremo, “é a existência de fortes indícios de que a infraestrutura partidária do PCO, partido político que recebe dinheiro público, tem sido indevida e reiteradamente utilizada com o objetivo de viabilizar e impulsionar a propagação das declarações criminosas, por meio dos perfis oficiais do próprio partido, divulgados em seu site na internet”.
Como sempre faz, o Partido respondeu de maneira chula, acusando a Corte de agir como o Tribunal da Inquisição.
Mas quem frequentou certa plataforma que se diz de esquerda e já duelou com Rui Costa Pimenta, o presidente do PCO, como eu, não se surpreende. Afinal, Pimenta é um costumeiro criador de fake news e, como stalinista que é, não tem compromisso ideológico algum, navegando alegremente de um lado para o outro. Pimenta está mais próximo de Jair Bolsonaro que de Lula. Aliás, declarou em entrevista à Folha, ao defender o ex-apresentador Monark, que seu partido pode atuar em conjunto com o bolsonarismo.
A verdade, porém, é que o PCO já é um aliado do presidente fascista, como demonstra o jornalista Mauro Lopes em um artigo publicado na Revista Forum. Além de defender o fechamento do STF, Pimenta  alinha-se a Bolsonaro nas seguintes teses: investida contra as urnas eletrônicas, defesa do voto impresso, defesa da liberação do uso de armas, negacionismo na pandemia, ataques às vacinas, críticas ao STF pela condenação de Daniel Silveira, defesa do futebolista Robinho, condenado por estupro coletivo,  luta pela liberdade de expressão plena, inclusive dos racistas e pela criação de um partido nazista no Brasil, sem falar nas constantes investidas contra os movimentos indígena, antirracista, feminista e judeus.
Rui da Costa Pimenta tem um viés Olavista e não esconde que prefere Bolsonaro à Alckmin.
E, no entanto, o líder deste “partido”, que não tem sequer um vereador eleito, é querido nos meios stalinistas representados em certas plataformas que ousam se dizer de esquerda e são alérgicas aos direitos humanos e à democracia.
No dia seguinte à decisão de Alexandre de Moraes, os colunistas bravejaram contra o ministro, ecoando o pedido de fechamento do Supremo.
Se o que vai sair da caixa de Pandora cheira mal é porque vários pseudo-esquerdistas que transitam pelas mesmas redes que Rui Pimenta continuam a ocupar horas e horas do espaço mediático. Um deles se chama Pepe Escobar, que é líder de audiência e, portanto, representa um maná para quem o tem como colunista, pomposamente intitulado analista internacional.
Sua carreira começou na mídia brasileira, nos anos 80, como crítico de cultura, terminando de forma conturbada por causa de inúmeros casos de plágio e matérias falsas. Pepe Escobar foi demitido em 1987 da Folha de S. Paulo após a publicação de um artigo sobre o disco Let’s Dance, de David Bowie, inteiramente copiado da revista Rolling Stone. Este e outros plágios foram identificados e denunciados pelo jornalista André Singer. Na ocasião, Pepe Escobar explicou que se tratava de uma homenagem ao “jogo de espelhos” de Jorge Luis Borges. A explicação não pegou, assim como não colaram as explicações dadas aos chefes da revista Bizz sobre o plágio de uma entrevista com Brian Ferry. No Estadão, inventou de A a Z uma entrevista com o cineasta Roman Polanski, o que lhe valeu uma nova demissão.
Foi então que o pseudo jornalista decidiu iniciar uma nova vida como correspondente internacional.
Pepe Escobar saiu do Brasil, mas não mudou.
Assim por exemplo, durante a pandemia, fez comentários elogiosos sobre o infectologista francês Didier Raoult, citado por negacionistas do mundo inteiro por defender a hidroxicloroquina como remédio para a COVID-19. “Ninguém conhece mais sobre doenças transmissíveis no mundo do que ele [Raoult]. Se ele está dizendo que [a cloroquina] funciona, você pode aplicar isso no mundo inteiro”, afirmou Escobar em artigo publicado originalmente no Asia Times e traduzido pelo Brasil 247.
Ele sugeriu inclusive que a França, país de Raoult, estaria propositadamente “escondendo uma cura barata e testada para o vírus” (a hidroxicloroquina).”
Raoult foi punido pela Câmara de disciplina do Colégio de Médicos por não se basear em “dados confirmados” ao promover o medicamento. E foi obrigado a reconhecer que a hidroxicloroquina não reduz mortes relacionadas à doença.
Quanto à Pepe Escobar, banido do Facebook por espalhar notícias de cunho negacionista, criou um grupo de notícias no Telegram e seguiu postando conteúdo similar.
Por fim, o jornalista também escreveu textos insinuando que os Estados Unidos seriam a origem do vírus da COVID-19, que teria saído do Instituto de Pesquisa Médica de Doenças Infecciosas do Exército dos EUA, em Fort Detrick, Maryland, sendo posteriormente levado à China nos Jogos Mundiais Militares de Wuhan de 2019.
Em outra ocasião dramática, afirmou ter sérios indícios, nunca revelados, de que os serviços secretos israelenses estariam atrás dos ataques do 11 de setembro.
Escobar foi citado nominalmente em documentos internos do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que o ligam a um “ecossistema de fake news do governo russo de Vladimir Putin, com fortes conexões com a extrema-direita mundial. A ideia por trás de tal rede seria influenciar o cenário internacional com opiniões pró-Rússia e anti-Ocidente, fazendo uso de técnicas da chamada pós-verdade como as notícias falsas e a infiltração em massa de robôs em redes sociais. Para isso, a rede faria uso de estrangeiros (não-russos) que tenham penetração na mídia internacional, notadamente aquela que publica em inglês, como é o caso do brasileiro.”
O primeiro documento em que Escobar é referenciado, chamado Pilaras of Russia’s Disinformation and Propaganda Ecosystem (‘Pilares do Ecossistema Russo de Desinformação’), é uma análise detalhada do esquema desinformacional e propagandístico russo, suas principais mídias e participantes – incluindo Escobar, que é citado quatro vezes. Dos sites de análise geopolítica citados no dossiê como propagadores de mentiras à mando do Kremlin – The Strategic Culture Foundation, Global Research, News Front, South Front,Katehon, Geopolitica.ru e New Eastern Outlook -, Escobar escreve, já escreveu ou é republicado em seis deles.
Ainda de acordo com o mapeamento feito, narrativas falsas seriam geradas pelo governo russo, em publicações financiadas pelo Kremlin como Sputnik e Ru, nos quais Escobar também é citado. A análise é corroborada pelo Centre for the Analysis of the Radical Right (Centro de Análises da Direita Radical).
Essa rede teria grande influência em narrativas desenvolvidas no campo político da extrema-direita mundial. Refletindo essa ligação, Escobar tornou-se amigo pessoal do filósofo ultradireitista, Aleksander Dugin (que foi próximo de Olavo de Carvalho), conselheiro do mandatário russo Vladimir Putin e principal ideólogo da anexação da Crimeia e do recente expansionismo russo.
Apesar disso e de muito mais, Pepe Escobar finge ser de esquerda e conta as suas mentiras em plataformas ditas independentes e nas redes sociais.

Aberta, a caixa de Pandora é fétida.