Putin no TPI?

Putin no TPI?

Procurador-geral do TPI vai investigar crimes de guerra russos na Ucrânia, mas não será fácil levar Putin ao Tribunal de Haia

Embora reconheça que não será fácil levar Vladimir Putin ao banco dos réus do TPI, o procurador-geral do Tribunal Penal Internacional, Karim Khan, prometeu abrir investigações “independentes e objetivas” tão rapidamente quanto possível. “Existe uma base sólida” para se acreditar que houve “crimes de guerra e crimes contra a humanidade” na Ucrânia por parte da Rússia.

O ditador russo poderá, ou melhor, deverá ser acusado pelo Tribunal de Haia por fomentar crimes de guerra e contra a humanidade na Ucrânia e não apenas pelas atrocidades cometidas desde o último 24 de fevereiro.

O TPI já havia promovido uma investigação preliminar, com base em alegações de que teriam sido cometidos esses crimes no conflito armado que, desde 2014, opõe o governo ucraniano às forças separatistas apoiadas pela Rússia na região do Donbass, no leste do país. Neste mesmo ano, as tropas moscovitas invadiram e anexaram a Crimeia. Agora, “perante a expansão do conflito no último mês”, Karim Khan quer investigar novos relatos de crimes que entrem na alçada do TPI.

39 países, incluindo a União Europeia e a União Africana, já pediram oficialmente a abertura das investigações sobre a invasão russa.

Embora nem a Rússia nem a Ucrânia tenham ratificado o Estatuto de Roma, que instituiu o Tribunal Penal Internacional em 1998 (o que em princípio colocaria os dois países fora da sua alçada), o tratado prevê que o TPI terá jurisdição caso um país que não o integre aceite a autoridade do Tribunal, apresentando uma declaração formal nesse sentido. E foi justamente isso que a Ucrânia fez em dois momentos: primeiro através de uma declaração em que aceitava a jurisdição do TPI para investigar e julgar crimes cometidos no seu território no início do conflito com as forças separatistas russas, entre novembro de 2013 e fevereiro de 2014; depois através de uma segunda declaração enviada em setembro de 2015, de “duração indefinida”, que autoriza o Tribunal de Haia a “identificar, processar e julgar os perpetradores e cúmplices de atos criminosos cometidos em território ucraniano a partir de 20 de fevereiro de 2014”.

Em 2020, a então promotora do Tribunal, Fatou Bensouda, concluiu que havia uma base procedente para acreditar que três tipos de crimes foram cometidos: no contexto da condução das hostilidades, durante as detenções e aqueles cometidos na Crimeia pós-invasão. Agora, o atual promotor do TPI, Karim Khan, está abrindo oficialmente a investigação proposta por sua antecessora e ampliando-a para incluir a recente invasão da Ucrânia.

Khan diz ter pedido à sua equipe que aproveite todas as oportunidades para obter e preservar provas e explicou que a abertura do processo poderia ser agilizada se um país membro do TPI pedisse ao seu gabinete que averigue a situação na Ucrânia, o que a Lituânia anunciou já ter feito. A ministra lituana da Justiça, Evelina Dobrovolska, falou por telefone com o seu homólogo ucraniano, Denys Maliuska, informando-o que o seu governo estava “apelando ao procurador do Tribunal de Haia”, de acordo com o Estatuto de Roma. O que foi confirmado pela primeira-ministra lituana, Ingrida Simonyte, ao jornal norte-americano Washington Post.
A Lituânia é um país báltico, portanto vizinho da Rússia, extremamente preocupado com o risco de que Putin avance para além das fronteiras da Ucrânia.

A decisão anunciada pelo TPI é consequência de inúmeras denúncias de crimes de guerra que estariam sendo cometidos pelas forças russas nesta invasão. O embaixador ucraniano na ONU lembrou, dias atrás, que as tropas de Putin atacaram civis e que entre os seus alvos contam hospitais, ambulâncias, escolas, teatros, orfanatos e outros alvos não militares. O embaixador apelou também à punição do líder bielorrusso Alexander Lukashenko, acusando-o de ataques à Ucrânia e de ter oferecido o seu território como base para a invasão russa.
Em Bucha, nesta segunda-feira (4), o mundo viu estupefato as imagens de centenas de cadáveres nas ruas próximas de Kiev, numa região retomada pelas forças ucranianas. De acordo com as autoridades da Ucrânia, mais de 300 corpos foram enterrados em valas comuns. A Rússia contesta a autoria do massacre.

Há de se falar também dos refugiados e deslocados internos, que já somam 10 milhões (o maior número desde a Segunda Guerra), dentre os quais mais de 4 milhões de crianças, ou seja, a metade da população infantil da Ucrânia, segundo a UNICEF.

E isso sem dizer que não houve, por parte da Rússia, nem sequer uma declaração formal de guerra, nem é claro um pedido de autorização para o uso da força à ONU, como exige o Direito Internacional.

O promotor do TPI deve provar que os supostos crimes são crimes de atrocidade: genocídio, crimes contra a humanidade ou crimes de guerra. Mesmo que seja extremamente difícil provar a intenção de cometer tais crimes e designar com certeza absoluta seus autores. Tão difícil que apenas seis pessoas foram condenadas pelo TPI e cumpriram pena.

O Direito Internacional Humanitário é baseado nos princípios de humanidade, necessidade, distinção e proporcionalidade. Um crime de guerra ocorre quando os civis não são diferenciados das tropas militares, quando os danos aos civis não são minimizados e quando há destruição, sofrimento e baixas desnecessárias.

Se um dia o TPI emitir um mandado de prisão contra Putin, ele não poderá viajar para os 123 estados que fazem parte do Tribunal, pois outros Estados podem decidir entregá-lo à Justiça. Mas um mandado de prisão não é uma garantia de condenação. E é difícil, senão praticamente impossível, vincular um chefe de Estado em exercício a crimes cometidos pelas forças armadas no terreno.

Por isso, é quase certo portanto, que não veremos Putin em Haia. Muito embora o candidato a czar venha sendo acusado de violações dos direitos humanos praticamente desde que chegou ao poder, em 1999. Ainda como primeiro-ministro, liderou a repressão do separatismo checheno. Depois, em 2008, no conflito com a Geórgia em torno das províncias da Ossétia do Sul e da Abkházia, as tropas russas foram acusadas de atacar alvos civis. Em 2016, o TPI abriu uma investigação de eventuais crimes de guerra cometidos na Geórgia em 2008. E em 2020, como já dissemos, a promotora do TPI acusou Putin de três crimes cometidos na Crimeia.

De qualquer maneira, independentemente das provas de crimes que o TPI recolha no contexto desta nova invasão da Ucrânia, a possibilidade de Putin vir a sentar-se no banco dos réus em Haia é remotíssima. Primeiro porque a jurisdição do TPI só abrange crimes ocorridos no território de um país-membro ou que tenham sido cometidos por um cidadão de um desses países. Rússia e Ucrânia assinaram o tratado, mas os seus parlamentos não o ratificaram. Há duas exceções: a primeira, como falamos, se refere à possibilidade de um país que não é parte do TPI aceitar expressamente a sua autoridade (o que a Ucrânia já fez), a outra implicaria que a própria ONU levasse a questão ao Tribunal de Haia; um cenário impossível na medida em que a Rússia, juntamente com Estados Unidos, China, França e Reino Unido, é um dos cinco países membros permanentes do Conselho da Segurança com poder de veto.

No entanto, teoricamente não é impossível que Putin possa vir a ser detido e posteriormente julgado em Haia, após ter deixado o poder (se reeleito, poderá ser presidente até 2036). A procuradora-geral ucraniana, Iryna Venediktova, mostra-se confiante de que esse será o seu destino: “Cidadão Putin, habitualmente respeito a presunção de inocência, mas não no seu caso. Provaremos num julgamento justo que você é um assassino e o principal criminoso de guerra do século XXI. Eu, como procuradora-geral do Estado soberano da Ucrânia, e no interior das suas fronteiras, que não são suas, declaro-lhe isto oficialmente: virá o tempo em que lhe direi em Haia, cara a cara.”

Como quase impossível não significa impossível, podemos sonhar com Putin e Bolsonaro vestidos com roupas listradas, sentados lado a lado no banco dos réus do TPI, ouvindo a sentença de condenação à perpetuidade pelos crimes cometidos. Bolsonaro terá então todo o tempo livre para negociar a compra de fertilizantes enquanto Putin ensina xadrez ao “ilustre” colega.

O general inverno

O general inverno

Eu não sei quem mais, mas eu sinto a dias como se estivesse carregando um peso. As informações atualizadas do que acontece na Ucrânia chegam aqui em Israel a todo minuto. Como não poderia deixar de ser, trazem consigo as desgraças que se abateram sobre as pessoas. Me causam uma dor enorme.

Para cada foto de um veículo militar destruído, são dezenas de imagens de casas e prédios destruídos. Civis mortos, ou aqueles que com alguma sorte e a roupa do corpo conseguiram escapar deixando a vida que tinham para trás.

Em meio a destruição de lares, se vão as memórias junto com eles. Se a guerra terminasse neste momento, milhões de ucranianos já não teriam para onde voltar. A vida como ele era, acabou para sempre. Reconstruir vai levar muito tempo e exigir um esforço monumental da população e do governo. Algumas cidades foram arrasadas. E para que? Que ganho militar isto representa?

A humanidade continua se comportando como na Idade da Pedra em se tratando de guerra. O desrespeito a vida é total e absoluto. Militares e cidadãos são tratados da mesma maneira. Mulheres e crianças, idosos e animais domésticos são alvos legítimos, não importa os tratados internacionais que foram assinados. Nem a Máfia faz isso.

Ainda é cedo para se saber o número de mortos até agora. Quando as armar silenciares vamos ter inicialmente uma ideia aproximada, e mais tarde, a realidade. As vidas perdidas, os sonhos destruídos e junto com eles a falta de perspectiva para o futuro. A recuperação será lenta e gradual e vai depender em grande parte de ajuda internacional.

Neste momento as forças russas não conseguem avançar além de onde já chegaram. A resistência do exército ucraniano, a despeito de sua inferioridade, não era esperada, mas está sendo eficiente dentro do possível. Os generais russos foram surpreendidos no que acharam que seria uma Blitz que estaria resolvida em poucos dias com a ocupação do país. Muitos deles já foram destituídos de seus cargos, outros presos. Putin não perdoa.

O fato é que a cada dia que passa, a situação piora para Putin. O general inverno venceu Napoleão e mais tarde Hitler quando invadiram a Rússia. Ao que parece ele não aprendeu a lição e suas tropas encontram enormes dificuldades para se locomoverem em meio a neve e o barro em um terreno desconhecido. Se tornam presas ideais para emboscadas e armadilhas plantadas pelas forças ucranianas. Alguns já dizem que a Ucrânia se tornou o Afeganistão Europeu para os russos. O general inverno mudou de lado.

Prisioneiros russos entrevistados dizem que só ficaram sabendo do que iriam fazer, poucas horas antes de atravessarem a fronteira. A maioria deles não tem nenhuma motivação para esta guerra. Na primeira oportunidade se entregam ou se deixam capturar. São jovens recrutas metidos em fardas enviados para a batalha com pouca ou nenhuma formação militar. Os oficiais não conseguem elevar a moral das tropas, nada faz sentido para elas.

As cidades russas permanecem intactas. Boa parte da população nem sabe do que está acontecendo. A censura é implacável e os meios de comunicação impedidos de usar a palavra guerra. No máximo algumas poucas linhas sobre uma missão na vizinha Ucrânia. Nenhuma sobre o número de baixas e fracassos. Contudo as pessoas se perguntam porque ficaram sem a vida que estavam acostumados de um dia para o outro.

Centenas de companhias internacionais abandonaram a Rússia. Imagine sua vida se de uma hora para outra seu cartão de crédito deixasse de funcionar. Sua moeda não valesse mais nada. Seus produtos preferidos desaparecessem das gondolas dos supermercados, sua lanchonete preferida, sua loja preferida fechasse suas portas. Seu conforto, ao qual seu cotidiano existia, terminasse. É assim que os russos estão vivendo. Muitos estão abandonando o país levando o que podem. Alguns já compreenderam o que está acontecendo e passam a duvidar do seu futuro no país.

Com dificuldade para efetuarem pagamentos no exterior, já começam a faltar produtos. Cenas de uma batalha campal por açúcar já foram mostradas. E isto é só o começo. O racionamento de itens básicos é só uma questão de tempo enquanto durarem os estoques. Depois disso, ninguém sabe. Normalmente nestes tempos de escassez, a inflação dispara. Para uma moeda já totalmente desvalorizada, é um pesadelo para a economia. Uma hiperinflação pode ser vista no horizonte.

Ninguém sabe o que Putin realmente deseja, nem mesmo se já alcançou algum de seus objetivos. O que já se sabe é todo o mal que ele já causou aos dois povos, e ainda pode causar se esta guerra não tiver fim.

No teatro do absurdo tudo é possível

No teatro do absurdo tudo é possível

O que quer Vladimir Putin?

Nas primeiras horas do conflito, após o reconhecimento da independência do Donbass e Lugansk (oficialmente respondendo a pedido das autoridades locais), o “czar” afirmava que o objetivo da invasão das tropas russas era garantir a segurança das duas repúblicas, que, em outras palavras, passavam a integrar a zona de influência moscovita. Elevava-se desta forma de dezenove para vinte e um o número de repúblicas sob as ordens do Kremlin.

Naquela altura já estava claro, contudo, que o objetivo da guerra, fixado por Putin, não se limitava ao Donbass, Lugansk e regiões periféricas. Ele não precisava de 150 mil homens fortemente armados só para isso.

Em seguida, o ditador russo anunciou a desnazificação da Ucrânia. Outra desculpa esfarrapada, pois um nazifascista como Putin, chefe de Estado que mantém relações privilegiadas com a extrema-direita mundial e que segue os preceitos do Duguismo, correspondente ao Olavismo de Bolsonaro, não faria uma guerra para desnazificar o país vizinho. Mesmo porque o principal representante do nazismo na Ucrânia, o batalhão Azov, ultranacionalista, é contra a Rússia da mesma forma que é contra a OTAN e a União Europeia.
Aqueles que acusam o Batalhão de ser apoiado e financiado pelos Estados Unidos, fingem não saber que em outubro de 2019, membros da Câmara dos Representantes dos EUA do Partido Democrata solicitaram que o Batalhão de Azov e dois outros grupos de extrema direita fossem classificados como Organização Terrorista Estrangeira pelo Departamento de Estado dos EUA, citando atos de violência de direita, como os tiroteios na mesquita de Christchurch no início daquele ano. O pedido gerou protestos de apoiadores de Azov na Ucrânia (um dos líderes do Batalhão seria um nacionalista brasileiro chamado “Frank Horrigan »). Em 2018, a Câmara dos Representantes dos EUA também aprovou uma disposição bloqueando qualquer treinamento de membros de Azov pelas forças americanas, citando suas conexões neonazistas.

Então se a razão da guerra não era de desnazificar a Ucrânia, qual seria? Provavelmente a tomada de toda a Ucrânia, com a imposição da neutralidade, da desmilitarização e de um novo governo pró-russo.

Chegamos assim perto da verdade, mas era sem contar com a loucura de Vladimir Putin. Sim, porque aparentemente o presidente russo enlouqueceu. Dizem que é por causa do isolamento em que se encontra, o que eu não acredito, pois o problema vem de longa data.
De qualquer maneira, nas últimas horas Putin não teve toda a sua razão, com ações fora de lógica, a não ser que estivesse determinado a provocar uma guerra mundial.

Nesta quarta-feira, dia 2 de março, dois aviões caça Sukhoi Su-25 e outros dois Sukhoi SU-27 da Força Aérea Russa violaram o espaço aéreo sueco. Putin, ao contrário da prática corrente entre dois países, não se desculpou, nem entrou em contato com as autoridades suecas para explicar que houve um engano (desculpa de praxe). Isso leva a crer, portanto, que a violação do espaço aéreo foi proposital, uma advertência que reforça as palavras ameaçadoras do presidente russo, segundo as quais se a Suécia e a Finlândia abandonarem a neutralidade para ingressar na OTAN, terão a mesma sorte da Ucrânia.

Na madrugada de 3 para 4 de março, as forças russas atacaram a central nuclear de Zaporizhzhia, a maior da Europa com seis reatores, causando um incêndio no prédio da administração da usina e provocando pânico na população ucraniana e também europeia. Segundo Putin, a operação militar russa segue de acordo com aquilo que havia sido determinado, o que nos leva à conclusão de que ele não abre mão do terror nuclear. E que está disposto a correr o risco de um acidente nuclear, sem falar da eventual entrada do poderio atômico russo na guerra.

Com a ocupação da central de Zaporizhzhia, Putin tem entre suas mãos a produção de energia da Ucrânia, situação que deixa as grandes cidades sem eletricidade, sem aquecimento, sem água, além de controlar as vias de acesso e fornecimento de alimentos. Segundo estrategistas ocidentais, Putin cercou as cidades e negociou a abertura de corredores humanitários para a fuga da população civil, o que o deixará com as mãos livres para realizar uma tempestade de bombas, matar o máximo de pessoas e obrigar Zelenski à demissão. Emmanuel Macron, após uma discussão de 1h30 com Putin por telefone, anunciou que o pior está por vir.
O massacre será terrível.

Apesar da avassaladora superioridade militar de Moscou, Putin não se preparou para um conflito longo.

No plano interno, a Douma, a Câmara baixa do Parlamento russo, votou uma lei que não deixa a menor fresta para a verdade. Toda notícia considerada falsa pelo alto comando das forças armadas será sancionada com 15 anos de prisão. E o que é notícia falsa? Toda e qualquer informação não confirmada ou não emanada das forças russas. A mera utilização da palavra guerra ou invasão entra nessa definição, já que o Kremlin considera que se trata de uma simples « operação especial ».
Ao agir dessa forma, Vladimir Putin quer deixar claro que é o único capitão a bordo e que o futuro da guerra, da Ucrânia e talvez até do mundo, depende dele, e exclusivamente dele.

Os russos, ou provavelmente grande parte deles, estão convencidos de que a invasão da Ucrânia foi necessária e urgente para salvar a Rússia. Sim, porque vários mísseis de grande poder destruidor, inclusive com ogivas nucleares, instalados na Ucrânia, estavam prestes a ser lançados contra Moscou e as principais cidades russas. O ataque era iminente. Essa versão foi contada por cidadãos russos, convencidos de que Putin os salvou. Eles não se perguntam por que as tropas russas não encontraram nenhum míssil voltado para a Rússia, nem por que essas armas não foram disparadas.
Estranho, não é mesmo?

No mundo das fake news aliás, é preciso salientar que apenas a extrema-direita e parte da extrema-esquerda saudosista apoiam o agressor russo. Dentre eles, alguns grupos que aceitam tudo, absolutamente tudo o que for contra os Estados Unidos, culpados pelo mal do mundo, por todo o mal do mundo. A palavra de ordem destes é « o inimigo do meu inimigo é meu amigo ». Washington representa o que de pior existe desde o fim da Segunda Guerra, mas desta vez não foram os Gis que invadiram a Ucrânia. Mesmo assim, os extremistas não hesitam em abrir espaço na imprensa independente ao discurso da extrema-direita próxima do neonazismo, em nome da defesa de Putin. O que nos leva à situação surreal em que os neonazistas estão mão na mão com os stalinistas. É um dos ensinamentos absurdos deste teatro à la Ionesco.

A guerra que ressuscitou a OTAN e uniu a UE

A guerra que ressuscitou a OTAN e uniu a UE

E o tiro saiu pela culatra. Ao invadir a Ucrânia, Vladimir Putin apostou na desunião de uma Europa em crise, mal preparada para enfrentar seus desafios do dia-a-dia, incapaz de lidar com mais uma guerra em suas fronteiras. Os conselheiros diplomáticos e militares de Putin desprezaram a Europa ou, melhor dizendo, só enxergaram a questão do gasoduto Nord Stream 2. Apostaram que Berlim não teria a coragem de suspender a certificação do gasoduto que liga a Alemanha à Rússia. Perdeu. De resto, o próprio presidente russo tratou Macron e Sholz como simples pombos-correio de Washington, o que não são de maneira alguma, mesmo porque os EUA já deixaram claro que não mais pretendem socorrer militarmente o velho continente de forma incondicional.
Esse foi um dos aparentemente muitos erros de Vladimir Putin nesta operação, que deveria ser um mero passeio militar. Soldados russos capturados e filmados afirmaram que, segundo foram informados por seus oficiais, tratava-se de uma simples missão de treinamento.
Putin acreditou que se abria uma janela de oportunidade com a presidencial na França, a chegada ao poder de um novo e inexperiente chanceler alemão e Biden às voltas com as eleições de meio-mandato. Macron, presidente em exercício da União Europeia e Olof Sholz não passariam de fantoches. Ledo engano. Ambos se mostram verdadeiros estadistas. Putin respeitava Angela Merkel, conhecedora do socialismo soviético, da mesma idade que ele, e com quem conversava com frequência. Desprezou o seu sucessor.
A invasão da Ucrânia teve como resultado o inverso do que Putin pretendia, a união da Europa, de toda a Europa, inclusive dos países como Hungria e Polônia, reticentes com relação às diretrizes de Bruxelas.
Ao contrário do que se imaginava, as respostas e sanções mais duras foram adotadas pela UE e não pelos Estados Unidos. Pela primeira vez, a Europa decidiu comprar armas para fornecer à Ucrânia, inclusive aviões de combate. A totalidade dos ativos do Banco Central russo foram bloqueados e todos os bens e investimentos dos oligarcas russos retidos. O comércio com a Rússia, suspenso. O que não é pouco, se considerarmos que juntos os 27 países do bloco são o principal parceiro comercial de Moscou e que quase toda a riqueza dos oligarcas russos se encontra na Europa, em forma de mansões e castelos, iates, carros de luxo, vinhedos, obras de arte, clubes de futebol. A Rússia já sente os efeitos das sanções. Duplamente: 1) o Banco Central russo já anunciou que a situação é dramática e que tenta evitar a asfixia e quebras financeiras, com os bancos sem dinheiro, o rublo derretendo e os juros disparando; 2) com medo de perder suas fortunas, os oligarcas, que são uma das bases de sustentação do regime, voltam-se contra Putin e pedem que abandone a operação. Oleg Deripaska, milionário fundador do gigante do alumínio Rusal, exigiu o fim do “capitalismo de Estado” na Rússia, face à crise provocada pelas sanções ocidentais na sequência da invasão russa. O magnata da mídia, Evgeny Lebedev, usou as páginas de um dos seus jornais para pedir a Putin o fim da guerra. “Presidente Putin, por favor, pare esta guerra“, estampou a primeira página do Evening Standard, de Londres, destacando a imagem de médicos que lutam para salvar uma menina de seis anos vítima do bombardeio de Mariupol, a segunda maior cidade do Donbass. Numa carta aos funcionários do seu fundo ‘LetterOne’, o bilionário Mikhail Fridman denunciou a guerra na Ucrânia, uma “tragédia” que “devastaria” os dois países.
A agressão de Putin teve outra consequência extremamente benéfica para Bruxelas. Deixou escancarada a necessidade de o bloco criar seu próprio sistema de defesa, independente dos Estados Unidos, em torno da arma nuclear francesa. Apesar das várias iniciativas neste sentido, a Europa sempre se mostrou desunida face a essa questão, que parece enfim entrar na ordem do dia. A defesa europeia poderá agora tornar-se uma realidade. A União Europeia volta a ser um interlocutor e um ator da cena política internacional. Não é apenas um apêndice dos Estados Unidos. Quem a vê assim comete um erro crasso. Analistas, especialistas em geopolítica, chegaram a comentar que a invasão da Ucrânia marca o início de uma nova ordem mundial, com dois polos: Estados Unidos e aliados ocidentais, China e Rússia. Era sem contar com o renascimento da Europa.
Certamente, Putin não esperava um pacote de sanções tão violentas, nem muito menos a reação quase unânime do resto do mundo, com exceção de um punhado de militantes da extrema-extrema-extrema esquerda, além da Síria de Bachar el-Assad, da Bielorrussia, do Tadjiquistão e outros satélites de Moscou. Centenas de milhares de pessoas foram às ruas das grandes cidades, logo nos primeiros dias do conflito, para se manifestar contra a invasão da Ucrânia. Os protestos vieram de todo canto. E Putin foi mostrado nú, como o ditador sanguinário que é, um nazifascista que financia a extrema-direita mundial (ler o artigo Ignorância e Má Fé,no Brasil 247), e que já se envolveu em 5 conflitos armados: A segunda guerra na Chechênia, o conflito na Ossétia do Sul e Abjasia, com a Ucrânia em 2014, com a Síria, a quem forneceu armas químicas que seriam utilizadas contra a população civil, e agora com a Ucrânia novamente.
A coragem do povo ucraniano, ao pegar em armas para defender um país que segundo Putin não existia, a determinação e liderança do presidente Zelenski, chamado por Bolsonaro às gargalhadas de humorista, sacudiram o mundo e os europeus em particular. As vozes dos ucranianos decididos a manipular pela primeira vez uma kalachnikov, as imagens dos jovens tentando parar a progressão dos tanques russos com as próprias mãos, das mulheres em fabricar coquetéis molotov, dos velhos mobilizados em transformar sótãos em bunkers, mostraram que a Ucrânia, ao contrário do que vociferam os invasores, é um verdadeiro país, uma Nação com mais de mil anos de história.
Kiev já era o centro do primeiro Estado eslavo, quatro séculos antes de Moscou existir.
Putin não quer apenas reintegrar a Ucrânia à zona de influência russa, quer também exportar o combate ao “marxismo cultural” e à guerra de gênero.
Assim como Bolsonaro, Putin tem o seu Olavo de Carvalho. Chama-se Aleksander Dugin, que se reivindica filósofo, híbrido de neofascismo e stalinismo, teórico da chamada direita iliberal. Dugin viajou o mundo, da Europa aos Estados Unidos, passou pelo Brasil, para manter contato com personagens ligados ao antiglobalismo e à Alt Right. O chamado Duguismo chegou até nós influenciando os protestos de junho de 2013l, quando foi criada a Nova Resistência, anti-lulista, fruto de sua matriz estadunidense, o New Resistance, abertamente pró-Bolsonaro e pró-Trump.
Hoje a Nova Resistência, via twitter, afirma que a Rússia ama os ucranianos e que por isso os bombardeios estão sendo mínimos. Ao contrário, « o outro lado, o lado ucraniano, é o lado do lobby LGBT, do sionismo, do americanismo, da McDonalização do mundo, do desenraizamento cultural, da imigração irrestrita, do fim das fronteiras, da usura, da tirania oligárquica etc. »
A Nova Resistência, no Brasil, é a voz do guru de Putin.
Tudo isso tem seu lado extremamente positivo, pois mostra quem somos, um a um. O mundo que muitos acreditavam totalmente insensível, incapaz de se comover e se mover ao assistir o horror, as violações dos direitos humanos e do Direito Internacional, acordou, chora, tem raiva e se manifesta. Vemos brasileiros que moram na Europa pegar seus carros e atravessar milhares de quilômetros para buscar conterrâneos desconhecidos que fogem da guerra, abandonados pelas autoridades brasileiras.
Enquanto isso a extrema-esquerda, assim como uma parte da extrema-direita, na contramão do mundo, mentem ao afirmar que havia urgência em invadir a Ucrânia para impedir a entrada do país na Otan. Não só não havia negociações em curso como várias autoridades da Aliança Atlântica afirmaram que Kiev não ingressaria na Aliança a curto nem a médio prazo.
É indiscutível que houve uma dinâmica expansionista irresponsável e, portanto, condenável da Aliança Atlântica, sobretudo a partir dos anos 90, quando Moscou estava de joelhos. A Otan, que havia se engajado a não avançar um centímetro em direção da Rússia, se aproveitou para integrar os países do leste europeu. O objetivo da administração Clinton era incorporar a Rússia à Otan. Isso mudou desde 2008. Com relação à Ucrânia, houve inicialmente uma tendência à neutralidade, a exemplo da Suécia e da Finlândia, que embora façam parte da UE não aderiram à Otan. Depois, com a guerra da Crimeia, a adesão à Aliança ocidental passou a ser debatida. Mas ao contrário do que afirmam os defensores cegos de Putin, em nome do anti-imperialismo americano, as discussões em torno da integração da Ucrânia não evoluíram desde então. Por diversas vezes a Otan barrou a candidatura de Kiev por considerar que os parâmetros para a adesão não haviam sido preenchidos. Nada levava a pensar que havia urgência. Dias antes da invasão, o chanceler alemão Sholz reafirmava que não havia perspectiva de entrada do país na Otan. Enquanto isso, a administração norte-americana voltava a aventar a hipótese da neutralidade.
Logo, a adesão da Ucrânia à Otan nem sequer estava na pauta quando Putin levou 150 mil soldados fortemente armados à fronteira.
Ironicamente, o efeito da guerra foi o fortalecimento da Aliança Atlântica, que estava mal das pernas, desorganizada, fragilizada. Em 2019, o presidente francês Macron afirmava que a Aliança se encontrava em estado de morte cerebral; Trump ameaçou tirar os Estados Unidos da Otan e, mais recentemente, em setembro de 2020, o bloco militar foi incapaz de agir num conflito envolvendo dois de seus membros, a Grécia e a Turquia.
Como dizíamos, o tiro saiu pela culatra. Como dizia Yuval Noah Harari, “Putin já perdeu a guerra.”
A esquerda volver

A esquerda volver

Todos sabem que como sionista de esquerda sou contra a ocupação dos territórios palestinos. Condeno todos os atos do governo israelense contra a população palestina e contra o lento e inexorável roubo de terras, mantendo um regime próximo de Apartheid onde deveria existir um Estado Palestino.

Como socialista defendo valores de justiça para um mundo melhor. Entre eles a autodeterminação dos povos, os direitos humanos, a igualdade social, a busca por justiça igual para todos, a liberdade de pensamento e outros.

Como socialista sou contra as guerras, as ditaduras, o colonialismo de nossos dias, a imposição da força das armas sobre o direito internacional, a injustiça social, a falta de medidas para salvar o clima no planeta e mais.

Como ser humano, penso no próximo, no mundo que minha geração recebeu, e no mundo que vou deixar para nossos netos. Desejo um Planeta Terra sem fronteiras, sem bandeiras, um mundo único onde humanos, animais e a natureza vivam em harmonia.

Tento levar minha vida o mais próximo destes princípios sem dois pesos e duas medidas. Luto pelo que acredito, sou antifascista e luto contra este regime onde ele existir. Não posso me permitir um regime que vai contra tudo aquilo pelo qual sempre me manifestei contra.

Vivo em um pequeno país do Oriente Médio onde inúmeras guerras já aconteceram e a próxima, dizem alguns por aqui, não é onde, mas quando. Israel conhece a morte em batalhas que deixaram muitas famílias enlutadas. Não temos soldados desconhecidos, temos túmulos com nomes de soldados que perderam a vida.

Muitos destes soldados perderam suas vidas desempenhando funções nos territórios ocupados. O exército deveria ser uma força militar de defesa do Estado, mas há muito que se tornou uma força de ocupação.

O que assistimos neste momento na Ucrânia é exatamente o mesmo que aconteceu com Israel. A Rússia invade uma nação democrática e independente, de encontro com o direito internacional. Ocupa um território que não lhe pertence e que não oferece nenhuma ameaça a sua existência.

E é claro que na esquerda já aparecem os defensores da invasão. O inimigo (Rússia) do meu inimigo (EUA) é meu amigo. Mesmo tratando-se de uma ditadura, mesmo tratando-se de uma violação dos direitos humanos, a livre determinação dos povos, nada disso os demove da apoiar os russos.

Mas aí a pergunta que não quer calar: porque a Rússia tem o direito de ocupar a Ucrânia e Israel não tem o direito de ocupar a Palestina? Claro que vão dizer que são coisas diferentes, Israel apoia os EUA, portanto a luz do “direito socialista” (sic), ele não pode ocupar o território de outro povo.

Israel afirma que os territórios ocupados são parte da Grande Israel e seus nomes bíblicos provam isso. A Rússia está dizendo que a Ucrânia foi parte da União Soviética, lugar onde nasceu o que hoje conhecemos como Rússia e, portanto, lhe pertence.

Então vamos a um pequeno exercício teórico. Se Israel renunciar seu apoio aos EUA, pode então anexar os territórios palestinos e ficam vocês, ditos socialistas, aplaudindo esta ação.

Em outras palavras, o famoso dois pesos e duas medidas que mencionei anteriormente. Parte da esquerda surfa na onda do que lhe convém, não de princípios éticos e morais. Se Bolsonaro deixar de apoiar os EUA e cuspir na bandeira americana, eles abraçam o Capitão.

Bem, eu como socialista tenho uma só medida. O que não é certo para um, não é certo para ninguém. Israel deve entregar os territórios ocupados para o futuro Estado Palestino. Da mesma maneira, os russos devem ser condenados por todos nós, pela invasão e ocupação da Ucrânia.

Toda a extrema direita europeia apoia Putin. Partidos xenófobos, que odeiam imigrantes e homossexuais. Esta parte da esquerda brasileira está bem acompanhada. Hipocrisia é teu nome.

Vejo que até encontraram uma justificativa, como se fosse possível, para Putin invadir uma nação soberana. Falam que a Ucrânia é um regime nazifascista. Mostram vídeos de anos atrás de um grupo ucraniano com bandeiras e símbolos nazistas. Tudo sempre acompanhado da famosa teoria conspiratória do WhatsApp de que a mídia escondeu esta informação. Ora se fosse assim, ele já deveria ter invadido o Brasil há muito tempo. A quantidade de grupos nazistas ativos passa de 100 e se formos falar do governo então, não faltam exemplos claros de enaltações para com esta ideologia.

Assisto as manifestações, fortemente reprimidas na Rússia, contra a guerra. Ainda não vi uma única manifestação de ucranianos saudando a invasão russa, a não ser nas autoproclamadas duas repúblicas rebeldes. Deve ser outra combinação da mídia internacional para esconder a verdade.

Não existe uma guerra limpa. Todas elas acontecem com os famosos “efeitos colaterais”, assim chamados, para justificar a morte de civis e a destruição de prédios e instalações não militares. Enquanto escrevia este artigo, assisti pela TV um tanque russo, sem nenhuma razão plausível, passando por cima de um automóvel civil. O motorista, milagrosamente, parece ter sobrevivido.

Esta turma deveria escutar Lula que disse: “É lamentável que, na segunda década do século 21, a gente tenha países tentando resolver suas divergências, sejam territoriais, políticas ou comerciais, através de bombas, de tiros, de ataques, quando deveria ter sido resolvido numa mesa de negociação”. Sábias palavras.

O indivíduo e o coletivo

Em Israel 41% da população já recebeu pelo menos uma dose da vacina, sendo que alguns ainda estão por a segunda 21 dias depois. Para cada um dos que tomaram a primeira dose, a segunda fica automaticamente guardada de maneira a não faltar. Se continuar neste ritmo até o final de Março toda a população poderia estar vacinada.

No entanto, aqui, como em muitos outros lugares do mundo, existem aqueles que se negam a tomar a vacina. Alguns religiosos ortodoxos por orientação de seus rabinos, alguns da comunidade árabe por desconfiarem de tudo que é dado pelo governo, e muitos negacionistas.

Semana que vem o governo quer estudar uma maneira de aplicar o Passaporte Verde. Seria um documento que permitiria aos vacinados entrada em Shoppings, restaurantes, cinemas, casas de espetáculo, academias etc. Ainda por decidirem, se instaurou uma discussão ética. Pessoas que não querem se vacinar, cidadãos do país com todos os direitos e deveres podem ser discriminados?

Uma pessoa que não se vacina para o Covid-19, não coloca apenas a sua vida em risco. Ele também pode levar o vírus para outros que ainda aguardam o chamado para se vacinarem, e para aqueles que por razões médicas não podem fazê-lo. Cada pessoa que tem os sintomas graves da doença ocupa um leito de UTI que poderia estar sendo utilizado para salvar a vida de cidadãos acometidos de outras enfermidades. Pior, pode morrer.

O negacionista, geralmente está dando razão a uma mensagem do WhatsApp que recebeu onde constava algum estudo sinistro de médicos sem nomes, de uma instituição não mencionada, afirmando que tomar a vacina causa algum dano irreparável. Ele não só acredita cegamente na informação, como a divulga. Somados, os que não querem tomar vacina hoje representam 1,5 milhão de israelenses. É muita gente.

Em números proporcionais é o que está acontecendo no mundo todo. As Fake News estão se transformando em crime contra a humanidade. Se antes tinham propósitos políticos para detratar um político ou um partido, hoje municiam uma onde de pessoas que dão razão a todo tipo de informação sem base científica alguma como a Terra Plana. No entanto, sua determinação pode levar o vírus a permanecer por mais tempo entre nós, levando a novas mutações que podem causar a morte de milhares de pessoas.

Daí a importância de se criminalizar as Fake News. Espalhar notícias falsas precisa ter uma pena de multa e detenção do propagador. Sem medidas sérias o custo para a sociedade será muito maior. A impunidade é o principal combustível delas.

Muitos sugerem  a criação de barreiras que impeçam os negacionistas de conviverem em sociedade, ou torne a vida deles insuportável. Fazer exame a cada 48 horas para poder se apresentar no trabalho, ou ter sua entrada liberada em locais públicos com o custo pago por eles, é uma delas.

Alguns sugerem medidas mais radicais, como a proibição de entrarem em locais públicos sem apresentarem o Passaporte Verde. A única permissão seria para locais que vendem comidas e remédios.

Outros propõe multas pesadas em dinheiro por dia, semana ou mês que a pessoa permanecer sem se vacinar depois de haver recebido lugar na fila.

Infelizmente o Covid-19 não ataca somente negacionistas, ele atinge a todos nós. Uma vez infectados,2% podem ir a óbito.Fora seletivo e matasse somente os que fazem pouco caso, o mundo agradeceria.

Aí está um belo tema para se discutir: numa pandemia até onde vão os direitos individuais sobre os direitos da coletividade?