Israel na mídia

É realmente incrível a importância que tanta gente dá a Israel, um país menor do que Sergipe, com 9 milhões de habitantes, que fica longe do Brasil. Nem mesmo a irrisória comunidade judaica brasileira explica isso.

O fato é que Israel não sai das manchetes. São notícias hora boas, hora ruins dependendo também de que lado da história se encontra a mídia, ou seus leitores. São tantas informações, que as pessoas nem se dão ao cuidado de verificarem a fonte e sua veracidade.

No início da pandemia, por exemplo, se dizia que Israel tinha descoberto a cura, que teria vacinas em poucos dias e todo tipo de exaltação a medicina israelense. Nada disso era verdade. O importante era promover falsas esperanças dando crédito a Israel e as relações de Bolsonaro com Netanyahu.

Hoje com mais de 5.000 mortes, no terceiro Lockdown com cerca de 8.000 novos casos diários, ainda assim somos elevados ao primeiro lugar em termos percentuais de vacinação da população. Provavelmente até o mês de Abril, todos que quiseram, somados aos que tinham permissão, vão estar vacinados. Como todos, estamos pagando o preço.

E sim, esta semana, dois hospitais de ponta aqui de Israel tiveram resultados de cura com o uso de fármacos desenvolvidos por eles em pacientes graves da Covid-19. Estes medicamentos estão sendo testados e ainda vão demorar a chegar ao mercado. No entanto, se confirmado o que está sendo visto até aqui, a equação se fecha com o uso preventivo da vacina e da medicação no caso de infecção.

Muito se falou também nos últimos dias com relação a vacinação dos palestinos, de que seria uma obrigação de Israel que estaria sendo descumprida. Antes de tudo, a Autoridade Palestina nunca pediu oficialmente que Israel fornecesse vacinas. Todas as aquisições feitas por eles, ou recebidas como doação foram recebidas. Antes disso Israel já havia doado material médico e máscaras.

Esta semana Israel doou 5.000 vacinas. Até agora elas vem sendo utilizadas para vacinar o corpo médico e os serviços de segurança. Sim, antes de vacinar os mais necessitados depois do corpo médico, eles estão vacinando a polícia. E a bem da verdade, a pandemia não está tão grave nos territórios e nem em Gaza.

Alguns funcionários brasileiros da Organização de direita americana “Stand With Us”, com estreitas relações com o governo Israelense, pagos para defender Israel de qualquer ataque, ou mesmo suposição de estar fazendo alguma coisa moralmente duvidosa se apressaram em mostrar que de acordo com os acordos de Oslo, que Israel descumpre diariamente, a saúde nos territórios está a cargo da Autoridade Palestina. Uma piada de mau gosto.

Neste momento, a situação nos territórios é melhor do que em Israel, e com certeza do que no Brasil. Portanto, não há razão para maiores preocupações.

A Covid-19 continua se espalhando através das diversas mutações que ocorrem. Isto é totalmente previsível e por enquanto não existe nenhuma razão para se duvidar da eficácia das vacinas com relação a elas. O problema das novas mutações é que elas se espalham mais rapidamente do que a capacidade de se vacinar as populações.

Se o ano que passou foi de incredulidade com o que aconteceu, este ano é de esperança. A maioria dos países vão poder começar a voltar a ter uma vida muito próxima do que existia antes. Uma questão de tempo, mas a solução para ele já existe.

 

 

Finalmente Trump

Então a gente acorda com a notícia de que Trump e Melania estão com Corona. Logo vem o pensamento de bem feito babaca, te f*d*. Aquela satisfação de que o universo finalmente está fazendo justiça.

Uma grande ironia é que o nome da assessora que passou o vírus para eles é Hope Hicks. Hope em Inglês significa esperança. Neste caso, a nossa.

Explico que pouco antes assisti aos melhores momentos do debate entre ele e Biden. Acho que deveriam usar nas escolar para ensinar sobre bullyng, bons modos, respeito, ética etc. Ali estava o cara que faz do nosso mundo um lugar pior de se viver, que ocupa o cargo de presidente dos Estados Unidos, no que se poderia afirmar, sem errar e concordando com o Biden, de que é o pior presidente da história deles.

Sim, os americanos pensam sempre em si mesmos e como explorar o mundo em seu benefício próprio, esta é a regra geral. Acho que nenhum presidente americano foi perfeito, e não importa se democrata ou republicano. No entanto, alguns deles fizeram coisas das quais podem se orgulhar. Algumas em benefício dos americanos, outras em benefício da humanidade. Todos se comportaram como exige a dignidade do cargo, e os que desafiaram esta premissa foram removidos dele.

Este imbecil e seu filhotinho Bolsonaro (copiei o Biden que chamou o Trump de filhotinho do Putin), estiveram sempre sendo condescendentes com o Covid-19. Descumprem as regras básicas de proteção de si mesmos e dos que estão a sua volta de maneira corriqueira. Pior, desdenham o uso da máscara como sendo algo de gente fraca, de pessoas medrosas. Trump, em especial, está fazendo campanha para presidente chamando seus apoiadores para participarem de seus comícios sem exigir o uso de máscaras e distanciamento.

Num país que já passou dos 210 mil mortos pelo Covid-19, era uma questão de tempo e sorte ele ainda não ter se infectado. Mas o dia chegou e agora, por via das dúvidas, já está hospitalizado e segundo notícias da CNN, estaria com dificuldades para respirar. Independentemente desta informação vir a ser confirmada, eu espero que ele passe pelo quadro completo da “gripezinha”. Boris Johnson bem que avisou.

O ano está chegando ao fim. Nos aproximamos da chegada das primeiras vacinas e todos esperamos por dias melhores em 2021. Queremos deixar este pesadelo para trás e torcer para que ele nunca mais se repita.

Vão ser muitas lições deste período quando a humanidade como um todo enfrentou uma pandemia nos tempos modernos. Quem foram os solidários, quem foram os egoístas? Quem foram os que se contaminaram, quem não se contaminou? Quem foram os mortos, quem foram os sobreviventes? O que fizemos corretamente e onde erramos para termos ultrapassado o um milhão de mortos, podendo dobrar este número em breve?

São muitas as perguntas e ainda poucas respostas. Ninguém tem a receita perfeita, mas todos concordam que por mais doloroso que seja para a economia, ficar preferencialmente em casa, quando precisar sair usar máscara, manter distanciamento social e higiene, são o melhor remédio preventivo. O resto é perfumaria.

Eu estou vivendo o que seria o segundo Lockdown em Israel. Seria, porque muita gente está desrespeitando as normas sem se importar com os demais e com as multas, que devem dobrar de valor na semana que vem. Com uma média de 8 mil novos infectados ao dia, e com uma taxa de positivos em torno dos 13% dos testados, somos hoje o país na pior situação no mundo.

A população perdeu a credibilidade nos políticos em geral e no atual governo em especial. Por conta disso, estamos assistindo incrédulos aquela situação do cada um por si. As ruas estão cheias de gente com, e sem máscaras, e as estradas com congestionamentos, tudo em pleno Lockdown. Pessoas com teste positivo, assintomáticas, estão transitando de automóvel. A polícia não dá conta e uma tentativa de usar tropas do exército para ajudar não foi bem recebida.

Se não forem tomadas medidas draconianas, vamos ter 10, 12 mil infectados ao dia em breve. Os hospitais já estão abrindo novas alas para tratamento de doentes nos seus estacionamentos. O governo garantiu mais 1500 UTIs, mas o preocupante é que não vamos ter equipes médicas suficientes para atender estes doentes e os pacientes tradicionais.

Para qualquer lado que se olhe, o mundo de hoje não está fácil. Tratemos de sobreviver, de máscara!

Israel em Lockdown

Afinal de contas, qual é o valor de uma vida? É com esta pergunta que Israel entrou ontem, quando comemoramos a entrada de 5781, no seu segundo Lockdown. Desta vez, por pelo menos 3 semanas consecutivas.

Ainda tentando digerir as novas regras de distanciamento social, o governo já anuncia, para a semana que vem, a possibilidade de aumentar as restrições e deixar mais pessoas em casa. Desta vez o alvo são os trabalhadores privados de empresas que não recebem público e foram autorizados a continuar trabalhando. Mercados públicos de rua que foram autorizados a permanecerem abertos, talvez tenham de fechar.

Na última semana o número de novos infectados chegou a bater em alarmante 6.000 casos em um único dia. Para um país com apenas 9 milhões de habitantes, este é um número inaceitável. Dentro de duas semanas teremos um aumento significativo de pessoas em estado grave necessitando internação. Os hospitais já estão chegando ao seu limite e novas alas para receber pacientes do Corona precisam ser abertas. Isto significa cerrar para outro tipo de pacientes como Câncer, Coração etc. A conta não vai fechar.

Tudo se encaminha para um colapso do sistema. Traduzindo, vão faltar camas em UTIs para receber novos pacientes graves do Corona. Como eles precisam de isolamento, os hospitais não podem usar corredores ou alas que são abertas. Eles terão de voltar para casa com prognóstico pessimista de sobrevivência.

Enquanto isso, o governo é atacado de todos os lados. Desde aqueles que culpam pelo mau gerenciamento da crise, passando pelos religiosos que não aceitam seus lugares de culto fechados, até obviamente, aqueles que tiveram fechados seus negócios e fonte de renda. Cada um, por suas razões, acredita que podemos manter uma vida quase normal, bastando que todos usem máscaras e mantenham distância uns dos outros.

O uso obrigatório de máscaras e o distanciamento estão em voga desde que o Corona chegou por aqui. Sair a rua sem máscara implica em multa. Se o cidadão estiver dentro de uma loja sem máscara, ele e o local são multados. Mesmo assim, o número de novos casos não parou de crescer. Parte da população, pelas razões mais absurdas, não obedece as normas, e aquela que obedece paga o mesmo preço.

O Lockdown é terrível para a economia como um todo. Negócios quebram e o desemprego aumenta vertiginosamente. Por mais que o governo coloque em prática planos de ajuda, eles nunca são suficientes. O país sofre, mas é a população mais fragilizada que recebe o maior impacto.

Israel não é o único país a enfrentar a segunda onda. Inglaterra, Espanha e Itália, por exemplo, estão se vendo com o mesmo problema e relutam em decretar o Lockdown. Não será por muito tempo. Cada pessoa infectada, infecta ao menos outras 3. A progressão é geométrica fazendo os números aumentarem rapidamente. Mais infectados, mais casos graves, maior ocupação de UTIs. Não existe alternativa responsável.

Até a chegada das vacinas, o remédio será amargo. Este é o ano que todo mundo vai desejar esquecer. Salvo os poucos bilionários que estão ficando trilionários com o Corona, e os laboratórios que vão vender as vacinas, todos nós estamos sendo atingidos de uma maneira, ou de outra.

Raro quem ainda não teve um parente, amigo ou conhecido que faleceu devido ao Corona. Eu mesmo, já perdi a conta. Vidas perdidas que nunca mais vão voltar. E afinal de contas, qual é o valor de uma vida?

 

Religião, estado e pandemia

O voto pelo perdão das dívidas das Igrejas no Brasil de parte do PT e pela totalidade da bancada do PCdoB, e o colapso na gerência da pandemia em Israel, tem muito mais a ver do que parece a primeira vista. É a política mostrando suas incoerências, ou coerências, dependendo da perspectiva de quem lê. É a religião se prosmicuindo com a política.

A nota o PCdoB, para explicar seu voto, entre outras coisas disse o seguinte: ”Para o PCdoB, a ação fiscal do Estado deve estar dirigida ao combate à fraude e ser direcionada prioritariamente aos grandes sonegadores, às pessoas físicas detentoras de grande patrimônio e não mirar ações sociais realizadas por instituições religiosas.”

Em outras palavras, o partido justifica o seu voto ao lado de todos os partidos de centro,  direita e extrema direita, com a justificativa de que não se deve cobrar imposto das igrejas, deve-se sim, cobrar dos grandes fraudadores.

Do outro lado do mundo, o governo israelense que havia se saído com mérito no combate a pandemia na primeira onda, se viu obrigado agora a impor um novo lockdown  de duas semanas no país depois de chegar a mais de 4500 infectados em um único dia desta semana.

Como é possível tal desastre? Aqui também existe o fator religioso. O Covid-19 impera principalmente nas localidades de judeus ultra-relogiosos e nas árabes. Em ambas, o uso de máscaras, luvas e evitar aglomerações é desrespeitado a luz do dia e a noite. Casamentos com milhares de convidados, desobedecendo as normas, vem sendo uma constante nestes lugares.

O governo tentou uma solução paliativa. Criou o sistema de cores por cidades e aldeias e tentou impor um lockdown nas localidades de cor vermelha. Os partidos religiosos se rebelaram e ameaçaram deixar o governo. Por fim, aceitaram um lockdown a noite, mesmo assim desrespeitado, e que todos sabiam, uma medida inócua.

Com o número de novos doentes diários subindo as alturas, não teve remédio, e a única opção, antes do colapso do sistema de saúde, foi o lockdown geral. Era o que ninguém queria, é o que todos vão ter. Infelizmente, a política da sobrevivência do governo foi imperativa. Se não é possível uma quarentena somente onde é mais necessário, vamos todos entrar nela.

Por trás destes dois eventos, está a relação religião e estado. O fato é que o PCdoB sabe perfeitamente que nem todo religioso é anticomunista e que boa parte do seu eleitorado é composto de crentes. Estas pessoas precisam dos seus templos abertos e, como explicam (sic), o governo não pode cobrar impostos de locais de culto. Nem vou falar da casa do Bispo Macedo.

Em Israel, os partidos religiosos há muito se tornaram partidos ideologicamente de direita. Seus 15 votos em média, são cruciais para a formação de um governo no sistema parlamentarista. Seu peso portanto extrapola em muito os cerca de 12,5% de representatividade que possuem. Mesmo assim, são cortejados e sabem do seu valor para literalmente chantagear o primeiro ministro com suas exigências. Por conta disso, o país inteiro vai parar durante 15 dias e terá enormes restrições nas duas semanas seguintes.

O fato é, que quando se trata de política, a separação dela do estado, vira uma obra de ficção. O estado em ambos os países, Brasil e Israel é laico no papel, na prática o que acontece é uma submissão as necessidades de cada um. Diante da necessidade de angariar votos, ou de formar um governo, é a religião quem dá a última palavra.

Não acredito que caiba uma discussão sobre as questões éticas e morais do que verdadeiramente acontece. Não existe uma solução democrática para isso. Onde ocorrem eleições democráticas, sempre vamos ter este problema. Uma discussão neste sentido não vai levar a lugar nenhum.

O que fica é aquela sensação de ironia no ar. No Brasil, comunistas votando junto com fascistas. Em Israel, uma coalizão formada para resolver o problema da pandemia, não podendo resolver coisa alguma, e portanto, podendo se dispersar e convocar novas eleições.

E assim caminha a humanidade.

Petição para suspender envio de armas isralenses para a Rota

Uma petição foi apresentada, pelo ativista de Direitos Humanos Eitay Mack e outros, no Tribunal Distrital de Tel Aviv exigindo a suspensão de carregamentos de metralhadoras Negev para unidades policiais que realizam execuções extrajudiciais em favelas de São Paulo, Brasil

(30.8) Uma petição foi apresentada no Tribunal Distrital de Tel Aviv exigindo que o chefe da Divisão de Controle de Exportações de Defesa do Ministério da Defesa interrompa os carregamentos da metralhadoras Negev para unidades policiais que realizam execuções extrajudiciais em favelas de São Paulo, Brasil:

O IWI anunciou no dia 08/12/2020 que a Polícia Militar e a unidade da ROTA em São Paulo começaram a receber carregamentos da metralhadoras Negev 7,62.

A Polícia Militar de São Paulo, especialmente sua unidade ROTA, estão entre as unidades de polícia urbana mais violentas e assassinas do Brasil, com a maioria das vítimas de execuções extrajudiciais sendo pobres, afro-brasileiros ou mestiços, que vivem com mais de dois milhões de pessoas nas fevelas de São Paulo. .

O fato de a Polícia Militar de São Paulo e especialmente a unidade ROTA realizarem execuções extrajudiciais é bem conhecido e documentado em inúmeros relatos de autoridades governamentais no Brasil, nas Nações Unidas, nos Estados Unidos, em organismos internacionais e em investigações da imprensa brasileira e internacional.

A Polícia Militar de São Paulo e a unidade ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) não são unidades da Polícia Civil como as reconhecidas pelo Estado de Israel. Elas foram instituídas pela ditadura militar do Brasil, como parte da militarização daquele período. Elas são forças militares operando por métodos militares, que originalmente se destinavam não apenas a lidar com o crime comum, mas também com o fenômeno da “subversão”.

Desde o fim da ditadura militar em 1985 até hoje, pelo menos 15.000 pessoas foram mortas por policiais em São Paulo. Segundo relatório oficial da Controladoria da Polícia de São Paulo. Em 2018 policiais foram mortos “em serviço” e “fora de serviço”, dever “851 pessoas e em 2019, 867 pessoas foram mortas, sendo 95% delas mortas pela polícia militar. Em 2018 58 pessoas foram mortas pela unidade ROTA, e em 2019, 104 pessoas foram mortas por ela.

É verdade que o Brasil tem uma das maiores taxas de crimes violentos e homicídios do mundo, e que os pavilhões de São Palo são controlados pelo crime e gangues de drogas, mas em vez de prender suspeitos de crime, a Polícia Militar e especialmente a unidade ROTA executam os suspeitos, passantes e residentes nas prisões.

As execuções em São Paulo são realizadas tanto por policiais em serviço quanto por policiais fora de serviço como parte dos “esquadrões da morte” de policiais que executam assassinatos em troca de pagamento ou para “encerrar contas”. Ou seja, é possível que os policiais das unidades da Polícia Militar e da ROTA também utilizem metralhadoras Negev, nas horas vagas, para eliminar pessoas como uma milícia ou “esquadrão da morte”.

De acordo com os procedimentos e publicações do IDF sobre o uso da metralhadora Negev, e um parecer anexado à petição preparada pelo comandante do batalhão de reserva, Tuli Flint, a “Negev” é uma metralhadora leve automática para assalto e combate a céu aberto, que é projetada para disparar balas não permitindo disparos precisos. Dispara de 600 a 750 balas por minuto – Esta não é uma arma adequada para uma força policial operando em uma área residencial densamente povoada ou favelas em São Paulo, a menos que a intenção seja cometer um massacre.

Nesse contexto, em outubro de 1992, a Polícia Militar e a unidade ROTA, realizaram um massacre no Presídio do Carandiru, em São Paulo, onde dispararam cerca de 5.000 munições reais e mataram 111 presos. Em agosto de 2013, 25 policiais da unidade ROTA foram condenados por sua participação no massacre.

Assim como é inconcebível que policiais no Estado de Israel usem metralhadoras Negev e executem criminosos e civis sem julgamento, também é inconcebível que o Ministério da Defesa e o IWI ajudem no seu uso no Brasil.

Nessas circunstâncias, a petição argumentou que a liderança da API deveria suspender imediatamente a exportação da metralhadoras Negev para a Polícia Militar e para a unidade da ROTA em São Paulo.

A petição foi apresentada junto com a ativista de direitos humanos Aya Gabriel, Nora Bendersky, Dra. Julia Zeitin, Prof. Ruth HaCohen Pinchover, Dra. Shani Pace, Ariel Neizena, ou Ben David, Prof. Orly Binyamin, D. Rabino Hila Dayan, seu irmão Shatz, Hannah Berg, Dr. Yishai Menuchin, Omer Arvili, Rachel Hayut, Dr. Yonatan Nissim Gaz, Efrat Levy, Yael Agmon, Roni Sagoli, Musi Raz, Dr. Hannah Bibliotecária, Edith Breslaur, Noni Tal, Tal Haran, Dra. Zivia Shapira, Shirley Nadav, Dra. Snait Gisis, Naftali Orner, Miako Glico, Dafna Banai, Avshalom Rob, Prof. Gideon Freudenthal, Sigal Kook Avivi, Yehudit Elkana, Guy Botvia, Shoshana London Sapir, Tamar Cohen, Raya Rotem, Dr. Ruhama Merton, Bilha Golan Sonderman, Dr. Gilad Lieberman, Dalia Kerstein, Prof. Nurit Peled Elchanan, Yair Bonzel, Dra. Batina Birmans, Marie Bonzel, Sharon Gamzo, Guy Hirschfeld, Eli Aminov, Daniela Yoel, Dra. Ilana Hamerman Nirad, Daniel Silverman, Naomi Kirshner, Zehava Greenfeld, Ofer Neiman, Alona Cohen, Naftali Sapir, Dr. Anat Matar, Chaya Ofek, Vered Bitan, Itamar Figenbaum, Galia Brand, Shaul Cherikover, Tzila Goldenberg, Haim Schwarzenberg, Avishai Halavi, Irit Halavi, Prof. Veronica Cohen, Dr. Eliot Cohen, Gadi Shen Yitzar, Smadar Ya’aron, Tamar Lehan, Amir Bitan, Oded Efrati, Prof. Ben Zion Munitz, Naomi Schur, Jessica Npomanch, Amnon Lutenberg, Meira Asher e Shahaf Wisbin.

Força Beirute

A tragédia no Líbano com a catastrófica explosão em Beirute está sendo o sonho de dos teóricos de conspirações. Eles criam suposições fantásticas apontando culpados a esmo.

Um trágico acidente, que até agora custou a morte de mais de 150 cidadãos, 5 mil feridos, 300 mil desabrigados e um prejuízo que passa de 5 bilhões de dólares. Uma fatalidade causada por negligência. Uma história que remonta o ano de 2013.

Um navio levando uma carga de Nitrato de Amônia a caminho de Moçambique sofre uma pane e entra no Porto de Beirute. As autoridades, diante do tipo de carga e do estado do navio, proíbem que ele siga viagem. A companhia resolve abandonar ambos, carga e navio. Os tripulantes entram na justiça para serem repatriados e a carga é transferida para um armazém, o de número 12.

O que talvez não fosse do conhecimento de todos, é de que aquela carga exigia um armazenamento especial e um cuidado permanente. Uma ignição qualquer, ou um aumento drástico de temperatura, causariam uma explosão. Não seria a primeira vez que isto aconteceu, outros eventos trágicos com o mesmo produto já ocorreram no passado.

Dada a situação no Oriente Médio, onde inúmeros atores aparecem diariamente nos noticiários, não seria de estranhar que surgissem inúmeras suspeitas de atos de sabotagem, de terrorismo, ou até mesmo de vingança. Todos eles descartados pelas autoridades libanesas que compreenderam desde o início de que se tratou de um erro cometido por uma, ou mais, autoridades e funcionários do porto.

A explosão causou uma onda de choque tão violenta, que destruiu praticamente a metade da Capital do Líbano. Praticamente todos os vidros da cidade viraram estilhaços e foram os principais responsáveis pelos ferimentos. A onda atingiu fortemente uma área de 8 km, mas foi sentida muito além. As pessoas fora desta zona contam que pensavam se tratar da queda de um edifício em suas proximidades causada por um terremoto.

Claro que Israel foi a primeira a ser apontada como culpada. Um míssil, ou um atentado planejado no local pelo Mossad, teria causado a explosão. Nesta teoria, a ideia é de que o Hizbolah teria armamento depositado em locais subterrâneos no Porto (sic), e na verdade a explosão seria resultado da destruição deste material que vai desde combustível para foguetes, até explosivos, dependendo do teórico.

Outra teoria interessante é de que se trata de uma advertência do Hizbolah diante do julgamento que se aproxima relacionado ao assassinato do primeiro ministro Rafik Hariri em 2005.

Pode-se criar a teoria conspiratória que se desejar, afinal a livre expressão permite todo tipo de devaneio. Qualquer um com um pouco de conhecimento do que acontece aqui no Oriente Médio, pode escrever sua fantasia e publicá-la na Internet.

Quando achamos que a vida com o Corona estava sendo um inferno, o que dizer da vida agora em Beirute. Onde já existia uma gravíssima crise econômica somada as restrições causadas pela pandemia, uma tragédia desta magnitude nos deixa perplexos, tristes e comovidos.

O governo de Israel ofereceu ajuda humanitária. ONGs israelenses estão fazendo campanhas de doação para ajudar a população de Beirute. A sede da prefeitura de Tel Aviv, colocou a bandeira do Líbano em sua fachada iluminada. Até mesmo o suposto inimigo oferece uma trégua de respeito e empatia em um momento como este.

Aos teóricos de uma boa conspiração, sugiro caírem na real. O Líbano precisa de toda ajuda que puder receber. Menos conspiração e mais compaixão.