República das Bananas com orgulho

“Nada é impossível de mudar. Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar”,  Bertolt Brecht

Terrorismo de estado é o que melhor define o que aconteceu no Jacarezinho. A polícia em nome do estado, executou 28 cidadãos, entre eles 3 que tinham contra si, mandados de prisão. Ao que parece, todos os demais foram vítimas de uma vingança pela morte de um policial no inicio da operação.

A operação levada a cabo, mesmo com as restrições impostas pela justiça durante a pandemia, mostram que no Brasil a lei não é igual para todos. Enquanto o presidente e o Véio da Havan podem passear de moto sem o uso obrigatório de capacetes se divertindo em meio as valas de mais de 400.000 brasileiros que perderam a vida pelo Covid, cidadãos são impunemente assassinados por quem deveria protegê-los em meio a uma operação policial. Enquanto a Casa Grande se diverte, o andar de baixo é massacrado.

O Brasil vai se desnudando e mostrando sua verdadeira face de uma bela República das Bananas. Este estereótipo de país Latino Americano, cujo termo foi criado pelo cronista americano O. Henry, data de 1904 e foi atribuído a Honduras, se refere a um país politicamente instável, submisso a um país rico e governado por um corrupto e opressor. Este é o Brasil de hoje.

Em qualquer país civilizado, onde vigora o estado de direito, os responsáveis pelo que aconteceu já estariam presos. Uma comissão externa da polícia estaria criada para investigar o que aconteceu e recomendar punições e formas de evitar sua repetição. Nenhuma sociedade civilizada pode aceitar menos do que isso.

Não existe justificativa para o ocorrido. Existe sim o exemplo de outros massacres policiais como o do Carandiru em 1992, que resultou na morte de 111 detentos. Aqui também ocorreu o Terrorismo de Estado, quando detentos sob a custódia do estado são mortos em uma verdadeira chacina.

O Brasil é hoje um dos locais para o qual a maioria dos países criou restrições de viagem, seja para receber brasileiros, seja de proibição de visitas por parte de seus cidadãos. A falta de enfrentamento da pandemia por parte do governo central, o descontrole geral com a vacinação, tornam o país um pária internacional.

Se não bastasse o mundo assiste, atônico, o presidente confrontar e hostilizar o maior parceiro econômico, a China, que por acaso também é o maior fornecedor dos insumos para as vacinas, o que mostra a intenção de manter o genocídio com a média de mais de 2.000 mortes por dia levando em breve a triste marca de meio milhão de mortos.

Agora a isto se somam as cenas chocantes do resultado de uma tragédia anunciada. No bastião do bolsonarismo, na terra das milícias, do maior número de governadores acusados por corrupção, vem a pior notícia. O Rio de Janeiro é terra sem lei e sem ordem.

Diante de tudo o que está acontecendo não deixa de ser interessante a postura da oposição e do povo em geral. A incapacidade de se organizar manifestações contra o governo, de exigir os merecidos cuidados com a vacinação e exigir a punição por um massacre destes, é surpreendente.

Nos EUA a morte de um cidadão negro pela polícia resulta em manifestações que duram semanas. Na Colômbia a tentativa de criar uma lei que prejudicaria as classes menos favorecidas levou o povo as ruas em todo o país. Nenhum povo pode se acovardar diante de uma injustiça.

Infelizmente o brasileiro é atualmente um povo de plastas. Se sujeita a todo tipo de exploração, de espoliação, de subjugação e de injustiças, sem se indignar. Quando muito se dá o trabalho de dizer o que pensa em suas redes sociais.

As ruas por enquanto são daqueles que no dia do trabalhador, afrontam a democracia exigindo uma ditadura militar com Bolsonaro. Eles são a voz do Brasil de hoje, os únicos que se organizam e se manifestam.

É deles o brado que um dia foi nosso combatendo a ditadura, “Longe vá temor servil, ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil”. Neste caso, livre de nós que somos seu temor.

Bolsonaro, o vírus agradece.

“Estamos preocupados, obviamente, mas não é uma situação alarmante”, Jair Bolsonaro em 26 de Janeiro de 2020.

Imaginem as cidades de Piracicaba em São Paulo, Olinda em Pernambuco, Anápolis em Goiás, Vitória no Espírito Santo. Imaginem que de um dia para o outro elas tenham se convertido em cidades fantasmas, desprovidas de habitantes. Imaginem entrar numa cidade como qualquer uma delas e não encontrar nenhum ser humano. Quando o Brasil cruzou a marca de 400 mil mortos pelo Covid-19, foi como se uma destas cidades tivesse ficado sem nenhum habitante.

Mesmo sem ninguém, tudo permaneceu no seu lugar. Os lugares a mesa estão lá, os pertences, as fotografias, os animais de estimação que agora perambulam em busca de seus donos, os carros sem motoristas, as salas de aula sem alunos e professores, os cinemas vazios. Pode-se escutar o silêncio.

Uma tragédia desta magnitude raramente acontece. Este é o número de mortos causadas pelas Bombas Atômicas jogadas sobre Hiroshima e Nagasaki pelos EUA no final da II Guerra Mundial. A população destas cidades não tiveram escolha.

O genocídio brasileiro teve como ser evitado e a escolha foi deixar acontecer. Do Oriente para o Ocidente, o vírus foi se espalhando e mostrando sua força. Conquistou nação após nação sem dó nem piedade. A ciência precisou de quase um ano para criar uma arma capaz de combater esta praga implacável. A maioria dos países prontamente passaram a adquirir reservas das vacinas que seriam produzidas, o Brasil nada fez.

A mortalidade causada pelo Covid-19 logo ficou conhecida. Os países adotaram os mesmos protocolos de combate: lockdown, distanciamento social, máscaras e higiene. Todos que tentaram qualquer coisa diferente se deram mal. Os procedimentos se tornaram conhecidos e o emprego de medidas extremas se mostrou eficaz. Ainda assim, o vírus não foi vencido e onda após onda, mais mortes e o emprego de novas medidas contenção.

Cada lockdown teve um custo econômico imenso. Milhares de negócios fecharam e não reabriram mais. Dezenas de milhares de pessoas perderam seu emprego. A sociedade sofreu um impacto que mais lembra tempos de guerra ou de um cataclisma. No entanto, por mais amargo que tenha sido, o lockdown salvou centenas de milhares de vidas.

A medida que as vacinas começaram a serem distribuídas no mundo o cenário começou a mudar. Países, como Israel, que vacinaram em massa sua população, mostraram que os resultados superaram as expectativas. Com a queda no número de novos infectados a vida foi voltando próximo do normal. A economia já mostra sinais de reação.

Países que não tiveram um gerenciamento de crise como o Brasil e a Índia, por exemplo, viram os números de infectados dispararem e o colapso no sistema de saúde, que não tem mais como lidar com o número cada vez maior de internações, acontecer. Pessoas estão morrendo sufocadas por falta de oxigênio. Mesmo as que tiveram a sorte de conseguirem internação estão indo a óbito pela falta de kits para incubação.

Com o sistema colapsado o vírus vai tendo mutações e encontrando maneiras de continuar matando. Assim, as vacinas podem se tornar inócuas para uma determinada nova cepa e todos que se vacinaram teriam de ser vacinados novamente. Este é o mal que países como o Brasil estão causando ao mundo.

Brasileiros já estão sendo impedidos de entrar na maioria dos países. Ninguém quer dar chance ao azar de permitir a entrada de uma nova e desconhecida cepa mais mortal em seu território. No futuro o Brasil pode vir a ser responsabilizado pelo que está causando e não seria inimaginável processos internacionais demandando compensações financeiras pelo descaso com que tratou a pandemia.

A um cataclisma não se tem a quem culpar. Crimes de guerra são julgados. Quanto tempo será necessário para que os que levaram o país a este estado paguem pelos crimes que estão cometendo?

Logo, cidades como Florianópolis em Santa Catarina, Macapá no Amapá, Vila Velha no Espírito Santo vão ter desaparecido quando cruzarmos a incrível marca de meio milhão de mortos liderados por Bolsonaro.

Tem idiota que a gente vê nas mídias sociais, na imprensa né?… Vai comprar vacina. Só se for na casa da sua mãe”. Jair Bolsonaro em 04 de Março de 2021.

 

 

 

Um país esgotado e no fundo do poço

Muita gente deve estar se perguntando o que acontece depois do STJ ter confirmado que Moro nunca poderia ter julgado Lula, e mesmo que o tenha feito, ser declarado um juiz parcial, a pior acusação a um magistrado.

A primeira vista parece um contrassenso. Se primeiro foi declarado que os casos envolvendo o ex-presidente não poderiam ter sido julgados em Curitiba, tudo o que seguiu a este fato perde a validade. No entanto a suprema corte fez questão de julgar os atos cometidos pelo ex-juiz também. Sábia decisão.

Moro perseguiu Lula para impedir a sua candidatura e assim abriu caminho para a chegada ao poder de Bolsonaro a quem serviria mais tarde como Ministro da Justiça. Isto ainda não foi mérito de julgamento ainda. Moro se locupletou de suas decisões, algo nunca visto antes na jovem democracia brasileira.

O que foi decidido confirmou o que já se sabia e vinha sendo denunciado há muito tempo. Ainda assim, tem gente inconformada, e com alguma razão dizem que Lula não foi absolvido de seus crimes. As decisões do que aconteceu em Curitiba foram anuladas e os processos foram remetidos para Brasília onde ele pode se tornar novamente réu e se julgado, vir a ser condenado.

Claro que esta possibilidade existe, mas esquecem o principal, o que foi decidido depois da anulação foi a perseguição a Lula que se deu sem a preocupação em apresentar provas. Lula foi primeiro condenado, depois julgado. Bastaram convicções para colocá-lo na prisão. Assim sendo, se os processos forem recebidos, existe a possibilidade de sequer serem levados a julgamento.

É preciso lembrar que os lavajatistas se vangloriavam pela condenação em segunda instância pelo TRF-4. Lá, em tempo recorde, Lula teve confirmada sua condenação e teve sua sentença precisamente aumentada para cumprir pena de prisão. Estes 3 desembargadores tiveram participação ativa no conluio e não podem ficar impunes. Eles serviram a mesma quadrilha e seus atos deram legitimidade aos atos de Curitiba.

Quando o STF diz que Moro foi parcial, está mandando um sinal claro a quem vier a receber as denúncias. Existem provas cabais no processo? Ele aponta os crimes cometidos e a ligação do acusado com  eles sem sobra de dúvida? Enfim, a denúncia está consubstanciada de maneira a permitir uma acusação formal? Em outras palavras, existe a possibilidade concreta das denúncias não serem aceitas.

Todas as pesquisas eleitorais colocam Lula em primeiro lugar de preferência se as eleições fossem hoje, não importa contra quem. O povo lentamente começa a se dar conta de que foi ludibriado. Induzido a acreditar numa farsa, boa parte da população acreditou que aquele grupo de procuradores realmente desejava livrar o Brasil da corrupção e colocar os corruptos na cadeia, começando por quem diziam ser o master criminoso nacional.

Acrescente a isso uma boa campanha de marketing baseada em Fake News bancada pelos setores empresariais e divulgadas pela mídia conservadora, as vezes de fato, as vezes fazendo vista grossa pelas correntes de WhatsApp, e o resultado foi avassalador. O projeto de afastar Lula e destruir o PT foi quase alcançado. Estiveram muito próximos de alcançar seus objetivos.

O que talvez não contassem, é que aquele Meme que dizia que haviam colocado um idiota na presidência, mas não precisava ser tão idiota, era real. Mesmo sabendo do passado de Bolsonaro, acreditaram que os fins justificavam os meios. O resultado é que aquele idiota se mostrou um total inepto e levou o país ao fundo do poço. Incapaz de exercer o cargo para o qual foi eleito, é uma caricatura de si mesmo, um zumbi com a faixa de presidente caminhando sem rumo.

Claro que os terraplanistas e adeptos de teorias conspiratórias vão seguir louvando o que chamam de mito. Nada os fará desistir de seguir seu líder. Eles são como o ajudante de Drácula. Seguem cegamente o mestre não importa o quanto ele os use e humilhe, nunca vão deixar se enganar pelos comunistas que desejam retomar o poder. Sim o Brasil foi comunista, pouca gente sabia disso, mas aí já é outra história.

O filho da Besta

“Teu dever é lutar pelo Direito, mas se um dia encontrar o Direito em conflito com a Justiça, lute pela Justiça”, Eduardo Juan Couture

Eduardo Juan Couture Etcheverry foi um consagrado jurista uruguaio, mundialmente reconhecido, contribuidor de uma teoria sobre o direito de ação, tema do Direito Processual Civil.

A justiça não deveria cometer erros, mas como tudo que é feito pelo homem, está sujeita, logo ela, a cometer seus equívocos. Temos de acreditar que tais erros nunca foram fruto do desejo dela de impor sua vontade. Precisamos crer na justiça como marco civilizatório que nos permite conviver em sociedade.

No entanto, os erros judiciais acontecem. Inocentes são condenados a cumprir penas por crimes que não cometeram. Culpados por um crime são inocentados para voltar ao convívio da sociedade. Isto acontece em todo lugar em todos os tempos, nem sempre reparados.

Os juízes precisam ser protegidos. Suas decisões precisam ser cumpridas. Não for assim, todo o estado de direito deixa de existir e a lei do mais forte passa a prevalecer. Os mais fracos serão submetidos a vontade de seus opressores e a verdade calada para sempre.

Em uma democracia, ninguém está acima da lei, perante ela somos todos iguais. No Brasil é o que acontece, porém existem os mais iguais e os menos iguais. Para uns o benefício da dúvida, para outros o rigor da palavra da lei.

A justiça prevê que um condenado em uma instância possa recorrer desta decisão de acordo com certos critérios. De uma certa maneira, é uma forma de tentar reparar erros que possam ter sido cometidos na instância anterior.

O Caso Lula ainda será matéria de estudo obrigatório em toda Faculdade de Direito. Tudo que envolveu este processo e culminou na prisão dele foi pautado sob uma enorme farsa. Pior, ela foi confirmada em várias instâncias.

Na justiça os crimes são julgados de acordo com a lei prevista e escrita, ou ao menos assim deveria ser. Para que um cidadão seja condenado por um crime que lhe é acusado, é preciso provar. A prova tem de ser cabal. Para um sujeito acusado de furto tem que ser comprovado que ele se apossou do objeto em questão pertencente a vítima sem o seu conhecimento e sem sua aprovação. Isto ocorrido, condena-se.

O que se viu no Caso Lula foi uma quadrilha paga pelo estado para condenar o ex-presidente e o afastar da vida pública. Uma vez condenado, passaram a criar o processo e a buscar as razões, legais ou não, para cumprir a condenação.

Transgressões processuais foram sendo cometidas até o ponto de se tornarem rotina, todas em conluio com o juiz do caso, que atuava como uma extensão do MP. O conluio era tanto que todos os atos eram previamente combinados e confirmados entre eles. Em uma situação como esta ao réu não resta outra coisa senão a conformidade.

Condenado em uma primeira instância sem provas, sem base legal, mas baseado em convicções, esperava-se que na instância seguinte tudo fosse revertido. O que se viu foi uma sequência de arbitrariedades. A quadrilha tinha seus tentáculos expandidos e a condenação veio em tempo recorde com a pena ampliada a fim de permitir a prisão do réu.

Então uma surpresa. Um hacker copia todas as trocas de mensagens daquele grupo de procuradores que se intitulavam os combatentes da corrupção, membros do último baluarte para levar os corruptos a cadeia, os membros da Lava Jato. E o que se viu em milhares de mensagens foi de fazer corar a justiça e envergonhar todo o processo legal.

O castelo de cartas desmoronou. Na troca de mensagens, o que foi sendo publicado mostrava o que a defesa do presidente vinha alardeando desde o início, a Lawfare, o uso da lei como perseguição política. Escancarou-se a Caixa de Pandora e o que saiu dela estarreceu até mesmo os mais céticos. Agora, depois do réu cumprir prisão, descobre-se que o caso sequer poderia ter sido julgado por seus algozes. Nem importam as atrocidades jurídicas cometidas por eles.

Graças a estes criminosos o Brasil perdeu milhões de empregos, levou a falência empresas, deixou de arrecadar bilhões em impostos e o pior de tudo, permitiu a eleição deste genocida que aí está como presidente.

Quando o país se aproxima de 400 mil mortos pelo Covid, lembrem-se de que estas mortes também estão nas mãos de Moro, Dallagnol e seus asseclas. Se a justiça não tivesse sido estuprada por eles, não teria nascido o filho desta relação incestuosa e o Brasil de hoje não estaria assistindo um presidente dançando sobre as covas abertas para receberem tantos brasileiros.

 

Lottenberg não me representa

Existe algo de podre na Conib (Confederação Israelita Brasileira). Quando o seu presidente, no dia da lembrança dos mortos e heróis do holocausto, atende convite para jantar com Bolsonaro, o fedor é insuportável.

A mensagem que Claudio Lottenberg passou para a sociedade é diferente de seus pares. Enquanto cada um é mencionado como empresário dono deste, ou daquele negócio, Lottenberg foi relacionado por toda a mídia como presidente da Conib. Para bom entendedor, os judeus representados por ele, foram aclamar as presunções negacionistas do genocida com relação a pandemia e os futuros caminhos para o Brasil.

Como disse Napoleão Bonaparte, “Do sublime ao ridículo, é só um passo”. Lottenberg se achou digno de uma honra negada ao papagaio da Havan, mas para nós judeus ele foi mais um dos ridículos apoiadores de um presidente inepto que segue menosprezando a ciência e todos as recomendações da OMS para estancar a incrível média de mortes diárias no Brasil em consequência do Covid.

Os antissemitas de plantão já se alvoroçaram para apontar que os judeus não só elegeram Bolsonaro, como continuam dando a ele o apoio necessário para se manter no poder. Em suas ilações a prova de suas teorias conspiratórias fica estampada nas manchetes dos jornais com as palmas de Lottenberg ao seu anfitrião. A instituição nacional representativa dos judeus ovacionou Bolsonaro.

Somos muitos judeus contra Bolsonaro. Antes das eleições tentamos de todas as formas fazer tudo ao nosso alcance para impedir sua eleição. Com o grupo Judeus Contra Bolsonaro, estivemos presentes ao lado da sociedade que lutou contra aquele que vomitava ódio com suas mensagens racistas, homofóbicas e misóginas. Logo depois de consumada sua vitória, passamos a nos chamar Resistência Democrática Judaica e outros inúmeros grupos judaicos foram criados para resistirem ao nefasto. Não passa um dia sem que sigamos enviando nossas mensagens de repúdio a tudo que este governo fascista representa.

Os judeus não apoiaram Bolsonaro, o correto seria dizer que judeus apoiaram Bolsonaro, os Negros não apoiaram Bolsonaro, Negros apoiaram Bolsonaro, os LGBTs não apoiaram Bolsonaro, LGTBs apoiaram Bolsonaro, as Mulheres não apoiaram Bolsonaro, Mulheres apoiaram Bolsonaro.

O dia do jantar foi o mesmo dia em que nós judeus relembramos os mortos e os heróis do Holocausto. Em Israel, precisamente as 10:00 h da manhã, as sirenes que avisam ataques de mísseis tocam durante dois minutos. O país inteiro para literalmente. Nas ruas, nas casas, no comércio, nas estradas, nas rádios, nas TVs, todos permanecem de pé em silencio reverenciando este acontecimento marcante da nossa história. Nunca vamos esquecer.

Lottenberg tinha a seu dispor a desculpa pronta para não ir a este encontro. Optou por se fazer presente e junto com os demais, prestou seu apoio as sandices de um fascista. Sim, um judeu, presidente da Conib, menosprezou a memória de 6 milhões de judeus assassinados pelos nazistas, em troca de uma refeição grátis entre empresários que não ligam para os mais de 4000 brasileiros que morrem diariamente vítimas do desleixo do seu mito.

Eu como judeu, me sinto envergonhado e compelido a pedir desculpas para a sociedade brasileira pela presença do presidente da Conib neste famigerado jantar. Ele deixou de representar os judeus brasileiros quando adentrou naquela sala. Lottenberg esteve lá como líder da ala fascista da sociedade judaica, como representante de si mesmo e da falta de valores éticos e morais presentes naquele ambiente. Sua atitude não coaduna com o judaísmo, muito menos com nossa posição de resistência a tudo que este governo abjeto representa.

Imaginemos que estamos em 1939 e o país fosse a Alemanha. Fosse Lottenberg presidente da Conia (Confederação Israelita Alemã). O  Chefe de Estado tivesse chamado empresários e o presidente da Conia para um jantar. Pelo que dizem algumas lideranças judaicas ele deveria atender o convite, afinal os judeus não tinham acesso a ele.  O Chefe de Estado da Alemanha se chamava Adolf Hitler. Tem gente que nunca vai aprender com a história.

Que Lottenberg tenha a mínima decência de renunciar ao cargo de Presidente da Conib e pedir desculpas pela atitude ultrajante que cometeu.

Eleições em Israel, um nó difícil de desatar

O imbróglio das eleições israelenses é uma situação que se repete há dois anos com 4 rodadas. O país parece que vai ter uma quinta em breve. O povo está dividido e os políticos não se entendem.

O sistema israelense é parlamentarista. Os partidos necessitam chagar a 61 cadeiras no parlamento de 120 se quiserem governar. Dada a dificuldade de um único partido alcançar esta marca, eles precisam formar uma coalizão com outros e aí começam os problemas.

O Likud, o partido do primeiro-ministro, continua sendo o mais votado, obteve 30 cadeiras na última eleição. Somados aos dois partidos religiosos que ideologicamente se veem como de direita, chegam a 46 cadeiras. Ele também recebeu o apoio do partido de extrema direita HaTsionut HaDatit (Sionistas Religiosos) que com suas 6 cadeiras dão ao bloco da direita um total de 52 cadeiras.

O segundo partido mais votado, o Yesh Atid (Existe futuro), obteve 17 cadeiras. Somados os partidos que já declaram apoio, o Meretz (Esquerda) e o Avodá (Trabalhista), chegam a 30. Todos são oposição ao Likud.

Esta eleição teve como mote quem era a favor de Bibi (o primeiro ministro e líder do Likud), e quem é a favor da mudança, ou seja, contra ele. Neste bloco além daqueles já mencionados, estão o Kachol Lavan (Azul e Branco) com suas 8 cadeiras, o Israel Beiteino (Israel Nossa Casa) com suas 7 cadeiras, e o Tikvá Chadashá (Nova Esperança), recém formado por dissidentes do Likud, com suas 6 cadeiras. Todos os líderes destes três partidos disseram que não sentariam em um governo liderado por Bibi e juntos chegam a 21 cadeiras.

Se somarmos as cadeiras de todos que se dizem contra o primeiro ministro, eles somam 51 cadeiras, mas não é tão simples assim. Alguns destes partidos são historicamente ligados a direita. Todos já estiveram em governos do Likud e têm uma certa dificuldade em se sentarem com o Meretz e até mesmo com o Avodá de centro esquerda.

Temos ainda três partidos que não foram mencionados e que juntos somam 18 cadeiras, o Iemina (Direita) com 7,  o RAAM (sigla da Lista Árabe Islamita) com 5, e a Reshimá HaMeshutefet (Lista Unida) com 6. Como pode-se ver, o apoio deles para qualquer um dos lados permitiria a formação de um governo. Infelizmente as coisas não são assim tão simples.

Em Israel, tradicionalmente os governos sempre foram formados entre partidos sionistas, o que significa sem a participação dos partidos árabes. Dos três mencionados, somente o Iemina se enquadra como sionista. Acontece que não importa para que lado ele penda, nenhum lado consegue formar governo, ninguém chega a 61.

Diante desta situação, a joia mais cobiçada é o RAAM, um partido árabe religioso que ideologicamente, assim como os partidos religiosos judaicos, tem mais afinidade com a direita e portanto com Bibi. Se ele somar seus votos a este bloco, eles chegam a 58 cadeiras e com o Iemina, a confortáveis 65. O problema é o partido Sionista Religioso que já anunciou que prefere se sentar com o Diabo em pessoa a fazer parte de um governo com um partido árabe que, segundo eles, seria formado por radicais apoiadores do Hamas. Sem a extrema direita, o bloco fica com 59 cadeiras e não forma governo.

Do outro lado o Iemina e o RAAM também são cobiçados. Com eles, o bloco chega a 62 cadeiras e pode formar governo. Mas aqui também temos problemas. Os partidos de direita não aceitam sentar com os partidos de esquerda e com o RAAM, que por sua vez não está confortável em sentar com o Meretz, um partido que não aceita a religião na política.

Temos ainda a Reshimá Ha Meshutefet, a lista árabe que reúne os partidos de centro e esquerda árabes com suas 6 cadeiras. Claro que eles não sentariam em um governo do Likud, mas são uma opção ao RAAM no bloco contra Bibi, desde de que os colegas de direita engolissem este sapo em nome do bem maior, formar um governo sem Bibi.

Todas as cartas estão sobre a mesa. Na política israelense a palavra dada antes das eleições, não é a mesma empregada depois do resultado final. Alianças podem ser desfeitas, inimigos históricos podem se abraçar e velhos companheiros se apunhalarem. Nada é definitivo e vale tudo em nome do poder.