por Mauro Nadvorny | 31 jan, 2020 | Brasil, Comportamento, Política
Ontem 30 de Janeiro aconteceu o aguardado ato de entrega de uma carta de apoio ao presidente Lula. Seria mais uma, entre tantas, que ele tem recebido, não fosse o detalhe de que esta vinha de um grupo judaico que se tornou um coletivo.
O acontecimento que teve a participação de inúmeras pessoas, lotou o auditório do Sindicato dos Químicos. Companheiros da esquerda judaica, políticos, artistas, amigos e convidados prestigiaram a festa.
Tudo transcorreu em um clima familiar. Foi como assistir a um encontro fraternal de amigos de sempre, unidos na resistência a este governo fascista, que vieram prestigiar aos companheiros judeus na entrega de uma carta simples, com um conteúdo de amor ao presidente Lula, reconhecendo a perseguição e a injusta condenação sofrida por ele.
Quando Lula pegou o microfone no final, Lula foi Lula, o sindicalista, o presidente, o estadista que todos aprenderam a admirar e que a direita nunca aceitou, nunca vai aceitar. Contou suas passagens relacionadas ao Oriente Médio. Suas tentativas de fazer um acordo nuclear com o Iran e ajudar a mediar o conflito entre israelenses e palestinos. Explicou como as nações europeias e os EUA não quiseram aceitar o Brasil como igual entre as nações, como um país emergente que pudesse ter um papel preponderante nos grandes conflitos mundiais.
Também contou dos 580 dias que esteve detido. De como escutava de dentro de sua cela todos os dias o Bom Dia, Boa Tarde e Boa Noite presidente Lula. Do quanto foi gratificante para ele saber que todas aquelas pessoas estavam lá por ele.
Lula foi implacável em dizer com todas as letras que Moro e todos aqueles que o condenaram são parte de uma quadrilha que estão entregando as riquezas nacionais. Disse que a Globo é responsável pelo ódio que está disseminado pelo Brasil. Falou tudo aquilo que todos gostariam de ter escutado antes.
Eu aqui de longe, tenho orgulho de todas e todos que lá estiveram e cumprimento os organizadores na pessoa do Jean Goldenbaum que tornou possível tudo isso. Uma prova de como uma atitude de amor ao próximo, contra a injustiça e pela democracia pode ajudar a aproximar todos aqueles que mantém a resistência e a esperança.
Claro que uma atividade como essa não poderia passar sem despertar uma ira doentia nos Bozojews. Uma parcela da comunidade judaica que segue apoiando o atual presidente a despeito de todos os sinais de atitudes nazifascistas que se somam dia a dia. Parcela esta que irá para o lixo da história juntamente com todos aqueles que ainda apoiam este governo.
Entre frenesis, mimimis, xingamentos e ameaças típicas desta gente, judias e judeus progressistas mostraram que a comunidade judaica não é aquela que estava dentro da Hebraica do Rio de Janeiro, mas a que estava do lado de fora protestando.
Nesta última semana, publiquei nas redes sociais diversas postagens relacionadas a esta atividade e outras que diziam respeito ao Holocausto pela passagem do dia Internacional de Memória pelos 6 milhões de judeus que foram assassinados pelos nazistas. Sem dúvida alguma, a imensa maioria das manifestações nas postagens foram de solidariedade e apoio. Poucas foram de antissemitas de esquerda, o que mostra que estamos desmontando a ideia incutida de que os judeus elegeram Bolsonaro.
A Carta ao presidente Lula entregue em mãos foi a mostra definitiva de somos parte de uma comunidade plural, inserida na sociedade brasileira, e que sofre, todos os dias, juntamente com ela, as mesmas mazelas que são impostas ao povo por este governo.
Mais do que tudo, o ato mostrou que judias e judeus continuam na trincheira da resistência até o fim, por justiça e democracia.
por Mauro Nadvorny | 24 jan, 2020 | Brasil, Política
Por ocasião da cerimônia que marca o 75º aniversário da libertação soviética do campo de extermínio de Auschwitz, na Polônia, venho me fazendo a pergunta se uma pessoa pode ser nazista desconhecendo o mal que este regime causou para a Alemanha e o mundo.
Como judeu, nazismo está associado a morte. O regime matou seis milhões de judeus e nunca vamos esquecer disso. Temos uma palavra que define nossa tragédia: Holocausto. Somente agora a população judaica no mundo chegou ao mesmo número de antes da segunda guerra, o que dá uma ideia do genocídio causado por eles.
Quando aprendemos sobre nazismo, nós judeus, praticamente esquecemos quem mais foi perseguido, morto e todo o mal que eles causaram ao mundo. Tentamos justificar com o fato de que fomos caçados e mortos por sermos judeus, onde nos encontrávamos, de forma metódica. Achamos que os demais morreram em consequência das batalhas militares ou em consequência dos efeitos colaterais dos bombardeios. Nenhuma bomba tinha um endereço para alguém específico, mas os nazistas foram nos nossos endereços, um a um para nos exterminar.
Estima-se às mortes de outros grupos perseguidos em 11 milhões. As vítimas incluem gays, padres, ciganos, portadores de deficiências mentais ou físicas, comunistas, sindicalistas, testemunhas de Jeová, anarquistas, poloneses e outros povos eslavos, e combatentes das resistências.
Portanto, é preciso compreender que os nazistas perseguiam uma limpeza étnica, onde os arianos seriam a raça superior. Algumas raças poderiam ser toleradas, sempre que abaixo dos arianos, mas não os judeus que deveriam ser dizimados. Dois terços dos mortos na guerra eram civis. O número total de
perdas em vidas fica entre 65 e 75 milhões.
Mas os nazistas não chegaram ao poder apenas desejando dominar o mundo a sua maneira. O Partido Nacional-Socialista tinha propostas para a Alemanha, e uma delas definia quem era considerado cidadão: “Apenas um membro da raça pode ser um cidadão. Um membro da raça só pode ser aquele que é de sangue alemão, sem consideração de credo. Consequentemente nenhum judeu pode ser um membro da raça.”
Uma vez definido quem era cidadão, destaco entre as propostas:
O direito de determinar as questões relativas à administração e ao direito pertence apenas
ao cidadão. Por isso exigimos que todos os cargos públicos, sejam quais forem, tanto no Reich quanto no condado ou na municipalidade, sejam preenchidos apenas pelos cidadãos. Nós combatemos a economia parlamentar corruptora, a distribuição de cargos somente de acordo com as inclinações partidárias, sem considerações de caráter ou habilidades.
Todos os cidadãos devem ter direitos e obrigações iguais.
A primeira obrigação de cada cidadão deve ser trabalhar tanto espiritualmente quanto fisicamente. A atividade dos indivíduos não deve contrariar os interesses da universalidade, mas deve ter seu resultado no contexto do todo para o benefício de todos. Consequentemente, exigimos:
A abolição de rendimentos indevidos (de trabalho e emprego). Quebra da escravidão de aluguel.
Exigimos a nacionalização de todas as indústrias (previamente) associadas (trusts).
Exigimos uma divisão dos lucros de todas as indústrias pesadas.
Exigimos uma expansão em larga escala do bem-estar na velhice.
Exigimos a criação de uma classe média saudável e a sua conservação, comunalização imediata dos grandes depósitos e o seu aluguel a baixo custo para pequenas empresas, a máxima consideração de todas as pequenas empresas em contratos com o Estado, condado ou município.
Exigimos uma reforma agrária adequada às nossas necessidades, a provisão de uma lei para a livre expropriação de terras livres para fins de utilidade pública, a abolição dos impostos sobre a terra e a prevenção da toda especulação de terra.
O Estado deve cuidar da elevação da saúde nacional protegendo a mãe e o filho, criminalizando o trabalho
infantil e encorajando o preparo físico, por meio do estabelecimento legal de uma obrigação de ginástica e esporte, e pelo máximo apoio a todas as organizações ocupadas com a instrução física dos jovens.
Quem desconhece os crimes nazistas e tivesse acesso a estas propostas, poderia de boa-fé, imaginar que estas propostas partidárias fizessem sentido nos dias de hoje, mesmo que datando de 1928.
Aí é que está o grande problema. Não existe uma educação para este passado sombrio. A maioria das pessoas desconhece o que foi o nazismo e o mal que ele causou para todo o mundo, não somente para os judeus.
Sendo assim, a ideia de que um secretário da cultura apresente uma proposta de um ministro nazista para o Brasil, não é de todo intrigante. Podemos ficar estupefatos a primeira vista, mas logo devemos buscar as causas para algo tão surpreendente.
A proposta foi feita a forma e semelhança do que fez Goebbels. Tudo ali foi premeditado e cuidadosamente preparado. Falar em coincidência é risível, para dizer o mínimo. Alvin se preparou para trazer a público o que ele realmente acredita, por exemplo, o Brasil ser o país da Ópera!
Ele se soma aos casos recorrentes de simpatizantes nazistas que já começam a se mostrar ostentando a Cruz Suástica, o que é proibido por lei.
O mundo em geral, e o Brasil em particular, precisam educar as próximas gerações para o terror que representou o regime nazista. O governo brasileiro está muito próximo das mesmas ideias. Trocam judeus, por comunistas, e apresentam o mesmo discurso.
Não há mais tempo a perder. É preciso cortar o mal pela raiz, afinal de contas,nunca se sabe com certeza quem mora ao lado.
O que é certo é que eles estão no poder!
por Mauro Nadvorny | 17 jan, 2020 | Brasil, Política
Temos na presidência um elemento que não conhece os limites do cargo. Pior, desconhece até mesmo qual é a função do chefe de estado de uma nação, do significado de ser o presidente do país, não de uma agremiação estudantil.
O sujeito tenta viver em sua zona de conforto e diante de qualquer sopro de questionamentos, perde completamente a compostura e parte para cima com uma virulência descabida e desproporcional. Este
comportamento é conhecido de longa data, muito antes de sua eleição. O linguajar de sarjeta, os ataques a desafetos e o uso da imunidade para poder exercer toda sua truculência e se manter impune eram suas características como parlamentar.
A todo momento somos tomados por um sentimento de vergonha que é superado a cada dia por mais uma desfaçatez. Não existem limites para esta pessoa emocionalmente instável, incapaz de fazer juízo de valor de suas atitudes. Sinceramente não sei o que o Congresso Nacional está esperando que aconteça para o remover do cargo. O que é que pode acontecer de pior que já não tenha acontecido.
Sim, podemos acreditar que nada que está ruim, não possa ficar pior, no caso de um Impeachment, seu vice, o General Mourão, assume o cargo. Neste caso, não que fique pior, é que o ruim pelo ruim, ao menos uma pessoa no cargo de presidente com um mínimo de compostura.
Pode-se dizer que o Mourão não preenche os quesitos políticos necessários para exercer a presidência. Vamos admitir que seja verdade, mas não estamos mais diante de uma eleição onde é possível fazer uma escolha. Estamos diante de um desastre anunciado eminente. Não existe institucionalmente dentro da democracia outra alternativa.
Enquanto os danos fossem apenas de credibilidade nacional, as Filipinas também possuem um presidente folclórico. Se fosse apenas pela guinada a direita, a Hungria também possui seu nazistinha. Nosso caso é muito pior. Ele está vendendo o país no varejo. Nossas riquezas estão sendo entregues de mão beijada. O país já criou um abismo entre os mais ricos e os mais pobres. Mas não é apenas a
distância entre eles que aumentou, são as condições que estão sendo impostas para que nunca mais possa diminuir.
A imensa informalidade criada, com o pomposo nome de empreendedorismo, é a formalização do surgimento de uma casta social incapaz de ascender socialmente pelas próximas gerações. Ao institucionalizarem a meritocracia, acabaram com as chances de um Brasil com menos desigualdades sociais. Agora sim estamos nos tornado uma pequena Suíça dentro de uma enorme Índia.
Com a maioria da população sendo incapaz de poupar e de receber uma aposentadoria condizente no futuro, existe todas as condições de uma bomba relógio que vai explodir lá adiante. A classe média de hoje são os pobres de amanhã. E os pobres já estão caindo na miséria a olhos vistos.
O cara na presidência não possui a menor condição de compreender o que está acontecendo. Ele não tem cultura e nem intelecto capaz de enxergar o que se passa. É uma marionete na mão dos capitalistas que estão assaltando a nação pouco se importando com as consequências futuras.
O inimigo não está lá fora, ele está dentro de casa. Ele se tornou o inútil que é útil para os que tomaram o poder. Serve aa milícias e aos bancos. É bom para os pentecostais e os militares. É adorado pelos neoliberais e a ultradireita. Todos se divertem enquanto ela passa o seu tempo nas redes sociais adulando a si mesmo ou batendo boca com jornalistas nas esquinas do palácio de governo.
Impeachment agora, por que já é tarde demais.
“Se não eu por mim, quem por mim? Se eu for só por mim, quem sou eu? Se não for agora, quando?”. Hillel, o Ancião. Foi um rabino famoso que viveu no tempo de Herodes.
por Mauro Nadvorny | 10 jan, 2020 | Comportamento, Política
Dizem que todo antissemita tem um amigo judeu de estimação, real ou imaginário. Acredito que seja uma verdade, ao menos em parte.
Recentemente o tema do antissemitismo vem aparecendo na mídia mais do que devia. Não é para menos, episódios deste cunho vem assombrando uma das cidades mais cosmopolitas que conhecemos, Nova York, com episódios quase diários. O mesmo em Londres e Paris.
No entanto não precisamos ir tão longe. Em recente episódio em que fui envolvido, comentários de cunho antissemitas foram postados em profusão sem qualquer arbítrio. Alguns exemplos:
“Nadvorny, além de Ashkenhazy, caucasiano, é também SIONISTA. SIONISMO é um movimento FASCISTA DE JUDEUS ASHKENHAZY…”
“Ele é apenas um CRIMINOSO COMUM, MENTIROSO, QUE POSA DE VÍTIMA QUANDO NA REALIDADE É UM CARRASCO SANGUINÁRIO E CRUEL, como a maioria dos seus correligionários israelenses!!”
“Comportamento do Governo Judeu de Israel com o Povo Palestino é similar às barbáries
cometidas por Hitler durante a Segunda Guerra Mundial!”
Eu sempre soube separar a crítica ao governo de Israel que alguns se referem como antissionismo, do antissemitismo. Mesmo assim, é bastante claro a existência de uma linha tênue entre eles. Muita gente que se declara antissionista ataca o Estado Judeu como sendo um país que deve desaparecer, ou
nunca ter sido criado. São os antissemitas clássicos que tentam permanecer numa zona cinza.
A questão do Brasil é muito interessante. Seus habitantes nativos foram as tribos indígenas que habitavam o território. Os europeus dizem que “descobriram a América”, quando o correto seria dizer a verdade, eles invadiram a América. Portanto, todos os habitantes da América descendem destes invasores, ou aqui chegaram para completar o trabalho iniciado por eles. Como resultado disso,
centenas de milhares de indígenas foram mortos, outros escravizados. Os verdadeiros donos desta terra foram dizimados e os que restaram são tratados com desdém.
Os invasores, quando perceberam que os índios preferiam a morte, que a escravidão, precisando de mão de obra, foram buscar na África. A população negra brasileira não invadiu o território de ninguém. Foi trazida em acorrentada para trabalhos forçados. O Brasil foi o último país das Américas a abolir a
escravidão que durou praticamente 300 anos. Lula foi o primeiro e único presidente do Brasil a pedir desculpas pela escravidão dos negros africanos.
Quando vejo brasileiros defendendo a causa palestina, me solidarizo com eles. Eu também defendo a criação de um Estado Palestino. Mais do que isso, acredito que os Tibetanos tem direito a recuperarem sua independência e os Kurdos o direito ao Kurdistão, só para ficar nos povos mais conhecidos e com tragédias similares.
No entanto, não posso deixar de chamar atenção para o fato de que nunca neste país se fez um pedido de desculpas para os índios, os que tiveram suas terras invadidas por nossos ancestrais. Pior, continuamos invadindo o pouco de terras que restam para eles, com o pomposo nome de Reservas Indígenas,
e que este governo fascista deseja acabar. O correto teria sido o contrário, nós vivermos em Reservas de Descendentes de Europeus.
Portanto, seria interessante que a história do Brasil, as tragédias que foram causadas por nossa invasão para que tivéssemos um lugar para chamar de lar, saíssem da sombra onde se encontram e assumirmos nossa responsabilidade. Sim, vamos defender os direitos de outros povos, mas não podemos esquecer os direitos daqueles que vivem ao nosso lado.
O povo judeu tem uma história milenar. O que hoje constitui o Estado de Israel já foi parte do Reino de Israel no passado. Não é que tenhamos retornado para um território qualquer, retornamos para o mesmo lugar de onde saímos. A tragédia causada com este retorno é um problema que discutimos mesmo antes do dia da nossa independência. Este retorno foi construído por um ideal Sionista, que desejava recriar o Lar Nacional Judaico, voltar a Sião.
O objetivo foi alcançado, mas trouxe consequências. Uma delas é a questão palestina. Um povo que habitava o território e com o qual não houve acordo para dividir o território. A criação de Israel trouxe uma guerra e as consequências são conhecidas. O povo judeu teve seu país reconstruído e os palestinos viraram refugiados.
A segurança de Israel é constantemente ameaçada por países que até os dias de hoje não aceitam sua criação e pregam diariamente sua destruição. Como democracia parlamentarista, o país vem sendo governado por coalizões de partidos de direita nos últimos 20 anos. Pode-se discordar de sua política, como eu discordo, mas não se pode concordar com o fim que querem dar seus inimigos.
Os antissionistas existem tanto na direita como na esquerda brasileira. Se existe alguma coisa que una os dois extremos, é o antissionismo radical. Este tipo de antissionismo que serve como disfarce para o antissemitismo. Este que me ataca como judeu, como sionista e como socialista. Boa parte deles é formada por gente que desconhece sua própria história e que até hoje, absolutamente, nada fez para recompensar o mal causado no lugar onde vivem.
O ódio aos judeus é um preconceito que existe há milhares de anos. É tão conhecido que até em países onde a presença judaica não existe, ou é mínima, ele se faz presente. Talvez por nossa presença desde os primórdios da humanidade, seja este o precursor de todos os preconceitos humanos. Não faltam
explicações que vão desde assassinos de Cristo até, pasmem, dependendo do lado, de sermos capitalistas ou comunistas, etc.
Para conhecimento, somos um povo igual aos outros. Nem melhor, nem pior, apenas humanos como todo mundo. Como humanos também somos imperfeitos. Em nosso seio existe gente de toda espécie, como em qualquer outro povo.
E como dizem por aí, se o judeu não existisse, o antissemita inventaria um.
por Mauro Nadvorny | 7 jan, 2020 | Brasil, Comportamento
Vocês os arrependidos
Para cada nova tragédia anunciada, mais um grupinho de arrependidos surge nas redes sociais. Mais um dos grandes da mídia faz um editorial tentando limpar a sua imagem. Lamento, mas é tarde demais.
Esta gente deve estar se perguntando onde foi que errou. A desculpa mais comum era de que não queriam o PT, porque não queriam o Haddad, porque não queriam o Lula, porque não queriam a corrupção.
De trás para frente eu posso dizer que ninguém quer a corrupção em lugar algum, mas vocês são os mais corruptos desde sempre. Vocês são os sonegadores de impostos que preferem um desconto a uma nota fiscal. Preferem enganar o Imposto de Renda, sonegam o INSS e aplaudem quando um amigo conta de que maneira enganou o seguro.
Lula já havia sido condenado sem provas e vocês foram os que aplaudiram e transformaram o Moro em um super-herói da infância. Fecharam os olhos para todos os absurdos que ele cometeu e pregaram aos quatro ventos que os fins justificam os meios. Ajudaram a quebrar as maiores empreiteiras nacionais causando o desemprego de milhares de trabalhadores.
Haddad foi achincalhado com um tsunami de Fake News que vocês ajudaram a espalhar. Absurdos que vocês sabiam serem falsos e mesmo assim despejaram nas redes sociais. Notícias que sabidamente ajudaram a minar a candidatura dele.
Não querer o PT é legítimo, é do jogo democrático, afinal vivemos em uma democracia. Haviam muitos candidatos e qualquer um deles poderia ter recebido o voto de vocês, mas a escolha recaiu no mais inepto, no menos preparado, naquele que dizia com todas as letras para que vinha e mesmo assim vocês votaram nele.
Vocês me causam náuseas. Vocês são o que o ser humano tem de pior. Não faltaram avisos, todos os sinais estavam presentes, e mesmo assim vocês o elegeram. Ele falou contra os negros e teve o voto de vocês. Falou contra as mulheres e teve o voto vocês. Falou contra os LGBTs e teve o voto de vocês. Falou contra os ambientalistas e teve o voto de vocês. Nunca escondeu nada, foi tudo as claras, ninguém de vocês foi enganado.
Seu arrependimento não vai salvar o Brasil da vergonha diária internacional a que todos estamos sendo submetidos. Quando a gente acha que vai ter um dia de sossego ele nos lembra que ainda está lá colocado pelo voto de vocês. E quando não é ele, um membro da sua equipe assume o papel do mico.
Vocês nos colocaram nas mãos de um bando de infantilóides. Gente que falsificou currículos e se tornaram ministros de estado. Pessoas totalmente desqualificadas que dão ouvidos a um lunático que se intitula filósofo e que não consegue falar uma frase sequer que não contenha a palavra ânus com duas letras.
Nosso país, por causa de vocês, virou motivo de chacota e preocupação. Nossa imagem no exterior é de incredulidade. Estamos fazendo o grotesco Rodrigo Duterte, presidente das Filipinas, parecer um estadista se comparado a Bolsonaro.
Um avião presidencial com cocaína! Façam-me o favor de ficarem quietos e nos deixarem falar disso como se deve. Um presidente precisa estar protegido durante seus deslocamentos, qualquer presidente. Existe um grupo de homens treinados especialmente para isso, aqueles caras que protegem a instituição e que, em tese, dão as suas vidas para proteger o mandatário do país.
Um elemento da equipe de suporte as viagens consegue embarcar com 39 Kg de cocaína. E se fosse um Kg de material explosivo? Isso exige cooperação interna. Não é trabalho solo. Tem muito mais gente envolvida e não duvidem se forem próximos deste debilóide que vocês elegeram, ou dos filhos que vieram a reboque.
Falem sério, arrependidos? Acham que alguma penitência vai salvar vocês do purgatório? O cara que quer liberar fuzis para o cidadão de bem, que libera agrotóxicos proibidos no mundo civilizado, que quer acabar com os radares nas estradas, dobrar o número de pontos para perda de carteira de motorista, terminar com a necessidade de cadeira de proteção para crianças. Deste cara que vocês estão falando agora que se arrependeram de votar?
Ou será do sujeito que vai salvar nossa economia com o fim da tomada de três pontos, padrão internacional para salvar vidas. Ou este cara que está lá no Japão comprando briga com a França e a Alemanha mostrando que entende muito de diplomacia e mais ainda do clima.
O tamanho do mal que vocês causaram ao Brasil só será mensurado daqui há alguns anos. Os prejuízos econômicos e sociais são enormes e todos já estão sofrendo as consequências. A culpa é de vocês.
Dia 30 está chegando e gostaria de saber quantos de vocês ainda vão participar das manifestações a favor disso tudo. Pergunta chata, decisão difícil. Sair pra rua de amarelo batendo panela ao lado dos que pregam intervenção militar deve ser constrangedor, mas vocês se merecem. Existe outra opção, sempre se pode atravessar a rua e ficar ao lado dos monarquistas.
por Mauro Nadvorny | 5 jan, 2020 | Comportamento, Política
Leonardo Attuch recorre ao velho truque para encerrar a discussão: basta qualificar seu oponente como fascista.
Me causou surpresa o texto de Attuch sobre minha resposta ao que ele publicou. O título já é uma inverdade. Eu nunca disse que ele era antissemita, como vou mostrar mais adiante.
Mauro Nadvorny recorre ao velho truque para encerrar a discussão: basta
qualificar seu oponente como antissemita.
O colunista Mauro Nadvorny acaba de constatar que, ao contrário do que ele pregou para seus seguidores no Facebook, o Brasil 247 é um veículo de comunicação democrático. Aqui, em nossas páginas, ele acaba de publicar um artigo em que diz ter sido censurado por mim. Se não fôssemos visceralmente democráticos, evidentemente, não teríamos aberto espaço a esse artigo em que ele, inclusive, me rotula como antissemita. Ou, no mínimo, afirma que usei um argumento antissemita para criticá-lo.
Um grande mal dos nossos dias é o de que as pessoas não leem o que está escrito, e quando o fazem, distorcem completamente os fatos. Nossa discussão teve inicio com um artigo para a minha coluna ter sido censurado. Attuch acha que a não publicação não foi uma censura. Cada um de nós tem uma opinião diferente, o que seria legítimo. Eu não acho que o fato de Brasil 247 ter publicado minha
resposta ao que ele escreveu, seja um atestado de democracia visceral. Mostra apenas que me foi dado o direito de resposta.
Quanto a eu o ter rotulado de antissemita, não foi o que eu disse: “Falas que eu escrevo com uma visão de mundo etnocêntrica e que eu considero os judeus mais importantes que os demais. Lamento, companheiro, mas esta é uma afirmção antissemita com todas as letras. Jamais me coloquei acima de quem quer que seja, assim como em mais de um ano de publicações semanais fui chamado de etnocêntrico.” Ou seja, eu estou afirmando que o argumento dele foi antissemita, não que ele o seja. No entanto, ele faz uso disso na chamada, o que é uma baixaria.
É evidente que a acusação não faz sentido algum. Afinal, nosso motivo para vetar o artigo que ele diz ter sido censurado foi a defesa da vida como um valor absoluto. E me parece óbvio e ululante, como diria Nelson Rodrigues, que a defesa da vida, princípio basilar do que se convencionou chamar de Humanismo, jamais poderá ser classificada como uma postura antissemita. Muito pelo contrário.
Como já expliquei no meu artigo anterior, o texto de Mauro Nadvorny, em que ele celebra o assassinato do general Qasem Soleimani por Donald Trump, foi despublicado porque, já na primeira frase, ele argumenta que o mundo se tornou um lugar melhor para se viver após este assassinato. Mauro também disse que Soleimami ameaçava a sua existência e, em razão disso, celebrou a sua execução. Na minha crítica ao seu artigo, disse que ele reproduziu a lógica do discurso fascista – “bandido bom é bandido morto” – que os progressistas tanto combatem.
Eu também defendo a vida, não é este o ponto. O texto se refere ao que já havia acontecido. Meu artigo original censurado começa assim: “Sei que vou atrair a ira de parte da esquerda, mas vou dizer de qualquer maneira que hoje acordamos em um mundo um pouco melhor para se viver. Por razões que não vou entrar no mérito, os EUA mataram o Gen. Qassem Soleimani, chefe máximo da Força Quds, mais conhecida como a tropa paramilitar do clero iraniano, os Guardiões da Revolução.”
Depois disso explico quem é o cara e o país que ele servia e concluo: “Então, se um cara como Soleimani, um servidor de um regime como este que trabalhava para o replicar em outros países foi se encontrar com o Diabo no Inferno, não quero saber quem o despachou, o mundo foi dormir com um ser abominável a menos.”
Foi nestes dois parágrafos que Attuch enxergou comemoração e um discurso fascista. Eu acho que ele está forçando muito a barra para ter esta interpretação. Acho que o motivo é outro.
Mauro me chama de antissemita porque classifiquei seu argumento como etnocêntrico, ou seja, como
de alguém cuja visão de mundo considera seu grupo étnico, nação ou nacionalidade socialmente mais importante do que os demais. Mas foi exatamente isso o que ele expressou ao dizer que Soleimani mereceu ser assassinado porque poderia “nos” assassinar. Por essa lógica, Trump, que assassina
iranianos e iraquianos, na prática seria um herói justamente porque seus salvos são “eles” – e não “nós”, da “tradição judaico-cristã”. Por essa lógica, Trump salvou o mundo de um potencial genocida, que ele compara a Hitler em seu artigo.
Em nenhum parágrafo do meu artigo original censurado está escrito que: “Soleimani mereceu ser
assassinado porque poderia “nos” assassinar.” Me mostre onde.
Da mesma forma, em nenhum parágrafo do meu artigo original está escrito que: “Por essa lógica, Trump salvou o mundo de um potencial genocida, que ele compara a Hitler em seu artigo.” Me mostre onde.
Experimentemos agora trocar os nossos óculos e nossas lentes. Coloquemo-nos no lugar de iraquianos,
palestinos e iranianos. Esses povos, naturalmente, também se sentem ameaçados pelas ações de Donald Trump, de vários de seus antecessores, e de Benjamin Netanyahu. Basta dizer que mais de 200 mil civis iraquianos já foram assassinados desde que teve início a pretensa “guerra ao terror”, que visava evidentemente assegurar o controle geopolítico do Oriente Médio e de todas as suas riquezas naturais. Em razão desta ameaça, é legítimo defender que Trump e Netanyahu sejam assassinados? Mauro Nadvorny escreveria isto num de seus artigos? Tenho certeza de que não. E se escrevesse, pode estar
certo de que não seria publicado em nossas páginas.
Verdade, eu não escreveria a mesma coisa.
Apenas lamento que, em vez de debater argumentos, ele recorra ao velho truque para encerrar uma
discussão: rotule seu opositor como antissemita e declare vitória. O que é isso, companheiro?
Attuch, tenha certeza de que eu não hesitaria em te rotular como antissemita, se fosse este o caso. Não foi o que eu disse, como tu mesmo reconhecestes: “Ou, no mínimo, afirma que usei um argumento antissemita para criticá-lo.”
O papel de vitimização não te cai bem.
Eu já te propus encerrar esta discussão com um artigo em comum onde concordamos em discordar. A
proposta continua valendo.
OBS: ele não concordou.