A intelectualidade fascista brasileira

Respeito quem acha que somos 70%, os que se opõe a Bolsonaro. Aí incluídos os que resistem desde antes da sua eleição e os que se arrependeram de ter votado nele. Entendo a posição de vocês de que devemos nos unir com aqueles que foram responsáveis por esta tragédia em nome do bem maior. Mas, me desculpem, eu estou fora.

Nestes dias, mais uma expoente da intelectualidade brasileira, a escritora Lya Luft, deu uma entrevista contando seu arrependimento em ter votado em Bolsonaro. Mais uma do grupo de arrependidos que deveria ser cumprimentada por se somar aos 70%. Eu postei na hora: “Não sei o que me causa mais asco, se a Lya Luft dizendo que votou no Bozo, ou explicando que se arrependeu.”

Eu posso compreender as razões que levaram a massa de manobra a votar em Bolsonaro. Entendo todas a tiazinhas do WhatsApp que tiveram certeza da existência do Kit Gay e da Mamadeira de Piroca. A falta de conhecimento, de bom senso, de estudo, de cultura, de condições financeiras, enfim, todos os componentes que levam algumas pessoas a acreditarem no que os amigos acreditam.

O que eu nunca vou aceitar é o grupo que ela representa ter votado nele. Os esclarecidos, os que estudaram, os que leram, os cultos, os de boas condições financeiras, os capazes de discernir entre o bem e o mal. Estes não merecem o meu perdão.

Se engana quem pensa que os Nazistas chegaram ao poder apoiados somente pela classe baixa alemã. Quem levou Hitler ao poder foram os intelectuais, os cultos, os letrados alemães que votaram nele e aproveitaram para lucrar com os despojos dos judeus.

Lya Luft representa a classe alta, branca, cristã, escritora, intelectual e boa mãe de família. Uma racista, homofóbica, misógena que apoiou um Fascista que enaltece torturadores. Como perdoar uma criatura destas? Existe algum perdão que faça com que ela se transforme em uma pessoa normal, humanista que respeite o próximo? Que mágica seria esta? Isso é pura fantasia. Ela é o que é, e a esta altura da vida, nunca vai mudar.

Ela é da mesma classe de alemães que sabiam o que estavam fazendo. Bolsonaro nunca escondeu o que era. Seu apoio aos torturadores e assassinos da ditadura eram repetidos a cada entrevista sua. Seu desprezo pelas minorias era sua marca registrada. Ela sabia disso e ainda assim escolheu votar nele a um professor. Que fosse em Amoedo, mas não no fascista. Que fosse em branco, mas nunca em um genocida.

Não tem perdão! Eu não perdoo, como não perdoo os nazistas. Ela tem o meu total desprezo por sua contribuição para levar uma família miliciana ao poder. Uma família que assiste as mortes diárias de brasileiros, vítimas do Covid-19, sem nenhuma comoção. Mais de mil mortes ao dia e o eleito por ela é incapaz de uma demostração de empatia e de ações de combate a pandemia.

Ela e os Lobões arrependidos, que aceitem o que são, será melhor assim. Vocês podem dizer agora que se arrependeram, mas o resultado é o mesmo. O mal que vocês causaram ainda está aí e nada do que vocês disserem vai mudar isso. O Brasil não precisa de vocês.

Eu consigo me imaginar perdoando as massas de manobra. Aqueles que não tiveram capacidade de compreender o que estava acontecendo e, principalmente, as consequências de eleger Bolsonaro. Estes, na minha opinião, são os que vão ajudar a derrotar o fascismo, não a elite brasileira do Zé Carioca da Havan.

Desde já deixo claro que nada contra os companheiros da resistência que pensam diferente. Apenas o meu pedido de que aceitem a minha maneira de pensar e sigamos na luta.

 

Amado

Já não sei lidar com esse silêncio que fica

Quando tu te vais

É difícil ficar longe do teu abraço

Se o aconchego do teu sorriso

Aquece a minha alma

É no teu colo que eu embalo

Os meus melhores sonhos

E do teu olhar eu recebo

Os mais sinceros afagos

Vem amado meu

Recebe-me em teu regaço

Adoça a minha boca com o mel das melhores uvas

Como escreveria Salomão

A tua amada espera-te vestida com as flores do campo

Vem meu amado

E não desperdice esse vinho

Que escorre em meus lábios

Sorve-o, e embriaga-te, no néctar do desejo que guardo para ti

Traduzido na poesia de um beijo.

O caso Lya Luft, a política e a moral

 O arrependimento público e publicado da escritora Lya Luft na “cuestão” de seu voto em 2018, que foi um dos votos que entre outros votos e outras omissões nos trouxe a esta quadra. “Não havia outras opções, e deu no que deu”, é a síntese de seus argumentos.
A publicação reacendeu com gasolina o debate sobre a outra questão, a dos arrependidos e a dos movimentos pró-democracia que se aglutinam no momento em torno de diversas figuras do mundo político às quais o ex-presidente Lula recusa-se (corretamente, ao meu ver) a aderir.
Importantes pensadores aos quais dedico a devida vênia classificam como prioritário o foco no combate ao fascismo e a este governo como forma de derrubá-lo e abrir o caminho para um mínimo retorno à ordem institucional democrática.
Outros, chegam a fazer uma crítica à visão moralista que setores da esquerda aplicam ao grupo dos arrependidos.
Mas, ao meu olhar clínico, temos um problema de diagnóstico diferencial. Por que o problema não é o governo atual. Insisto que a situação atual é uma resultante de múltiplos vetores que não obstante suas diferenças de orientação e intensidade tem algumas origens e destinos comuns: o antipetismo radical, o antiesquerdismo, o anticomunismo, o lavajatismo, a “venezualização” do debate político, a fobia propagada e contagiosa do tal “Foro de São Paulo”, o terraplanismo, o olavismo, e enfim, todo o extenso cardápio da direita fascista e ignorante que sufocou a sociedade com desinformação, mentiras, delírios e alucinações.
Assim, um arrependimento que não passe pelo reconhecimento de uma ignorância vultosa sobre a realidade brasileira (e global) e que não passe por um processo de extensa revisão dos mecanismos de avaliação da realidade não conduzirá o arrependido a um novo ponto de vista do qual consiga vislumbrar com mínima clareza que as melhores verdades para o nosso país passam por um amplo espectro de abordagens, objetivos e meios. Por que a primeira coisa que esta pretensa coalizão democrática que pretende aglutinar FHC, Huck, Sérgio Moro, Dória, entre outros fará, é jogar a parte “esquerda” do pacto ao mar, na primeira oportunidade, e trabalhará arduamente para reagrupar o pacto da direita em torno do projeto neoliberal que não saiu da pauta.
Como sempre digo (e é o que deu título ao meu primeiro livro publicado), o meu diagnóstico segue as doutrinas clínicas, e o diagnóstico etiológico é fundamental para o tratamento e eventual cura para qualquer doença. A etiologia do processo que levou Bolsonaro ao poder continua bem viva como a bola na marca do pênalti. A parte que não deu certo no grande golpe e sua continuidade foi apenas o surfista da onda, que como tudo no nosso capitalismo, é descartável.
Até prova em contrário, robusta e incontestável, os arrependidos não são confiáveis. Eles apenas admitem que Bolsonaro foi um erro. E nada mais. E Bolsonaro é apenas um acidente de trajeto. É mais do que certo, a não se mobilizarem em um grande esforço intelectual, que também, na primeira oportunidade, arrumarão outro diabo que os carregue.

Caleidoscópio

Meu corpo arrastava duas crianças, uma de um ano e outra de três. Estava em uma cidade nunca vista pelos olhos. Um lugar estranho de ruas ora estreitas ora que se alargavam conforme eu as olhava. Ali estava para visitar uma amiga inesperadamente. Ela tinha três filhos em sequência de anos. No momento deste relato, eles miúdos e o que me assustou foi exatamente tê-los conhecido na adolescência. A infância foi um traço distante. O tempo cronológico desse enredo fez uma retrospectiva e instalou-me nessa realidade. Ela ainda estava com o pai de seus rebentos, hoje divorciados.

Ele resolve nos levar ao teatro municipal para um musical. Entramos apertados uns nos outros por uma gigante porta, que só nos dava um pequeno espaço. Sentamos nas cadeiras enfileiradas. O teatro estava tomado por pessoas de várias nacionalidades. Pude perceber pelos semblantes e trajes típicos da cultura de cada país. Aquilo enchia-me os olhos, que inquietos buscavam entender o porquê de tantas cores e sensação do desconhecido.

O espetáculo começou. Silêncio total na plateia. Ouvia-se apenas a cadência da respiração ora com profundidade ora entrecortada.

No meio do espetáculo, o marido fala baixinho para nos apressar, que alguém havia sido assassinado e teríamos que sair pela porta lateral sem sermos notados. Ao sairmos, caímos em um brinquedo que se reproduzia em cores, formatos e velocidades. A sensação foi, talvez, a experiência de Alice no país das maravilhas. Houve um espanto por todos nós e uma voz de comando disse apenas: equilibrem-se!

Robélia e o esposo dividiram as crianças, dois com o pai e uma com ela. Eu, em cada braço segurava um, que logo adormeceram estranhamente. O menor com a cabeça por trás do ombro direito, o mais velho, com a cabeça pendurada no lado esquerdo e segurado por um barbante atado ao meu braço. Na velocidade dos brinquedos que mudavam de momento a momento equilibrava-me com os garotos com o cuidado de não cair.

Havia inúmeras pessoas fugindo de alguma coisa, os semblantes inquietantes, febris, assustados mostravam-me que algo estava acontecendo. Não podia pará-los para saber o motivo. Não podia perder o momento que teria que pular de brinquedo. Rígido, o meu corpo de espanto e o coração acelerado, com os filhos pendurados em meu corpo como asas, buscava não perder de vista os amigos. Havia vários sentidos, cores que indicavam a velocidade seguinte. Nada sabia sobre aquilo. Era tão nova a experiência que me sentia em um caleidoscópio. O medo segurava as minhas mãos que apertavam os dois meninos, filhos meus.

Em uma movimentação brusca perdi o equilíbrio e os amigos sumiram de minha visão. Fiquei totalmente sem bússola naquele estranho lugar em que as cores mudavam, se multiplicavam em fragmentos. Teria que reagir e buscar a perfeição do universo. Agarrá-lo sem constrangimento dos olhares daqueles rostos que me reprovavam por ter caído por um instante. Levantei-me e a sequência se tornou um vazio. Todos tinham desaparecida da nova cor que surgia. Via de longe em outra pista gente que surgia em minha direção. Fiquei apavorada e o sono das crianças era tão profundo que se quer ouvia o respirar de cada um. Catatônicos.

Alguém com um rosto desfigurado ajudou-me a pular para um outro brinquedo. As crias continuavam nas posições inversas e inertes. Não sentiram o meu desespero. De repente, ouvi uma voz de uma pessoa que conhecia e não a via há muito tempo. Reconheci pela voz esganiçada que doía os tímpanos à época de meu trabalho. Um susto alivioso. Queria ajuda, não suportava o peso das crianças e as direções dos brinquedos. Perguntei se tinha visto Robélia, ela falou que não a conhecia. Eu gritava para ela poder me ouvir. Descrevi minha amiga, mas nada era percebido no movimento do mundo. Ela apenas se ofereceu para me ajudar pular na próxima mudança, era um brinquedo roleta, perigoso e uma ajuda era necessária. Queria pular para uma rua, ela teria que continuar. A tarefa do partido exigia disciplina, ela gritou. Ao nos encontrar por décimos de segundos, ela me empurrou, só assim poderia me livrar da sinfonia frenética que conduzia os meus pés sem destino. Meu corpo foi lançado em voo livre. Caí em cima de muitas folhas do outono, a queda foi suavizada. Meus filhos acordaram. Coloquei o menor embaixo de uma grande árvore e desatei o nó do outro em meu braço, libertando-o totalmente. Segurei com firmeza suas mãos pequenas e sumi no nevoeiro. Acordei.

Rosa

Com tanta ferramenta exótica, o consultório parecia oficina mecânica. Só faltava a folhinha com mulher pelada. Semanalmente, o Menino ia ao ortodontista, no centro da cidade, ajustar o aparelho dentário metálico que, diziam, lhe daria uma fachada mais aceitável. Pensava que, de quebra, o conserto também aliviaria as dores d’alma, mas, ai !, não chegava a tanto. Certo dia, aconteceu.

Na volta para casa, o ônibus adernou para um caminho diferente. Sabia que, da Lapa de Madame Satã, passaria pelo Estácio de Bide e Marçal, para entrar na Tijuca, território sagrado. Por que, então, abandonou o roteiro de praxe e embicou para a praça Paris ? Pânico. Não cogitou sequer de um desvio provocado por obras, apenas imaginou perder-se fora das garras da rotina. O motorista até tentou explicar que logo retornaria à Lapa, não quis saber. Saltou e andou, não, correu para o restaurante do Calabouço, onde, ao lado, trabalhava a Mãe. Colo protetor, estava salva a pátria.

Essa timidez, essa desconfiança do mundo, só se atenuava com os livros. A relação com eles sempre foi de intimidade, de troca, que continua até hoje. Começava com o cheiro, avançava para o prazer estético das imagens (como esquecer as ilustrações de Belmonte e André Le Blanc ?), desaguava no toque macio, para, só então, desembrulhar as letrinhas. Eu descobria que poderia ser outros. Entrava na prosa de Robert Louis Stevenson, Monteiro Lobato e Maurice Leblanc, e me transformava em pirata, Hércules e ladrão de casaca. Melhor do que um dentuço que podia, no máximo, sonhar em ser escolhido no par ou ímpar para jogar no time de pelada dos cobras da vizinhança. Uma tia generosa abria as portas da sua biblioteca para estes voos solo, que me levavam a universos paralelos.

Um ditado talmúdico diz que uma palavra vale uma moeda, o silêncio vale duas. Vou profanar a sóbria sabedoria judaica. O silêncio pode ser uma prisão, e eu não daria dez réis de mel coado para isso. Acumular leituras, por mais prazerosas que fossem, não me tiravam do isolamento. Faltava criar uma ponte, descobrir uma chave libertadora, que transformasse as palavras aprisionadas no meu mundo interno, interditadas como no caso do ônibus que mudou a rota, em comunicação. Foi quando surgiu Rosa.

Rigorosa nas cobranças, amorosa nos gestos, disponível para dialogar. Assim era Rosa Erman, professora de português que não se limitava aos artigos, preposições e anacolutos. Entendia que estávamos lidando com a língua, um organismo vivo, que transbordava as páginas dos livros e possibilitava as relações. Criava espaços para a imaginação e o desembaraço. Um desses espaços era a exposição oral. De surpresa, convocava um aluno e pedia que contasse uma história. Qualquer uma. Na época, eu tinha ganhado de presente a coleção do Tesouro da Juventude, um clássico em 18 volumes. Tinha de tudo, desde tratamento para bicho-de-pé até sonetos de Camões. Devorava a seção de mitologia grega e sempre tinha preparada uma história dos mitos helênicos. Venci a resistência para falar com os Outros, exercício que continuo fazendo vida afora. Rosa libertou do cárcere minhas palavras e elas nunca mais pararam de sair.

Muitos anos depois, fui convidado para um encontro de ex-alunos do meu colégio. Um tanto desconfiado, resolvi comparecer. Acho que essas reuniões, que misturam as fantasias que construímos para o passado com a realidade presente, não costumam dar certo. Melhor ficar com a lembrança do gosto do Kalu da infância do que pedir o picolé de abacaxi de hoje. O gosto jamais será o mesmo. Bem, entre rostos irreconhecíveis tive a impressão de vê-la. Lá estava Rosa, a mesma expressão serena, os mesmos olhos expressivos. Agora, eu saberia exatamente o que lhe dizer. Me aproximei e agradeci pela chave libertadora que me deu asas. Ela esboçou um sorriso discreto, mas que, para mim, foi a senha da cumplicidade recuperada.

Em 21 de julho de 2001, a página de necrológios do jornal informava o falecimento de Rosa Erman. Imprensa mentirosa. Quem disse que semeadores de afetos, liberdade e acolhimento morrem ? Quem acredita que veredas poéticas, fecundadas em sala de aula, podem ser visitadas pela Indesejada das Gentes ?

Fauda – A Série (Netflix)

AVISO: Pode conter spoilers.

FAUDA – A SÉRIE (NETFLIX)
(Pode conter spoilers)

Não tenho apreço por filmes e peças violentas, e por isso, tive que respirar fundo muitas vezes até me acostumar com a idéia de mergulhar nesta aventura. Sim, Fauda (caos, em árabe) é uma série produzida em Israel que trata da guerra subterrânea entre o serviço secreto do exército israelense e a ala militar e radical do Hamas. As duas primeiras temporadas descrevem eventos na Cisjordânia ocupada, e a terceira, sobre eventos em Gaza. Curiosamente, a série foi um sucesso absoluto tanto com israelenses como com palestinos. Seria aliás, muito interessante ouvir o que os palestinos que apreciaram a série teriam a dizer sobre ela, e fica aqui o convite para quem se enquadrar no quesito ou que possa repassar o convite para as devidas pessoas.

O personagem principal, Doron, carrega sobre si aspectos contraditórios da existência humana. Convivem dentro dele o romântico e dedicado pai de família (enquanto casado), capaz ainda de grandes gestos de amor fraterno e factual, inteligente, polivalente, articulado e impulsivo, e em contraste, o soldado de guerra capaz de qualquer coisa, inclusive de cometer erros graves que lhe custam caro ao longo da narrativa. De uma certa forma, lembra o velho capitão Kirk em alguma medida, pela capacidade de improvisação e rebeldia às normas rígidas e à lógica seca.

Os outros personagens, dos dois lados, são muito bem construídos, consistentes, e até onde conheço, as culturas locais foram muito bem incorporadas nas tramas e permitem o vislumbre da riqueza humana em sua capacidade de se adaptar aos contextos extremos. Todos amam, todos acertam, todos erram, todos podem odiar e até matar.
O aspecto trágico da narrativa é o aprisionamento das pessoas envolvidas em uma espécie de “destino” que as levam inevitavelmente à catástrofe. Seja o cidadão vulgar israelense outrora nada bem comportado que foi parar no serviço secreto após servir ao exército, seja o jovem palestino talentoso e honesto, seja a boa esposa e mãe judia, seja a provecta e nobre senhora árabe, em algum momento são capturados pelo fluxo da história como se orbitassem um buraco negro e chegassem ao limite do “horizonte de eventos” ou ponto de não retorno.

Dividida em 3 temporadas, é na realidade uma narrativa só dividida em 36 capítulos nos quais distribuem-se 3 ou 4 momentos de tensão absurda e resoluções sanguinárias entremeadas por momentos onde a história oferece enormes oportunidades aos envolvidos e envolvidas.

Apesar de produzida em Israel, não consegui enxergar um maniqueísmo na série. Na minha percepção, não se capta uma imagem de vitimismo ou santidade pelo seu lado, ou de demonização do outro lado como um todo. A narrativa dá uma clara margem de compreensão de que os dois lados sofrem barbaramente com o conflito. Para quem conhece de perto a situação, seus atores, seus contextos e a diversidade de narrativas de vida real, a série parece-me muito realista em seus objetivos, e salvo alguma ingenuidade da minha parte, no meio de tantas balas e sangue ela consegue despertar alguma esperança ao exibir exasperadamente a humanidade dos personagens, principalmente dos não diretamente envolvidos com a verdadeira guerrilha.
Espero sinceramente que a ficção possa ajudar a construir uma nova realidade.