por Mauro Nadvorny | 4 nov, 2018 | Brasil, Justiça, Política
Em 1976, um ex-jogador da seleção brasileira de futebol participa de um anúncio de cigarros. Nele, com seu sotaque carioca acentuado para parecer um “malandro”, ele diz uma frase que o marcaria para o resto da vida: “O importante é levar vantagem em tudo, certo?” O canhotinha de ouro deixou de existir neste dia.
No Brasil inteiro, levar vantagem era ser legal, era ser esperto, malandro. Qualquer um que fizesse algo em desacordo com a ética e a moral, usava a frase da propaganda como justificativa e todos riam dando razão.
Ao me recordar daquela época, vejo como o país tomou aquela máxima como uma forma de bem viver. Não devolver o troco, pedir desconto para pagar sem nota fiscal, enganar o imposto de renda, passar a frente em uma fila, tudo isso passou a ser visto como natural. O Brasil virou o paraíso dos estelionatários.
De um dia para o outro, as pessoas mostraram quem realmente eram e estavam respaldadas pela Lei de Gérson.
Muitos anos se passaram até que a ética e a moral fossem chamadas de volta do exílio onde se encontravam, mortas de vergonha. E assim aos poucos o país foi começando a se dar conta de que aquela malandragem toda somente trazia prejuízos para o bem comum e benefícios para poucos. O respeito ao próximo, a solidariedade bateram à porta e foram convidados a entrar.
A vida é cheia de ciclos. Nossa existência tem muito da roda, ora estamos por cima, ora por baixo. E foi o que aconteceu.
De alguns anos para cá, nossa paciência com a corrupção chegou ao fim. No país onde alguém devolve uma carteira achada na rua com dinheiro dentro é motivo de notícia em todos os jornais, corrupto passou a ser o sujeito mais detestado na sociedade. Não qualquer corrupto, não aquele que continua sonegando impostos, apenas aquele que rouba daqueles que pagam. Não importa que o efeito seja o mesmo, ou seja, se alguém sonega vai faltar dinheiro para a saúde, educação e segurança. Se alguém rouba o dinheiro que era destinado para isso é a mesma coisa. Estranho, não?
O país foi se enchendo de ufanismo na mesma proporção em que limitava a história. A corrupção passou a existir somente em um partido político e as normas jurídicas também. O fato de a corrupção ser uma epidemia distribuída em todo espectro político e conhecida, não era importante. O que poderia salvar a maioria era apontar o bode expiatório. Fazer alguém pagar por isso, saciar as massas e dar a elas a sensação de que um novo país era possível, aquele onde a política seria a partir de agora sustentada por homens de bem preocupados, exclusivamente, com a melhor distribuição de renda e justiça social a fim de diminuir a distância entre os mais e os menos favorecidos. Nascia a Lava a Jato.
Tudo andou de acordo com um excelente planejamento. A presidente eleita que havia criado as Leis anticorrupção precisava ser deposta. Uma manobra totalmente estapafúrdia foi criada a toque de caixa para justificar o Impeachment. Mas isso ainda não era suficiente.
O maior presidente que o pais já teve, reconhecido internacionalmente por trazer o Brasil ao patamar de igual entre as nações mais desenvolvidas tinha que ser retirado da vida pública. Sua permanência no cenário político era uma ameaça permanente ao plano original. Alguns bois de piranha foram dados às massas, afinal era necessário fazer algum sacrifício e assim, aquele que liderou o processo para deposição da presidente em troca de muitos favores e outros tantos favorecimentos, pagou por sua ganância insaciável.
Uma nova ordem estava no ar, e nela o nome mais conhecido, Juiz Moro, Sérgio Fernando Moro. Um sujeito até então totalmente desconhecido, juiz de primeira instância que ascendeu ao cargo por coisas do destino. Não conseguindo passar na prova da OAB para exercer a advocacia, passou em um concurso para juiz. Simples assim.
Moro passou a ser no Brasil o paladino da justiça. Aquele que a sociedade pensava não existir entre nós. A deusa da justiça encarnada em um ser humano. Era Deus no céu e Moro na terra. Os fins passaram a justificar os meios e um novo tipo de justiça passou a ser aceito, a Lei de Moro.
Não eram mais necessárias provas para uma condenação, bastavam convicções. Não se exigiam mais delitos comprovados, qualquer indício passou a ser aceito. Sua influência chegou ao STF na famosa frase de uma ministra da corte: “Não tenho prova cabal contra o réu, mas vou condená-lo porque a lei me permite”.
A cada disparate da justiça contra os membros de um campo político, mais apoio midiático e teses “nonsense” para sustentá-las. Nunca vimos antes tanto apoio ao absurdo. A razão foi escondida e o direito a inocência até prova em contrário, exilado. Na Lei de Moro não existe estado de direito, somente o direito do estado personificado na sua pessoa. Ele é o estado.
Assim sendo, o resultado para o julgamento do presidente do povo não poderia ser outro. Ele foi a julgamento apenas pró-forma, pois condenado já estava. O plano prosseguia e ia ganhando apoio popular. Mas eis que algo surge no horizonte, pesquisas eleitorais mostram que aquele ser ganharia as eleições.
Nunca a justiça brasileira foi tão rápida. Enquanto milhares de brasileiros morrem antes de receber o que tinham direito pela demora em terem seus pleitos julgados, a segunda instância imediatamente, em tempo recorde, carimbou a confirmação da condenação. Mas somente isso não bastava. Ampliou a pena de maneira a permitir o cumprimento da pena na cadeia. Agora que o STF havia aberto a possibilidade de um condenado em segunda instância começar a cumprir a pena enquanto aguarda por recurso, tudo se encaixou.
Podemos dizer que todas as instituições cumpriram seu papel com a ajuda da mídia. O ex-presidente foi colocado na prisão e impedido de concorrer nas eleições. O resultado foi o desejado. Sem ele na disputa, o milico que foi retirado do exército por ato de terrorismo ganhou as eleições. O perigo de uma volta ao verdadeiro combate a corrupção foi afastado. Quem se importa? Novos ministros, inclusive com condenações já estão sendo nomeados, mas nenhum chamou mais atenção do que o Juiz Moro.
Aquele que julgou e condenou o maior adversário do presidente eleito foi convidado, e aceitou ser o seu Ministro da Justiça sem qualquer impedimento ético. Ele troca um salário que com todos os benefícios chega próximo dos R$ 100.000,00 e uma carreira na magistratura, por um salário de R$ 30.000,00 durante possíveis quatro anos, se lá permanecer. Quem faria isso?
Dois tipos de pessoas que eu conheço aceitariam trocar uma carreira de luxo segura a te sua aposentadoria por uma nomeação momentânea com prazo conhecido. Uma é aquela para quem o mais importante é o amor ao próximo e ao país acima de tudo. Alguém disposto a sacrificar seu futuro pelo bem da nação.
O outro tipo de pessoa é aquela que tem algo a ganhar com tal nomeação, ou a perder sem o cargo e isso me faz trazer a tona pelo menos dois fatos conhecidos. O caso Banestado e as informações trazidas por Tecla Durán.
O caso Banestado foi uma investigação nos anos 90, arbitrada por Moro que constatou a remessa ilegal, fruto de corrupção envolvendo políticos, empresários e empreiteiras de mais de 500 bilhões de reais em dinheiro de hoje por diversos doleiros. Qualquer semelhança com a Lava Jato não é mera coincidência. Alguém lembra disso? Claro que não, já que no final do governo Collor, tudo foi devidamente arquivado por quem teria se tornado então um herói nacional, ele mesmo, Moro. Uns poucos lambaris pagaram o pato. Dinheiro restituído, nenhum.
Mas temos mais recentemente Rodrigo Tecla Durán. Ex-advogado da Odebresht ele contou que um amigo de Moro, Carlos Zucolotto, intermediava negociações paralelas na lava Jato. Zucolotto e a esposa de Moro eram sócios em um escritório de advocacia. Com pagamentos aos membros da operação, penas podiam ser diminuídas e regimes de prisão modificados para cumprimento em casa.
Qualquer um destes casos poderia ser investigado pela Polícia Federal se provocada pelo Ministério Público, ou não. Aí entra o caso da pessoa que tem algo a ganhar no cargo de Ministro da Justiça, a quem está subordinada a Polícia Federal, o nome dela é Sérgio Fernando Moro.
Acho que assim podemos compreender melhor a troca de favores que aconteceu entre o presidente eleito e o juiz que já estava acertado para a função antes do período eleitoral conforme seu vice na chapa declarou.
Concluindo, uma enorme quantidade de pessoas foi enganada e levada a acreditar que tudo era pelo Brasil e contra a corrupção. Foram massa de manobra, idiotas úteis. Legitimaram um plano há muito concebido para chegar aonde chegamos. A primeira etapa foi concluída com louvor. A segunda etapa começa agora com a submissão do país aos interesses neoliberais de brasileiros e estrangeiros que vão tornar o país uma nova Cuba de Fulgencio Batista, com a abertura de Cassinos com seus correlatos, drogas e prostituição. E uma nova Venezuela onde as instituições serão submetidas à vontade presidencial, seja por bem, seja por baionetas. Mas não se preocupem, tudo será referendado por uma nova ordem.
Sejam bem vindos a Lei de Moro.
por Mauro Nadvorny | 2 nov, 2018 | Brasil, Comportamento, Política
Sem noção
Sabe quando a gente está entre amigos, alguém contando uma coisa muito triste e chega aquele amigo que sem perguntar nada fala a coisa mais inconveniente e inapropriada possível? Este é o chamado “sem noção”.
De repente estamos nos descobrindo cercados de sem noção por todos os lados. O Nelson Rodrigues disse que os idiotas vão tomar conta do mundo, não pela capacidade, mas pela quantidade. Desculpe, mas ele errou pelo menos em relação ao Brasil. Nosso país está sendo tomado pelos sem noção, e eles são a maioria.
Já tem gente que votou naquele arremedo de milico para presidente e 24 horas depois já está postando que se arrependeu! Isso é um bando de sem noção.
Uma professora eleita deputada em Santa Catarina, manda os alunos gravarem as aulas para fazerem denúncias e posa em uma foto de espingarda cor de rosa nas mãos! Isso é uma sem noção.
Uma mãe fantasia seu filho branco de escravo negro para uma festa de Halloween e diz que os livros de história estão errados, nunca houve escravidão no Brasil! Isso é uma sem noção.
Um estudante de direito faz um vídeo no dia da eleição dizendo que agora a negraiada vai morrer, viva o capitão. Feliz da vida posta nas redes sociais. Isso é um sem noção.
Um astronauta nomeado ministro da Ciência e da Tecnologia diz que vai combater o mesmo inimigo, interno ou externo com o sacrifício da própria vida! Isso é um sem noção.
Um juiz que julgou os adversários do capitão presidente foi convidado para ser o Ministro da Justiça e aceitou! Isso é um sem noção.
A cada hora aparece mais um, e mais um numa tsunami sem noção que vai tomando conta do país e é impossível de ser contida.
Claro que não falta inspiração para todos estes sem noção. E ela vem do agora eleito, sem noção, para a presidência do Brasil. Ele é o mito deles, justamente por representar o que eles foram à vida inteira e estavam contidos. Agora saíram do armário, mas todos ao mesmo tempo.
Estamos chegando a um ponto sem volta e eles em breve neste ritmo vão se tornar a norma, e nós, simples mortais os inconvenientes que temos educação, que lemos livros, que nos informamos e sabemos a hora de se calar, não vamos ter outra saída, senão entrar no armário que ficou vazio.
Quando isso acontecer, talvez a onda comece a retroceder. Aos poucos ela vai retornando para o seu ponto inicial e o sem noção irá perceber que o seu mundo sem noção é o caos.
Ninguém mais compreende nada e tudo parece estar do avesso. Então nós os normais vamos passar a ser notados novamente. Vão nos abrir as portas e nos pedir para sair.
Eu não sei se o sem noção mor assume na virada do ano. Talvez uma tempestade de bom senso se abata sobre o TSE e o STF e aquele caixa 2 da campanha de disseminação de fake news, para qual existe lei, mele as eleições.
Se isso não acontecer, percebam que é sem noção um General bater continência para um Capitão que foi expulso do exército por planejar um atentado terrorista.
Talvez no primeiro semestre do ano que vem depois de implementar todas as maldades prometidas, com um estafe de corruptos no primeiro escalão do governo, e todos estiverem sentindo as consequências de terem votado num total sem noção, a gente acorde deste pesadelo sem noção.
por Mauro Nadvorny | 31 out, 2018 | Brasil, Comportamento, Israel, Política
Sempre gostei de História. Muito devo ao meu pai que sempre me incentivou a leitura. Desde pequeno sou um devorador de livros e assim vou lendo um depois do outro. Não consigo ficar sem ler.
Um dos horrores desta última eleição foi a disseminação de notícias falsas. Algumas sobre fatos absurdos, mas muitas simplesmente sobre fatos históricos falsificados. Coisas passíveis de se informar em qualquer livro, ou mesmo na Internet.
Alguns destes fatos me dizem respeito como judeu progressista. Um exemplo disso foi de que o partido Nazista seria de esquerda. Seus defensores argumentaram que o nome do Partido era Nacional Socialista. De nada adiantou a própria embaixada alemã desmentir. Nem mesmo as pregações nazistas contra os comunistas mudou a opinião dos que acreditaram nisso.
Outro fato marcante é que o governo do PT teria dado milhões de dólares ao Hamas, algo como dizer para um judeu que financiaram terroristas assassinos. Na mesma linha, afirmavam que os governos petistas seriam contra Israel. A verdade é que a política externa brasileira sempre foi favorável as resoluções da ONU contra Israel. Durante a ditadura militar votaram a favor da equiparação do Sionismo com Racismo e receberam a representação diplomática da OLP no país. Nada mudou nos governos civis até hoje. O que sim foi omitido é que o Presidente Lula foi o único presidente brasileiro a visitar Israel, e que ele sim, depositou flores no Museu do Holocausto como o fazem todos os líderes que chegam aqui pela primeira vez.
Com relação ao dinheiro para o Hamas, também querem falsificar a história. O governo brasileiro fez uma doação de 25 milhões de dólares para um fundo das ONU que lidou com a reconstrução daquele território. Dezenas de outros países o fizeram, muitos com somas muito superiores.
Todas estas informações estão acessíveis a qualquer um que tenha vontade de conhecer a história. Tudo pode ser esclarecido a um clique em qualquer computador, ou até mesmo em um celular. Não se trata de informação confidencial, ou de difícil acesso.
Qual é o problema então? A conclusão que se chega é que em uma guerra a verdade é a primeira baixa e que de fato, sem exagero, esta eleição foi uma guerra. Assistimos como nunca antes visto a disseminação massiva de informações falsas que foram sendo assimiladas como verdadeiras e criminosamente utilizadas para vencer a guerra. Tanto assim, que passada a eleição ainda recebo informações falsas todos os dias.
No meio judaico existe a convicção de as relações Brasil e Israel serão como uma lua de mel. O embaixador israelense no Brasil já teria visitado o presidente eleito. Este teria dito que visitaria Israel depois dos EUA (antes era o primeiro lugar a ser visitado, mas quem está contando). O primeiro ministro de Israel já teria confirmado sua vinda para o dia da posse. É muito amor incontido.
Tudo isto já faz com que se alvorocem empresários pensando que os negócios entre os dois países terão um grande incremento e já fazem as contas de quanto vão ganhar com isso. Talvez fosse o momento de contar que inúmeros acordos já foram firmados entre os dois países e o que sempre faltou foi liberação de financiamentos para investimento do lado brasileiro, talvez pelos números desfavoráveis na balança comercial. O acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e Israel está em vigor desde 2010.
O comércio bilateral entre os dois países mostra que Israel importa do Brasil cerca de 400 milhões de dólares e exporta cerca de 900 milhões de dólares, mais que o dobro.
Então vale saber que o Brasil exporta para o mundo árabe mais de um bilhão de dólares e importa cerca de 600 milhões de dólares. Para quem sabe fazer contas, o comércio com Israel é deficitário para o país, enquanto que o comércio com o mundo árabe é favorável.
Nesta situação, desejar adquirir mais produtos israelenses, é aumentar o déficit comercial. Afinal, Israel é um país com 8 milhões de habitantes e o Brasil não tem muito o que nos oferecer.
Claro que de um presidente eleito, declaradamente fascista, podemos esperar qualquer coisa. Entre elas uma decisão contrária à lógica econômica onde o equilíbrio comercial entre as nações não seja relevante. Se assim for, sorte de uns, azar de outros quando mais empregos forem perdidos no Brasil.
Tudo que está informado neste texto se encontra documentado, seja em livros sobre a história, seja em informes oficiais que estão a disposição de qualquer um que deseje conhecer a finada verdade.
por Mauro Nadvorny | 26 out, 2018 | Brasil, Política
Até a vitória
Agora é oficial, o que está em disputa é a democracia contra o fascismo. Tanto assim que a justiça mandou a polícia invadir universidades de todo o país para retirar faixas e material de conteúdo antifascista.
Na minha juventude, nas nossas assembleias contra a ditadura, a polícia tinha lá seus espiões, mas nunca invadiram a universidade. Ali era como território sagrado e onde se podia ao menos falar o que se pensava. Nem durante as eleições fajutas que aconteciam tivemos acontecimentos deste tipo.
Quando um juiz afirma que uma faixa onde se lê “Não ao Fascismo” é material de campanha contra um dos candidatos, não nos resta mais dúvida de que ele reconhece que tal candidato é um fascista, e mais do que isso, se assume como tal. A ditadura de toga já se faz presente.
O desespero na campanha adversária é tal com a queda contundente nas pesquisas que já estão partindo para uma campanha de abafar as vozes que estão mostrando a população à verdadeira face do seu candidato. Só isto explica uma operação a nível nacional contra as universidades.
O trabalho da militância já está dando resultados. Milhares de votos estão passando do lado da escuridão para o lado da luz, do lado do ódio para o lado do amor, e numa velocidade nunca antes vista.
A cada hora mais pessoas estão percebendo que estavam na onda errada. Que não sabiam que eram falsas as notícias que recebiam em seus telefones contra o candidato Haddad. São elas que ao perceberem o engodo estão não somente mudando seus votos, mas ajudando mais pessoas a virem para Frente Democrática e votarem 13.
Este movimento já surte efeito a olhos vistos. Nós que criamos grupos e páginas contra o fascismo, que postamos diariamente a verdade e escrevemos nos dirigindo ao coração de cada brasileiro, recebemos em troca mensagens de agradecimento por os ajudarem a conhecer a verdade.
É indescritível a felicidade nas ações dos partidários de um Brasil de todos e para todos. As canções de artistas conhecidos, ou não. Os vídeos de personalidades e da gente comum. As mensagens de voz de intelectuais e anônimos. Todos juntos unidos para barrar a prepotência e a arrogância daquele que já se achava empossado.
O sentimento é de que tudo valeu a pena. Cada mensagem de ânimo quando parecia impossível. Cada vídeo trazendo a verdade quando tudo que se via eram mentiras sopradas aos quatro ventos. Cada ombro dado aos companheiros que se abatiam diante do viam acontecer.
Hoje, mais próximos do que nunca na reta final desta guerra onde a vitória está a nosso alcance, somos vitoriosos companheiras e companheiros.
Nunca desistimos porque somos a resistência.
por Mauro Nadvorny | 23 out, 2018 | Comportamento, Política
A escolha dos Kapos
Durante o Holocausto quando 6 milhões de judeus foram exterminados, existiram nos guetos e campos de extermínio a figura dos chamados Kapos. Para quem não sabe, a origem da palavra é italiana e significa líder. Na Itália ela designa até hoje os líderes mafiosos.
Nem todos os Kapos eram judeus e sua função consistia em ajudar as SS no dia a dia dos campos e costumavam ser mais violentos que os próprios alemães, recebendo em troca alguns privilégios como roupas, comida, cigarros e bebidas.
Depois da guerra muito se discutiu sobre o papel dos Kapos judeus no processo de extermínio já que graças à cooperação deles na manutenção da ordem, o trabalho era facilitado e assim funcionava melhor a indústria da morte.
A questão ética era de que estas pessoas tentavam sobreviver a todo custo como qualquer outra e diante daquela situação aproveitaram a chance que tiveram ao serem escolhidas para aquelas tarefas e graças a esta decisão, muitas sobreviram. Alguém tinha que fazer o trabalho sujo.
Se pensarmos naqueles dias e diante daquela escolha que fizeram, sabendo que a recusa significava a morte certa, então compreendemos porque estas pessoas aceitaram se tornarem Kapos.
Hoje estamos próximos de uma eleição onde um candidato, diferentemente de Hitler antes de sua ascensão ao poder, diz abertamente ser favorável a tortura de seres humanos. Mais do que isso ele demonstra seu apreço por um torturador que levava os filhos das suas vítimas para assistirem as mães sendo torturadas com ratos na vagina.
Diferentemente daqueles dias onde podemos aceitar que muita gente não sabia o que Hitler pretendia, hoje não restam dúvidas com tudo que foi dito por este candidato estando documentado e acessível para qualquer um confirmar.
Creio que chegou a hora de se fazer uma reflexão sobre qual é o verdadeiro caráter dos que pretendem manter seu voto nesta pessoa. Vocês escutaram nestes dias o que ele e seus filhos pensam da democracia, do STF, do TSE, da imprensa e de todos que discordam deles. Isto não foi criado em estúdio, tampouco inventado por alguém. Está lá dito palavra por palavra para quem quiser ver novamente.
Se você é a favor da prisão ou exílio de seus amigos que não votam nele e no fechamento das instituições que são à base da democracia, você está se oferecendo para ser um Kapo dele. Mas desta vez existe uma escolha que não é uma sentença de morte e ela está sendo oferecida para que tudo isso possa ser evitado.
Não se constrói uma sociedade plural com justiça social sem programas de governo. Como se alcançar estes objetivos é o que disputam os partidos, cada um de acordo com a sua ideologia. Qual o programa de seu candidato? O que ele pensa sobre o futuro de nosso país como a pátria de todos os brasileiros? Pode procurar que não vai achar nada, todo o discurso dele é tão e somente de ódio, de exclusão e de segregação entre nós.
Ainda há tempo para evitar tudo isso. Somente a democracia com a preservação das diferenças é que nos garante um futuro e um lugar entre as nações. Não troque o que conquistamos com duras lutas para seguir um falso profeta que nos fará retroceder a um passado que já superamos. Que está colocando irmãos contra irmãos por puro sadismo.
Os Kapos que sobreviveram a guerra tiveram de conviver com as suas escolhas. Muitos se suicidaram, outros negaram serem judeus e ouve ainda aqueles que fugiram para bem longe, constituíram família e esconderam seu passado.
Hoje eu peço que escolham o que é certo enquanto ainda podemos escolher.
por Mauro Nadvorny | 22 out, 2018 | Comportamento, Judaísmo
Estamos assistindo dentro da comunidade judaica do Rio de Janeiro o descalabro de mais uma instituição que ao contrário da Hebraica que é apenas um clube social, desta vez tem a autoridade representativa da comunidade carioca, a FIERJ (Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro).
No Brasil, a entidade máxima da comunidade é a CONIB (Confederação Israelita do Brasil), e a ela estão filiadas as federações israelitas dos estados, que por sua vez representam as comunidades locais.
A CONIB achou por bem encaminhar um documento aos dois concorrentes à presidência da república, onde em resumo, fazia a defesa do respeito à democracia. Em nenhum momento, como era de se esperar, a CONIB expressou qualquer agravo, ou desagravo a nenhuma das candidaturas.
Eis que, o Sr. Ary Bergher, presidente da FIERJ, encarregado de fazer a entrega da manifestação ao representante do PSL, faz disso um ato de apoio da comunidade judaica ao candidato do partido.
Esta atitude combina um ato de falsidade ideológica com apropriação indébita. Ele não recebeu mandato da CONIB para apoiar um candidato e tampouco era o dono do manifesto. O que assistimos foi o mensageiro se assumindo o responsável pela mensagem.
Como nada está tão ruim que não possa piorar este mesmo senhor em meio a um evento na já famigerada Hebraica-RJ, agride uma senhora de 88 anos por banalidades e ofende outros tantos membros da comunidade que lá estavam.
De certa forma já estamos assistindo no Brasil atos de violência inomináveis, inclusive com mortes e todos relacionados com a campanha política do PSL.
O que ainda não havia acontecido, e talvez seja esta a grande novidade, é que eis que nas nossas próprias instituições, a violência já bate a porta vinda justamente daquele que foi eleito para representar toda uma comunidade.
O Sr. Ary Bergher é apenas o primeiro a colocar as mangas de fora, mas certamente não será o último, principalmente se a comunidade carioca não tomar as providências cabíveis dentro do que está previsto no estatuto da federação.
Também é preciso que a CONIB não se omita e se manifeste em favor do respeito à democracia, objeto de seu manifesto, e da dignidade que dirigentes comunitários precisam ter respeitando a todos.
Nós, judeus brasileiros agradecemos.