O tempo do poeta É o tempo das almas libertas, De amor sem pontos nem vírgulas, Das brisas sopradas Antes dos tempos serem formados;
De quem busca, e encontra, A mulher única, preferida, amada, Cujos passos se confundem com a dança E a voz com a música que vai entre rochas, Despertando deuses esquecidos: Ela é uma canção e seus olhos se abrem para o acima: – palavra e pessoa, partitura e notas, ar e dança!
Tudo vem e desperta: O corpo nu, parado, dança; E num esboço de sorriso tudo se mistura E se faz como qualquer coisa De universo, mar, céu e tudo… Pois tudo carrega em si uma história: História dos despertamentos, De vigor E vida…
Porque há mulheres que despertam Poetas, E fazem os mares se abrirem E criam, em um vôo, universos incontáveis: Há mulheres que se fazem enxergar e ver, Que se fazem escutar e ouvir, Que afinam cordas e abrem asas para sempre…
E se tornam singulares, únicas, preferidas, Uma canção cujas notas vão além e aquém Superam a partitura e seus pentagramas: São mulheres que voam!
Porque criam asas com as próprias mãos Asas da Poesia, Poesia como criação, Barro, Água, Fogo, Ar – Poesia-alma além da alma! Poesia para fazer asas e voar, Poesia de mandar acima, Tirar do chão, fazer festa; Poesia de ensinar o vôo além, Poesia libertária, Anárquica E humana! Poesia que abre os passos, Passos singulares, Passos de dança, Poesia de espaços para águias voarem!
Porque é preciso ter algo além, de encanto, De música, de fogo, de vida, de dança, Para mergulhar nos olhos do Poeta Para chegar e fazer morada ali, Porque os olhos do Poeta São feitos de encanto, música, fogo, vida São olhos afeitos à dança, ao mergulho: São olhos libertários, De amor libertário: Olhos de vida!
Que vão ao alto das montanhas, Às rochas inacessíveis, Talhadas pelos ventos, cortadas de quando em quando Pelos sopros de mulheres que voam às alturas: Mulheres-águias, feito música, Mulheres-dança, feito encanto, Porque estas são as mulheres que chegam às alturas,
A preferida chega, Então, sem esforço e leve: Chega com uma nota apenas, Dois passos E um sorriso E nem sabe que em dois passos e um sorriso Estremece os altos do Poeta, E neste encanto o conduz Em uma volta e um salto, um olhar acima e alegria sem fim: Sem grito nem ruído, sem dizer palavra alguma, Ela voa com sua dança, Leve como a brisa ao final de tarde…
Por isso ela tem um nome, um novo nome, Porque o Poeta vive para dar nomes aos seres, E ela tem um nome, Que leva e conduz, que canta e dança, Que encanta e faz ainda mais amada, Um nome que vem de outro mar, E rasga os oceanos e repousa em seus olhos…
II
Queres saber? Queres saber por curiosidade Ou por música? Queres saber como quaisquer que lêem um jornal Ou Como alguém que descobre uma fonte? Queres saber mesmo? Pela música e pela força? Pela fonte de água? Pela alegria? Queres que eu diga este nome? O nome que dei como jamais daria a alguém? O nome que revela a porta aberta do Poeta? Não, Não é o nome de uma pessoa, De apenas uma pessoa, Mas, de uma Mulher Diante de quem o Poeta Pára, Fica, Emudece! De quem mergulha Nos olhos do Poeta e se torna brilho: Mulher que arranca o Poeta de seus labirintos Lançando um fio de delicadeza rubra… Vem, Queres, ainda, saber o nome que dei a esta Mulher Que voa quando parece estar parada? Que canta quanto parece estar calada? Que sorri quando parece imóvel? Que levita na suavidade Quando todos parecem estar colados ao chão? Eu dei um nome a esta mulher única E quando chamo, parece ouvir, Parece entender, Parece compreender A diferença entre dançar e voar, Entre música e ruído, Entre poesia e poema, Entre brisa e vento, Entre afeto e piedade, Entre Poeta e Mestre… Será que compreende mesmo? Queres saber? Agora mesmo Este nome me vem aos lábios, E eu mordo os lábios, E misturo o nome a um som Que faço retornar aos meus mais profundos Espaços interiores… Eu mordo os lábios porque o nome que dei Tem asas e harmonia, Tem vida e fogo. Tem humanidades libertárias… E avança com passos além do palco! Queres saber por curiosidade? Vem, Encoste o dedo nos lábios do Poeta, Leve e delicadamente, E puxe este nome, Tome-o, Pois está entre os lábios – e é teu! Está preso aos dentes: Mas, é teu – plena de delicadeza, O toque, A alegria, Tens a força delicadeza…
Pietro Nardella-Dellova, in SCARPE DA DONNA, 2001 *
Prelúdio Mulher bela, e singular, sem medo, que sabe onde começa o mundo do Poeta, mulher lua, feito lua nova, em frase intensa, que não tem uma corda na mão para amarrar o Poeta nem uma mordaça para silenciá-lo, mulher dialógica, plena, tipo verbo conjugado nos seis tempos da criação…
א Conheces o fluxo da Poesia e do Vinho, e de como, assim, juntos, abrem fendas no mundo e portas para a intensidade? Conheces? Tens coragem de beber desta Poesia e ouvir deste Vinho?
ב Porque o caminho da coragem, a muita coragem, de provocar um Poeta, leva a uma dimensão, singular e única, onde (vencido o caminho do poema e da forma) descobrem-se a Poesia e Mergulho, Música e Voo, Vida e Intensidade, em plena Anarquia dos Jardins e Altos dos lábios, dos poros e pupilas dilatadas!
ג O medo, próprio dos aprisionados em cadeias cotidianas, torna almas e corpos impermeáveis e perdidos no comum. A coragem, ao contrário, faz germinar a semente e os olhos, desabrochar flores e lábios e faz, também, as raízes, irresistíveis, arrebentarem o concreto da lufa-lufa. Coragem e provocação fazem avançar o passo, superar a partitura, descobrir mundos além dos mundos, e Poesia pura e viva além do verso. A coragem – e a provocação – abrem os caminhos em que a Vida não se confunde com existência! Os olhos da mulher bela enxergam estes mundos e sabem onde começam os primeiros sons criadores da Poesia e do Poeta, para além do giz, do lápis e dos corredores!
ד A Poesia é mesmo atrevida!
Junta terra, fogo, água e ar. Rasga um rio no deserto que leva ao mar. Alarga o jardim, sobe a serra, orvalha a flor, abre caminhos da vida que conduzem ao encanto, ao estado de rasgar o manto! Toca uma nota que se desdobra em cântico de contentamento, cores e tempos diversos. Risca versos e transborda das linhas, das entrelinhas. Abre portões, portas, janelas, botões, telas, sorrisos, risos, gargalhadas, sons indecifráveis, bocas amáveis, revoadas, asas, pulmões, casas, salas, salões, alas, corredores, humores, e vai abrindo rios e explodindo mundos!
A Poesia, esta força atrevida: vida carne, ossos, alma, mente, olhos e boca! Anárquica! Libertária! Grandiosa! Incontida! Pavorosa! Atrevida! …que faz tremer e temer qualquer transeunte!
ה Porque há uma mulher que não é apenas mulher: é mulher-gente! E, assim, de repente, toca a lua, abre o jardim, fica nua entre letras, pontos e notas musicais, transforma ais em canto, entrega o manto, abre a porta e vai, sem medo nem pavor, com a boca aberta, transformando uma pessoa, em pessoa-gente: poeta!
Além de Teori Zavascki, foram mortas mais quatro pessoas: o piloto, um empresário, a massoterapeuta e bailarina Maíra Lidiane Panas Helatczuk (foto do post) e sua mãe. Fiquei sabendo apenas hoje, e com imensa tristeza, os nomes das outras vítimas, além do Ministro, por intermédio do meu querido amigo, Iehudá, que me deu a notícia por celular, e me informou que, entre as vítimas, estava Maíra Panas.
Tristeza imensa, pois conhecia Maíra Lidiane Panas Helatczuk (Maira Panas) desde quando (final de 2009) coordenei um Projeto de Faculdade de Direito do Vale do Juruena, atuando na graduação e pós-graduação, na região que ia da Amazônia legal até Cuiabá, principalmente no Vale do Juruena. Maíra era uma guria ávida, inteligente, super bailarina, muito linda e com uma alma imensa.
Nosso primeiro contato se deu quando ela soube de um Curso de “Teoria e Crítica Literária”, que ministrei na região. Durante algum tempo a orientei sobre possibilidades de atuar na dança, dentro do Brasil e na Europa. Indiquei várias Faculdades e Cursos da região Sudeste. Um ano depois que deixei o projeto, ainda consultei amigos de Milano para apresentá-la. Ela merecia todo o apoio, todo carinho e afeto. Era uma pessoa singularmente formidável. Recebi notícias que, mesmo depois da queda do avião, ela estava viva – e lutando pela vida… Ela era isso mesmo: lutadora!
Uma vez, após ela relembrar uma palestra que proferi na região sobre “O Elemento Feminino do Judaísmo”, passamos horas falando sobre a “dança” na tradição judaica e, principalmente, sobre a obra “Shir Hashirim” (Cântico dos Cânticos de Salomão) e suas conexões com a Literatura e Música.
Em outra ocasião, meados de 2012, depois de ver sua dança e, sobretudo, ouvi-la falando sobre dança, escrevi e dediquei a ela a Poesia “Bailarina, Porque Danças!”. Hoje, em sua homenagem, depois desta trágica morte, publico aquela Poesia aqui, pois uma bailarina tão ávida e intensa, tão cheia de vigor e alegria, deve continuar, em algum lugar, dançando. E que dance com a Poesia!
Eis a Poesia, escrita e dedicada à Maíra:
BAILARINA, PORQUE DANÇAS! e enquanto moves os pés e danças, assim, plena e única, te darei o sorriso que nasce no canto esquerdo da minha boca que canta e o fogo da poesia que te liberta da túnica e vem de entre os sabores da língua em tons sem rimas nem formas na noite, madrugada e dia para o amor que cria a dança, sorriso e poesia dos pés às bocas, agora, abertas em recanto de descobertas nas mesmas asas e, outra vez, o canto em uma mesma língua.
1. Deus (sem apóstrofe para todos e todas entenderem) condena a ingratidão (pessoas arrogantes que não sabem agradecer a quem lhes ajuda), por isso mesmo destruiu Sodoma e Gomorra. Ser ingrato é ser arrogante e esquecer de quem ajudou e isso representa iniquidade para Deus;
2. Deus condena a exploração do trabalhador e, por isso mesmo, libertou o povo judeu da servidão do Egito. Deus odeia tanto a servidão, a exploração do trabalhador, que mandou dez pragas sobre os opressores e exploradores egípcios;
3. Deus condena a avareza e a dedicação sem limites para o trabalho, e para ganhar dinheiro e adquirir coisas sem medida nem limite, por isso mesmo criou um dia, o dia do descanso, no qual não se compra nem se vende, no qual não há lufa-lufa, no qual se descansa, e vive-se para a família e coisas lúdicas. Deus deu aos homens seis dias (seis dias trabalharás e farás toda a sua obra…), e determinou que um dia, o sétimo dia, seja dedicado ao descanso. Quem trabalha dia e noite sem parar, pensando em bens e riquezas, não vê a vida passar…
4. Deus condena a idolatria, qualquer idolatria, inclusive a do dinheiro, ou a de transformar homens em deuses, em ídolos e em mitos;
5. Deus determinou que os idosos, crianças, órfãos e doentes sejam ajudados, protegidos, alimentados. Toda política pública deve ter os idosos, crianças, órfãos e doentes como objetivo primordial;
6. Toda fakenews é condenada por Deus, porque a fakenews (informação falsa ou mentirosa) viola o preceito de dar testemunho verdadeiro e de falar a verdade (emet). Qualquer pessoa que recebe informação falsa, mentirosa, e a retransmite está afrontando o preceito divino e bíblico;
7. Deus determinou que as pessoas não pratiquem “lashon hará” (língua para o mal). Mexericos, fofocas, falso testemunho, mentiras, acusações infundadas e sem provas, calúnias, maledicências etc, são exemplos de língua para o mal. A punição é que a vida de quem pratica “lashon hará” vira um lugar de lepra;
8. Deus determinou que se pagassem “dízimos”, dois “dízimos”, sendo um para os sacerdotes (ISRAELITAS) do Templo de Jerusalém. O outro para os pobres de Jerusalém. A cobrança de dízimos não é feita entre os Judeus desde o ano 70 (há 1910 anos atrás) porque o Templo foi destruído e os sacerdotes (ISRAELITAS) dispersados. Hoje, a cobrança de dízimo é prática ilícita e caracteriza estelionato (Art. 171 do CP);
9. Deus determinou que se fizesse JUSTIÇA e se agisse com BONDADE e MISERICÓRDIA sobre a terra. Toda injustiça, maldade e falta de misericórdia ofendem a dignidade de Deus;
10. Todos os homens e mulheres são iguais; sejam negros, brancos, asiáticos, de qualquer origem e diversidade. A discriminação contra negros, indígenas etc, por exemplo, ofende a Deus.
11. Os nossos Patriarcas (Abrahão, Isaque e Jacó) nunca oprimiram os outros povos por causa das suas crenças. Viveram entre entre os povos e sempre, SEMPRE, respeitaram as crenças dos outros povos. A fé dos patriarcas nunca foi impositiva para outros povos.
12. Por último, Deus determinou que seus filhos jamais se associassem aos poderosos, jamais se dobrassem para poderosos e jamais se juntassem a poderosos para oprimir o povo. Ao contrário, Deus determinou que seus filhos ficassem ao lado dos pobres e oprimidos.
Sobre a vida, a vida real, aprenda algo, algo que vai te salvar da tristeza, da frustração, dos sentimentos baixos, das angústias, dos aborrecimentos e da fraqueza emocional…
Vamos lá! Atenção!
De tudo o que você vê nas redes sociais (facebook, instagram, grupos de whatsapp, twitter, blogs, plataformas digitais, podcasts, meet, zoom etc), 90% (NOVENTA POR CENTO) são de mentiras. Das postagens das pessoas, postagens pessoais, 95% (NOVENTA E CINCO POR CENTO) são mentiras.
O que parece (repito: O QUE PARECE) não é a verdade, é apenas como uma pessoa quer que você a veja. A vida, a VIDA REAL, não aparece nas redes sociais (dívidas, traições, desvio financeiro, estelionato, violência doméstica, frustração sexual, violência sexual, desespero, abandono, solidão, filhadaputice, tristezas, equívocos, erros, desemprego etc… não aparecem nas redes sociais – repito: NÃO APARECEM NAS REDES SOCIAIS).
Portanto, quando você vê alguém muito feliz (na imagem) não se iluda. Essa pessoa não é tão feliz assim na vida real, nem você é tão derrotado quanto parece diante de uma imagem de uma pessoa falsamente feliz. Muitos usam as redes para enganar o outro – e nada mais!
Enfim, a sabedoria, o discernimento, a inteligência, a bondade, os atos de justiça, a ética, os princípios, o conhecimento, a vida econômica real, o direito etc, não estão nas redes sociais. ´Tudo isso só aparece na VIDA REAL, quando há encontros reais, abraços reais, solidariedade na tristeza, compartilhamento na alegria. Um milhão de fotos de pessoas sorrindo não representam a vida da pessoa, pois o sorriso não é a foto, nem uma postagem…
Entenda tudo isso, e você se encontrará como pessoa real, não como fake, perfil, imagem morta e assombração!
É muita coisa (e pode ser muita coisa), menos o que a “comissão especial” (da Câmara) definiu no dia de hoje em face do Projeto de Lei n. 6583/2013 (Estatuto da Família). Aliás, como eu já disse em outra ocasião, especialmente, em Artigo para o Programa de Rádio, no Paraná (vide “Congresso Conservador Ameaça Direitos Conquistados”), o “parecer” da Comissão é um atraso, por si só, em relação ao Direito e, em especial, aos Núcleos Familiares. É um retrocesso ao século XIX. É atraso, muito atraso!
Eis um dos retrógrados Artigos do Projeto de Lei n. 6583/2013, aprovado pela Comissão:
(…)
Para os fins desta Lei, define-se entidade familiar como o núcleo social formado a partir da união entre um homem e uma mulher, por meio de casamento ou união estável, ou ainda por comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes.
(…)
Obviamente que a definição da dita Comissão sequer pode prosperar (no processo legislativo), por várias razões socioeconômicas, mas, por duas legais, tanto de caráter constitucional quanto infraconstitucional, respectivamente, Artigo 5º, XXXVI da CF/88 e Artigo 6º da LINDB (apenas para citar os dispositivos mais expressivos):
“A Lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”
Pois bem, já está decidido pelo STF e, portanto, é “coisa julgada”, a união entre pessoas do mesmo sexo como Núcleo familiar (desprezado, agora, pela comissão parlamentar e pelo Projeto de Lei n. 6583/2013). Qualquer nova lei não pode repercutir sobre este fato (social e jurídico). É coisa julgada e, mais, estabelecida no Direito que, não entenderam os parlamentares, não pode ser modificada. Não se tiram direitos! Além disso, o “projeto” passado pela Comissão não contempla outras famílias, por exemplo, as recompostas, famílias afetivas (por exemplo, filhos de criação), uniões plúrimas, entre irmãos e, ainda, de uma pessoa só, com visíveis impactos, se aprovado o parecer da comissão, sobre o patrimônio, especialmente, no que respeita à Usucapião e Impenhorabilidade do Bem de Família. Cito apenas o mais básico na ordem patrimonial. Há mais, muito mais, pelo ângulo Previdenciário, Trabalhista, Tributário, Civil, Processual Civil, Penal, Processual Penal, entre outros e, repetindo, CONSTITUCIONAL!
Por outro lado, a “comissão” quer alterar o texto da Constituição? Sim, pois sequer a CF/88, em seu Artigo 226, definiu que “família seja núcleo formado pela união entre homem e mulher”, aliás, nem casamento aparece na Constituição como “união entre homem e mulher”. O Constituinte de 1987 nem mesmo definiu família (o que fez bem, pois a ideia é aberta). Poderia a lei modificar a Constituição? Na cabeça dos mais retrógrados parlamentares, sim, já que desconhecem a Carta Magna! A CF/88 tratou, acertadamente, a família como base da sociedade (Art. 226), pois é mesmo, sem dispor de como pode ser formada, já que o mencionado Artigo é aberto e já foi objeto de profunda hermenêutica pelo STF, especialmente no que concerne ao alcance de tantas possibilidades.
Família é um setor com o qual o legislador não deveria se (pre)ocupar, pois não se trata de matéria legal (ou que possa ser quadrificada pela lei), mas, ao contrário, para além do alcance legislativo, trata-se de relações de afeto de caráter horizontal e plural. Quando muito, o legislador deve se ocupar com questões patrimoniais, a fim de garantir que os bens sejam protegidos. Não pode o legislador estrangular os Núcleos familiares, definindo “família”!
Sabe o legislador (e sua comissão) o que é “domus”? Sabe o legislador o que é “famulus” (palavra que designa a origem da família entre os romanos)? Sabe o legislador o que é família eclesiástica (medieval)? Sabe o legislador o que é família proletária? Sabe o legislador o que é família afetiva? Não! O legislador brasil-eiro nada sabe disso ou daquilo, apenas quer estabelecer no país seus dogmas “religiosos”, “equivocados” e “inconstitucionais”.
Enfim, o desvario parlamentar (que parece não ter fim na atual legislatura) anda fazendo estragos no Direito. Por quê? Porque lê o Direito como capítulos e versículos, mas o Direito poucas vezes é “capítulo”, aliás, poucas vezes é lei. E nunca, nunca mesmo, é versículo!