por Mauro Nadvorny | 23 out, 2018 | Comportamento, Política
A escolha dos Kapos
Durante o Holocausto quando 6 milhões de judeus foram exterminados, existiram nos guetos e campos de extermínio a figura dos chamados Kapos. Para quem não sabe, a origem da palavra é italiana e significa líder. Na Itália ela designa até hoje os líderes mafiosos.
Nem todos os Kapos eram judeus e sua função consistia em ajudar as SS no dia a dia dos campos e costumavam ser mais violentos que os próprios alemães, recebendo em troca alguns privilégios como roupas, comida, cigarros e bebidas.
Depois da guerra muito se discutiu sobre o papel dos Kapos judeus no processo de extermínio já que graças à cooperação deles na manutenção da ordem, o trabalho era facilitado e assim funcionava melhor a indústria da morte.
A questão ética era de que estas pessoas tentavam sobreviver a todo custo como qualquer outra e diante daquela situação aproveitaram a chance que tiveram ao serem escolhidas para aquelas tarefas e graças a esta decisão, muitas sobreviram. Alguém tinha que fazer o trabalho sujo.
Se pensarmos naqueles dias e diante daquela escolha que fizeram, sabendo que a recusa significava a morte certa, então compreendemos porque estas pessoas aceitaram se tornarem Kapos.
Hoje estamos próximos de uma eleição onde um candidato, diferentemente de Hitler antes de sua ascensão ao poder, diz abertamente ser favorável a tortura de seres humanos. Mais do que isso ele demonstra seu apreço por um torturador que levava os filhos das suas vítimas para assistirem as mães sendo torturadas com ratos na vagina.
Diferentemente daqueles dias onde podemos aceitar que muita gente não sabia o que Hitler pretendia, hoje não restam dúvidas com tudo que foi dito por este candidato estando documentado e acessível para qualquer um confirmar.
Creio que chegou a hora de se fazer uma reflexão sobre qual é o verdadeiro caráter dos que pretendem manter seu voto nesta pessoa. Vocês escutaram nestes dias o que ele e seus filhos pensam da democracia, do STF, do TSE, da imprensa e de todos que discordam deles. Isto não foi criado em estúdio, tampouco inventado por alguém. Está lá dito palavra por palavra para quem quiser ver novamente.
Se você é a favor da prisão ou exílio de seus amigos que não votam nele e no fechamento das instituições que são à base da democracia, você está se oferecendo para ser um Kapo dele. Mas desta vez existe uma escolha que não é uma sentença de morte e ela está sendo oferecida para que tudo isso possa ser evitado.
Não se constrói uma sociedade plural com justiça social sem programas de governo. Como se alcançar estes objetivos é o que disputam os partidos, cada um de acordo com a sua ideologia. Qual o programa de seu candidato? O que ele pensa sobre o futuro de nosso país como a pátria de todos os brasileiros? Pode procurar que não vai achar nada, todo o discurso dele é tão e somente de ódio, de exclusão e de segregação entre nós.
Ainda há tempo para evitar tudo isso. Somente a democracia com a preservação das diferenças é que nos garante um futuro e um lugar entre as nações. Não troque o que conquistamos com duras lutas para seguir um falso profeta que nos fará retroceder a um passado que já superamos. Que está colocando irmãos contra irmãos por puro sadismo.
Os Kapos que sobreviveram a guerra tiveram de conviver com as suas escolhas. Muitos se suicidaram, outros negaram serem judeus e ouve ainda aqueles que fugiram para bem longe, constituíram família e esconderam seu passado.
Hoje eu peço que escolham o que é certo enquanto ainda podemos escolher.
por Mauro Nadvorny | 9 out, 2018 | Comportamento, Política
Como é difícil a gente acreditar que o fascista mora ao lado, ou que dormimos com um. Não se preocupe, você é uma pessoa normal. Para todos nós demora até cair à ficha.
Como eu disse em outro vídeo, eu me pego escutando antigos amigos tentando justificar o impossível. Gente que acha que votar em um esquerdista vai tornar o Brasil uma Venezuela. Eles acham que durante a ditadura nada de ruim aconteceu para a família deles e a maioria dos brasileiros, que não havia corrupção. Eles pensam que se o PT assumir o governo, as crianças vão aprender na escola a se tornarem gays. Nos seus sonhos a bandeira nacional vai ser vermelha e o regime o comunismo. Gente, eu tenho uma má notícia para vocês. Se fosse isso, eu até podia argumentar com fatos que desmentem estas fakenews. O furo é mais embaixo.
Preciso contar para vocês que até os nazistas, que na nossa imaginação representam todo o mal conhecido, tinham famílias, tinham filhos. Eles rezavam nas igrejas, eles torciam para um time de futebol e quando retornavam do trabalho beijavam suas esposas e brincavam com seus filhos. Acho que todos nós temos pessoas assim no nosso círculo de amizades.
No entanto, pessoas assim podem ter o seu lado sombrio e é este lado que está vindo à tona neste momento e nos faz duvidar de que seja possível. Mas é, e estas pessoas são aparentemente normais. Lamento informar.
Toda esta ladainha de que eles falam, ela é apenas a ponta do Iceberg, aquele pedacinho de gelo que esconde a montanha gelada abaixo da linha d’água. O pior está escondido ali.
Estas pessoas acreditam que este fascista tem razão em dizer que sonegava impostos porque eles também sonegam, com a justificativa de que se os políticos roubam, porque dar dinheiro para eles?
Estas pessoas acreditam que este fascista tem direito a receber auxilio-moradia da câmara, mesmo tendo uma residência própria em Brasília e que isto não configura nenhuma contradição moral, porque eles acham que isso é ser esperto.
Estas pessoas acham que não importa o fato dele estar na política há 30 anos sem nunca ter feito um único projeto em benefício de seus eleitores, tampouco que tenha levado todos os seus filhos para o mesmo caminho, porque no fundo gostariam de ser como ele, ganharem dinheiro sem precisar trabalhar muito.
Estas pessoas acreditam que este fascista tem direito de se apropriar de bens e valores de sua ex- esposa e que isso não é crime nenhum, porque para eles não é justo que a mulher fique com a metade de tudo, muito menos com os presentes que recebeu em caso de separação.
Estas pessoas acreditam que este fascista pode falar mal dos negros, dos LGBTs, dos índios e outras minorias, porque na verdade são tão preconceituosos como ele e agora estão à vontade para colocarem isto para fora.
Estas pessoas acreditam que as mulheres devem receber menos e ter menos dias de licença maternidade, porque acham que não é justo pagar para alguém que está em casa.
Estas pessoas acreditam que o estado deve ser cristão, porque são cristãs ou porque assim teremos um país mais “família”.
E o mais terrível de tudo, o que eu sei que é o mais doloroso de dizer, estas pessoas acreditam que não há nada de mal em se torturar alguém, em se colocar os filhos para assistirem suas mães serem barbaramente espancadas e violentadas, porque eles têm prazer com isso, eles são os maiores assinantes de canais de lutas de vale tudo para verem sangue.
Esta gente não vai ser convencida de não votar no fascista. Só podemos convencer aqueles que estão indo na onda do já ganhou, aqueles que não compreendem o que de fato está em jogo. Aqueles que só enxergam a ponta do Iceberg. São eles que precisam mudar o voto.
Temos de dizer a eles que:
Nenhuma pessoa laica pode achar que votar em um fascista que despreza os direitos humanos vai fazer do país um lugar mais seguro de se viver.
Nenhum judeu que perdeu familiares no Holocausto pode achar que votar em um fascista que prega a morte de oponentes estará respeitando a memória de seus entes queridos.
Nenhum muçulmano que segue as palavras do profeta pode achar que votar em um fascista que desdenha o Islã estará ajudando na compreensão da sua fé.
Nenhum cristão que acredita em Jesus Cristo pode achar que votar em um fascista que prega tudo o que Cristo combateu e pelo qual foi torturado e morto estará próximo da salvação.
O fascismo não é laico, nem Judaico, não é Muçulmano e muito menos Cristão. O fascismo é o oposto de todas as crenças, ele é a personificação dos piores pesadelos da raça humana. Não podemos minimizar o mal.
Todos nós nascemos iguais e morremos da mesma maneira. A forma como passamos por esta vida é o que nos define perante a história. Podemos ser meros espectadores, coadjudantes ou podemos ser aqueles que fazem história.
Eu, escolhi estar ao lado dos que desejam fazer história, dos que desejam um mundo melhor para todos. Um mundo de justiça social, de oportunidades iguais para todos e de respeito aos direitos humanos. Só a educação pode transformar o mundo.
Eu quero estar com cada um de vocês que acreditam na humanidade e na nossa capacidade de superar os maiores obstáculos. Nós não desistimos, nós somos a resistência.
Por isso, minhas amigas e meus amigos eu estou com vocês para impedirmos que o fascista ganhe esta eleição. Haddad é o nosso candidato a partir de agora.
Não a barbárie! Nós somos a esperança!
Sim a vida! Sim ao amor! Nós venceremos!
por Mauro Nadvorny | 4 out, 2018 | Comportamento, Política
Esta eleição serviu a um propósito. Ela despertou sentimentos os quais eu nunca tinha imaginado. Talvez por inocência, talvez por ingenuidade, talvez por nunca haver presenciado, sei lá. O fato é que eles estavam ali e eu simplesmente não os percebia.
Sim, tive de me desfazer de amigos de longa data, ou de congelar velhas amizades. Até de parentes eu me afastei, coisa maluca. Estou com 60 anos e convivi com eles toda uma vida. Alguns me viram nascer, alguns eu vi nascer, outros fui conhecendo ao longo dos anos. E não estou falando de pouca gente.
Chega a ser melancólico falar sobre isso, mas talvez o que mais tenha doído foram os que tentaram me convencer a voltar em um fascista, principalmente os judeus. Disseram-me que ele era o único amigo de Israel, como se isso fosse melhorar a vida de alguém. Que ele iria mudar a embaixada brasileira para Jerusalém, como se isso fosse trazer mais empregos. Que ele vai fechar a embaixada palestina em Brasília, como se isso fosse trazer mais segurança. Que sua primeira viagem internacional seria para Israel, como se isso fosse melhorar a saúde dos brasileiros.
Tudo isso para encobrir o mais terrível de tudo, a realidade de que eles todos compartilham o que o fascista prega aos quatro ventos. Eles concordam que suas esposas e filhas merecem serem tratadas com desrespeito. Eles não gostam de negros e muito menos de homossexuais, mesmo tendo filhos gays, e que gostariam de ter uma arma para matar bandidos impunemente. Que o Brasil deve ser um país cristão e que as minorias devem se adequar ou deixar o país. Eu convivi com eles todos estes anos!
Talvez os sinais estivessem lá e eu não os tenha visto, ou não desejava vê-los. Olhando para trás percebo as piadas preconceituosas que eram contadas, mas eu achava que eram apenas piadas, só isso. O quanto desprezavam a esquerda em geral e o PT em particular, mas eu achava que eram somente opiniões, e nem todo mundo precisava concordar politicamente. O quanto concordavam com o impeachment de uma presidente, mas eu achava que eles não estavam percebendo o golpe por trás de tudo.
Eu também sofri bullying e fiz bullyng numa época que ninguém ligava para isso. Também fui preconceituoso e tive de compreender o quanto estava errado e mudar. Nunca é tarde para isso. Infelizmente naquele tempo não se ensinava na escola a respeitar as diferenças.
Ao que parece nem todos do meu círculo aprenderam com a vida de que somos todos iguais, merecemos as mesmas oportunidades e temos os mesmos direitos e deveres numa sociedade civilizada.
Eu sou bastante aberto quando se trata de respeitar diferentes opiniões políticas. Posso aceitar quem não seja de esquerda, quem não seja sionista e tenha uma visão diferente da minha em relação ao que seja melhor para a humanidade. Acho mesmo que estas diferentes visões são o que nos fazem pensar e repensar as nossas próprias convicções e por isso a alternância do poder é importante.
Alguns pensam que o estado deve estar o menos presente possível na vida dos cidadãos, outros acham o contrário enquanto o país tiver uma grande diferença de classes. Pode-se pensar que menos intervenção estatal trará mais empregos e mais riqueza para ser distribuída, ou que a intervenção estatal é necessária exatamente para impedir a exploração dos menos favorecidos e melhorar a distribuição de renda. Tudo isso é válido para ser discutido.
Estas diferenças do que pode ser o melhor para o país estão distribuídas dentro do espectro ideológico que compõe os diversos partidos políticos na sociedade brasileira. Desta forma a opinião do Partido Novo se contrapõe ao do Partido da Causa Operária, e entre um e outro temos todos os demais, a exceção de um, o PSL de Bolsonaro.
Normalmente a expressão máxima de um partido é o seu projeto baseado na sua ideologia que pode ser de esquerda, de direita ou de centro, mas no Brasil se abriu a possibilidade da existência de siglas de aluguel. Partidos sem nenhuma ideologia, de ideias aleatórias que cedem espaço para estranhos disputarem eleições. É o Partido Genérico.
Assim temos hoje um fascista disputando uma eleição por um destes partidos, o Partido Social Liberal, ou o que for que isso signifique. Ele não só tomou conta da sigla, mas impôs a ela todos os predicados do fascismo conhecidos. E ele se apresenta justamente quando o país está fragilizado a ponto de aceitar suas propostas, que, diga-se de passagem, ele nunca escondeu de ninguém.
Não acho que exista muita gente a ser convencida do perigo que ele representa para mudar seu voto. Não vejo como convencer nenhum dos meus amigos e parentes de que eles estão por cometer o maior erro de suas vidas e que o mal que podem vir a causar se voltará contra eles. Se judeus podem votar no mesmo candidato que estão votando os neonazistas, é porque não se trata mais de argumentos, mas de falta de caráter. Só não sei quem pode estar mais errado, se os judeus ou os neonazistas.
A única coisa que me resta fazer é desejar a todos com quem permaneço ligado que votem com convicção em seu candidato para que tenhamos um segundo turno. E quando soubermos quem estará disputando contra o fascismo, não se omita, não vote em branco ou nulo, vote contra Bolsonaro porque nada pode ser pior.
Esta eleição não é entre Bolsonaro e o PT como dizem eles. Ela pode ser entre o PSL e o PT, ou entre Bolsonaro e Haddad, mas na realidade se trata de votar na barbárie ou na civilização, no obscurantismo ou na luz, no retrocesso ou no progresso, no desengano ou na esperança, na indiferença ou na solidariedade.
Enquanto eu tiver voz não me calarão. Por cada judeu e judia que perderam suas vidas combatendo o fascismo e por cada judeu e judia que perderam suas vidas combatendo a ditadura militar eu digo que o fascismo não passará!
por Mauro Nadvorny | 2 out, 2018 | Brasil, Política
#elenão
O resultado das eleições ainda é incerto. Se as pesquisas estiverem certas, e geralmente estão, algo de muito ruim está acontecendo. E pode piorar.
Quando todas mostravam que o inominável havia chegado ao teto de apoiadores, eis que a última pesquisa Ibope atribui a ele mais 4 pontos percentuais.
Quando todas mostravam que seu principal oponente crescia sem ter alcançado ainda o teto, eis que a pesquisa Ibope atribui a ele a perda de 1 ponto percentual.
O que chama atenção, ao menos a minha pessoa, são dois fatos bizarros, por assim dizer. Um é de que a transferência de votos de Lula para Haddad teria estancado e outro é um acréscimo de 11 pontos percentuais no índice de rejeição na semana em que são revelados fatos que desabonam o inominável e o país realiza a maior manifestação antifascista de sua história.
Como é sabido, Lula até ser impedido de concorrer, ganharia no primeiro turno. Tinha um percentual de cerca de 37 pontos percentuais. Haddad herdou este eleitorado, ou ao menos quase todo ele. Isto vinha aparecendo nas pesquisas a cada semana. Mas da mesma forma que ele não pode herdar 100% destes votantes em Lula por não ser um líder conhecido, é difícil compreender o crescimento da rejeição pelo mesmo motivo.
O país está atravessando um período de total descrédito nas instituições. Temos o pior exemplo disso vindo da suprema corte onde seus membros não se entendem e lavam a roupa suja em público. Se alguém achou muito feio a briga jurídica entre desembargadores do TRF4 por ocasião do Habeas Corpus de Lula, o que pensar da discussão sobre a legalidade de liminar entre Lewandowski, Fux e Toffoli.
O legislativo e o executivo já tinham dados seus exemplos antidemocráticos com o golpe e a derrubada de uma presidente eleita com 54 milhões de votos. O judiciário se omitiu.
Não bastasse a radicalização política, estamos em uma plena crise constitucional as portas de uma eleição. As instituições brasileiras não estão cumprindo a Constituição e isso pode resultar em caos. Quem garante a governabilidade do presidente eleito?
Existem interesses os mais diversos em jogo. O dono de uma rede de lojas constrange seus funcionários impunemente no mais absurdo assédio moral já visto. Bispos de Igrejas Evangélicas pedindo aos seus fiéis votarem em determinado candidato. Redes de TV direcionando votos para determinado candidato. Um juiz liberando depoimentos sob segredo de justiça 6 dias antes da eleição para beneficiar determinado candidato. Outro juiz censurando a imprensa para beneficiar determinado candidato. Uma pesquisa com resultados, no mínimo estranhos, que parecem beneficiar determinado candidato.
Apesar de tudo isso, o contraponto são as redes sociais e a imprensa livre na Internet. Graças a isso que as notícias do que realmente está acontecendo chegam democraticamente a todos. Talvez por esta razão, ainda podemos ter esperança de que a barbárie não vença a civilização. Para isso temos todos de reforçar as fileiras daqueles que combatem o fascismo representado pelo inominável.
O momento não é de se omitir. Não podem existir votos nulos, ou brancos. Não permita que por conta da sua omissão, um presidente fascista assuma a presidência do Brasil.
Qualquer um, menos ele. Nada pode ser pior.
por Mauro Nadvorny | 27 ago, 2018 | Comportamento, Política
Todos nós temos nossos temores. Medo de alguma coisa, o que é perfeitamente normal, já que não deixa de ser uma maneira de aprendermos o bom senso.
Eis que agora surge nestas eleições a possibilidade de que um sujeito com tendências racistas, homofóbicas, misóginas e totalitárias chegue ao poder como presidente da república. Parece pesadelo, mas é verdade. Este é um daqueles temores só comparáveis ao bicho papão da nossa infância. Tudo bem, talvez ao lobo-mau também.
O que eu quero dizer é que existe um temor maior dentro de nós e este é muito mais real do que a chance deste cara ser bem sucedido na sua empreitada. Este temor é o que está realmente nos tirando do sério, nos arrasando como pessoas do bem, nos remoendo as entranhas e nos fazendo viver um verdadeiro pesadelo a luz do dia e bem despertos.
Eu gostaria que pudesse ser diferente e não sei se devo agradecer a este candidato, ou atribuir a ele mais um adjetivo pelo que está me causando e acredito que em muitos de vocês também: a descoberta de que temos parentes, amigos ou conhecidos que são exatamente como ele.
Esqueçam esta balela de que alguém vai votar no dito cujo porque ele não é corrupto, vai salvar o Brasil dos verdadeiros ladrões, é o cara para botar a bandidagem para correr e todas as besteiras do mesmo gênero. Elas vão votar nele porque ele as representa.
A gente podia até não saber, podia até nunca ter notado ou percebido antes, mas a verdade nua e crua é uma só: seu parente, seu amigo ou conhecido teria apoiado a ditadura e provavelmente te denunciado ao DOPS como subversivo. Ele é racista e odeia gays. Ele concorda que lugar de mulher é da cozinha para o tanque e que se quiser trabalhar tem que ganhar menos que um homem. Ele acha que se alguém nasceu pobre, mereceu isto, tipo Deus quis assim.
Eu sinceramente não aguento mais estas postagens de amigos nas redes sociais tentando explicar quem este cara é realmente. As melhores piores frases dele. Os melhores piores vídeos dele. As 1001 ofensas dele a tudo que não for branco, cristão e macho. Na boa, entendam de uma vez por todas que seus parentes, amigos e conhecidos para quem vocês supostamente dirigem este material, quando leem estas coisas, ou quando assistem a estes vídeos têm um verdadeiro orgasmo e se identificam perfeitamente com o cara. Vocês não estão convencendo eles de não votarem nele, vocês estão somente fornecendo mais argumentos para isso. Deu para compreender?
Eu já caí na real há muito tempo e venho tentando limpar a minha rede destes apoiadores. Não estou ainda rompendo amizades reais, mas estou deixando de seguir qualquer um que mencione que vai votar neste cara. Não quero mais que leiam o que eu publico e não quero mais ler o que eles publicam. Aliás, já pedi educadamente que me excluam também.
Sim é difícil de aceitar que quase 20% da população pretenda votar nele no primeiro turno. Isto significa que mais ou menos 20% das suas relações vão votar no Bozo porque são como ele. Esta é a dura realidade.
Acho lindo quem diz com a maior ternura do mundo, como aquelas postagens em meio a flores e passarinhos, que respeitam a opinião dos amigos e que jamais romperiam uma amizade por causa de divergência política. Nossa que coisa linda, que amor.
Eu fico pensando que o cara deve estar dando risadas dessa gente. Na boa, se ele ler isso vai te meter um adjetivo na hora. E você achando que ele te representa. Que coisa linda, que amor.
O fato é que a vida é feita de escolhas. Tem uma frase ótima para isso: “diga-me com quem andas, e te direi quem és”. Nem o Google sabe de onde ela vem, mas é perfeita. Eu não consigo andar com gente preconceituosa. Posso até dialogar alguns minutos, mas vai parar por aí.
Em resumo, desculpe se estraguei o dia de alguém que leu até aqui. Eu sei que derrubei um balde de água fria na cabeça de alguns, mas precisava desabafar um pouco e falar algumas coisas que me parecem importantes no atual momento.
O mais importante é que se alguém ainda não fez a conta, 80% das pessoas não pretendem votar no coisa ruim no primeiro turno!
por Mauro Nadvorny | 13 ago, 2018 | Comportamento, Israel, Política
O fascista mora aqui.
O mal que Netanyahu faz a Israel, talvez só venha ser percebido dentro de alguns anos. Mas as consequências deste mal já se fazem sentir no nosso dia a dia.
É da democracia que um determinado grupo ideológico suba ao poder. É perfeitamente compreensível que este grupo ponha em prática a sua política alinhada ao seu grupo ideológico. Aos da oposição resta espernear e suportar até às próximas eleições.
Quando um partido ganha a eleição e consequentemente seu líder assume o posto de Primeiro Ministro, ele está assumindo um cargo onde outros já estiveram, e com certeza outros estarão.
Existe a honra do cargo que está acima das disputas ideológicas. O cargo é o que representa a democracia e em tese, seu ocupante é quem representa o país dos vencedores e dos vencidos.
Por esta razão, é que se pode distinguir grandes estadistas de meros ocupantes do cargo. Bem Gurion foi um estadista, assim como seu maior opositor, Menachem Begin. O primeiro por ter criado o estado e o segundo por ter alcançado a paz com o Egito. Netanyahu jamais o será.
Bibi, como é mais conhecido, não governa em favor de Israel, governa em favor do poder. Ele saboreia cada momento dele, e como político é um gênio. Conseguiu a façanha de perder uma eleição e ainda assim ser nomeado primeiro ministro. No parlamentarismo, quem ganha de fato é quem consegue montar um governo com a metade mais um do parlamento. Ele já tinha o governo montado, antes mesmo das urnas serem abertas.
Liderando um governo de extrema direita, ele vem diariamente incitando o ódio no seio do povo israelense. Assim, ele agride as minorias e destila seu veneno contra a esquerda. O faz contumazmente.
O fato mais recente, que mostra esta face vil, foi sua resposta à manifestação da minoria árabe com seus simpatizantes, que ocorreu neste último sábado onze de agosto. Nela um grupo compareceu com bandeiras palestinas (contrariando pedido dos organizadores), nada de mais, já que os Drusos uma semana antes também vieram com suas bandeiras. As bandeiras tremularam junto com bandeiras de Israel na mais perfeita ordem. Um pequeno grupo em meio a 100.000 outros.
Esta teria sido apenas mais uma manifestação conta a Lei da Nacionalidade como tantas que vem ocorrendo. Mas Bibi precisava mostrar a sua face e apontando uma foto de um jornal com o grupo das bandeiras palestinas, disse que aquelas bandeiras da OLP na Praça Rabin eram a razão da Lei da Nacionalidade. Sua ministra da Cultura, Miri Regev, disse que Rabin estaria dando voltas no caixão.
Uma pausa para o passado. A praça que leva o nome de Rabin foi onde o assassinaram. A sua morte de deve em muito ao incitamento promovido por Netanyahu e seus partidários que chamavam Rabin de traidor. Ele discursou de um balcão com a foto de Rabin no corpo de um oficial nazista dizendo que Rabin estava traindo o povo. Seu assassino, Yigal Amir, cometeu o crime porque compreendia que Rabin era um traidor e sua morte era justificável. As mãos de Bibi estão sujas com o sangue de Rabin.
Pois bem, este mesmo ser, tem a ousadia de usar o nome de Rabin em proveito próprio.
Felizmente, ele vem se desgastando com vários setores da sociedade que começam a enxergar que sua política de segregação social, sua falta de capacidade para o diálogo com quem não se alinha a suas posições, e especialmente o fato de que os inúmeros inquéritos contra ele estão se avolumando, indicam a possibilidade de uma virada nas próximas eleições.
Entretanto, de Bibi pode-se esperar tudo. Até mesmo uma nova guerra. Pode ser contra Gaza, contra o Irã, contra a Síria, o Líbano, não importa. Tudo para se manter no poder, afinal, nada une mais os israelense com seu governo, que uma boa guerra.