Samba Perdido – Capítulo 02, parte1
Capítulo 02
"Rio seu mar, suas praias sem fim Rio você foi feito para mim." Samba do Avião -Tom Jobim
A vida carioca havia começado em clima de segunda lua de mel num quarto de frente para o mar de Copacabana no hotel Miramar. Os dias de semanas eram dedicados a nadadas e passeios nas praia semi deserta em frente. Nos fins de semana, para evitar a multidão, se deleitavam em caminhadas pela floresta da Tijuca, descobertas nos arredores da cidade e em aventuras culinárias. Os dois passaram aquelas semanas apaixonados um pelo outro e por tudo o que aquela cidade tinha a oferecer.
Descansados e aclimatados, embarcaram na sua primeira missão: escolher um lugar para morar. Sua busca os levou a conhecer como os cariocas viviam e a recantos menos turísticos porém igualmente atraentes; ruas residenciais na descolada Ipanema e no seu vizinho Leblon, bairros menos badalados beirando a Baía de Guanabara e mais para perto do Centro, como Botafogo, Laranjeiras, Catete e Flamengo. Viram imóveis ao redor da floresta, na verde Gávea e no Jardim Botânico, vizinho do parque lindíssimo com o mesmo nome. Os corretores também os levaram a áreas mais afastadas como o Cosme Velho, localizado num vale no meio da floresta tropical, à Urca, à sombra do Pão de Açúcar, e à Santa Teresa, em cima dos morros beirando o centro da cidade.
Todas essas alternativas, em geral apartamentos espaçosos e recentes, eram como um sonho para um casal vindo da fria e cinzenta Londres castigada por bombardeios. No entanto, apesar de adorarem tudo o que viram, escolheram permanecer em Copacabana. Lá, além da proximidade da praia e de Paulo, havia algo que as outras partes do Rio não tinham: o glamour com que estrelas como Fred Astaire, Ginger Rogers e Carmen Miranda haviam apresentado a cidade ao mundo. Havia carisma. O bairro às vezes lembrava as charmosas cidades costeiras da Côte d´Azur francesa, com suas ruas calmas e limpas e com seu cotidiano praieiro, noutras vezes lembrava Manhattan, com sua floresta de edifícios modernos e elegantes. Neste aspecto, o ar cosmopolita, porém ainda verde, da “Princesinha do Mar” não tinha páreo no Brasil.
As avenidas do bairro eram repletas de lojas oferecendo novidades importadas, boutiques exclusivas, cinemas e casas noturnas sofisticadas. Por ser um recanto recente e abastado, esses estabelecimentos ou eram os melhores da cidade ou pertenciam às melhores redes do país. Circulando em suas ruas movimentadas ou estacionados em suas calçadas, carros do último modelo, nacionais e importados, realçavam o seu ar internacional.
A praia em si era maravilhosa: havia quatro quilômetros de oceano aberto cercados por uma exuberante cadeia de morros que separava aquele paraíso do resto da cidade. À frente, um pequeno grupo de ilhas cobertas por vegetação selvagem quebrava a monotonia do horizonte. Seu passeio público, a elegante Avenida Atlântica, era o cenário onde de dia a elite carioca exibia seus corpos torneados e bronzeados e nos fins de tarde desfilava com suas melhores roupas nas suas caminhadas.
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Depois de decidirem onde iriam morar, a escolha de um apartamento foi fácil. Com uma conta bancária recheada de valorizadas libras esterlinas provenientes da venda da casa em Londres podiam voar alto. Em breve estavam de mudança para uma espaçosa cobertura onde uma ampla varanda dava uma deslumbrante vista da praia. Como todos os outros prédios ao redor, a entrada parecia com a de um hotel de luxo. Painéis de mármore e enormes espelhos emoldurados revestiam suas paredes imitando palácios na Europa e cenários hollywoodianos.
A mobília do casal, comprada a preço de banana em casas de leilão na Londres do pós-guerra, era classuda e combinava bem com a elegância do endereço. Ela incluía antiguidades como uma autêntica mesa de cabeceira Chippendale, um piano de calda, talheres de prata, porcelana chinesa legítima da mais alta qualidade e pinturas clássicas, falsas porém convincentes.
Tudo havia sido enviado de antemão por navio. Agora, três meses depois, estava à espera na alfândega do porto. Enquanto Rafael saiu em busca dos contatos comerciais que seus amigos haviam fornecido, Renée ficou responsável por liberar seus tesouros.
Armada com o português básico aprendido com um professor improvisado indicado pelo consulado brasileiro em Londres, ela foi lidar com a burocracia local. Aos olhos do encarregado, a senhora inglesa era a própria figura da gringa rica e ingênua. Mesmo avisada, Renée se recusou a aceitar que um homem tão charmoso, numa posição de tanta responsabilidade, pudesse estar atrás de propina, apesar de que todos seus novos vizinhos e amigos haviam assegurado que qualquer pessoa nesse tipo de trabalho iria querer algum tipo de “incentivo” para agilizar as coisas. Numa tarde decisiva, seu medo de ofender foi tanto que não teve coragem de entregar um envelope gordo, recheado de dinheiro. Essa hesitação lhe custou mais quatro mêses de espera.
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Depois de instalados em Copacabana, o casal foi se integrando na vida da Zona Sul. Nessa mesma época e no mesmo lugar, artistas como Vinícius de Moraes, João Gilberto e Tom Jobim estavam misturando samba, letras inspiradas e jazz dando origem à bossa nova. As casas de show espalhadas por de Copacabana. As mais exclusivas ficavam de frente para a praia na Avenida Atlântica. As mais na moda ficavam nas vielas logo atrás. Uma delas era o Beco das Garrafas onde o trio e outras futuras lendas da bossa nova se apresentavam regularmente. Esse seria o berço de clássicos do gênero como a Garota de Ipanema, que Frank Sinatra gravaria no auge de sua carreira e que venderia fora do Brasil tanto quanto as músicas que os Beatles ou os Rolling Stones estavam gravando.
A bossa era a expressão musical do otimismo pelo qual o país passava. Esse era um Brasil inteligente, urbano, sofisticado mas ainda assim apaixonado pelas suas raízes. Rafael tinha acertado quanto às possibilidades do país. Com um processo de industrialização acelerado e com um mercado consumidor em crescimento, as oportunidades eram ilimitadas. O slogan do presidente Juscelino Kubitschek era fazer “cinquenta anos em cinco”. Com isso em mente, o seu governo investiu pesadamente em infraestrutura e abriu o país para o capital externo. Ele também se dedicou a construir uma nova capital, a futurística Brasília, no longínquo Planalto Central.
Apesar de não frequentarem a noite e de esnobar a nova moda musical, os dois acabariam por se encaixar bem em Copacabana. A vizinhança era de uma classe média recente, ansiosa em se familiarizar com sua recém adquirida posição social. Isso incluía viver de acordo com o que viam e liam em filmes e revistas estrangeiras. Pessoas de fora personificavam as suas aspirações e proximidade com elas não só dava status, mas também dava asas à imaginação.
Após uma breve fase de se sentir alienada, Renée foi rápida em perceber a oportunidade social de assumir o papel de embaixatriz do mundo “desenvolvido”. Espelhando a jovem e recém empossada Rainha Elizabeth II, ela aceitou o cargo com convicção e prazer. Vinda de uma família de imigrantes alpinistas sociais, o Brasil neste aspecto lhe pareceu um El Dourado. Isolada da sua família e da sua cultura, vivendo num país estrangeiro como uma dona de casa milionária, mimada pelo marido, temida pelas empregadas, tratada como alguém especial nas ruas e sem ter ninguém que a questionasse, ela se reinventou e criou um personagem surrealista.
Trinta centímetros mais alta que a média das brasileiras, com um forte sotaque inglês e com um guarda-roupas repleto de peças elegantes feitas em Londres, para os brasileiros Renée passava a imagem de uma mulher poderosa e à frente de seu tempo. Isso era fácil num lugar onde donas de casa de respeito nunca eram vistas na noite, sequer em restaurantes com seus maridos. Seus biquínis – em voga na Europa do pós-guerra – mostravam o umbigo. Na praia, esse show de nudez chocava, e mais de uma vez os salva-vidas tiveram que lhe pedir que voltasse para casa para trocar de trajes.
Renée foi também uma das primeiras mulheres a dirigir no Rio, o que atraía muitos comentários, alguns grosseiros e outros de admiração. Nenhuma das duas reações a perturbava, já que na opinião dela os brasileiros se transformavam em caubóis selvagens quando ao volante. No país que viria a fornecer ao mundo da Fórmula Um campeões como Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna, ela resolveu tomar para si a missão de ensinar aos motoristas, via exemplo, como respeitar os limites de velocidade. O carro dela sempre acabava atravancando o trânsito na faixa da esquerda. Isso fazia com que recebesse um sem-número de gritos e de palavrões dos motoristas obrigados a fazer a ultrapassagem pela direita. Anos mais tarde, ela também tentaria deixar claro aos surfistas de Ipanema que o mar era de todos, nadando com a sua toquinha florida entre os cabeludos sarados e suas pranchas.
Porém, apesar da satisfação em vender como jóias colares de contas aos nativos, nem sempre a história colava. Sem contar que havia gente que de fato pertencia àquele mundo no Rio de Janeiro, para início de conversa, a Inglaterra que provocava suspiros em admiradores incautos era agora um lugar em transformação. Após duas pesadas guerras mundiais, as tradicionais divisões de classe estavam virando uma coisa do passado. Conforme o país foi se reconstruindo, os privilégios antes reservados para a aristocracia – agora falida – foram ficando acessíveis à uma classe média emergente. A nova dinâmica criou dois campos: os que queriam enterrar o passado e construir um Reino Unido onde todos tivessem oportunidades iguais e os que queriam tomar o lugar da aristocracia declinante e desfrutar os privilégios que seus pais nunca tiveram. Renée pertencia ao segundo grupo. A rainha Elizabeth foi mais sutil e resolveu popularizar a monarquia como estratégia de sobrevivência.
As duas maiores barrerias que encontrou para sua forçação de barra eram dois: a substituição do Reino Unido pelos Estados Unidos no topo do mundo ocidental e o aparecimento da cultura jovem nesses dois países. Para manter seu sonho vivo, ela rejeitava toda e qualquer novidade que contradizesse sua narrativa de rainha modernizadora dos trópicos. Que nem a madrasta da Branca de Neve, sua vaidade parecia perguntar ao espelho “Espelho, espelho meu, existe alguém ou algo mais avançado do que eu?” Se tivesse, bloqueava na hora. Isso atingia as raias da incomprensibilidade. Sob sua guarda não havia televisão, pouquíssimo cinema e nada de música popular, fosse ela brasileira ou internacional, incluindo o jazz, a bossa nova e o rock’n’roll. A única expressão cultural válida era o teatro – o de Londres é claro – e a música clássica. Para ela, a arte contemporânea era um lixo; a pintura tinha morrido com o expressionismo e em literatura, mesmo o hiper-religioso Tolkien, autor do Senhor dos Anéis, era visto com suspeição.
Sua fobia à novidades era tanta que, por alguma razão, ela também barrou de sua vida tudo o que não lhe tinha sido familiar na Inglaterra: doçes, refrigerantes, hambúrgers, milk-shakes e pastéis. Em contrário de todos à sua volta, ela insistia em uma dieta saudável e insossa, parte de uma noção, de fato à frente do seu tempo, de que a alimentação era fundamental para a saúde.
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Nascido em 1900 num vilarejo na província austro-húngara da Galiza, na Polônia, Rafael, seu comparsa – e agora provedor – nas aventuras de validação social, não podia ser mais diferente. Os austro-húngaros, vistos como os senhores daquele mundo, menosprezavam os poloneses, que por sua vez desprezavam, a ponto de odiar, os judeus. Por sua vez, os judeus mais assimilados e vivendo em capitais Europeias viam os do leste europeu, como a família dele, como atrasados e presos a superstições religiosas das quais tinha se livrado ao sair dos ghettos. Para piorar as coisas, os mesmos judeus do leste europeu consideravam os galitzers como camponeses que não tinham saído da idade média. Assim sendo, embora a Galiza fosse a região da Polônia mais tolerante em relação aos seus estrangeiros: muçulmanos balcânicos, judeus, turcos e russos, ele cresceu como um caipira entre os caipiras. A ida para a Alemanha tinha sido a maneira que encontrou para escapar daquele determinismo sufocante.
Apesar de ter recebido uma rica educação rabínica, Rafael nunca frequentou uma escola secular quanto menos uma universidade. Contudo era inteligentíssimo e compensava essa lacuna trabalhando duro com diligência e criatividade. Com esses atributos alcançou cedo sucesso no mundo dos negócios, tanto na Alemanha pré-nazista quanto mais tarde na Holanda. No entanto, foi em Londres, em meados da sua quarta década, que seu destino deu uma guinada inimaginável. O casamento com uma beldade de uma abastada família de Golders Green e o brinde de um imóvel pago pelo sogro numa área respeitável de uma metrópole mundial foi o equivalente a ganhar na loteria.
Esse legado fez com que na vida doméstica, tal como Sancho Panza, ele obedecesse a todas as regras que a esposa impunha, mesmo se não fizessem sentido algum. Maduro e conhecedor dos recantos mais sombrios da vida, ciente das diferenças gritantes entre os dois, Rafael soube fazer com que ela se sentisse idolatrada e que seu personagem permanecesse vivo. Com isso, conseguiu manter sólido um relacionamento improvável num lugar mais improvável ainda.
A vida confortável no Brasil virou uma tentativa de se reinventar. Em um lugar tão diferente quem sabe ele pudesse encontrar uma recalibragem interna ou a fonte da eterna juventude. Contudo, a melancolia nunca o deixou. Apesar de se sentir bem com a relativa inocência e alegria a sua volta, o contraste com sua dissimulada solidão e com o fim brutal de seu mundo era doloroso demais. O último elo que manteve com algo que se pudesse chamar de lar, foram seus negócios com a Alemanha Oriental, uma república satélite dos soviéticos nascida do país que havia lhe trazido tanto sofrimento.
Na intimidade, seus pensamentos, suas atitudes e seu compasso emocional viviam perdidos numa dimensão diferente que às vezes deixava escapar em histórias da sua infância como a de quando, na escola rabínica, colou a barba do seu professor na mesa enquanto este dormia. Também se orgulhava de ter conseguido enganar um policial polonês a procura de bebidas ilegais na casa do seu avô quando criança, despistando uma porta escondida no celeiro. Esse avô, rico e assimilado com quem todos na aldeia vinham se aconselhar, foi mais marcante do que seu próprio pai de quem nunca falava. Rafael era o repositório de uma coleção de piadas, palavras, ditados populares e ensinamentos religiosos de um mundo que agora somente existia em suas memórias, na sua língua nativa, o iídiche, e em raras fotografias.
J’accuse
A FIERJ – Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro homenageou o prefeito carioca, bispo Marcelo Crivella, concedendo-lhe a medalha Amigo da FIERJ. Impopular, considerado por muitos cariocas o pior prefeito da história da cidade, Crivella foi o primeiro triunfo denso do projeto político da Igreja Universal do Reino de Deus, liderada por Edir Macedo. Sua trajetória é medíocre e, no governo do Rio, agride princípios republicanos elementares. Mas, afinal de contas, quem é o bispo Crivella ?
Ainda nos anos 90, escreveu o livro Evangelizando a África, que condensa sua experiência de proselitismo no continente africano. Não esconde a desinformação e os preconceitos sobre diversas religiões. Para ele, a Igreja Católica e outros segmentos cristãos “pregam doutrinas demoníacas”. Espiritismo, hinduísmo e religiões africanas ? “Abrigam espíritos imundos”. Aliás, sobre estas últimas, ele afirma que “permitem toda sorte de comportamento imoral, até mesmo com crianças de colo”. As religiões orientais não escapam da verborragia ofensiva: “No mundo amarelo (sic), os espíritos imundos vêm disfarçados de forças e energias da natureza”. Para ele, os indianos, provavelmente por uma natureza masoquista, são proibidos de comer carne de vaca apenas para que o alimento seja farto na mesa dos ricos. Os “gurus”, continua o prefeito incensado pela Fierj, pregam o sacrifício de crianças como forma de obtenção de riqueza.
Sua gestão é marcada pelo privilégio aos frequentadores de seus templos. Entrou para o folclore a Márcia, secretária para quem os fiéis deveriam pedir favores, notadamente em atendimento médico. “Fala com a Márcia” virou sinônimo do velho pistolão, agora abençoado pelo prefeito.
Na Bienal do Livro do ano passado, tentou, de forma patética, censurar um gibi, no qual dois rapazes se beijavam na boca. A patuscada foi à breca. O obscurantismo homofóbico, de raiz religiosa, apenas atraiu a atenção para a publicação, que bateu recordes de vendagem.
Sobre as tragédias das chuvas torrenciais de verão, rotina na paisagem carioca, Crivella tem pouco a dizer. Fora cometer piadas de gosto duvidoso (como a criação do programa Balsa Família para os atingidos pelas tragédias hídricas), demonstra ser um péssimo administrador. Nos dois primeiros anos de mandato, reduziu em 71% os gastos com prevenção de enchentes. Na inundação mais recente, fugiu de suas responsabilidades pelo caminho rasteiro da leviandade. Sugeriu que os cariocas moram em áreas de risco por opção: “As pessoas gostam de morar ali perto porque gastam menos tubo para colocar cocô e xixi para ficar livre daquilo”. O troco veio rápido. Ao visitar Realengo, bairro devastado, jogaram-lhe uma bola de lama. Pena que não tinham material mais orgânico e malcheiroso à mão.
Politicamente, é um oportunista de velha cepa. Depois de servir ao governo Dilma, agora trata de curvar a espinha para as tropas bolsoneiras, tentando reeleger-se em outubro. Dançou com Jair Messias num ato evangélico, a quem elogiou pela “personalidade irradiante”. Venderá a alma ao Demo para seguir maltratando minha cidade.
Foi esta a sumidade premiada pela Fierj. Para os não iniciados, é importante saber que a federação tem baixa representatividade eleitoral. Suas eleições, em geral com chapa única, têm participação pífia da comunidade judaica. As atividades são essencialmente assistencialistas e burocráticas. Deve ter se escudado em artigos do estatuto, que falam em “defender interesses da comunidade judaica”, para polir a imagem de um político que só merece desprezo e ostracismo. Quem define os interesses comunitários ? São de conhecimento público ?
Por tudo isso, considero inaceitável a homenagem prestada ao bispo Crivella por uma entidade que se declara representante dos judeus do Estado do Rio de Janeiro.
Acuso a Fierj de comprometer a imagem dos judeus, ao celebrar “amizade” com um político desprezado pela maioria dos cariocas.
Acuso a Fierj de insensibilidade, por destacar “conquistas para a comunidade judaica” e ignorar a tragédia administrativa, política e social que é a gestão do bispo Crivella. A imagem que passa é a de que um gueto de privilégios vale mais do que o sofrimento da maior parte do povo do Rio. Pior: passa a impressão, de resto completamente falsa, de que a totalidade dos judeus apoia suas atitudes. A comunidade judaica é heterogênea, e parte dela já se manifestou publicamente contra a entrega da medalha.
Acuso a Fierj de exaltar uma personalidade que ofende a República, ao tornar indiferenciados os campos de atuação do Estado e da religião.
Sionismo é Racismo?
(escrito há muitos anos mas ainda atual)
| SIONISMO É RACISMO?
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Não, Claro que não é. Da mesma forma que Islamismo não é terror nem sexo é promiscuidade nem dinheiro é necessariamente o produto da exploração do homem pelo homem.
O que sim é verdade é que existem sionistas racistas, e muçulmanos terroristas, e não poucos degenerados sexuais, e não menos capitalistas sem entranhas.
No saber e querer diferenciar a uns dos outros, os doentes de ódio dos sãos de espírito, os inimigos mortais dos amigos leais, é onde reside a principal qualidade que nos faz diferentes dos irracionais. Hitler e Torquemada, Mussolini e o Mufti al-Husseini, não o souberam nem o quiseram, e por isso nos legaram como herança a ignomínia das suas idéias, a sem-vergonhice dos seus atos, e bastantes páginas negras da nossa História escritas com o sangue inocente das suas vítimas.
Hoje e agora, as minorias fundamentalistas islâmicas, judias e cristãs, tropeçando de novo na mesma pedra, transitam por igual caminho em direção ao mesmo precipício.
O fundamentalismo islâmico, com os seus ataques suicidas, que além de matar judeus inocentes da forma mais covarde concebida pela mente humana, salpicam com esse sangue a honra e a imagem da sua própria religião, já que o nome de Alá fica irremediavelmente associado a essa barbárie cometida em seu nome.
O fundamentalismo judeu, organizado em seitas religiosas e gangues laicas, ao tentar impor suas loucas idéias de um deus vingativo e exclusivo, e de um Grande Israel Bíblico do ponto de vista territorial, ao qual o povo judeu renunciou expressamente ao assinar a partição da Palestina, usando para tal fim não apenas o discurso ou a propaganda, mas as armas e o assassinato dos líderes do Estado de Israel (começaram com Rabin e agora até Sharon – seu aliado natural até uns meses atrás – está na mira deles).
O fundamentalismo cristão, incitando ao ódio às outras religiões e apoiando e aplaudindo a tortura dos inimigos de seu deus todo-poderoso, transformando o conflito numa guerra santa contra o Islã, e o exército dos Estados Unidos em Soldados do Cristianismo (por analogia, os novos cruzados).
Compete a todos os que não nos deixamos arrastar por slogans pré-fabricados ou por medos manipulados pelos porta-vozes do além, enfrentar-nos a esse tudo ou nada que eles propõem, construindo uma estrada transitável que conduza à concórdia e não ao cemitério; a bom porto e não ao naufrágio da esperança.
Visto isso, só resta então formular a pergunta do milhão: afinal, o que é sionismo?…
A minha modesta resposta a esse enorme interrogante começa no início do túnel do tempo, quando o povo judeu abandonou a terra prometida por razões alheias à sua vontade (ou sumir ou sucumbir).
Durante milênios então, o sionismo hibernou no útero de uma frase simples, representando apenas a verbalização de um desejo irreprimível, um sonho condensado em poucas e premonitórias palavras: no ano que vem em Jerusalém (be shaná haba’á birushaláim, em hebraico).
E assim o sionismo, que nem mesmo sabia que esse era o seu verdadeiro nome, vivia e sobrevivia em estado latente dentro dessa simples frase que foi passando de geração em geração, de boca em boca, de coração a coração, até um dia qualquer do um ano qualquer do século XIX, em que alguns judeus decodificaram a vontade de grande parte da diáspora de voltar para casa, considerando que havia chegado a hora de traduzir a mensagem genética contida na pequena frase herdada, à linguagem dos fatos, propondo táticas e estratégias que permitissem transformar o exílio imposto em retorno; a prece milenar em pátria.
E foi assim que esse sionismo ganhou nome próprio, sobrenome comum e um projeto de viabilização, começando então a construção de uma ponte que unisse o sonho herdado à realidade possível.
Era o começo do fim do desarraigamento para todos aqueles que assim o quisessem, ainda que as resistências não fossem poucas nem banais, já que a maioria do Establishment religioso se opunha (e ainda o faz depois de 57 anos de independência) esgrimindo argumentos paridos na diáspora, sem qualquer relação com os livros sagrados, segundo os quais o retorno só será permitido com a chegada do Messias.
Essa foi a razão pela qual o Sionismo pioneiro foi fundamentalmente laico, e ainda o é, apesar de ter deixado de ser um projeto virtual para transformar-se no Estado de Israel real. Não o Israel maximalista dos fundamentalistas, mas sim o Israel possível dos realistas.
Indivíduos primeiro e grupos depois, foram pouco a pouco desembarcando do navio do tempo nos portos da velha pátria, e iniciaram a empreitada, plantando famílias no deserto e nas cidades; secando pântanos e sobre eles implantando produtivas fazendas coletivas; erigindo escolas para todos os alunos, hospitais para todos os doentes e prisões para todos os criminosos.
Isso é sionismo: o puro e simples direito de reconstruir a casa nacional sobre parte do território primitivo e nela acolher a todos os que desejarem fazer a viagem de volta (as fronteiras – não o esqueçamos – foram democraticamente aceitas pelos representantes do povo de Israel, renunciando a qualquer reivindicação de territórios fora dos limites aprovados).
Hoje, entretanto, constatamos com pesar e temor, que no corpo do Estado de Israel crescem e se multiplicam pequenos tumores malignos cujas metástases comprometem seriamente a saúde do país. É o tal do hiper-sionismo ou mega-sionismo, inspirado no fundamentalismo religioso radical, aliado a uma visão fundamentalista laica de extrema-direita, de ignorar todo o trabalho feito para a construção do Estado de Israel, das suas leis, das suas fronteiras, das assinaturas nos acordos internacionais, do respeito aos direitos humanos de todos os humanos, com a malsã intenção de implantar a pátria bíblica dos contos de fadas, tanto no que respeita à sua dimensão territorial (expulsando a milhões de palestinos de suas terras e anexando-as) quanto à imposição de um Estado clerical ao estilo das repúblicas islâmicas mais retrógradas. E isso – que não caiba nenhuma dúvida ao respeito – não é sionismo. Isso é pura e simplesmente anti-sionismo, e deve ser combatido por todos aqueles que vêm no Estado de Israel (e não na terra de Israel) a tradução fidedigna do sonho gerado e gestado pelo povo judeu ao longo dos séculos no seu caminhar diaspórico.
O sionismo é um direito e não um dever, e o Estado de Israel é o fecho de ouro dessa travessia de ida e volta do povo judeu.
O Bezerro de Ouro dos Tolos
Nos conta a Biblia de que Moisés havia subido no Monte Sinai para falar com Deus. O povo cansado de esperar por seu retorno a achando que ter saído do Egito poderia ter sido uma má ideia, forçam Arão a criar um ídolo e assim forjam um Bezerro de Ouro para adoração.
Moisés retorna com os Dez Mandamentos e revoltado com o povo quebra a pedra com os 10 Mandamentos, dá um esporro geral, detona o Bezerro e coloca ordem na casa.
Eu sempre achei esta história interessante por diversos aspectos e gostaria de compartilhar com quem me lê.
A figura de Moisés é singular. Adotado pela rainha ele foi criado como um egípcio e até descobrir sua verdadeira origem, agiu como tal. Mas aconteceu e um belo ele descobre que é judeu.
Os judeus viviam inicialmente livres no Egito mas acabaram sendo transformados em escravos, mão de obra para construções. Como nada que está ruim não possa piorar, um decreto do Faraó mandou matar todos os bebês nascidos do sexo masculino. Incapaz de cometer tal ato sua mãe o entrega a Miriam, sua irmã mais velha que o coloca em uma cesta no Rio Nilo. Ele é achado pela rainha que passa a criá-lo.
Ao se descobrir judeu, Moisés percebe que a vida para ele e seu povo não vai melhorar nada. Um dia falando com Deus ele é convocado a tirar os judeus do Egito e levá-los para Israel, um terra que lhes é prometida. Depois de muita briga e 10 pragas, finalmente o Faraó resolve libertar o povo judeu e eles para não dar chance ao azar, partem rapidamente esquecendo de levar farinha para fazerem pão, mas isso é outra história.
O Faraó de fato se arrepende e sai em perseguição aos judeus para trazê-los de volta. Na fuga Moisés consegue abrir uma passagem pelo mar, os judeus chegam do outro lado, mas o exército egípcio que os perseguia acaba sendo engolido pelas águas.
Os judeus começam a sua saga em direção a Terra Prometida, o que não foi fácil. Então acontece o episódio do Bezerro de Ouro e como castigo, são condenados a vagar por 40 anos no deserto para que uma nova geração de libertos nasça e seja ela a entrar na Terra Prometida.
Independentemente de se tratar de uma história verídica, ou não, afinal não existe nenhuma prova destes acontecimentos, a figura de Moisés é o centro de tudo.
Moisés ao conhecer sua orígem, imediatamente passou a defender o povo judeu e seu direito de ser um povo livre. Esta luta pela liberdade e a conquista de um lugar que pudessem chamar de sua nação é épica e nós a repetimos todos os anos na nossa páscoa para que todo judeu saiba que um dia fomos escravos e lutamos por nossa liberdade como um exemplo para todos os povos.
Ele foi o responsável pelas primeiras leis escritas e normas de civilidade com os 10 Mandamentos. Pela primeira vez um povo passa a ter um dia de descanso. Não matar e não roubar passam a ser preceitos básicos, coisa que não acontecia até então. Estas leis passam a dar um sentido de civilidade a humanidade.
Muita coisa aconteceu desde então, mas como seres humanos, nos custou muito colocar em prática coisas tão simples como estas.
No Brasil de hoje o povo recebeu um novo Bezerro de Ouro para adoração. Uma elite ultrajada com a perda de sua supremacia racial, inconformada com as conquistas das castas inferiores e sobretudo incomodada com a concorrência e convivência nas universidades, aeroportos e supermercados, deu ao populacho um símbolo para idolatrarem.
Assim como o Bezerro de Ouro, este novo ídolo veio incubido de dar ao povo um sentido de participação nos destinos da nação, seja lá qual destino cada um entendeu para si. O fato é que a maioria das pessoas foi levada a crer que ele vai trazer felicidade e desenvolvimento e que na próxima Copa do Mundo vamos fazer 8 X 0 na Alemanha.
Mais provável que o futuro resultado deste hipotético jogo, é a tragédia que está desabando sobre o país. Estamos com um ministério de uma República das Bananas, me desculpem as bananas. Ministros de uma mediocridade nunca vista, com uma verborragia vergonhosa que se supera a cada dia.
Este Bezerro ungido presidente é de longe, incomparável ao que de pior o Brasil já teve a frente de um governo. Ele é tão ruim que a mídia golpista já se pergunta como chegamos neste ponto e como vamos sair disso. Isso tudo com menos de 100 dias.
Na minha opinião, somente as ruas mudam este quadro. Enquando a esquerda continuar apontando dedos, não repensar seu erros, entre eles ter nomeado os piores juízes que este STF já teve antes do Alexandre de Moraes que é “Hors Concours” e não ter aparelhado devidamente o estado como faz muito bem a direita, ter sido complacente com a bandalheira entre tantas outras burrices, o Brasil não vai tomar jeito.
As ruas agora são dos blocos de carnaval, depois disso precisam ser ocupadas para derrubar este Bezerro. Sem o clamor das ruas nada vai acontecer de bom e nada salva o país de retrocessos históricos e da perda de árduas conquistas sociais populares.
Este é um Bezerro de Ouro feito com Ouro dos Tolos.
O Aroeira da vez
O Aroeira da vez
Charges preconceituosas em geral, e antissemitas em particular sempre me causaram indignação. São uma forma muito simples e bastante eficaz de disseminar o ódio.
Existe muito material deste tipo que foi utilizado na Alemanha nazista e outros países europeus destacando sempre um judeu com nariz grande, barba, chapéu preto e roupa preta. Era sempre colocado em meio a dinheiro e situações que o mostrava como um ser vil e contra a pátria.
Como se sabe, o Holocausto foi um evento único. Os nazistas criaram uma máquina de aniquilação humana e nela sucumbiram 6 milhões de judeus, entre eles alguns parentes que não pude conhecer. Graças a esta ameaça, nasci no Brasil depois que meus avós maternos fugiram da Polônia dando ouvidos as ameaças que vinham do país vizinho.
Nós judeus não gostamos quando utilizam a palavra Holocausto para definir massacres e genocídios cometidos nos anos seguintes. O que aconteceu conosco é incomparável a qualquer outro evento. Ele se diferencia porque foi um ato institucional, uma política de governo, uma tentativa de exterminar homens, mulheres e crianças de todas as nacionalidades até a terceira geração anterior. O que se pretendeu foi acabar com a existência do povo judeu na Terra.
Então, quando alguém se utiliza do termo para atacar Israel com sua política contra os palestinos, ou os Turcos com sua política contra os Curdos, ou mesmo o que aconteceu em Ruanda no ano de 1994 contra os Tutsis e outros mais recentes na África, nós costumamos dizer que é um erro. Chamem de tudo, menos de Holocausto.
Há poucas semanas tivemos a visita do primeiro ministro de Israel, Benjamin Nethanyau, Bibi, como ele gosta de ser chamado na posse de Bolsonaro. Não foram poucas as reações contra ela, até mesmo no seio da comunidade judaica que viu o ato como um abraço entre fascistas.
Bibi liderou um governo de extrema-direita e vai tentar seu quinto mandato consecutivo nas próximas eleições em Israel marcadas para o dia nove de abril. Ele está em meio vários processos contra ele por conta de troca de favores entre amigos, alguns com o recebimento de “presentes”.
Em uma charge recente, o desenhista Renato Aroeira mostra Bolsonaro e Nethanyau representando uma suástica, o símbolo mais conhecido do Nazismo. Apesar do Fascismo e do Nazismo terem convivido juntos e terem muito em comum, são duas ideologias diferentes. Isto causa uma certa confusão e como o Fascismo não possui um símbolo internacionalmente conhecido, a suástica acaba sendo utilizada para dizer que alguém é de extrema direita, um fascista.
A charge causou um furor entre muitos judeus, especialmente os que se alinham com os dois nela representados, e gerou processo na justiça contra o autor. Na esquerda judaica, ela ficou no patamar do mal gosto, mas em geral ninguém viu nela nada de antissemita.
A discussão que se abriu, é recorrente. Pregar contra Israel ou seu primeiro ministro é antissemitismo? Ser antissionista é ser antissemita?
A resposta para estas perguntas costuma definir entre nós judeus, quem é de esquerda e quem é de direita. Os judeus progressistas dirão que não existe antissemitismo, os de direita o contrário.
A explicação não é fácil. O governo Israelense possui um afiado sistema de propaganda conhecido como Hasbará (Relações Públicas). Existe muito antes de Bibi subir ao poder, e hoje é utilizado magistralmente por ele e seus seguidores.
A Hasbará mostrava, por exemplo, o mapa do Oriente Médio em uma proporção onde Israel aparecia como um ponto cercado por dezenas de países árabes superiores em habitantes e terras. Era um pedido de simpatia para a única democracia do Oriente Médio que era atacada militarmente por seus vizinhos que queriam destruir o estado judaico.
A Hasbará dos nossos dias, insiste em mostrar o antissionismo como uma atividade antissemita. Uma forma inteligente de dizer em outras palavras, que na realidade todo aquele que ataca Israel está na verdade atacando os judeus. Todo aquele que critica a política israelense, na verdade está atacando o povo judeu. Todo aquele que se alinha com os palestinos e prega a necessidade da criação de um Estado Palestino, na verdade deseja a destruição do Estado de Israel e como consequência o desaparecimento dos judeus.
A charge do Aroeira cai como uma luva para eles. Primeiro, ela mostra um judeu sendo chamado de Nazista, uma ofensa grave. Segundo, ela mostra um ataque a Israel expressa na figura de seu primeiro ministro, o que seria na verdade um ataque aos judeus em geral. Portanto, na compreensão deles e do que prega a Hasbará, um ato antissemita que deve ser punido de acordo com a lei.
Eu fui um dos que levaram o Ministério Público do RS a processar Siegfried Ellwanger, o dono da Editora Revisão que publicou no final dos anos 80 toda a coleção de literatura antissemita conhecida. Começou com um livro de sua autoria intitulado Holocausto, judeu ou alemão? Seguido dos Protocolos dos Sábios de Sião e todos os livros de Gustavo Barroso, Henry Ford etc. Toda literatura antissemita foi promovida por ele e sua editora.
A condenação só foi possível depois da Lei 7716/89 que definiu especificamente o crime de apologia ao Nazismo. O que eu quero ressaltar é que a lei proíbe o uso da suástica quando utilizada em apologia ao regime. Ela também abrange os “crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”, com pena de reclusão de 1 a 3 anos, e multa.
A charge com a suástica não foi feita com o intuito de promover o nazismo. A questão é se ela é discriminatória ou preconceituosa contra os judeus. De acordo com a Hasbará, sim. Uma vez atacando Bibi, ele está atacando os judeus. Este é o argumento de acusação que provavelmente está no processo.
É bastante óbvio que a intenção da charge, como outras similares criadas por diversos artistas no mundo inteiro, foi mostrar que o Brasil está se alinhando com os representantes da extrema-direita conhecidos mundialmente. Apesar do uso da suástica nesta, e em diversas outras charges, ninguém de bom senso pode ver outra coisa, senão a intenção de mostra uma guinada para a aliança com regimes fascistas.
Em um Estado de Direito, ele não teria a menor chance de vingar e provavelmente seria descartado em primeira instância. No Brasil de hoje, Aroeira corre risco, uma vez que a justiça está a serviço do poder Executivo e a segunda figura na charge é ninguém menos que o atual Presidente da República.
Um caso destes tem outras consequências. A questão econômica é uma delas. Aroeira vai precisar pagar um advogado em sua defesa e ela pode passar da primeira instância e começar a se tornar cara.
A outra, obviamente, é a intimidação. Aqui se deseja acabar com o direito da livre expressão e da crítica jornalística. O intuito é de causar pavor a outros jornalistas e chargistas para que não usem de nenhuma forma de linguagem contra o atual poder de estado.
Este é o resultado de uma situação criada depois da eleição do governo mais medíocre que o Brasil já teve. Uma mistura de milicos inexpressivos com evangélicos goiabeiros acobertados pela justiça, o que torna este caso o prenúncio do que aguarda a liberdade de expressão enquanto eles estiverem no poder.

