por Mauro Nadvorny | 30 set, 2019 | Brasil, Política
Aos abusadores da lei, a lei.
A nova lei do abuso de autoridade já encontra resistência em algumas das ditas autoridades. Acostumadas a impunidade, adeptas do “sabes com quem estás falando”, eles sentem o natural desconforto de quem lhes limita o poder irrestrito desfrutado até agora.
No país onde as leis são sempre relativizadas no que se tornou comum aos amigos o jeitinho e aos inimigos o rigor da lei, não era de se admirar que a limitação imposta a eles faça levantar uma oposição. E neste caso, claro que exageram na interpretação naquilo que lhes convém.
No site da Conjur se pode encontrar manifestações contrárias à lei de abuso de autoridade e faço aqui minha oposição a elas.
Com relação a polícia, o artigo 10 criminaliza “Decretar a condução coercitiva de testemunha ou investigado manifestamente descabida ou sem prévia intimação de comparecimento ao juízo”. Segundo os críticos deste artigo, interrogar um acusado é passo inicial na investigação e obtenção de provas. Se a sua condução depender de uma intimação prévia o risco de ele evadir-se é grande. Ora, estamos falando do exemplo clássico que foi o depoimento coercitivo do presidente Lula e de outros acusados da Lava Jato.
Para eles é verdade que o tipo fala em condução descabida, mas a simples existência de tipo penal levará a autoridade policial a não agir. Isto pode ser essencial, por exemplo, em um crime de homicídio.
Qualquer autoridade policial com o mínimo de escolaridade compreende perfeitamente que uma coisa é levar para prestar depoimento um preso em flagrante por homicídio, outra e muito diferente, é montar um espetáculo midiático, ou a seu bel prazer, trazer de forma arbitrária uma pessoa para prestar esclarecimentos sem nunca ter sido intimada para isso.
Outro artigo que os incomoda é o artigo 21 que criminaliza manter, na mesma cela, criança ou adolescente em ambiente inadequado, com 1 a 4 anos de reclusão. Segundo eles, menores adolescentes, não raramente, praticam crimes bárbaros. Como local inadequado é algo subjetivo, mantê-lo em uma cela que não tenha ar condicionado, será adequado? Para estas autoridades o tipo penal busca um ideal comum a países como a Finlândia, inexistente no Brasil, e leva insegurança ao sistema penitenciário, inclusive ao juiz.
Convenhamos que qualquer leigo compreende que se trata de não misturar menores infratores com outros presos, ou em locais desumanos. Relacionar a falta de ar-condicionado em uma cela para ilustrar uma suposta falha no que diz a lei, é o uso do famoso jeitinho comum a eles.
Alguns juízes também se rebelam por entenderem que podem ter sua atividade posta em risco evidente. No artigo 37 que prevê como fato delituoso, punido com a grave (sic) pena de 1 a 4 anos de reclusão, “Decretar, em processo judicial, a indisponibilidade de ativos financeiros em quantia que extrapole exacerbadamente o valor estimado para a satisfação da dívida da parte e, ante a demonstração, pela parte, da excessividade da medida, deixar de corrigi-la”.
Claro que o devedor que se recusa a pagar sua divida pode, e em muitos casos deve, ter penhora de bens para quitar seu débito. O que não pode acontecer é um cidadão ter um bem de 100 mil reais penhorado para quitar uma dívida de 100 reais. A lei ainda é clara que na hipótese de comprovado engano de parte do juiz, ele se negar a corrigir.
Agora o que talvez seja o que mais os incomoda, o artigo 9º, parágrafo único, que atribui ao juiz o crime de deixar de relaxar prisão manifestamente ilegal, deixar de conceder medida substitutiva ou de deferir liminar em habeas corpus, impondo-lhe pena de 1 a 4 anos de reclusão. Para eles estas hipóteses são de apreciação subjetiva ao único e exclusivo critério do juiz, podendo ser supridas por HC ao Tribunal. Ou seja, dependendo de quem é o cidadão, a subjetividade requerida daria ao juiz o poder de decidir para quem ele deve cumprir a lei, e para quem ele não deve. Novamente o HC do presidente Lula no TRF-4 é o exemplo clássico.
Claro que já existe uma meia dúzia de juízes que estão se utilizando da nova lei para demonstrar seu desprezo pelo estado de direito. São juízes que antes da promulgação da lei já não eram capacitados para o exercício da justiça.
Nós vivemos no país da impunidade de autoridades. Os exemplos vêm do andar de cima e não são poucos. Temos um governo formado por ministros que fraudavam seus currículos e cuja líder no Congresso plagiava artigos quando era jornalista. O presidente da nação e seus filhos estão envolvidos com milicianos. Procuradores da Lava Jato trabalharam em conluio com o juiz do caso. O ex-procurador do MPF declara que queria matar um ministro do STF. Um ministro do supremo age como delegado de polícia. Esta lei, se não perfeita, é um passo adiante na tentativa de se restabelecer o estado de direito, no respeito à cidadania e da máxima de que a lei é igual para todos.
A maioria dos policiais e dos juízes são conhecedores dos limites da lei e de como ela deve ser cumprida. Agora, aqueles que manifestadamente se comportavam como deuses supremos respaldados pelo poder a eles outorgado para fazerem justiça, estes terão de se submeter a ela ou pedirem para sair.
por Mauro Nadvorny | 7 set, 2019 | Brasil, Comportamento, Política
Ser Judeu é Preciso
Não lembro em minha existência de um protagonismo político judaico no Brasil como nestes tempos recentes. Sem dúvida, estas eleições mexeram muito com a comunidade judaica brasileira e parece que o Brasil também ficou sabendo que existem judeus brasileiros.
Nossa existência nestas terras remontam a colonização do Brasil após a sua descoberta. Já chegamos a ser uma comunidade com cerca de 150.000 pessoas, nos acomodamos bem entre as demais comunidades de emigrantes e nos integramos na vida diária.
A comunidade judaica sempre foi muito organizada. No mundo inteiro sempre foi assim e aqui não poderia ser diferente. Sinagogas, escolas, clubes sociais e esportivos, clubes de cultura, associações femininas, e movimentos juvenis são exemplos da vida comunitária presente no Brasil.
O Mito de que judeus só casavam com judeus não se sustentou, a comunidade diminui ano a ano, principalmente devido aos casamentos mistos e abandono da tradição judaica. O mesmo com relação as posições políticas. Os judeus sempre estiveram presentes na esquerda e na direita se afiliando aos diversos partidos políticos que o país já teve.
A comunidade judaica nunca foi monolítica. Com representações a nível estadual e uma representação nacional, os judeus brasileiros são bastante distintos entre si. Não é apenas a origem ocidental (Ashkenazi), ou oriental (Sefaradi), temos visões políticas bastante diversificadas.
O judaísmo é essencialmente humanista. Nossos profetas apontaram para uma existência de respeito ao próximo e de convivência pacífica entre os povos. Se retirarmos a questão divina da equação ficamos com o que mais tarde ficou conhecido como os Direitos Humanos.
Nossa saga histórica é de inúmeras provações, a maior delas e a mais conhecida foi o Holocausto. Um regime político de extrema direita tomou o poder na Alemanha, conduziu o país para a Segunda Guerra Mundial e determinou a aniquilação do povo judeu. Foi uma indústria da morte onde 6 milhões perderam a vida assassinados, entre eles 1,5 milhão de crianças.
Muitos judeus se destacaram na história em todos os ramos do conhecimento. Muito do desenvolvimento humano que alcançamos até os dias de hoje se deve a contribuições judaicas. Não fossem estas contribuições, este artigo, por exemplo, ainda estaria sendo lido em jornais de papel.
O grande divisor de águas na nossa história recente foi a criação do Estado de Israel e suas consequências para nós como judeus, o povo árabe-palestino e o mundo em geral. Ao contrário do que se pensa, a busca por um lar judaico é muito anterior a segunda guerra e o Holocausto foi mais uma razão para esta determinação histórica de retornar para a terra de onde fomos dispersados pelo mundo.
Israel foi construída com base em uma sociedade socialista. As fazendas coletivas chamadas de Kibutz, foram um exemplo de socialismo prático e nenhum outro país conseguiu criar algo parecido. Os sindicatos, a medicina universal e a vida nas cidades foram conceitualmente e na prática visões socialistas. Israel nasceu e se desenvolveu em seus primeiros anos de vida como um estado socialista.
As coisas mudaram a partir de 1977 com a subida ao poder do bloco de direita e continuam assim deste então. O alinhamento com regimes de direita, e especialmente com os Estados Unidos numa simbiose extremamente prejudicial se mantém inalterado até os dias de hoje. É com este governo de Israel que Bolsonaro tenta se aliar.
O mundo evangélico pentecostal vê em Israel e nos símbolos judaicos o que os católicos veem no Vaticano e no Papa. Para eles, Jesus Cristo só voltará a Terra quando todos os judeus tiverem retornado para Israel e o aceito como Messias. Com esta pregação, eles arregimentam milhões de fieis dispostos a seguirem os mandamentos de seus líderes e se dispõe a ajudarem nesta missão. Assim se apropriam de nossa indumentária religiosa e nacional conduzindo a bandeira de Israel em todas as suas cerimônias e manifestações, sejam religiosas ou políticas.
Claro que esta apropriação não é bem recebida, principalmente pelos judeus progressistas. Durante o período das últimas eleições, um grupo denominado de “Judeus Contra Bolsonaro” foi formado no Facebook e em poucos dias chegou a quase 8.000 membros. Nele estavam presentes judeus de todo o espectro político que tinham em comum o fato de não desejarem Bolsonaro como presidente. Estivemos presentes na luta pelo “Ele Não” no dia a dia de todo processo eleitoral.
Passadas as eleições o grupo mudou de nome e hoje se chama ‘Resistência Democrática Judaica’ com pouco mais de 6.000 membros. Nasceram a seguir outros grupos em outras mídias como os “Judeus pela Democracia” em São Paulo e no Rio de Janeiro. Mais recentemente foi formado o “Observatório Judaico dos Direitos Humanos no Brasil”. Nunca antes na história judaica brasileira surgiram em tão pouco tempo grupos judaicos de oposição política a um governo recém-eleito.
A mensagem destes grupos tem em comum principalmente a luta por um Brasil democrático e o respeito pela dignidade humana. São grupos de judeus progressistas que concentram aquilo que de mais precioso existe no judaísmo, nosso sentimento de humanidade e solidariedade com o próximo. Nossas causas passam, entre outras, pela condenação do golpe que destituiu uma presidente eleita, pela prisão política de um ex-presidente que permitiu a eleição de Bolsonaro, pelos retrocessos dos direitos históricos dos trabalhadores, pelo respeito a diversidade humana, pelo clima, contra a censura etc.
No momento em que Bolsonaro se comporta de maneira tão inapropriada no cargo de Presidente do Brasil, nos envergonha sobremaneira ver nossos símbolos associados a esta vergonha internacional. Não somos seus judeus de estimação e nos aliamos a todos os movimentos que lutam pelo fim de seu regime e acabe com o termo da sua passagem pela presidência.
Nesta hora em que o país dá a cada dia mais indicações de que basta desta milícia familiar no poder, nós judeus progressistas estamos na linha de frente irmanados com todos os brasileiros. Porque ser judeu é preciso.
por Mauro Nadvorny | 30 ago, 2019 | Brasil, Política
Abjetos humanos
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) o percentual de psicopatas na população gira entre 3,5% e 4,0%. Em um universo de 100 pessoas, podemos ter algo em torno de 4 psicopatas. Não necessariamente todos ligados aqueles casos mais extremos que combinam esta falta de empatia com outros distúrbios comportamentais que os levam a cometerem crimes de extrema violência.
Existem milhares de membros no MPF. Muito difícil crer que os membros da Lava Jato tenham sido escolhidos de acordo com o grau de psicopatia. Não foram diagnosticados assim para fazerem parte do que se acreditava ser um grupo de idealistas lutando contra a corrupção.
Em se tratando, pelo menos em sua maioria, de pessoas normais, o que deu errado? Em que momento perderam sua humanidade ao ponto de debocharem de indivíduos mortos, inocentes que nada tinham a ver com atos de corrupção, entre eles um menino de 7 anos?
Dizem que para julgar o caráter de uma pessoa, basta dar a ela poder. Como colocar um uniforme de policial ou receber um cargo de mando. Se ela continuar sendo aquilo pelo qual chegou lá, trata-se de uma pessoa de bom caráter. Caso contrário, ela soube nos enganar muito bem.
Quando me refiro a caráter tenho em mente a índole. Aquele processo construído ao longo da nossa infância e juventude que molda a pessoa que somos. O que não depende diretamente da situação socioeconômica, do lugar onde nascemos ou de motivações religiosas. Aquilo que nos faz aprender o que é certo e errado quase que instintivamente. Que ainda pode ser corrigido.
Estes promotores da Lava Jato podem ser chamados de qualquer coisa, mas o que mais os define é a falta de caráter, sua má índole. Eles não apenas causaram um estrago na economia do país levando milhares de brasileiros ao desemprego, usaram de artimanhas nada recomendáveis para atingirem seus objetivos, como perseguiram um ex-presidente de forma cruel e fora da lei.
Alguns deles chegaram aos cargos que ocupam por influência de parentes. Todos são os típicos brancos, bons cristãos e membros da elite. Não me parecem que tenham sido os mais populares nos seus bancos escolares. Também não fazem o tipo de esportistas. São aqueles, não fosse a fama, nos lembramos sua existência na nossa juventude, mas nos falham os nomes.
Esta gente se auto investiu de um poder que jamais lhes foi outorgado. Se acharam acima do bem e do mal e como numa cruzada contra os infiéis, se lançaram em uma guerra contra a corrupção no Brasil. Não contra todos os corruptos, somente aqueles que ideologicamente lhes convinha. Para isso tiveram um grande aliado, o então juiz Sergio Moro. E assim de mãos dadas, respaldados pelo Grupo Globo e a maioria dos veículos da mídia nacional, juntamente com a complacência do STF, fizeram o que bem entenderam se colocando acima da lei.
Todos os avanços de sinal vermelho foram amplamente apontados. A divulgação ilegal dos áudios do Presidente Lula com a Presidenta Dilma teve ampla divulgação. A condução coercitiva do Presidente Lula e de outros acusados foi matéria nacional. O julgamento recorde no TRF-4 sem o mínimo tempo hábil de leitura do processo pelos juízes e os votos combinados receberam ampla divulgação. A condenação sem provas foi minimizada e comemorada. Viva os heróis da Lava Jato foram as manchetes da mídia escrita e televisiva.
Tudo o que a mídia nacional escondeu ou pouco divulgou como sendo no mínimo impróprio, um site chamado The Intercept, que tem como um de seus fundadores o renomado jornalista Glenn Greenwald, desnudou. Um imenso arquivo contendo as trocas de mensagens entre os procuradores, entre eles e Moro, incluindo áudios, começou a ser esmiuçado por eles e outras mídias. E foi aí que ficamos sabendo que aqueles idealistas realmente não passavam de agentes públicos inescrupulosos. Todos aqueles sinais menosprezados anteriormente passaram a fazer sentido. Eram Tigres de Papel.
A cada divulgação de trocas de mensagens, fomos sendo informados como a justiça pode ser manipulada, e como eles a manipularam de acordo com os seus interesses. Regras básicas de equidistância do juiz para com a defesa e a acusação foram flagrantemente desrespeitados sem o menor pudor, sempre em favor da acusação. E foram ao ponto de o juiz oferecer testemunha para ela.
Trabalharam para impedir o Presidente Lula de dar entrevistas antes da eleição, fingiram investigar FHC, deram palestras para obterem lucros pessoais, pressionaram ministros do STF inclusive se utilizando de grupos de direita para isso, acobertaram um dos seus que pagou por outdoor ilegal e vazaram informações para a imprensa de acordo com os seus interesses quando lhes convinha. Estas são algumas das insensatezes conhecidas até agora que em uma democracia normal já seria motivo de prisão com a nulidade de todos os processos nos quais tiveram envolvimento. Numa democracia normal.
Tudo o que já sabemos até aqui é manifestadamente execrável, mas nada se compara com os comentários jocosos que fizeram contra o Presidente Lula quando das perdas da sua esposa, de seu irmão e de seu neto. Para isso não existem palavras fáceis. Abjetos humanos é pouco para defini-los. A maneira como se referiram aos falecidos é impublicável, mas o fizeram no que acreditavam ser um ambiente favorável e inacessível ao público que deveriam servir de exemplo de idoneidade ética e moral.
Os diálogos que nos foram apresentados atestam inequivocamente que não estavam trabalhando de acordo com o profissionalismo esperado de um agente público. Estavam isto sim, sendo o que de mais baixo existe na humanidade, seres desprezíveis que desceram ao esgoto da sociedade e lá permaneceram para se lambuzarem com a desumanização de seus semelhantes que sequer conheciam, cujo único crime seria o parentesco com aquele que metódica e doentiamente atacaram sem piedade.
Esta gente merece o desprezo de qualquer ser humano. Suas desculpas são como lágrimas de crocodilo. Nada vai apagar a falta de bom senso e total desprezo pelo sofrimento das perdas do Presidente Lula. Erraram uma vez com a morte de sua esposa. Outra vez com a morte de seu irmão e uma terceira com a morte de seu neto. Não tem perdão. Como bons cristãos que são, penitenciem-se até o fim dos seus dias.
por Mauro Nadvorny | 23 ago, 2019 | Brasil, Política
Um piromaníaco no poder
Onde há fumaça, há fogo. Escutei isso muitas vezes na minha infância e desta vez foi muita fumaça, muita mesmo.
Todos os anos nesta época agricultores fazem queimadas. Estados do Norte e Centro Oeste são os mais atingidos. Os governos passados atuaram muito contra este fenômeno. O INPE fazia varreduras diárias e satélites apontavam os locais para os fiscais no solo autuarem os infratores. Sempre foi uma guerra diária no final do inverno.
Desta vez as coisas foram diferentes. O INPE foi literalmente castrado e seu trabalho, reconhecido mundialmente, menosprezado pelo novo poder do Brasil. Seu presidente afastado e seus dados que mostravam um aumento das queimadas acima do normal, totalmente desprezado.
A mensagem foi captada pelos criminosos e o fogo aumentou como não se tinha notícia há uma década pelo menos. A Floresta Amazônica chorou, o mundo se escandalizou com a total apatia dos órgãos governamentais. Nada foi feito para combater o fogo ou diminuir o ímpeto criminoso de conhecidos infratores. Os incendiários entraram em êxtase.
Com um presidente sem noção da gravidade do momento e das consequências que este crime contra o país e a humanidade pudessem trazer, passou a atacar as ONGS que protegiam a floresta. Só faltou acusar o Saci Pererê. O fogo é uma invenção da mídia.
Noruega e Alemanha já haviam cortado os fundos amazônicos quando perceberam as reais intenções de Bolsonaro, que com um desdém típico de sua ignorância sugeriu que estas nações fizessem uso deste dinheiro para reflorestarem seus próprios países. Não parou aí, ele e sua prole atacaram violentamente o presidente da França.
Existe hoje uma preocupação sobre o aquecimento global e as questões ambientais. Estas questões já são percebidas até pelo cidadão comum. Ações em prol do planeta já são um imperativo e aqueles que não contribuem, ou que de alguma forma prejudicam o meio ambiente, são imediatamente identificados e boicotados. O nome do Brasil foi jogado na lama e pedidos de boicote a produtos brasileiros já surgem em diversos países.
O Brasil está se encaminhando para se tornar um pária ambiental. O país do futebol e do carnaval vai ficando conhecido como o assassino da floresta que corresponde por 20% do oxigênio que o mundo respira. As coisas não vão ficar em boicotes a produtos nacionais, sanções governamentais podem vir a ser tomadas pelas maiores potências mundiais, e serão pesadas.
Bolsonaro se supera a cada dia e já disse que quem manda é ele. O cara é o dono da bola e age de maneira infantiloide. Praticamente todas as suas decisões são coisas de criança mimada. Quero correr nas estradas, então tirem estes radares e me deixem em paz. Quero estacionar onde quiser e passar em sinais vermelhos, então dobrem o número de pontos da carteira de motorista. Meus filhos são o máximo, então parem de investigar suas façanhas e meu rebento vai ser embaixador nos EUA. Os ambientalistas são uns “ecochatos”, então que se libere as queimadas.
Eu realmente não sei se é caso de impeachment, de interdição, ou os dois. O mal que ele está causando ao país é imensurável, isso que este piromaníaco ainda não completou ainda um ano no poder. Se o que vimos até agora é só o “esquenta” para o rol de maldades que ainda estão por vir, pobre do Brasil.
Não temos mais tempo a perder. É preciso começar a pensar agora como tirar este inepto da presidência o quanto antes. O tempo urge e nada é mais importante do que salvar o país deste desastre. Tarde já é e a recuperação será difícil. Não existe outro caminho.
por Mauro Nadvorny | 9 ago, 2019 | Brasil
Quem é este homem que nasceu em Garanhuns, Pernambuco para tornar o Brasil admirado na comunidade Internacional?
Que juntamente com sua mãe e seus irmãos, enfrentou 13 dias de viagem em um caminhão pau de arara, concretizando o trajeto executado por milhares de migrantes que deixaram o Nordeste em direção a São Paulo?
Que ainda criança, vendeu tapioca, laranjas e amendoim nas ruas?
Que se formou torneiro mecânico pelo Senai e mais tarde líder sindical que fez tremer a ditadura militar brasileira?
Lula Livre!
Quem é este homem que através do movimento grevista ingressou na vida política?
Que como resultado da sua militância, chegou a passar 31 dias preso com base na Lei de Segurança Nacional?
Que tentou ingressar na política pelas urnas em 1982, quando concorreu ao governo de São Paulo?
Que dois anos depois elegeu-se deputado federal constituinte?
Lula Livre!
Quem é este homem que sofreu três derrotas em disputas presidenciais em 1989, 1994 e 1998, e não desistiu?
Que em 2002, foi eleito presidente do Brasil com 53 milhões e votos?
Que em 2006 foi reeleito com 58 milhões de votos?
Que se tornou o presidente com a maior aprovação popular desde que foram instituídas as pesquisas de avaliação no Brasil?
Lula Livre!
Que é este homem em cujo governo o Brasil teve estabilidade econômica e retomou seu crescimento?
Que reduziu a pobreza e a desigualdade social?
Que governou com um crescimento de 32,62% do PIB?
Que assumiu com uma inflação de anual de 12,53% e entregou com 5,90%?
Lula Livre!
Quem é este homem que fez a Reforma do Judiciário?
Que realizou os Jogos Pan-Americanos de 2007?
Que realizou a Copa do Mundo FIFA de 2014?
Que realizou os Jogos Olímpicos de 2016?
Lula Livre!
Quem é este homem que criou o Bolsa Família para combater a fome e a pobreza beneficiando 11 milhões de famílias?
Que criou o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) beneficiando 875 mil crianças e adolescentes?
Que criou o Programa Luz para Todos beneficiando 7,2 milhões de famílias rurais?
Que criou o Programa Educação de Jovens e Adultos beneficiando 8,9 milhões de pessoas?
Lula Livre!
Quem é este homem que criou o Programa Universidade para Todos (ProUni) beneficiando 2,55 milhões de estudantes?
Que com o Programa Mais Escola, ampliou a jornada de 57 mil escolas públicas para, no mínimo, 7 ou mais horas diárias?
Que renovou e ampliou a frota de veículos escolares da rede pública para atender o maior número possível de crianças?
Que com o Programa Reuni permitiu que a universidade pública chegasse ao interior do país sendo criados 173 campi universitários e 18 universidades federais?
Lula Livre!
Quem é este homem que o Presidente Barack Obama chamou de “O Cara”?
Que se sentou ao lado dos líderes das maiores nações do mundo de igual para igual?
Que colocou o Brasil entre os maiores produtores de petróleo do mundo?
Que acabou com a fome no Brasil e levou 50 milhões de brasileiros para a classe média?
Lula Livre!
Quem é este homem que balançou os alicerces da Casa Grande?
Que ousou realizar a inclusão social diminuindo as diferenças socioeconômicas entre os brasileiros?
Que andou nas ruas carregado pelo povo sem nunca sofrer um arranhão?
Que no dia de sua injusta prisão foi abraçado por milhares de pessoas na maior demonstração de reconhecimento de um presidente do Brasil?
Lula Livre!
Quem é este homem que, sem provas, foi falsamente acusado, teatralmente julgado e injustamente preso?
Que hoje assiste à exposição pública dos atos espúrios de seus algozes?
Que sabemos todos de sua inocência?
Que aguarda serenamente por sua liberdade?
Lula Livre!
Quem é este homem que o Papa Francisco pede pela sua liberdade?
Que Bernie Sanders, Noam Chomsky e dezenas de outras celebridades pedem por sua liberdade?
Que mobiliza centenas de comitês no Brasil e no exterior por sua liberdade?
Que se iguala a Mandela, Gandhi, Fidel e Luther King, líderes que também foram aprisionados, mas nunca calados?
Lula Livre!
Quem é este homem que expõe a ditadura da toga?
Que sofreu com conluio de uma quadrilha formada por um juiz com um grupo de procuradores?
Que ainda vê juízes atentarem contra sua vida rasgando a Constituição?
Que consegue mobilizar parlamentares de todos os partidos e o STF em mais um episódio de injustiça contra ele?
Este homem se chama Luiz Inácio Lula da Silva, quem governou pelo povo, para o povo e através do povo vai voltar.
por Mauro Nadvorny | 2 ago, 2019 | Brasil, Justiça
É um verdadeiro mistério as nuances da justiça. O que deveria ser a garantia dos direitos do cidadão e a guardiã da constituição, nem sempre se comporta assim. A justiça deveria ser igual para todos, mas parece que existem os mais iguais e os menos iguais.
Desde sempre o homem se desentendeu entre seus iguais. Quando uma simples conversa não resolvia, foi preciso pedir auxílio a um terceiro que tendo escutado as partes, diria quem tem razão. De uma maneira muito simplista, se buscava um juiz. A origem da palavra vem do latim, aquele que julga.
Aquele que vai julgar precisa ser isento. Precisa escutar os argumentos das partes como iguais. Tem que ser conhecedor das leis, e acima de tudo, saber aplicá-las. Jamais quem vai julgar pode participar da investigação, o que seria uma forma de favorecimento a uma das partes. Ele está equidistante delas.
Nós estamos assistindo dia a dia a revelação do conluio entre o ex-juiz Sergio Moro e a equipe do MPF, que juntos compunham a Força Tarefa conhecida como Lava Jato. Quando digo “juntos”, estou me referindo ao fato de que nada acontecia sem o conhecimento e concordância de ambas as partes. Neste caso, o juiz que investigava, era o mesmo que julgava. Uma aberração jurídica.
O que eles faziam já era de conhecimento público e suas arbitrariedades como o uso da prisão preventiva, delação premiada, favorecimento de informações para a mídia com o intuito de pressionar as instâncias superiores, foi largamente denunciado pelos advogados das partes. Agora sabemos como estas coisas eram combinadas entre eles, com que propósito e a quem interessava mais.
O vem acontecendo nestas últimas semanas, de maneira contundente, são as manifestações ocorridas fora dos autos que confirmam a ligação umbilical entre Moro e os procuradores. O aplicativo Telegram tornou-se um apêndice do processo legal. Nele se combinavam ações, se adiantavam decisões e até mesmo se sugeriam investigações fora de sua alçada.
O presidente Lula foi a vítima mais conhecida e de maior relevância desta quadrilha, mas não a única. A maior vítima de todas foi a eleição presidencial que por ações e omissões dos quadrilheiros acabou sendo fraudada ao retirarem do pleito ele, o candidato que liderava as pesquisas.
Ninguém pode aceitar a manipulação da justiça em favor de quem quer que seja. Com certeza isso irá se voltar contra quem pensa que os fins justificam os meios. Uma país com uma justiça corrupta, é um país sem futuro.
Em qualquer um dos três poderes de uma nação podemos vir a encontrar corruptos. Isto acontece em praticamente todos os países do mundo. O que vai diferenciar uns dos outros, é a capacidade de lidar com a corrupção. Como ela é investigada, julgada e eventualmente punida. É a diferença entre uma nação moderna e uma República das Bananas.
Infelizmente somos as bananas. Somos o país liderado pelos que duvidam da mensagem e quer prender o mensageiro, e que acreditam nas razões do criminoso para o cometimento do crime em nome de um suposto bem maior. Somos aqueles que ainda não viram o tamanho da sua força quando unidos.
Agora que um dos crimes cometidos diz respeito a membros do STF, talvez a maior instância da justiça tome alguma providência. Será ela magnânima, ou será ela seletiva. Estes juízes vão entender que o que os atinge vem do fruto da árvore envenenada, ou serão eles capazes de enxergarem somente a fruta que lhes coube?
A verdade é uma só, e não cabe dúvida. Todo o trabalho da Lava Jato foi comprometido e todos os processos devem ser anulados. Aqueles membros da justiça que cometeram crimes têm que ser levados a julgamento. Um membro do judiciário que se torna um criminoso deveria ter uma pena maior do que o cidadão comum.
As eleições devem ser anuladas e novas eleições marcadas para tirar o país desta situação, onde um grupo de promotores, e um juiz de primeira instância, se aliaram para permitir que o mais inepto dentre todos os candidatos fosse eleito presidente do Brasil.
Está mais do que na hora das ruas rugirem nosso descontentamento e desaprovação destes acontecimentos. O Brasil é um navio sem timoneiro. Não estamos mais fora do curso, estamos literalmente à deriva e fazendo água. Até os ratos já estão abandonando o navio, muitos dos quais são justamente aqueles que ajudaram e contribuíram para chegarmos a esta situação.
Basta de complacência. Cada dia deste governo e tudo que vem dele é um desastre de proporções astronômicas. Continuando neste ritmo e em breve o navio vai a pique com todos os que estão nele.
Bananas, as ruas!