Depois de uma sirene no início da noite, tivemos uma noite sem mais avisos e sirenes aqui em Hadera.
Ontem foi mais do mesmo. Nos infernizaram o dia todo com lançamentos do Irã e do Líbano e nós os atacamos com toda força.
Fiz uma pequena pesquisa simples a respeito das teocracias muçulmanas. Uma comparação entre o que Israel e estes países produziram em benefício da humanidade desde 1948: Essa é uma comparação que coloca em evidência dois modelos de desenvolvimento radicalmente diferentes: um focado na inovação aberta e na integração global (Israel) e outro focado na preservação ideológica e no isolamento.
Desde 1948, a escala de contribuições de Israel para o bem comum da humanidade, considerando o tamanho da sua população, é frequentemente citada como um fenômeno único na história moderna.
Israel: O Modelo de Inovação Aberta (Pós-1948)
Israel direcionou sua necessidade de sobrevivência para a criação de tecnologias que hoje beneficiam o mundo inteiro, inclusive países que não o reconhecem.
Agricultura e Água: A invenção da irrigação por gotejamento (Netafim) revolucionou a produção de alimentos em áreas desérticas globais. Além disso, Israel lidera o mundo em dessalinização e reuso de água (reciclando cerca de 90% de seu esgoto para agricultura).
Medicina e Saúde: Desde a PillCam (câmera deglutível para exames internos) até tratamentos avançados para Esclerose Múltipla (Copaxone) e Parkinson. O país também é pioneiro em tecnologias de assistência para deficientes, como o ReWalk, que permite que paraplégicos voltem a andar.
Tecnologia e Segurança Digital: O desenvolvimento do primeiro Pen Drive (M-Systems), do processador Intel 8088, e de tecnologias de firewall e segurança que protegem o sistema financeiro global diariamente.
Ajuda Humanitária: A unidade IsraAID e os hospitais de campanha das FDI são frequentemente os primeiros a chegar em desastres naturais ao redor do mundo (Haiti, Turquia, Japão, etc.).
Os Regimes Teocráticos: O Modelo de Sobrevivência Ideológica
Nesses regimes, o “benefício para a humanidade” costuma ser um subproduto ou acontece apesar do governo, e não por causa dele.
Irã (Pós-1979): O Irã tem avanços reais em biotecnologia e células-tronco. No entanto, a grande maioria do seu imenso potencial intelectual é desviada para a indústria militar (drones, mísseis e tecnologia nuclear). O benefício para o mundo acaba sendo limitado por sanções e pelo uso dessas tecnologias para fins de desestabilização regional.
Afeganistão (Talibã): Aqui, o saldo de contribuições externas é praticamente nulo. O regime atual foca no retrocesso social, eliminando o potencial de 50% da sua população (mulheres) de contribuir para qualquer avanço científico ou cultural.
Comparação de Impacto Direto
Área
Israel (Democracia)
Teocracias (Irã/Afeganistão)
Foco da Ciência
Soluções civis, globais e comerciais.
Sobrevivência do regime e defesa militar.
Educação
Liberdade total de pesquisa e crítica.
Censura ideológica e restrição de gênero (Afeganistão).
Economia
Exportação de tecnologia (High-Tech).
Exportação de recursos (Petróleo) ou ideologia.
Relação com o Mundo
Colaboração científica internacional.
Isolamento ou cooperação via “proxy” (milícias).
O “Custo de Oportunidade”
O que mais chama a atenção nessa comparação não é apenas o que Israel fez, mas o que países como o Irã poderiam ter feito. O Irã tem uma população altamente educada e uma história de gênios científicos (como vimos com Avicena).
A diferença é que, em Israel, o sistema permite que um jovem com uma ideia crie uma empresa global; em uma teocracia, esse mesmo jovem muitas vezes precisa escolher entre o exílio ou trabalhar para o complexo militar-religioso do Estado.
Agora uma informação interessante de quem se beneficia da tecnologia israelense na nossa vizinhança:
Esta é a parte mais pragmática da geopolítica atual: enquanto o discurso político muitas vezes é de confronto, a tecnologia israelense tornou-se um “item de sobrevivência” para muitos países árabes, especialmente os que enfrentam desafios climáticos severos.
Mesmo com as tensões regionais, a cooperação tecnológica (muitas vezes discreta ou via Acordos de Abraão) é vasta. Aqui estão exemplos concretos de tecnologias israelenses que beneficiam diretamente o mundo árabe hoje:
Água e Segurança Alimentar (O “Ouro Azul”)
Países do Golfo (como Emirados Árabes e Bahrein) e Marrocos têm climas muito parecidos com o de Israel.
Dessalinização e Reuso: Israel recicla quase 90% de sua água. Essa expertise foi exportada para o Marrocos e Emirados para combater secas históricas.
Agricultura no Deserto: Empresas israelenses de irrigação por gotejamento e sementes resistentes ao calor operam no Marrocos e em projetos de segurança alimentar no Golfo, permitindo que eles plantem em solos antes improdutivos.
Saúde e Biotecnologia
A medicina israelense é um ponto de ponte humanitária e tecnológica constante.
Equipamentos de Ponta: Tecnologias de Inteligência Artificial para diagnóstico precoce de câncer e sistemas de monitoramento remoto de pacientes desenvolvidos em Israel são utilizados em hospitais de Dubai e Abu Dhabi.
Tratamento de Civis: O hospital Ziv, em Safed, e outros no norte de Israel, têm um histórico de tratar milhares de civis sírios e libaneses feridos em conflitos, oferecendo medicina de ponta que não existe nesses países sob regimes teocráticos ou em colapso.
Defesa e Segurança Cibernética
Curiosamente, a tecnologia que protege Israel também protege seus vizinhos moderados contra ameaças comuns (como drones e ataques cibernéticos de regimes como o do Irã).
Sistemas de Defesa: O Marrocos e os Emirados Árabes compraram sistemas de radar e defesa aérea israelenses (como o Barak MX) para proteger suas infraestruturas críticas.
Cibersegurança: Bancos e infraestruturas de energia em vários países árabes utilizam softwares de proteção criados em Israel para impedir ataques de hackers que tentam desestabilizar a região.
Resumo da Diferença de Abordagem
Contribuição
Israel (Democracia)
Regimes Teocráticos (Ex: Irã)
Destino da Tecnologia
Exportada para melhorar a vida civil e infraestrutura.
Frequentemente usada para vigilância interna e armas.
Colaboração
Parcerias abertas com vizinhos (Marrocos, EAU, Jordânia).
Exportação de ideologia e armamento para grupos “proxy”.
Impacto Global
Soluções para escassez de água e doenças globais.
Foco em dissuasão militar e sobrevivência do regime.
O ponto principal: Enquanto as teocracias gastam bilhões para tentar isolar ou combater seus vizinhos, as soluções desenvolvidas em Israel acabam sendo adotadas por esses mesmos vizinhos porque resolvem problemas reais que a ideologia não consegue resolver, como a sede e a fome.
Vale ainda mencionar Azerbaijão (O Estado Secular)
É um país de maioria xiita, mas é um dos Estados mais seculares (laicos) do mundo islâmico. O governo é estritamente separado da religião e, inclusive, possui uma aliança estratégica e militar muito forte com Israel.
E não podemos deixar de fora a Turquia, um caso fascinante e muito diferente dos que eu mostrei até agora, especialmente por sua localização estratégica e sua história única de modernização.
Para ser direto: A Turquia não é uma teocracia e não é um país xiita.
Aqui está o que define a Turquia no cenário atual:
Religião: Maioria Sunita
Diferente do Irã ou do Iraque, a grande maioria da população turca (de 80% a 90%) segue o Islã Sunita. Existe uma minoria importante chamada Alevitas, que compartilha algumas raízes com o xiismo, mas ela tem práticas e crenças muito próprias e focadas na tolerância.
O Estado: Laicismo vs. Conservadorismo
Diferente das teocracias, a Turquia foi fundada em 1923 por Mustafa Kemal Atatürk como uma república estritamente laica (secular).
A Herança de Atatürk: Ele aboliu o Califado, mudou o alfabeto para o latino e separou a religião do Estado por lei.
O Cenário Atual: Sob o governo de Recep Tayyip Erdoğan, o país tornou-se muito mais conservador e religioso. Embora ainda seja formalmente uma democracia com constituição civil, há uma tensão constante entre o desejo de ser uma potência islâmica moderna e a estrutura secular herdada.
Contribuições para a Humanidade
A Turquia herdou o espólio do Império Otomano, que foi uma das maiores potências do mundo por séculos. Suas contribuições misturam tradição e modernidade:
Ponte entre Mundos: Geograficamente e culturalmente, a Turquia funciona como o conector entre a Europa e a Ásia. Isso permitiu a preservação e a troca de conhecimentos comerciais e diplomáticos que estabilizaram rotas entre o Oriente e o Ocidente por séculos.
Arquitetura e Engenharia: O arquiteto Mimar Sinan (século XVI) desenvolveu técnicas de construção antiterremoto e cúpulas maciças que influenciaram a arquitetura mundial, incluindo o Taj Mahal na Índia.
Medicina e Ciência: Os otomanos foram pioneiros na prática da variolização (uma forma primitiva de vacinação contra a varíola) muito antes de a técnica ser aperfeiçoada no Ocidente.
Tecnologia Moderna: Atualmente, a Turquia é uma potência industrial e militar, famosa por seus drones (como o Bayraktar TB2), que mudaram a face da guerra moderna e são usados por diversos países para defesa.
A Relação Complexa com Israel
Diferente das teocracias que mencionamos (Irã e Afeganistão), a Turquia foi o primeiro país de maioria muçulmana a reconhecer o Estado de Israel, em 1949.
Comércio e Turismo: Apesar das frequentes e duras críticas retóricas do governo turco atual contra Israel, as relações comerciais e de turismo sempre foram historicamente fortes, embora passem por momentos de grande instabilidade diplomática recentemente.
Em resumo:
A Turquia é uma democracia presidencialista sunita que luta para equilibrar seu passado laico ocidentalizado com um presente mais conservador e voltado para o mundo islâmico. Ela não se encaixa no modelo de isolamento das teocracias xiitas.
Por fim vale mencionar os Países do Golfo ara completar esse quadro, pois eles representam hoje o maior contraste econômico e político em relação ao modelo do Irã e do Afeganistão.
Diferente das teocracias xiitas (Irã) ou do radicalismo do Talibã, os principais países do Conselho de Cooperação do Golfo (como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar e Bahrein) são Monarquias Sunitas.
Aqui está o que os torna relevantes:
A Transição do “Petróleo” para a “Tecnologia”
Esses países perceberam que o petróleo tem prazo de validade e estão investindo bilhões para se tornarem centros globais de inovação.
Emirados Árabes Unidos (EAU): Tornaram-se um hub global de logística, aviação (Emirates) e turismo. Recentemente, enviaram uma sonda a Marte (Missão Hope), mostrando uma ambição científica que vai além da religião.
Arábia Saudita: Com o plano “Vision 2030”, o país está passando por uma abertura social e econômica sem precedentes, tentando diminuir a influência do clero conservador para atrair investimentos e talentos globais.
Contribuições Recentes para a Humanidade
Diferente do passado distante de Bagdá ou Isfahan, o Golfo contribui hoje com infraestrutura e capital:
Energia Renovável: Curiosamente, os maiores produtores de petróleo estão investindo pesadamente em energia solar. A cidade de Masdar (EAU) é um experimento vivo de urbanismo sustentável.
Arquitetura e Engenharia de Ponta: Eles desafiaram os limites da engenharia civil com construções como o Burj Khalifa e ilhas artificiais, desenvolvendo tecnologias de construção em climas extremos que o mundo todo agora estuda devido ao aquecimento global.
Filantropia e Ajuda Internacional: O Catar e a Arábia Saudita são dos maiores doadores de ajuda humanitária e financeira para países em desenvolvimento e zonas de desastre.
A Diferença Política Crucial
Embora não sejam democracias liberais como Israel, há uma diferença vital entre essas monarquias e as teocracias:
As Monarquias do Golfo são pragmáticas. Elas buscam estabilidade para fazer negócios.
As Teocracias (Irã/Afeganistão) são ideológicas. Elas muitas vezes sacrificam a economia e o bem-estar do povo em nome de uma visão religiosa expansionista ou purista.
A Relação com Israel (O Grande Câmbio)
Este é o ponto que mais nos impacta. Com os Acordos de Abraão (2020), países como EAU e Bahrein decidiram que a cooperação com Israel é mais valiosa do que o conflito ideológico.
O Resultado: Hoje, cientistas israelenses e árabes do Golfo trabalham juntos em pesquisas sobre câncer, dessalinização de água e inteligência artificial. É uma união de capital árabe com tecnologia israelense.
Resumo Comparativo
Região
Religião
Objetivo Principal
Relação com o Progresso
Irã/Afeganistão
Teocracia (Xiita/Sunita)
Sobrevivência Ideológica
Progresso limitado por censura e isolamento.
Países do Golfo
Monarquia (Sunita)
Estabilidade e Negócios
Investimento massivo em inovação e abertura.
Israel
Democracia (Judaica/Secular)
Sobrevivência e Inovação
Líder em patentes e soluções civis globais.
Em suma: Os Países do Golfo estão tentando provar que um país islâmico pode ser moderno, próspero e integrado ao mundo, o que os coloca em rota de colisão ideológica direta com o modelo teocrático do Irã.
Em algum momento próximo, esta guerra vai terminar e espero que possamos voltar a uma vida normal e à paz e cooperação entre as nações do Oriente Médio.
Nos últimos dias, temos assistido a uma onda patética de desinformação visual. Vídeos criados por IA, clipes de videogames (como ARMA 3) e imagens de catástrofes antigas são reciclados para criar uma narrativa de vitória que não existe.
A Fábrica de Mentiras
Circulam livremente em grupos de redes sociais — especialmente de uma certa “esquerda gourmet” — mentiras deslavadas que incluem:
O “afundamento” do porta-aviões USS Gerald R. Ford: Pura computação gráfica vendida como triunfo do Hezbollah.
A “destruição” de Tel Aviv: Imagens da explosão de Beirute de 2020 editadas para enganar os desavisados.
A “queda” do Domo de Ferro: Falhas técnicas antigas usadas para sugerir que Israel está indefesa.
Enquanto celebram essas fantasias, o fato é que o regime iraniano sofre perdas enormes. Suas equipes de disparo começam a se negar a cumprir ordens, pois sabem que, ao lançar um míssil contra civis, o contra-ataque é imediato e letal.
O Peso da Ameaça: 16 Hiroshimas
Não se enganem com a propaganda. O perigo é real e atômico. O regime enriqueceu 400 kg de urânio a 60%. Para fins civis, bastariam 2% a 5%. Se esse material atingir 90%, o que leva poucas semanas, o regime não terá “uma bomba”, mas um arsenal de 16 bombas atômicas, cada uma com poder de destruição até três vezes superior à que atingiu Hiroshima.
Um regime teocrático com esse poder não é uma ameaça apenas a Israel; é uma sentença de morte para a estabilidade global.
O “Conjunto da Obra”: Um Histórico de Sangue
Para quem repudia a guerra, mas se cala sobre quem a alimenta, vamos refrescar a memória sobre o que este regime já fez:
Atrocidades Internas:
Massacre de 1988: Milhares de presos políticos executados sumariamente.
Janeiro de 2026: O massacre recente de mais de 30.000 iranianos em apenas dois dias de protestos, sob um apagão total de internet.
Apartheid de Gênero: O assassinato de Mahsa Amini e o uso de tiros nos olhos para cegar manifestantes.
Terrorismo Global:
Argentina (1992 e 1994): Os atentados contra a Embaixada de Israel e o prédio da AMIA, que mataram centenas de inocentes em solo sul-americano, arquitetados por Teerã.
Perseguição Sistemática: Enforcamentos públicos de homossexuais e o sufocamento da minoria Bahá’í.
O Mundo Real não é em Preto e Branco
É fácil falar em “clichês” de imperialismo e colonialismo vivendo em um mundo confortável. Aqui, o mundo é a cores e, muitas vezes, vermelho de sangue.
Viver sob ameaça permanente significa ter de um a um minuto e meio para correr até um abrigo quando a sirene toca. Significa ver mísseis sendo lançados deliberadamente contra hospitais e escolas, enquanto nossas defesas tentam, com sucesso próximo de 100%, impedir uma carnificina.
Sou sionista e sou de esquerda. Acredito que todos merecem o direito à vida e à paz. Mas, pelo conjunto da obra deste regime, não me interessa quem está acabando com eles, desde que o trabalho seja concluído com êxito.
Lamentamos as vítimas inocentes de erros colaterais, mas não podemos esquecer que este regime mata seus próprios filhos por esporte. A liberdade tem um preço, e o mundo real exige que encaremos os monstros de frente.
Maoz Inon estava preparando o café da manhã para a esposa em sua casa em Binyamina, no norte de Israel, quando seu pai escreveu no grupo da família no WhatsApp às 7h30 da manhã de 7 de outubro de 2023. A mensagem dizia que mísseis estavam caindo e que sons de guerra preenchiam Netiv HaAsara, a comunidade agrícola mais próxima da fronteira com Gaza, onde seus pais moravam.
Maoz ligou imediatamente. Seu pai, Yakovi, de setenta e oito anos, atendeu brevemente. Ele e Bilha, a mãe de Maoz, de setenta e seis anos, haviam trancado a casa e estavam no quarto de segurança. Netiv HaAsara fica a apenas cem metros de Gaza. Maoz pensou que fosse mais um episódio da violência recorrente ao longo da fronteira. Disse aos pais que os amava e que ligaria novamente em breve.
Às 7h40, quando ligou outra vez, ninguém atendeu.
O horror se instalou quando Maoz começou a ver imagens nas redes sociais de terroristas do Hamas invadindo comunidades israelenses na fronteira. Ele e suas três irmãs se reuniram na casa de uma delas, enquanto o irmão mais novo vinha de Londres. No fim da tarde, conseguiram falar com o responsável pela segurança da comunidade, que lhes disse que a casa dos pais havia sido queimada até virar cinzas. Dois corpos foram encontrados dentro.
Os irmãos iniciaram o período tradicional de luto judaico. No segundo dia, a pedido do irmão de Maoz, Magen, divulgaram uma declaração conjunta rejeitando a vingança em nome de seus pais. Foram dos primeiros israelenses a se manifestar publicamente sobre a morte de civis em Gaza.
“A vingança não vai trazê-los de volta e só vai intensificar o ciclo em que estamos presos há mais de um século — o ciclo israelense-palestino de derramamento de sangue, vingança e morte.”
Durante três dias após o assassinato de seus pais, Maoz foi tomado pela dor e pelo sofrimento. Numa noite, chorando enquanto dormia, teve o que ele chama de uma visão: toda a humanidade chorava com ele, suas lágrimas curando feridas, purificando terras ensanguentadas, revelando um caminho para a paz. Ao acordar, soube que aquela era a forma de honrar o legado de seus pais.
A primeira ligação de condolências veio de Aziz Abu Sarah, um ativista palestino pela paz que Maoz conhecia apenas de nome. O irmão de Aziz havia morrido em 1990 em decorrência de ferimentos sofridos numa prisão israelense. Quando Aziz sugeriu que continuassem trabalhando juntos pela paz, Maoz não hesitou.
A colegas que demonstraram incredulidade diante da rapidez com que ele intensificou seu ativismo após perder os dois pais, Maoz disse: “Quando uma pessoa se perde no deserto, ela clama por água. Quando uma pessoa se perde nesse tipo de luto, é normal clamar por paz.”
Desde então, Maoz e Aziz têm viajado o mundo juntos. Em maio de 2024, falaram ao papa Francisco e a doze mil construtores da paz em Verona, na Itália. Receberam uma ovação de pé e um abraço do papa. Um ano depois, encontraram-se com o papa Leão XIV no Vaticano. Em dezembro de 2025, Maoz recebeu o prêmio Champion of Shared Society por seu trabalho em prol da convivência pacífica entre judeus e árabes em Israel.
O livro deles, O Futuro é a Paz: Uma Jornada Compartilhada pela Terra Santa, escrito em coautoria com o ativista palestino Hamze Awawde, tem lançamento previsto para abril de 2026.
Antes de 7 de outubro, Maoz havia passado vinte anos construindo pontes. Em 2005, criou uma pousada na Cidade Velha de Nazaré em parceria com uma família árabe local, com o objetivo de revitalizar a área e servir como plataforma de diálogo intercultural. Mais tarde, fundou a rede Abraham Hostel em Jerusalém, que se tornou a maior cadeia de hostels de Israel.
“Durante 20 anos tive parceiros da Palestina, da Jordânia e do Egito. Eu sei que israelenses e palestinos podem viver juntos porque vivi isso.”
Vinte e três anos antes, e centenas de quilômetros ao sul, em Belém, na Cisjordânia, outra história se desenrolava.
Layla Alsheikh nasceu e cresceu na Jordânia. Estudou contabilidade e gestão empresarial. Em 1999, casou-se e se mudou para Belém, realizando o que chamava de seu sonho de vida: retornar à Palestina.
Na madrugada de 11 de abril de 2002, seu filho Qussay, de seis meses, começou a ter dificuldades para respirar após soldados israelenses lançarem gás lacrimogêneo em sua vila. Layla tentou levá-lo às pressas ao hospital, mas soldados israelenses a impediram de fazê-lo por mais de cinco horas.
Qussay morreu naquela noite por falta de atendimento médico em tempo hábil.
Durante quatorze anos, Layla carregou seu luto em silêncio. Nunca buscou vingança. Nunca contou aos outros filhos como o irmão havia morrido, relutante em arrastá-los para o que chamava de um ciclo de violência.
Em 2016, uma amiga a convidou para uma reunião do Parents Circle–Families Forum, uma organização que reúne famílias israelenses e palestinas que perderam entes queridos no conflito.
A primeira reação de Layla foi: “Você está louca?”
Mesmo assim, ela foi. Na primeira reunião, sentou-se em silêncio, ouvindo outras mães contarem suas histórias: uma mãe que perdeu o filho em um atentado suicida em Jerusalém; uma mãe que perdeu o filho em um bombardeio em Gaza; uma avó que perdeu a neta em um ataque com foguete.
Layla percebeu que todas choravam da mesma forma. Todas tinham o mesmo vazio no peito. Todas acordavam pela manhã e precisavam de alguns segundos para lembrar que aquilo tinha realmente acontecido.
Na segunda reunião, Layla falou. Contou sobre Qussay. Sobre as cinco horas no posto de controle. Sobre segurar o corpo do filho enquanto ele ficava cada vez mais leve em seus braços. Quando terminou, uma mãe israelense atravessou a sala e a abraçou sem dizer uma palavra.
“Uma das mulheres israelenses se levantou e me disse: peço desculpas a você em nome do meu povo. Eu também sou mãe e sinto a sua dor. Ela não sabia que, com essas palavras simples, tinha me trazido de volta à vida.”
Layla voltou para casa e chorou como não chorava havia anos. Mas era diferente. Não apenas dor, havia também um tipo de alívio que ela não conseguia explicar.
Não há indícios de que Maoz e Layla já tenham se encontrado. Eles atuam dentro do mesmo movimento, mas seguem caminhos separados. Maoz viaja o mundo com Aziz, falando para plateias, encontrando papas, escrevendo livros. Layla participa das reuniões do Parents Circle em Belém, senta-se com mães israelenses e se recusa a permitir que a morte do filho sirva de justificativa para que outros filhos morram.
Desde 7 de outubro, as reuniões do Parents Circle tornaram-se mais difíceis. Os membros vivem em mundos distintos, moldados por ambientes midiáticos diferentes. Quase todos os membros palestinos perderam numerosos familiares em Gaza durante a guerra. O governo israelense proibiu o Parents Circle nas escolas, embora muitas escolas tenham desafiado a ordem.
Em um evento recente, alguém perguntou diretamente a Layla como ela conseguia conciliar genocídio e ocupação ao fazer esse trabalho com israelenses.
“Nem tudo eu posso perdoar.”
Ela descreveu suas próprias experiências com a violência de colonos sancionada pelo exército na Cisjordânia. O trabalho do Parents Circle, enfatizou, não exige perdão nem esquecimento. Exige apenas o reconhecimento da humanidade daqueles que estão sentados do outro lado.
Maoz não esqueceu que o Hamas matou seus pais. Layla não esqueceu as cinco horas no posto de controle. Nenhum dos dois perdoou. Mas ambos decidiram que seu luto não será transformado em arma, que sua perda não será usada para justificar mais perdas.
“Durante 60 anos, meu pai foi agricultor. Durante 60 anos, ele semeou trigo nos campos de Israel. E não importava o quão devastador tivesse sido o ano anterior, por enchentes ou por seca. Ele sempre semeava novamente. E eu perguntava: papai, o que você está fazendo? Por que não desiste? Por que não faz outra coisa? E ele sempre me dizia: Maoz, meu filho, o ano que vem será melhor. O ano que vem será melhor. E eu tenho a capacidade de torná-lo melhor.”
Maoz não pode mais semear trigo nos campos do pai. O kibutz ainda está se recuperando. Muitos vizinhos foram embora. Mas ele continua o trabalho em que seus pais acreditavam: construir pontes, conduzir viagens que aproximam israelenses e palestinos, falar para públicos ao redor do mundo.
“A esperança não é um sentimento que eu espero chegar. Eu faço esperança. A esperança é um esforço coletivo, algo que criamos juntos.”
Layla não pode trazer Qussay de volta. Não pode desfazer as cinco horas no posto de controle. Não pode apagar a memória do corpo do filho ficando mais leve em seus braços. Mas ela continua frequentando as reuniões do Parents Circle, continua sentando-se com mães israelenses e continua se recusando a deixar que o trauma defina completamente quem ela é.
Nenhum dos dois acredita que esteja mudando o mundo. Nenhum dos dois tem ilusões de resolver o conflito. Mas ambos fizeram uma escolha: recusam-se a deixar que seu luto se transforme em ódio.
A indignação moral só tem valor quando é universal. Quando se torna seletiva, previsível e dirigida sempre aos mesmos alvos, ela deixa de ser princípio ético e passa a ser instrumento de discriminação.
Em certos casos, mais do que isso: converte-se em manifestação objetiva de racismo.
No Brasil, essa afirmação não é retórica nem provocação ideológica. O Supremo Tribunal Federal já fixou entendimento inequívoco de que o antissemitismo é espécie do gênero racismo. Trata-se de definição jurídica consolidada. Hostilizar judeus — direta ou indiretamente — enquanto grupo identitário, religioso, étnico ou nacional configura racismo, ainda que sob o disfarce de discurso político ou moral. Hostilizar israelenses em função da sua descendência ou origem nacional, diz a lei, também é racismo.
Esse entendimento está expresso na Lei nº 7.716, de 1989, e não comporta ambiguidades interpretativas.
O problema contemporâneo é que esse racismo raramente se apresenta de forma explícita. Ele opera, com frequência, por meio da indignação seletiva.
O padrão é facilmente identificável. Determinados conflitos geram condenações imediatas, linguagem extrema e mobilização diplomática intensa. Outros, igualmente graves – ou até mais letais – , são tratados com silêncio ou cautela retórica.
Desde dezembro de 2025, um massacre em curso no Irã, marcado por repressão estatal violenta, execuções e elevado número de vítimas civis, transcorre praticamente sem reação proporcional do governo brasileiro. Não houve discursos inflamados nem condenações reiteradas. O silêncio é eloquente
Há relatos recentes de execução de feridos ainda deitados em macas hospitalares, além da prisão de médicos e profissionais de saúde cujo único “crime” foi prestar atendimento a manifestantes feridos. Médicos relatam dezenas de milhares de mortos em poucas semanas. Tudo isso ocorre sob a complacência retórica de um governo que insiste em propor o “diálogo”.
Diálogo? Diálogo entre um povo oprimido e massacrado e seus algozes?
É como se Luiz Inácio Lula da Silva propusesse um diálogo entre Alexandre Vannucchi Leme e o coronel Brilhante Ustra enquanto o estudante ainda estava pendurado no pau de arara. Ou um diálogo entre Dilma Rousseff e esse mesmo torturador, entre uma e outra sessão de choques elétricos
Esse comportamento contrasta com a postura adotada em relação a Israel, alvo recorrente de condenações sumárias e enquadramentos morais excepcionais. A diferença de tratamento não se explica por critérios humanitários objetivos. Ela revela a escolha reiterada de um alvo simbólico.
Quando essa seletividade parte do próprio Estado, o problema deixa de ser apenas retórico. A política externa do governo liderado por Luiz Inácio Lula da Silva tem exibido uma assimetria moral persistente: condena-se com dureza um único Estado; relativizam-se ou ignoram-se atrocidades cometidas por outros.
Não se trata de blindar Israel contra críticas legítimas. Criticar políticas e governos quando eles se excedem é próprio do debate democrático. O que não é legítimo é transformar um país e seu povo em exceção moral permanente. Menos ainda é tolerar a exclusão de israelenses, enquanto indivíduos, em ambientes acadêmicos, culturais ou institucionais, com base apenas em sua origem nacional.
Israelenses e judeus passam a ser responsabilizados coletivamente de modo obsessivo e contínuo pelo que um governo de ocasião fez ou deixou de fazer.
Historicamente, o antissemitismo jamais se apresentou como ódio puro e explícito. Sempre se revestiu de justificativas morais: combate ao poder, denúncia ética, causa civilizatória. Hoje, reaparece sob a forma de militância seletiva, onde apenas um povo é permanentemente responsabilizado pelos males do mundo.
Defender civis palestinos é legítimo e necessário. Usar essa defesa como pretexto para demonizar judeus, hostilizar israelenses ou hierarquizar vítimas não é solidariedade — é preconceito.
Quando um governo escolhe quem merece indignação e quem merece silêncio, ele não está defendendo direitos humanos. Está exercendo poder simbólico. E quando esse poder recai sempre sobre a mesma identidade, não há mais espaço para eufemismos.
Um governo que se indigna seletivamente pode reproduzir uma lógica racista.
Chamar isso pelo nome não é exagero.
É precisão jurídica, honestidade intelectual e responsabilidade histórica.
Charles Schaffer Argelazi,
Advogado, Cientista Social e um social-democrata irresoluto
Devotos da ordem totalitária, do terror! atenção! Atenção!
Viva os líderes!
Khomeini, Khamenei!
Nossos irmãos, os aiatolás do Irã, precisam de nós.
A revolução islâmica está sob ataque.
Este é um momento ímpar. Um chamado histórico.
Conclamamos todos. Contribuam. Contribuam!
Os aiatolás já não conseguem mais matar em paz.
Cada corpo que cai nas calçadas produz, vejam só, novos e novos manifestantes. Brotam das esquinas, das escolas, das casas, das ruas — uma epidemia de gente viva.
Ingratos!
Ingratos estes iranianos.
Ingratas estas mulheres, cuja moral os aiatolás tão zelosamente preservam sob o cerco dos panos pretos, que ocultam rostos, corpos e hematomas — marcas nem tão discretas da legítima violência doméstica, essa instituição milenar.
Como ousam essas ingratas sair às ruas pedindo liberdade?
Sabem elas, afinal, o que é liberdade?
E vejam a que ponto chegamos: nem torturar conseguem mais, os pobres carracos dos aiatolás.
Faltam mangueiras para violar gestantes.
Falta eletricidade para choques nos genitais de adolescentes.
Faltam baldes para afogar manifestantes.
Faltam mortalhas, covas rasas!
Faltam balas.
Imaginem! Cartuchos em falta!
Observem a tragédia: apenas 500 mortos em três dias. Uma miséria. Uma escassez inadmissível.
E, para coroar a humilhação suprema, faltam até pedras.
Não há pedras suficientes para exercer o mais singelo dos direitos previstos na Sharia: apedrejar gays até a morte.
Que crueldade, às vezes, a vida impõe a estes pobres torturadores do Irã!
É hora de recorrer à experiência histórica. Realismo, Austeridade! Afinal falta tudo, dinheiro, petróleo, comida, água e ar!
Os devotos do totalitarismo podem ajudar. Eis o chamado à gloriosa NKVD, escola de Beria e Yezhov, em defesa de uma Yezhovshchina eficiente e barata!
Tortura, sim — mas com austeridade.
Os tempos são de contenção fiscal. Nada de luxos elétricos, nada de desperdício hidráulico. Priorizar métodos de baixo custo, alta repetição e mínimo investimento:
o medo sustentável, o sofrimento reciclável, a repressão responsável.
Em Teerã está fazendo menos de dez graus, está frio, qualquer golpe, um chicote improvisado, um cabo de rifle, cassetetes, bastões, barras de borracha, cordas, tudo isto, machuca, fere, e com um mínimo de pressão fiscal
Lembranças das celas geladas da Sibéria, a privação de sono contínua, a stoyka , o pão reduzido e as mortes por inanição.
Tudo feito sob medida para a garantir a restrição orçamentária.
Devotos do totalitarismo e do terror, do mundo inteiro, uni-vos!
Viva a Revolução Islâmica! Viva o Líder!
O Irã precisa de vocês.
Contribuam. Contribuam!
Nossos irmãos precisam de nós.
Charles Schaffer Argelazi
Advogado e Antropólogo
Sócio da Argelazi Advocacia