Um piromaníaco no poder

Um piromaníaco no poder

Onde há fumaça, há fogo. Escutei isso muitas vezes na minha infância e desta vez foi muita fumaça, muita mesmo.

Todos os anos nesta época agricultores fazem queimadas. Estados do Norte e Centro Oeste são os mais atingidos. Os governos passados atuaram muito contra este fenômeno. O INPE fazia varreduras diárias e satélites apontavam os locais para os fiscais no solo autuarem os infratores. Sempre foi uma guerra diária no final do inverno.

Desta vez as coisas foram diferentes. O INPE foi literalmente castrado e seu trabalho, reconhecido mundialmente, menosprezado pelo novo poder do Brasil. Seu presidente afastado e seus dados que mostravam um aumento das queimadas acima do normal, totalmente desprezado.

A mensagem foi captada pelos criminosos e o fogo aumentou como não se tinha notícia há uma década pelo menos. A Floresta Amazônica chorou, o mundo se escandalizou com a total apatia dos órgãos governamentais. Nada foi feito para combater o fogo ou diminuir o ímpeto criminoso de conhecidos infratores. Os incendiários entraram em êxtase.

Com um presidente sem noção da gravidade do momento e das consequências que este crime contra o país e a humanidade pudessem trazer, passou a atacar as ONGS que protegiam a floresta. Só faltou acusar o Saci Pererê. O fogo é uma invenção da mídia.

Noruega e Alemanha já haviam cortado os fundos amazônicos quando perceberam as reais intenções de Bolsonaro, que com um desdém típico de sua ignorância sugeriu que estas nações fizessem uso deste dinheiro para reflorestarem seus próprios países. Não parou aí, ele e sua prole atacaram violentamente o presidente da França.

Existe hoje uma preocupação sobre o aquecimento global e as questões ambientais. Estas questões já são percebidas até pelo cidadão comum. Ações em prol do planeta já são um imperativo e aqueles que não contribuem, ou que de alguma forma prejudicam o meio ambiente, são imediatamente identificados e boicotados. O nome do Brasil foi jogado na lama e pedidos de boicote a produtos brasileiros já surgem em diversos países.

O Brasil está se encaminhando para se tornar um pária ambiental. O país do futebol e do carnaval vai ficando conhecido como o assassino da floresta que corresponde por 20% do oxigênio que o mundo respira. As coisas não vão ficar em boicotes a produtos nacionais, sanções governamentais podem vir a ser tomadas pelas maiores potências mundiais, e serão pesadas.

Bolsonaro se supera a cada dia e já disse que quem manda é ele. O cara é o dono da bola e age de maneira infantiloide. Praticamente todas as suas decisões são coisas de criança mimada. Quero correr nas estradas, então tirem estes radares e me deixem em paz. Quero estacionar onde quiser e passar em sinais vermelhos, então dobrem o número de pontos da carteira de motorista. Meus filhos são o máximo, então parem de investigar suas façanhas e meu rebento vai ser embaixador nos EUA. Os ambientalistas são uns “ecochatos”, então que se libere as queimadas.

Eu realmente não sei se é caso de impeachment, de interdição, ou os dois. O mal que ele está causando ao país é imensurável, isso que este piromaníaco ainda não completou ainda um ano no poder. Se o que vimos até agora é só o “esquenta” para o rol de maldades que ainda estão por vir, pobre do Brasil.

Não temos mais tempo a perder. É preciso começar a pensar agora como tirar este inepto da presidência o quanto antes. O tempo urge e nada é mais importante do que salvar o país deste desastre. Tarde já é e a recuperação será difícil. Não existe outro caminho.

 

O círculo vicioso do ódio

A cena bem que poderia fazer parte de um filme, ou um destes seriados novos da Netflix. Duas crianças cruzam um portão, se aproximam dos policiais que fazem a segurança do local, sacam suas facas e atacam o primeiro policial mais próximo. São várias tentativas de esfaqueá-lo, algumas bem-sucedidas, até que os demais seguranças saquem suas armas e comecem a atirar. Uma das crianças é morta, a segunda gravemente ferida. O segurança também acaba ferido levemente. Um funcionário palestino que estava na rua também é ferido por uma bala perdida.

Esta cena é real, aconteceu ontem, 15 de agosto em Jerusalém. Quem vive aqui já convive com este tipo de ataques que acontecem esporadicamente, mas até agora, cometidos principalmente por adultos ou adolescentes. As vítimas atacadas vão desde simples transeuntes, passando por eventuais turistas e forças de segurança. Em quase sua totalidade os perpetuadores são mortos pela polícia o que faz destes ataques uma ação suicida.

Infelizmente as coisas não terminam com a morte dos atacantes, que aqui são chamados de terroristas. Em poucos dias as casas onde viviam, e não importa se sós ou com suas famílias, será destruída numa forma de punição coletiva. Todos vão pagar pelo crime. A tragédia atinge a todos.

Existem todo tipo de explicações para estes atentados. A ocupação dos territórios palestinos há mais de 50 anos é o mais simples. No entanto, eu acho que a desumanização do outro é o principal. Para boa parte dos israelenses, os palestinos são todos terroristas que mais cedo, ou mais tarte, vão atacar Israel para expulsar todos os judeus da Palestina. Do outro lado, boa parte dos palestinos acredita que os sionistas israelenses são monstros culpados por todos seus problemas. O conflito que teve seu ápice na criação do Estado de Israel segue cobrando vidas.

A mídia israelense e a palestina em nada contribuem, com poucas exceções, para desconstruir este dueto terrorista e sionista. Ambas empregam estes termos no dia a dia da cobertura de tudo o que acontece de mal em Israel e nos territórios. No início desta semana um jovem religioso de 19 anos foi covardemente assassinado quando retornava para seu local de estudos nos territórios ocupados. Aparentemente foi escolhido a esmo. Estava no lugar errado, na hora errada quando um grupo de jovens palestinos passou por ele e decidiram matá-lo.

Infelizmente a educação de israelenses e de palestinos não é direcionada para a paz e a convivência em comum. Todos são demonizados e como representantes do mal, se justifica maltratá-los e acabar com suas vidas. É o círculo vicioso do ódio.

A solução do conflito ainda é política, mas sem uma revolução na educação de ambos os povos, está cada dia mais difícil e vai se tornando um problema de difícil solução. Com o aumento da colonização dos territórios palestinos ocupados, a solução da dois estados vão diminuindo diante da impossibilidade de se constituir um estado palestino com uma continuidade territorial. Não bastasse a necessidade de uma ligação terrestre com Gaza, os centros populacionais palestinos estão sendo cercados por colônias judaicas.

Num cenário onde os palestinos estão radicalmente divididos com dois governos que não se entendem, um na Cisjordânia e outro em Gaza, e um governo nacionalista e xenófobo em Israel, encontrar uma maneira de voltar a mesa de negociações para tratar de um acordo de paz, não é tarefa simples, é quase impossível.

No início de setembro teremos eleições em Israel novamente. Nas últimas, o partido de Bibi que não conseguiu formar um governo, dissolveu o parlamento recém-eleito e novas eleições foram convocadas. O problema é que as pesquisas apontam que a situação vai se repetir. Nem a direita, tampouco a esquerda conseguem atualmente obter maioria para formar um governo. São necessários 61, ou mais cadeiras em um parlamento com 120 eleitos.

Uma possibilidade seria um governo com os dois maiores blocos que juntos devem ter 60, ou pouco mais de cadeiras, e um terceiro partido formarem o governo. O bloco do centro diz que não senta em um governo com Bibi. Já o bloco de Bibi diz que ele é o único líder deles para formar um governo.

O terceiro partido, formado principalmente por imigrantes russos, diz que não senta em um governo com religiosos e aceita formar o governo de coalizão com os dois maiores blocos. Mas Bibi diz hoje que não aceita um governo assim sem os religiosos.

Os partidos árabes não são convidados por ninguém e devem ter em torno de 10 a 12 cadeiras. A extrema direita seria parceira natural de Bibi, mas já estão brigando entre si e com Bibi. A esquerda reunida no bloco Campo Democrático só aceitaria fazer parte de um governo com o centro, assim como o já diminuto Partido Trabalhista.

O conflito com os palestinos não é o tema mais importante tratado pelos partidos. A situação da economia, da educação, da saúde e da segurança são os tópicos mais importantes.

É neste cenário que inicialmente duas congressistas norte-americanas foram impedidas de entrarem em Israel. Não por casualidade muçulmanas e críticas das políticas do governo de Israel. Quando eu escrevia este artigo, uma delas, Rashida Tlaib, filha de emigrantes palestinos, teria tido seu pedido humanitário de rever sua avó muito doente sido aceito e sua entrada permitida.  Na sequência ela desistiu da visita.

A decisão do governo provisório israelense de barrar as congressistas, em um apoio tácito ao presidente Trump que é um desafeto delas, terá graves consequências para Israel.

 

 

 

 

 

Quem é este homem?

Quem é este homem que nasceu em Garanhuns, Pernambuco para tornar o Brasil admirado na comunidade Internacional?

Que juntamente com sua mãe e seus irmãos, enfrentou 13 dias de viagem em um caminhão pau de arara, concretizando o trajeto executado por milhares de migrantes que deixaram o Nordeste em direção a São Paulo?

Que ainda criança, vendeu tapioca, laranjas e amendoim nas ruas?

Que se formou torneiro mecânico pelo Senai e mais tarde líder sindical que fez tremer a ditadura militar brasileira?

Lula Livre!

Quem é este homem que através do movimento grevista ingressou na vida política?

Que como resultado da sua militância, chegou a passar 31 dias preso com base na Lei de Segurança Nacional?

Que tentou ingressar na política pelas urnas em 1982, quando concorreu ao governo de São Paulo?

Que dois anos depois elegeu-se deputado federal constituinte?

Lula Livre!

Quem é este homem que sofreu três derrotas em disputas presidenciais em 1989, 1994 e 1998, e não desistiu?

Que em 2002, foi eleito presidente do Brasil com 53 milhões e votos?

Que em 2006 foi reeleito com 58 milhões de votos?

Que se tornou o presidente com a maior aprovação popular desde que foram instituídas as pesquisas de avaliação no Brasil?

Lula Livre!

Que é este homem em cujo governo o Brasil teve estabilidade econômica e retomou seu crescimento?

Que reduziu a pobreza e a desigualdade social?

Que governou com um crescimento de 32,62% do PIB?

Que assumiu com uma inflação de anual de 12,53% e entregou com 5,90%?

Lula Livre!

Quem é este homem que fez a Reforma do Judiciário?

Que realizou os Jogos Pan-Americanos de 2007?

Que realizou a Copa do Mundo FIFA de 2014?

Que realizou os Jogos Olímpicos de 2016?

Lula Livre!

Quem é este homem que criou o Bolsa Família para combater a fome e a pobreza beneficiando 11 milhões de famílias?

Que criou o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) beneficiando 875 mil crianças e adolescentes?

Que criou o Programa Luz para Todos beneficiando 7,2 milhões de famílias rurais?

Que criou o Programa Educação de Jovens e Adultos beneficiando 8,9 milhões de pessoas?

Lula Livre!

Quem é este homem que criou o Programa Universidade para Todos (ProUni) beneficiando 2,55 milhões de estudantes?

Que com o Programa Mais Escola, ampliou a jornada de 57 mil escolas públicas para, no mínimo, 7 ou mais horas diárias?

Que renovou e ampliou a frota de veículos escolares da rede pública para atender o maior número possível de crianças?

Que com o Programa Reuni permitiu que a universidade pública chegasse ao interior do país sendo criados 173 campi universitários e 18 universidades federais?

Lula Livre!

Quem é este homem que o Presidente Barack Obama chamou de “O Cara”?

Que se sentou ao lado dos líderes das maiores nações do mundo de igual para igual?

Que colocou o Brasil entre os maiores produtores de petróleo do mundo?

Que acabou com a fome no Brasil e levou 50 milhões de brasileiros para a classe média?

Lula Livre!

Quem é este homem que balançou os alicerces da Casa Grande?

Que ousou realizar a inclusão social diminuindo as diferenças socioeconômicas entre os brasileiros?

Que andou nas ruas carregado pelo povo sem nunca sofrer um arranhão?

Que no dia de sua injusta prisão foi abraçado por milhares de pessoas na maior demonstração de reconhecimento de um presidente do Brasil?

Lula Livre!

Quem é este homem que, sem provas, foi falsamente acusado, teatralmente julgado e injustamente preso?

Que hoje assiste à exposição pública dos atos espúrios de seus algozes?

Que sabemos todos de sua inocência?

Que aguarda serenamente por sua liberdade?

Lula Livre!

Quem é este homem que o Papa Francisco pede pela sua liberdade?

Que Bernie Sanders, Noam Chomsky e dezenas de outras celebridades pedem por sua liberdade?

Que mobiliza centenas de comitês no Brasil e no exterior por sua liberdade?

Que se iguala a Mandela, Gandhi, Fidel e Luther King, líderes que também foram aprisionados, mas nunca calados?

Lula Livre!

Quem é este homem que expõe a ditadura da toga?

Que sofreu com conluio de uma quadrilha formada por um juiz com um grupo de procuradores?

Que ainda vê juízes atentarem contra sua vida rasgando a Constituição?

Que consegue mobilizar parlamentares de todos os partidos e o STF em mais um episódio de injustiça contra ele?

 

Este homem se chama Luiz Inácio Lula da Silva, quem governou pelo povo, para o povo e através do povo vai voltar.

 

 

 

 

 

 

Somos as bananas

É um verdadeiro mistério as nuances da justiça. O que deveria ser a garantia dos direitos do cidadão e a guardiã da constituição, nem sempre se comporta assim. A justiça deveria ser igual para todos, mas parece que existem os mais iguais e os menos iguais.

Desde sempre o homem se desentendeu entre seus iguais. Quando uma simples conversa não resolvia, foi preciso pedir auxílio a um terceiro que tendo escutado as partes, diria quem tem razão. De uma maneira muito simplista, se buscava um juiz. A origem da palavra vem do latim, aquele que julga.

Aquele que vai julgar precisa ser isento. Precisa escutar os argumentos das partes como iguais. Tem que ser conhecedor das leis, e acima de tudo, saber aplicá-las. Jamais quem vai julgar pode participar da investigação, o que seria uma forma de favorecimento a uma das partes. Ele está equidistante delas.

Nós estamos assistindo dia a dia a revelação do conluio entre o ex-juiz Sergio Moro e a equipe do MPF, que juntos compunham a Força Tarefa conhecida como Lava Jato. Quando digo “juntos”, estou me referindo ao fato de que nada acontecia sem o conhecimento e concordância de ambas as partes. Neste caso, o juiz que investigava, era o mesmo que julgava. Uma aberração jurídica.

O que eles faziam já era de conhecimento público e suas arbitrariedades como o uso da prisão preventiva, delação premiada, favorecimento de informações para a mídia com o intuito de pressionar as instâncias superiores, foi largamente denunciado pelos advogados das partes. Agora sabemos como estas coisas eram combinadas entre eles, com que propósito e a quem interessava mais.

O vem acontecendo nestas últimas semanas, de maneira contundente, são as manifestações ocorridas fora dos autos que confirmam a ligação umbilical entre Moro e os procuradores. O aplicativo Telegram tornou-se um apêndice do processo legal. Nele se combinavam ações, se adiantavam decisões e até mesmo se sugeriam investigações fora de sua alçada.

O presidente Lula foi a vítima mais conhecida e de maior relevância desta quadrilha, mas não a única. A maior vítima de todas foi a eleição presidencial que por ações e omissões dos quadrilheiros acabou sendo fraudada ao retirarem do pleito ele, o candidato que liderava as pesquisas.

Ninguém pode aceitar a manipulação da justiça em favor de quem quer que seja. Com certeza isso irá se voltar contra quem pensa que os fins justificam os meios. Uma país com uma justiça corrupta, é um país sem futuro.

Em qualquer um dos três poderes de uma nação podemos vir a encontrar corruptos. Isto acontece em praticamente todos os países do mundo. O que vai diferenciar uns dos outros, é a capacidade de lidar com a corrupção. Como ela é investigada, julgada e eventualmente punida. É a diferença entre uma nação moderna e uma República das Bananas.

Infelizmente somos as bananas. Somos o país liderado pelos que duvidam da mensagem e quer prender o mensageiro, e que acreditam nas razões do criminoso para o cometimento do crime em nome de um suposto bem maior. Somos aqueles que ainda não viram o tamanho da sua força quando unidos.

Agora que um dos crimes cometidos diz respeito a membros do STF, talvez a maior instância da justiça tome alguma providência. Será ela magnânima, ou será ela seletiva. Estes juízes vão entender que o que os atinge vem do fruto da árvore envenenada, ou serão eles capazes de enxergarem somente a fruta que lhes coube?

A verdade é uma só, e não cabe dúvida. Todo o trabalho da Lava Jato foi comprometido e todos os processos devem ser anulados. Aqueles membros da justiça que cometeram crimes têm que ser levados a julgamento. Um membro do judiciário que se torna um criminoso deveria ter uma pena maior do que o cidadão comum.

As eleições devem ser anuladas e novas eleições marcadas para tirar o país desta situação, onde um grupo de promotores, e um juiz de primeira instância, se aliaram para permitir que o mais inepto dentre todos os candidatos fosse eleito presidente do Brasil.

Está mais do que na hora das ruas rugirem nosso descontentamento e desaprovação destes acontecimentos. O Brasil é um navio sem timoneiro. Não estamos mais fora do curso, estamos literalmente à deriva e fazendo água. Até os ratos já estão abandonando o navio, muitos dos quais são justamente aqueles que ajudaram e contribuíram para chegarmos a esta situação.

Basta de complacência. Cada dia deste governo e tudo que vem dele é um desastre de proporções astronômicas. Continuando neste ritmo e em breve o navio vai a pique com todos os que estão nele.

Bananas, as ruas!

 

 

 

 

 

 

 

O Ignorante Feliz

O Ignorante Feliz

Como muitas coisas na vida, existem alguns tipos de ignorantes. Um deles é o que reconhece a sua ignorância e busca se informar, ou cercar-se de quem pode suprir o conhecimento que necessita O outro tipo, o que mais me assusta, é aquele que não obstante a sua ignorância, ele acha que nada lhe faz falta.

Ninguém é ignorante em tudo. O ser humano tem suas limitações normais sobre o conhecimento, até porque temos assuntos que nos interessam mais, outros menos, e até alguns que nada nos interessa saber.

Ao longo da vida vamos nos defrontando com ignorantes. No trabalho, por exemplo, as vezes temos um chefe que sabe menos do que nós e somos obrigados a aturar isso. Na saúde, uma boa razão para se procurar uma segunda opinião, é porque até mesmo médicos eventualmente fazem diagnósticos equivocados, não raro, por ignorância. Ninguém vai passar pela Terra sem se defrontar com ignorantes.

Tomara todo ignorante ficasse no seu lugar e não tivesse em mãos poderes que são incapazes de lidar. Imaginem um médico recém-formado realizando uma cirurgia de alto risco sem nenhum acompanhamento. Um recém-formado engenheiro construindo uma Usina Atômica. Sim, sempre podem existir exceções, mas deu para entender o que eu quero dizer.

O que está acontecendo com o nosso presidente e o seu ministério de notáveis ignorantes em geral, e o seu ministro da justiça, em especial, é o pior dos cenários. Todos ali acham que não precisam de nenhuma assessoria porque sabem tudo sobre tudo. São de dar vergonha a uma enciclopédia.

O Bolsonaro e o Moro não fazem merda porque sejam más pessoas, eles fazem acreditando que estão agradando e com a convicção de que agem de boa fé no interesse do povo. Não se trata de um complô maquiavélico premeditado, se trata da união entre a ignorância e a soberba do poder.

Qualquer pessoa com um mínimo de bom senso, sabe que não devemos ser mal-educados e que as piadinhas maldosas devem ser contadas em fóruns íntimos ou desprezadas de vez. Ninguém deve fazer bullying com outra pessoa, uma regra básica da boa convivência. Temos um presidente que por pura ignorância, ignora todas estas regras. Não vê mal algum em chamar os nordestinos de “paraíbas”. De visitar um museu judaico em memória dos seis milhões de judeus assassinados pelos nazistas e dizer na saída que devemos perdoá-los.

Quando Moro diz que não existe nada nos seus comentários com os procuradores que seja comprometedor, ele não está sendo cínico, ele está dizendo o que realmente sente. Do alto da sua ignorância ele é incapaz de reconhecer que tenha agido de má fé. Ter ajudado a acusação no processo que julgou não tem nada de mais. Adentrar em uma investigação que corre em segredo de justiça, avisar as pessoas que supostamente tiveram sido importunadas e dizer a elas que não se preocupem, todas as provas serão destruídas, é perfeitamente normal.

Bolsonaro, Moro e o resto dos ministros deste governo são o expoente do pior pesadelo que o Brasil já teve na sua história republicana. Parecem aquele cara que só terminou o primário, conseguiu entrar na academia de polícia, vestiu o uniforme e na rua vai peitando todo mundo que encontra pela frente. O cara é polícia e sempre tem razão. Quando não tem, ele vai plantar uma prova que parecer que tinha. E na boa, ele acha que está agindo corretamente.

Eu quero confessar que de informática me encontro entre aqueles que têm algum conhecimento um pouco acima do básico. Leio bastante, tenho interesse, mas não domino linguagem de computador. Por isso, para falar do Hacker de Araraquara, só posso argumentar até onde a razão me permite.

Em Israel existe uma empresa chamada NCO que ficou conhecida mundialmente, no ano passado, depois que o seu programa de clonagem de celulares, chamado Pegasus, foi utilizado pela Arábia Saudita para atrair o jornalista Jamal Khashoggi para sua embaixada na Turquia, onde foi morto e feito em pedacinhos, literalmente.

O custo deste programa chega a centenas de milhares de dólares. Normalmente é vendido somente para órgãos de segurança governamentais e, segundo dizem, vale cada dólar investido. Agora temos de aceitar que a empresa vai quebrar, já que um Hacker brasileiro consegue a mesma proeza com a maior facilidade.

Para um órgão governamental obter o número do celular de alguém, não é uma tarefa muito difícil, legal ou ilegalmente. Mas para um indivíduo como nós, a história é outra. A não ser que o celular do Moro fosse de domínio público e pudesse ser encontrado em qualquer site ou mídia social, a pergunta inicial é como o Hacker de Araraquara conseguiu o seu número?

Para acessar o celular, estão informando de que se pode obter nas lojas do Google e da Apple um aplicativo que assume qualquer número de celular que desejarmos. Assim, foi possível “colocar” o mesmo número do celular do Moro no aparelho do Hacker. Fácil assim, se for procedente.

Agora bastaria baixar o Telegram no aparelho que o aplicativo puxaria o número indicado pelo outro aplicativo, neste caso o do Moro e enviaria uma senha para o celular original. Como não se trata de um clone, a senha chega no celular dele e é preciso obtê-la. Para isso, pede-se ao Telegram que também envie a senha por voz. Usa-se um outro aparelho para fazer a ligação e torcer para que seja atendida pela caixa-postal, se existir uma. A ligação do Telegram também vai cair na caixa postal. A seguir, uma ligação através do aparelho que está com o número do Moro faz a ligação para o celular original dele. Por se tratar do mesmo número, ele consegue entrar na caixa postal, e escutar a senha enviada. Com ela ele completa a instalação. Finalmente ele tem acesso ao Telegram do Moro.

Vamos admitir que tenha conseguido, mas o Telegram já estava desativado desde 2017, e segundo o que é informado pelo aplicativo, todo o seu conteúdo é perdido para sempre e não pode ser recuperado. Informam também que se o usuário não utilizar o programa por seis meses, a mesma coisa acontece.

Talvez eu esteja duvidando dos méritos e da capacidade tecnológica do Hacker de Araraquara. Talvez eu esteja sendo muito cético com relação a dificuldade de se obter o número dele. Posso estar exagerando com relação a existência de um aplicativo nas lojas que permite o celular se passar por outro número escolhido por mim. Admito que acredito nas informações dadas pelo Telegram de que ele não guarda o passado de quem o desinstala. Estou de fato tendo muitas dúvidas com relação a forma banal com que ele obteve todo o material.

Na minha humilde ignorância sobre esta incrível proeza tupiniquim, se confirmada como verdadeira, só posso dizer que preciso aprender muito para chegar aos pés do tal Vermelho do DEM, o Hacker de Araraquara que me fez rever meus conceitos sobre o ET de Varginha.

O Holocausto nosso de cada dia

Há muito se fala sobre o comércio de armas israelense. Um assunto tabu em Israel, ele assombra até os mais céticos com relação a intocável moral do exército. Não que um país fabricante de armas não possa vende-las para outros países, o problema é para que tipo de regimes e com que finalidade este armamento será utilizado.

Em Israel existe um advogado militante dos direitos humanos chamado Eitay Mack que vem peticionando à Suprema Corte de Israel sobre as vendas de armas israelenses para países que praticam o genocídio. Estas vendas acontecem há muitas décadas e sempre foram uma verdadeira caixa preta fechada a sete chaves.

O exemplo mais recente, existem muitos outros, é Myanmar (antiga Birmânia), uma nação do sudeste asiático com mais de 100 grupos étnicos, que faz fronteira com a Índia, Bangladesh, China, Laos e Tailândia. No ano passado o país foi manchete de jornais pela prática de genocídio contra a minoria Rohingya. As Nações Unidas apontaram indícios de “genocídio intencional” e criticaram a passividade da líder do país exigindo que comandantes das Forças Armadas fossem julgados por tribunal internacional. Israel fornece armas para Myanmar.

Existe aqui uma questão ética e moral: como é possível um país que nasceu nas cinzas do Holocausto, um genocídio cuja brutalidade e especificidade gerou uma denominação única para ele, que suspende todas as atividades no dia da sua lembrança, durante um minuto, ao som das sirenes antiaéreas, pode vender armas para países cujos governos praticam genocídios.

Quando se fala de Israel, atualmente, não há como se deixar de mencionar o conflito com os Palestinos, ainda sem solução. Também com relação a ele começam a surgir provas de que na Guerra da Independência teriam sido cometidas atrocidades para ocupação das terras destinadas ao então Estado Palestino, expandindo as fronteiras e gerando um êxodo de cerca de 600.000 pessoas no que ficou conhecido como a Nakba (catástrofe ou desastre).

Novamente temos aqui o mesmo povo que havia acabado de ser massacrado na Segunda Guerra Mundial, lutando para obter seu Estado Independente, praticando crimes de guerra como o massacre de populações civis. Crimes estes que permanecem impunes até o os dias de hoje e sobre os quais o Estado procura ocultar as provas.

Eu acredito que os acontecimentos históricos sempre precisam ser contextualizados e colocados dentro da sua linha de tempo. As coisas precisam ser estudadas sob duas perspectivas, a do vencedor e a do vencido. Só assim podemos compreender o que de fato aconteceu.

Não conheço nenhuma guerra onde não sejam cometidas atrocidades, algumas das quais até perfeitamente evitáveis, algo que os militares costumam chamar de danos colaterais. Um estranho preço a pagar para se obter uma vitória com menos baixas de seus comandados.

Sem querer entrar no mérito do que é certo e errado, mas apenas falando um pouco daqueles dias e dos tristes acontecimentos, relembro que a ONU aprovou a criação de dois países, um judaico e outro palestino. Um dos lados não aceitou a divisão e não pretendo discutir as razões que levaram a isso. Os palestinos não queriam um Estado Judaico no que acreditavam ser a sua terra. Nem eles e nem tampouco todos os países árabes do Oriente Médio. Tanto assim que imediatamente à declaração da independência, Egito, Iraque, Jordânia, Líbano e Síria declararam guerra a Israel.

Atrocidades foram cometidas pelos dois lados. Soldados judeus foram encontrados mortos com a genitália cortada e enfiada em suas bocas. Corpos de soldados árabes também sofreram mutilações. Não existia ainda um exército israelense de fato. A maior parte era composta por cidadãos que se alistavam para ajudar na guerra sem nenhum treinamento militar, cidadãos que eram transformados em soldados da noite para o dia.  Ainda assim combateram e foram o lado vencedor.

Documentos da época mostram que algumas tropas receberam ordens para entrar em aldeias palestinas, matar todos os homens e expulsar as mulheres e crianças. Isto foi realizado e, em alguns informes dos comandantes, consta também o estupro de mulheres e meninas. Foi desta maneira que parte do Estado foi formado.

Falo sobre estes fatos, porque acredito que sejam importantes serem mencionados e que remetem novamente à questão da venda de armas para países que desrespeitam os direitos humanos. Não podemos nos omitir diante disso e precisamos encarar a verdade de frente, com humildade e retidão.

Os psiquiatras há muito informam que uma pessoa que sofreu violência na infância tem muito mais tendências a repetir esta violência na fase adulta do que uma criança que teve um desenvolvimento amoroso e respeitoso.

Às vezes me pergunto se o fato de sermos um povo que sofreu tanta violência na sua história, se uma parcela do nosso povo carregaria consigo que a violência se combate com mais violência e somente os mais violentos e aqueles dispostos a ela sobrevivem.

É conhecido hoje que as atrocidades cometidas em guerras ocorrem pelas mãos de soldados que tinham uma vida civil simples. Desta maneira, um jornaleiro, um encanador, um entregador de mercadorias são aqueles, dentre outros, os que cometem atrocidades. Infelizmente, os responsáveis pelos crimes de guerra em nome do Estado de Israel são pessoas que convivem conosco no dia a dia.

Hora dizem que somos o povo do livro, hora que somos o povo escolhido e sabemos que nossos profetas nos ensinaram acima de tudo preceitos de justiça. Ainda assim, muitos de nós, têm um comportamento que contraria tudo isso. Por que estas coisas acontecem? Uma resposta simplória seria de que somos um povo como qualquer outro. Será verdade?

O Holocausto ainda é uma dor presente. A minha geração perdeu muitos familiares. Muita gente como eu não conheceu avós, pais, tios e primos que pereceram. Não podemos esquecer e não vamos perdoar, este é o meu mantra. Preciso dizer que se faz uso desta tragédia para outras finalidades que não seja a de ensinar a geração presente e futura do que o ser humano é capaz de fazer contra outro ser humano, e obviamente para que nunca mais venha a se repetir com nenhum outro povo. Um dos usos frequentes desta imensa tragédia é o vitimismo.

Israel usa o Holocausto como uma maneira de lembrar ao mundo, para toda a eternidade, que fomos vítimas de um genocídio. Que em consequência dele é preciso perdoar, entre outras coisas, nossos erros e nossa maneira de agir com o povo palestino e para quem vendemos armas. Tudo que fazemos de errado se justifica como forma de impedir que o Holocausto se repita pelas mãos de outros povos.  Até a pouco eram os árabes que queriam nos destruir, hoje o Irã.  E sempre vamos continuar escutando que o mundo está contra nós.

Nem todos, é verdade. Somos aceitos e de certa forma idolatrados pelos evangélicos pentecostais porque eles acreditam, com toda sua fé, de que quando todo povo judeu retornar para sua terra de direito (neste caso estão incluídos os territórios ocupados), o filho de Deus, Jesus de Nazaré, voltará a terra e o povo judeu irá aceita-lo como o Messias. Por isso existem até mesmo grupos cristãos sionistas.

A antiga Terra de Israel se estendia também pelo que hoje é a Cisjordânia, território onde se encontram muitas localidades bíblicas onde viveram judeus. Mas isso não justifica, sob nenhuma ótica da Lei Internacional, a contínua ocupação destes territórios (há mais de 50 anos) e sua futura incorporação ao atual Estado de Israel. Ainda assim, de maneira lenta e inexorável, Israel vai ocupando estas terras, expandindo ou criando novas colônias e reduzindo a população local palestina que em breve se tornará os Bantus Sul Africanos. Hoje são cerca de 2.200.000 habitantes palestinos.

Evidentemente que existem forças no Oriente Médio que desejam ver Israel ser varrido do mapa, o que quer que isso signifique. Além do Irã, temos a Síria, o Hezbollah, o Hamas, etc. São países e organizações denominadas como terroristas com as quais o diálogo nas atuais circunstâncias é muito difícil, para não dizer impossível.

Assim, se forma dentro do país uma cultura de que precisamos sobreviver a qualquer custo em um mundo de violência que ameaça nossa existência como nação. Dentro deste pensamento, torna-se compreensível que a venda de armas para países que cometem genocídios, seja uma maneira de buscar apoio internacional em uma comunidade que a cada dia nos aponta mais o dedo e que apesar de ainda tolerar algumas de nossas políticas, começam a nos criticar abertamente. Aquela ideia de que o mundo inteiro está contra nós, e qualquer um que se disponha a ser nosso amigo receberá em troca tudo o que desejar, justifica a venda de armas.

Pessoalmente, eu acredito que do ponto de vista diplomático isto é um desastre. A União Europeia antes tão favorável a Israel, está agora cada dia menos. A tentativa de Trump de levar consigo as embaixadas de outros países para Jerusalém foi um redundante fracasso. O pior, entretanto, é ver como fruto desta diplomacia equivocada, a aproximação com países onde o poder se encontra na mão da extrema direita, alguns até com apoio de grupos neonazistas.

Talvez, o que tenhamos que fazer no próximo Dia do Holocausto, quando acendemos cada uma das seis velas em memória dos seis milhões de judeus assassinados pelos nazistas, seja lembrar também os milhares de mortos com o uso das armas fornecidas por nós:

  1. Os milhares de assassinados pelas ditaduras militares latino-americanas.
  2. Os milhares de assassinados pelo regime de Anastácio Somoza na Nicarágua.
  3. Os milhares de assassinados na África do Sul combatendo o Apartheid.
  4. Os milhares de assassinados pelas milícias do Sudão do Sul.
  5. Os milhares de assassinados no Genocídio em Ruanda.
  6. Os milhares de assassinados da etnia Rohingya no Genocídio em Myanmar.

Ainda assim faltariam velas. A ocupação dos territórios palestinos causa uma mortalidade assustadora. Se fossem apenas fruto de embates militares, ou até mesmo de terroristas, alguém poderia talvez encontrar uma explicação. No entanto as mortes, em todas sextas-feiras junto a cerca da fronteira com Gaza, de crianças, médicos, jornalistas e outros civis afastados dos locais das manifestações, não encontram justificativa sob qualquer aspecto do bom senso humano. O uso de munição real quando não causa a morte, na maioria das vezes deixa os atingidos inválidos para sempre.

Creio que existe algo de podre no Reino de Israel. No entanto, em nenhum momento pode-se colocar em discussão nosso direito a um Estado Nacional na Terra de Israel. Este é um fato consumado. Nenhum fato passado, presente ou futuro pode colocar em dúvida de que somos um país no seio das nações com nossos acertos e nossos erros. Israel não pertence ao seu governo, pertence a todos os cidadãos que nele vivem.

Existe também uma outra Israel. Uma nação solidária em catástrofes em qualquer parte do mundo, que cria tecnologias que beneficiam toda a humanidade, que possui uma das medicinas mais avançadas do mundo que atende a todos os seus cidadãos e até mesmo feridos de conflitos além fronteira, onde a comunidade LGBT é plenamente reconhecida e aceita, e onde cidadãos como Eitay Mack, juntamente com organizações como Paz Agora, Gush Shalom, Rompendo o Silêncio, Mulheres pela Paz, Taiush, B’Tselem etc,  partidos como o Meretz, Hadash, Balad e milhares de companheiros da esquerda progressista que como eu, lutam para mudar tudo isso.

Esta Israel é quem pede a solidariedade internacional para se somarem a nós, e não nos isolarem. Somos agredidos pela direita radical israelense de forma sistemática. Nosso trabalho e dedicação a causa palestina cobra seu preço no dia a dia. Atacar Israel, ao invés de atacar seu governo é um erro estratégico. Ele somente fortalece esta direita radical e afasta qualquer solução pacífica do conflito. Mais que isso, ele ajuda a manter no poder a atual liderança que alimenta conflitos com a venda de armamento sem qualquer critério para quem se disponha a pagar por ele.