No dia dezoito de junho, o presidente do Líbano, Joseph Aoun, fez o tipo de coisa que os presidentes libaneses historicamente não fazem, que é olhar para a câmera da CNN e se dirigir ao público israelense como se fossem pessoas com quem uma conversa fosse possível, o que, dadas as circunstâncias dos últimos setenta e oito anos, representa uma premissa ao mesmo tempo otimista e factualmente defensável. Ele perguntou se não estávamos cansados de uma guerra que perdura desde mil novecentos e quarenta e oito, se realmente queríamos viver em paz, e disse que se quiséssemos, tudo o que tínhamos a fazer era sentar e conversar, uma formulação tão razoável que sua simplicidade soou, neste contexto específico, quase como radicalismo.
Aoun chegou à presidência criticando a interferência iraniana nos assuntos libaneses, o que no Líbano é uma postura de coragem comparável a defender a moderação climática em uma convenção de incendiários, e defendendo o desarmamento do Hezbollah, o grupo que destrói o próprio país há décadas em nome de uma causa sobre a qual o Líbano nunca foi consultado. O que tornou aquela entrevista diferente não foi o argumento em si, mas o destinatário pretendido. Os presidentes libaneses tendem a falar de Israel como um problema abstrato em declarações destinadas ao consumo interno. Aoun falou de nós como vizinhos que, como os cidadãos do seu lado da fronteira, acordam todas as manhãs dentro de algo que ninguém, em nenhum dos lados, escolheu ao nascer. Ele disse que este era o momento para que o poder da razão prevalecesse sobre a razão do poder, e essa frase ficou comigo por dias.
Mil e duzentas mulheres israelenses responderam à pergunta que nenhum governo respondeu, não por canais diplomáticos ou declarações oficiais, mas com uma carta aberta assinada por integrantes do Women Wage Peace e do Fórum de Famílias Enlutadas Israelo-Palestino, cujos membros fotografaram as palmas das mãos com uma única palavra escrita em hebraico, em inglês e em árabe, porque em cada uma dessas línguas a palavra soa diferente e a exaustão por trás dela é a mesma. O Fórum é formado por israelenses e palestinos que perderam filhos e decidiram, com essa perda ainda dentro de seus corpos, sentar-se ao lado de quem quer que estivesse do outro lado quando o filho morreu, porque chegaram à conclusão, da maneira mais difícil possível, de que a conversa era a única alternativa ao ódio, e de que o ódio, como estratégia de longo prazo, tem um histórico que fala por si só.
Existe uma diferença entre herdar uma guerra e escolher uma que os nascidos dentro dela raramente conseguem enxergar, porque nunca conheceram o antes, e é nessa diferença que vive a pergunta de Aoun, dirigida não a generais ou políticos, mas às pessoas que, como ele colocou, genuinamente querem viver em paz e ainda não encontraram uma maneira de dizer isso em voz alta de forma que mude alguma coisa. Eu vim de fora, escolhi este país com tudo o que vinha junto com ele, e aprendi que escolher um lugar não é o mesmo que aceitar tudo o que acontece dentro dele como um fato da natureza, da mesma forma que amar alguém não significa concordar com cada decisão, especialmente aquelas que afetam os vizinhos.
A pergunta de Aoun ficou comigo porque era também a pergunta que eu vinha fazendo a mim mesmo, em momentos diferentes, com urgências diferentes, da maneira específica como se formula uma pergunta quando a necessidade de fazê-la não cessa e a resposta continua não chegando. Não estamos meramente cansados de uma guerra que dura desde mil novecentos e quarenta e oito, estamos exaustos, que é o estágio além do cansado e se distingue dele pelo fato de que os cansados ainda esperam descansar enquanto os exaustos começam a questionar o caminho, e mil e duzentas mulheres israelenses disseram isso em voz alta enquanto a guerra ainda estava em curso, que é o único momento em que dizer esse tipo de coisa custa algo real e, por essa razão, o único momento em que dizer esse tipo de coisa significa algo.