Em discurso na sessão do Conselho de Segurança para votar uma resolução dos EUA sobre o conflito, o secretário-geral da ONU, António Guterres proferiu um discurso, no mínimo inapropiado. Não no conteúdo, mas na forma.

“É importante reconhecer que os atos do Hamas não aconteceram por acaso. O povo palestino foi submetido a 56 anos de uma ocupação sufocante. Eles viram suas terras serem brutalmente tomadas e varridas pela violência. A economia sofreu, as pessoas ficaram desabrigadas e suas casas foram demolidas”

Ele disse, em seguida, que “o sofrimento do povo do povo palestino não pode justificar os ataques do Hamas”.

Existe um conflito em andamento, isto é sabido. O problema não é nenhuma novidade.

Imaginem um casal com um histórico de brigas e desavenças com acusações de parte a parte. Todos sabiam disso e ninguém conseguia solucionar. Nenhuma das propostas que eram trazidas acabava aceitas pelas partes. Já eram conhecidos na delegacia local.

Um belo dia, ele entra na casa dela, mata o filho, estupra a filha, joga o animal de estimação pela janela e ateia fogo na moradia.

A polícia é chamada e depois de escutarem as partes c delgado faz o seguinte pronunciamento a imprensa:

“É importante reconhecer que os atos do marido não aconteceram por acaso. Ele foi submetido a uma relação sufocante. Teve sua vida destroçada. Ficou sem dinheiro e acabou desabrigado.”

Nada mais interessa, ninguém mais está escutando qualquer coisa que ele continue falando, nem mesmo explicações e pedidos de desculpas, se fosse o caso. Foi o que aconteceu com a fala do secretário-geral.

Em Israel estamos de luto pelas vítimas do massacre. Estamos aflitos pelos que foram feitos reféns e na expectativa do que venha a acontecer com eles. Estamos sofrendo bombardeios diários. Estamos nos preparando para uma operação por terra. Estamos todos com os nervos à flor da pele.

Guterres não teve a sensibilidade de compreender a situação. Inverteu a sua fala, e terminou por nos insultar sem ter a intenção de fazê-lo. Pegou muito mal quando ele não mencionou inicialmente os crimes de guerra que foram cometidos pelo Hamas, quando não prestou respeito pelas vítimas do massacre, pivô de tudo que aconteceu depois. Aí então poderia na continuação dizer que existe um conflito que precisa ser solucionado. E tentando se explicar só foi tornando o que já era um problema, em um problema maior ainda.

O que poucos se dão conta é de que existem duas situações distintas. Uma nos territórios ocupados e liderados pela Autoridade Palestina, que reconhece o Estado de Israel, e outra em Gaza que vive um cerco e liderada por um grupo terrorista fundamentalista islâmico que prega a destruição de Israel e a morte de todos os judeu do mundo.

No conflito que estamos vivenciando, o Hamas invadiu Israel. O Hamas perpetrou uma matança indiscriminada de civis e o sequestro de outros 200 para o seu território. Foi uma declaração de guerra com todas as consequências que este ato traz consigo. Não existe nada parecido acontecendo nos territórios.

Israel não apenas tem o direito de se defender, como a obrigação perante a sua população que foi violentada. E não existe guerra limpa. Em todas as guerras, por mais que se obedeçam aos acordos internacionais, os civis são aqueles que pagam o preço maior. O Hamas sabia disto, e mesmo sabendo das consequências foi em frente.

Gaza recebe milhões de dólares todos os anos. Dinheiro que poderia ser empregado para desenvolver o território e trazer progresso para a população. No entanto, o que não vai parar nas contas da liderança do Hamas e de seus familiares, é utilizado para fabricar e pagar o contrabando de armas. Túneis foram escavados para servirem de abrigos para poucos privilegiados. A população não tem onde se abrigar e por conta disto está sendo estimulada pelo exército de Israel a se dirigir para o sul da faixa de Gaza até o fim do atrito. É a única maneira atualmente de prevenir mais baixas.

Nenhum humanista fica inerte diante do sofrimento da população de Gaza. Mesmo com os números de vítimas exagerados, inflados pelo Hamas, é óbvio que os bombardeios nos locais de uso e moradia dos membros da organização está causando a morte de inocentes, e lamento cada uma delas.

Diferentemente de Guterres, eu expresso aqui inicialmente meus sentimentos as vítimas em Gaza e meu desejo que o atual conflito, possa ser o último. Que ao final desta guerra seja todas as partes envolvidas percebam que a paz é a única solução.

Dito isto, acrescento que nenhum sofrimento de qualquer povo justifica a matança indiscriminada de pessoas inocentes sem nenhuma chance de defesa.