Faz três meses, fui a uma Favela no ABC Paulista (foto), convidado especialmente para fazer uma “roda” de poesia e música. Ao chegar ali, além da música e da poesia, me foi servida polenta, polenta com leite quente e um pouco de café, em uma pequena cumbuca de ferro esmaltado. Senti-me um deus, um demônio, um ser humano, enfim, gente!

Mas, fui especialmente indelicado – e pedi que repetissem a polenta com leite quente… por duas vezes…

Fiquei ali por horas e concluí que o “país” Brasil, digo, o “Estado” brasil(eiro), é desgraçado, desgraçado e condenado ao insucesso, por excluir almas e cérebros tão criativos da economia formal. Tudo bem, há um Brasil à parte, ao qual respeito, uma nação à parte, que admiro, um Direito para além da forma.

Há gente muito boa, criativa, poética, há músicos e há polenta com leite quente servida em pequenas cumbucas de ferro esmaltado!

Ah, há também café delicioso passado em coador de pano, e poesia, e música, e humanidade, e abraços sem limites! Há um Brasil verdadeiro, culturalmente rico, de brasilianos e brasilienses, que os miseráveis brasil(eiros) não conhecem!

© Pietro Nardella Dellova, 2016

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foto: “vista parcial da Favela no ABC Paulista”