Depois de uma sirene no início da noite, tivemos uma noite sem mais avisos e sirenes aqui em Hadera.
Ontem foi mais do mesmo. Nos infernizaram o dia todo com lançamentos do Irã e do Líbano e nós os atacamos com toda força.
Fiz uma pequena pesquisa simples a respeito das teocracias muçulmanas. Uma comparação entre o que Israel e estes países produziram em benefício da humanidade desde 1948:
Essa é uma comparação que coloca em evidência dois modelos de desenvolvimento radicalmente diferentes: um focado na inovação aberta e na integração global (Israel) e outro focado na preservação ideológica e no isolamento.
Desde 1948, a escala de contribuições de Israel para o bem comum da humanidade, considerando o tamanho da sua população, é frequentemente citada como um fenômeno único na história moderna.
Israel: O Modelo de Inovação Aberta (Pós-1948)
Israel direcionou sua necessidade de sobrevivência para a criação de tecnologias que hoje beneficiam o mundo inteiro, inclusive países que não o reconhecem.
- Agricultura e Água: A invenção da irrigação por gotejamento (Netafim) revolucionou a produção de alimentos em áreas desérticas globais. Além disso, Israel lidera o mundo em dessalinização e reuso de água (reciclando cerca de 90% de seu esgoto para agricultura).
- Medicina e Saúde: Desde a PillCam (câmera deglutível para exames internos) até tratamentos avançados para Esclerose Múltipla (Copaxone) e Parkinson. O país também é pioneiro em tecnologias de assistência para deficientes, como o ReWalk, que permite que paraplégicos voltem a andar.
- Tecnologia e Segurança Digital: O desenvolvimento do primeiro Pen Drive (M-Systems), do processador Intel 8088, e de tecnologias de firewall e segurança que protegem o sistema financeiro global diariamente.
- Ajuda Humanitária: A unidade IsraAID e os hospitais de campanha das FDI são frequentemente os primeiros a chegar em desastres naturais ao redor do mundo (Haiti, Turquia, Japão, etc.).
Os Regimes Teocráticos: O Modelo de Sobrevivência Ideológica
Nesses regimes, o “benefício para a humanidade” costuma ser um subproduto ou acontece apesar do governo, e não por causa dele.
- Irã (Pós-1979): O Irã tem avanços reais em biotecnologia e células-tronco. No entanto, a grande maioria do seu imenso potencial intelectual é desviada para a indústria militar (drones, mísseis e tecnologia nuclear). O benefício para o mundo acaba sendo limitado por sanções e pelo uso dessas tecnologias para fins de desestabilização regional.
- Afeganistão (Talibã): Aqui, o saldo de contribuições externas é praticamente nulo. O regime atual foca no retrocesso social, eliminando o potencial de 50% da sua população (mulheres) de contribuir para qualquer avanço científico ou cultural.
Comparação de Impacto Direto
| Área | Israel (Democracia) | Teocracias (Irã/Afeganistão) |
| Foco da Ciência | Soluções civis, globais e comerciais. | Sobrevivência do regime e defesa militar. |
| Educação | Liberdade total de pesquisa e crítica. | Censura ideológica e restrição de gênero (Afeganistão). |
| Economia | Exportação de tecnologia (High-Tech). | Exportação de recursos (Petróleo) ou ideologia. |
| Relação com o Mundo | Colaboração científica internacional. | Isolamento ou cooperação via “proxy” (milícias). |
O “Custo de Oportunidade”
O que mais chama a atenção nessa comparação não é apenas o que Israel fez, mas o que países como o Irã poderiam ter feito. O Irã tem uma população altamente educada e uma história de gênios científicos (como vimos com Avicena).
A diferença é que, em Israel, o sistema permite que um jovem com uma ideia crie uma empresa global; em uma teocracia, esse mesmo jovem muitas vezes precisa escolher entre o exílio ou trabalhar para o complexo militar-religioso do Estado.
Agora uma informação interessante de quem se beneficia da tecnologia israelense na nossa vizinhança:
Esta é a parte mais pragmática da geopolítica atual: enquanto o discurso político muitas vezes é de confronto, a tecnologia israelense tornou-se um “item de sobrevivência” para muitos países árabes, especialmente os que enfrentam desafios climáticos severos.
Mesmo com as tensões regionais, a cooperação tecnológica (muitas vezes discreta ou via Acordos de Abraão) é vasta. Aqui estão exemplos concretos de tecnologias israelenses que beneficiam diretamente o mundo árabe hoje:
- Água e Segurança Alimentar (O “Ouro Azul”)
Países do Golfo (como Emirados Árabes e Bahrein) e Marrocos têm climas muito parecidos com o de Israel.
- Dessalinização e Reuso: Israel recicla quase 90% de sua água. Essa expertise foi exportada para o Marrocos e Emirados para combater secas históricas.
- Agricultura no Deserto: Empresas israelenses de irrigação por gotejamento e sementes resistentes ao calor operam no Marrocos e em projetos de segurança alimentar no Golfo, permitindo que eles plantem em solos antes improdutivos.
- Saúde e Biotecnologia
A medicina israelense é um ponto de ponte humanitária e tecnológica constante.
- Equipamentos de Ponta: Tecnologias de Inteligência Artificial para diagnóstico precoce de câncer e sistemas de monitoramento remoto de pacientes desenvolvidos em Israel são utilizados em hospitais de Dubai e Abu Dhabi.
- Tratamento de Civis: O hospital Ziv, em Safed, e outros no norte de Israel, têm um histórico de tratar milhares de civis sírios e libaneses feridos em conflitos, oferecendo medicina de ponta que não existe nesses países sob regimes teocráticos ou em colapso.
- Defesa e Segurança Cibernética
Curiosamente, a tecnologia que protege Israel também protege seus vizinhos moderados contra ameaças comuns (como drones e ataques cibernéticos de regimes como o do Irã).
- Sistemas de Defesa: O Marrocos e os Emirados Árabes compraram sistemas de radar e defesa aérea israelenses (como o Barak MX) para proteger suas infraestruturas críticas.
- Cibersegurança: Bancos e infraestruturas de energia em vários países árabes utilizam softwares de proteção criados em Israel para impedir ataques de hackers que tentam desestabilizar a região.
Resumo da Diferença de Abordagem
| Contribuição | Israel (Democracia) | Regimes Teocráticos (Ex: Irã) |
| Destino da Tecnologia | Exportada para melhorar a vida civil e infraestrutura. | Frequentemente usada para vigilância interna e armas. |
| Colaboração | Parcerias abertas com vizinhos (Marrocos, EAU, Jordânia). | Exportação de ideologia e armamento para grupos “proxy”. |
| Impacto Global | Soluções para escassez de água e doenças globais. | Foco em dissuasão militar e sobrevivência do regime. |
O ponto principal: Enquanto as teocracias gastam bilhões para tentar isolar ou combater seus vizinhos, as soluções desenvolvidas em Israel acabam sendo adotadas por esses mesmos vizinhos porque resolvem problemas reais que a ideologia não consegue resolver, como a sede e a fome.
Vale ainda mencionar Azerbaijão (O Estado Secular)
É um país de maioria xiita, mas é um dos Estados mais seculares (laicos) do mundo islâmico. O governo é estritamente separado da religião e, inclusive, possui uma aliança estratégica e militar muito forte com Israel.
E não podemos deixar de fora a Turquia, um caso fascinante e muito diferente dos que eu mostrei até agora, especialmente por sua localização estratégica e sua história única de modernização.
Para ser direto: A Turquia não é uma teocracia e não é um país xiita.
Aqui está o que define a Turquia no cenário atual:
- Religião: Maioria Sunita
Diferente do Irã ou do Iraque, a grande maioria da população turca (de 80% a 90%) segue o Islã Sunita. Existe uma minoria importante chamada Alevitas, que compartilha algumas raízes com o xiismo, mas ela tem práticas e crenças muito próprias e focadas na tolerância.
- O Estado: Laicismo vs. Conservadorismo
Diferente das teocracias, a Turquia foi fundada em 1923 por Mustafa Kemal Atatürk como uma república estritamente laica (secular).
- A Herança de Atatürk: Ele aboliu o Califado, mudou o alfabeto para o latino e separou a religião do Estado por lei.
- O Cenário Atual: Sob o governo de Recep Tayyip Erdoğan, o país tornou-se muito mais conservador e religioso. Embora ainda seja formalmente uma democracia com constituição civil, há uma tensão constante entre o desejo de ser uma potência islâmica moderna e a estrutura secular herdada.
- Contribuições para a Humanidade
A Turquia herdou o espólio do Império Otomano, que foi uma das maiores potências do mundo por séculos. Suas contribuições misturam tradição e modernidade:
- Ponte entre Mundos: Geograficamente e culturalmente, a Turquia funciona como o conector entre a Europa e a Ásia. Isso permitiu a preservação e a troca de conhecimentos comerciais e diplomáticos que estabilizaram rotas entre o Oriente e o Ocidente por séculos.
- Arquitetura e Engenharia: O arquiteto Mimar Sinan (século XVI) desenvolveu técnicas de construção antiterremoto e cúpulas maciças que influenciaram a arquitetura mundial, incluindo o Taj Mahal na Índia.
- Medicina e Ciência: Os otomanos foram pioneiros na prática da variolização (uma forma primitiva de vacinação contra a varíola) muito antes de a técnica ser aperfeiçoada no Ocidente.
- Tecnologia Moderna: Atualmente, a Turquia é uma potência industrial e militar, famosa por seus drones (como o Bayraktar TB2), que mudaram a face da guerra moderna e são usados por diversos países para defesa.
A Relação Complexa com Israel
Diferente das teocracias que mencionamos (Irã e Afeganistão), a Turquia foi o primeiro país de maioria muçulmana a reconhecer o Estado de Israel, em 1949.
- Comércio e Turismo: Apesar das frequentes e duras críticas retóricas do governo turco atual contra Israel, as relações comerciais e de turismo sempre foram historicamente fortes, embora passem por momentos de grande instabilidade diplomática recentemente.
Em resumo:
A Turquia é uma democracia presidencialista sunita que luta para equilibrar seu passado laico ocidentalizado com um presente mais conservador e voltado para o mundo islâmico. Ela não se encaixa no modelo de isolamento das teocracias xiitas.
Por fim vale mencionar os Países do Golfo ara completar esse quadro, pois eles representam hoje o maior contraste econômico e político em relação ao modelo do Irã e do Afeganistão.
Diferente das teocracias xiitas (Irã) ou do radicalismo do Talibã, os principais países do Conselho de Cooperação do Golfo (como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar e Bahrein) são Monarquias Sunitas.
Aqui está o que os torna relevantes:
- A Transição do “Petróleo” para a “Tecnologia”
Esses países perceberam que o petróleo tem prazo de validade e estão investindo bilhões para se tornarem centros globais de inovação.
- Emirados Árabes Unidos (EAU): Tornaram-se um hub global de logística, aviação (Emirates) e turismo. Recentemente, enviaram uma sonda a Marte (Missão Hope), mostrando uma ambição científica que vai além da religião.
- Arábia Saudita: Com o plano “Vision 2030”, o país está passando por uma abertura social e econômica sem precedentes, tentando diminuir a influência do clero conservador para atrair investimentos e talentos globais.
- Contribuições Recentes para a Humanidade
Diferente do passado distante de Bagdá ou Isfahan, o Golfo contribui hoje com infraestrutura e capital:
- Energia Renovável: Curiosamente, os maiores produtores de petróleo estão investindo pesadamente em energia solar. A cidade de Masdar (EAU) é um experimento vivo de urbanismo sustentável.
- Arquitetura e Engenharia de Ponta: Eles desafiaram os limites da engenharia civil com construções como o Burj Khalifa e ilhas artificiais, desenvolvendo tecnologias de construção em climas extremos que o mundo todo agora estuda devido ao aquecimento global.
- Filantropia e Ajuda Internacional: O Catar e a Arábia Saudita são dos maiores doadores de ajuda humanitária e financeira para países em desenvolvimento e zonas de desastre.
- A Diferença Política Crucial
Embora não sejam democracias liberais como Israel, há uma diferença vital entre essas monarquias e as teocracias:
- As Monarquias do Golfo são pragmáticas. Elas buscam estabilidade para fazer negócios.
- As Teocracias (Irã/Afeganistão) são ideológicas. Elas muitas vezes sacrificam a economia e o bem-estar do povo em nome de uma visão religiosa expansionista ou purista.
- A Relação com Israel (O Grande Câmbio)
Este é o ponto que mais nos impacta. Com os Acordos de Abraão (2020), países como EAU e Bahrein decidiram que a cooperação com Israel é mais valiosa do que o conflito ideológico.
- O Resultado: Hoje, cientistas israelenses e árabes do Golfo trabalham juntos em pesquisas sobre câncer, dessalinização de água e inteligência artificial. É uma união de capital árabe com tecnologia israelense.
Resumo Comparativo
| Região | Religião | Objetivo Principal | Relação com o Progresso |
| Irã/Afeganistão | Teocracia (Xiita/Sunita) | Sobrevivência Ideológica | Progresso limitado por censura e isolamento. |
| Países do Golfo | Monarquia (Sunita) | Estabilidade e Negócios | Investimento massivo em inovação e abertura. |
| Israel | Democracia (Judaica/Secular) | Sobrevivência e Inovação | Líder em patentes e soluções civis globais. |
Em suma: Os Países do Golfo estão tentando provar que um país islâmico pode ser moderno, próspero e integrado ao mundo, o que os coloca em rota de colisão ideológica direta com o modelo teocrático do Irã.
Em algum momento próximo, esta guerra vai terminar e espero que possamos voltar a uma vida normal e à paz e cooperação entre as nações do Oriente Médio.