Não me cansarei!!! Venho, de novo, alertar ao que está acontecendo em Israel e que vocês não conseguem ver ver, talvez porque as mensagens chegam a nós deformadas por parte de ambas as mídias, de ambos os lados, com narrativas de ou nós ou eles, incapacitando a todos de poder ver a complexidade do conflito. Talvez por uma necessidade de defesa contra o antissemitismo atual ou talvez por encarar a verdade que destruiria nosso sonho, nosso ideal sobre o Estado de Israel.

O fato de que a Hamas realizou o maior massacre a judeus desde o Holocausto, que terroristas palestinos realizaram o maior massacre a civis na Austrália, que os palestinos criam fake news, que as mídias as transformam em verdades, não justifica o que este governo fez e está fazendo em Gaza e na Cisjordânia.

Estamos vivendo um momento crucial na história de Israel. Pela primeira vez temos um governo de extrema direita, no qual 25% de seus ministros são religiosos messiânicos, fascistas, 25% são haredim querendo impor leis religiosas a todos e combater o feminismo e a comunidade LGBT+. Os outros 50% dos ministros, pertencentes ao Likud, não são menos extremistas e querem acabar com a liberdade do sistema Judiciário e da Mídia.

Este governo, apesar de ser composto pelos setores mais tradicionais e religiosos da sociedade israelense, estão realizando atos antijudaicos, antissionistas, imorais. De 35 ministros, 15 estão sendo acusados de corrupção, sendo o primeiro deles o 1º ministro, Bibi Natanyahu, Sr. Crime Minister.

Estamos diante de 2 fatos principais. O primeiro pessoal de Bibi Nataniahu, que fez tudo e está fazendo tudo para sobreviver na política, pois caso saia dela , será julgado e incriminado. Há um mês atrás pediu anistia ao presidente, sem reconhecer culpabilidade e sem declarar que deixará o ativismo político. Ou seja, pediu ao presidente que cancele seu julgamento. Estamos diante de mais um ato de corrupção, se não de traição, o Qatargate – os assessores de Bibi Natanyahu, em plena guerra trabalharam para Qatar, recebendo dinheiro. Qatar que sustenta a Hamas e na qual vive a cúpula política da Hamas, em hotéis de 7 estrelas. Esses assessores falsificaram documentos em 2024, que foram usados no artigo no jornal Bild, de maior tiragem na Alemanha,querendo provar assim que a Hamas não quer o acordo de cessar-fogo e retorno dos reféns. Com isso Bibi e seu governo puderam continuar a guerra com a narrativa de que a força é o único meio para a volta dos reféns.

O segundo fator é ideológico. O sionismo judaico messiânico prega o retorno ao Grande Israel, a limpeza étnica. Não ele não prega o genocídio, mas se para haver limpeza étnica é preciso haver genocídio, parte deste governo apoiaria. Assim como o Rabino Eliahu Mali declarou Guerra Santa em Gaza e que temos que matar todos os bebês e crianças, pois serão, no futuro, terroristas. A policia de Ben Gvir, encerrou a investigação de chamada a genocídio.

Precisaria escrever um livro, para descrever as manipulações, mentiras e corrupções que Bibi e seu governo vêm cometendo nestes 3 anos. Mas, meu objetivo vai além disso. Minha intenção é alertar a comunidade de quanto longe nós estamos afastando do judaísmo moderno e de seus valores sejam eles das correntes laicas, humanista, reformistas ou conservadoras. O quanto este governo está se afastando dos valores do sionismo e da carta da independência assinada no ato da declaração do estado de Israel por Ben Gurion.  Meu objetivo é alertar a comunidade de que um dos principais fatores da eclosão do antissemitismo é este governo e Bibi Natanyahu. Não o único, mas sem dúvida a calamidade, a opressão em Gaza deu armas nas mãos de antissemitas.

Não oprimirás o estrangeiro, pois conheces o coração do estrangeiro, visto que fostes estrangeiros na terra do Egito” (Êxodo 23:9) e “Amarás o estrangeiro, porque também tu foste estrangeiro na terra do Egito” (Deuteronômio 10:19).

Em Pessach lemos “Em cada geração, cada pessoa tem a obrigação de se ver como se tivesse saído do Egito

Ao que parece, a religião “judaica” de Bibi Natanyahi, Ben Gvir, Smotrich, Rav Gafni, Rav Edri e todos os 68 membros da atual coalizão se difere daquela que durante mais de 3000 anos, desde que recebemos a Torá em Har Sinai, pois para eles o estrangeiro tem que ser morto e expulso.  .

Em Gaza morreram 70 mil pessoas, 40 mil civis. Gaza foi totalmente destruída, em uma guerra desproporcional, gerada por vingança e por interesses pessoais e ideológicos. Na Cisjordânia todos os dias estão sendo cometidos atos terroristas por colonos judeus, chamados de “Noar Hagvaot” (Jovens das Colinas). Casas e aldeias são incendiadas, plantações arrancadas (principalmente oliveiras, que também é proibido na Tora), mulheres, jovens e idosos são espancados e seus rebanhos roubados. A organização de Rabinos pelos direitos humanos e centenas de voluntários, inclusive eu, vão aos territorios ocupados, a Cisjordania Palestina, para ajudar aos palestinos fazerem a colheita das olivas. Mas, o exercito de Smotrich está impedindo que cheguem ao seu destino.

Smotrich, sendo ministro da Cisjordania, está permitindo e apoiando economicamente a criação de dezenas de colonias ilegais em terras particulares de palestinos.

Este governo, que parte dele passa 24/7 estudando a Tora, parece que sofrem de “invertologia” , isto é a doença de inverter a leitura, lendo assim o texto acima desta forma:
Oprimirás o estrangeiro, pois conheces o coração do estrangeiro, visto que fostes estrangeiros na terra do Egito” (Êxodo 23:9) e “Não amarás o estrangeiro, porque também tu foste estrangeiro na terra do Egito” (Deuteronômio 10:19).

A inversão de valores judaicos, o fanatismo é descrito em uma palavra – fundamentalismo. Vivemos hoje em Israel, um fundamentalismo judaico, que não aceita nenhuma outra forma de judaísmo, repudiando qualquer religião que não essa na qual eles acreditam. Vocês podem achar que estou exagerando. Convido-os a uma conversa na qual poderei expor as leis que estão sendo impostas atualmente na Knesset, verbas sendo desviadas para as escolas harediot, que não cumprem com a lei e as normas de curriculum, segregação de meninas sfaradiot em escolas de meninas ashkenaziot, leis contra organizações laicas, ataques a organizações anti-religiosas e que lutam pela paz e o estabelecimento de 2 estados, etc.

Israel não está ameaçada pelas forças inimigas, por mais brutais, bárbaras e sanguíneas que sejam. Somos fortes e bem armados para combatê-las. Por mais pacifista que seja, acredito que quando forças asim surgem temos que combate-las com força. Mas existe uma diferença entre usar a força proporcionalmente, humanamente e não nos assemelharmos àqueles que nos atacaram de forma deshumana. Em terra de olho por olho, os povos e os lideres se tornam-se cegos.

Israel está ameaçada pelas forças internas do fundamentalismo judaico. Do fanatismo que tenta destruir a democracia que criamos com tanto esforço durante 77 anos, mais de 100 anos de sionismo. O governo está impondo leis para fragilisar o sistema judiciario, fechando os canais públicos de radio e TV, criando um sistema de censura para o cinema e documentários, retirando apoio economico a produção local que critique o governo, o exercito e a religião.

Milhares de crianças foram mortas nesta guerra, muito mais que milhares de crianças sofrem de pós-trauma em Gaza e em Israel, pelo menos 3000 crianças em Gaza estão mutiladas. Elas não são culpadas pelo fanatismo de ambos os lados.

A.D. Gordon disse “ Não combatam a escuridão, apoderem a luz”. A comunidade judaica no Brasil pode apoderar a luz e em vez de lutar contra a extrema esquerda brasileira e mundial e a extrema direita em Israel, mostrar que existe um outro Israel. Àquele que apoia uma solução de paz, que reconhece os direitos legitimos do povo palestino a um Estado livre, ao lado do Estado de Israel. Judeus sionistas que apoiam os palestinos que queiram viver em paz e que juntos ajudam a reconstrução de Gaza destruida. Judeus sionistas que apoiam projetos como o PIS, Palestine Israel Solidarity, projeto com o objetivo de construir um centro comunitário em Gaza e na Galileia para crianças palestinas e israelenses, judias, muçulmanas, cristãs e drusas. Centros que trarão uma mensagem de paz e reconciliação. Centros que em algum momento falarão entre sí, criando uma corrente de esperança para a nova geração, que até o momento só conheceu o medo, o odio, a violência.

A comunidade judaica pode escolher se faz parte do problema ou da solução. Mas, mais do que a comunidade, você como indivíduo da comunidade, pode tomar a sua própria decisão.

https://www.youtube.com/watch?v=j-y-zuXYXGA&t=1s&pp=ygUfUElTIHBhbGVzdGluZSBpc3JhZWwgc29saWRhcml0eQ%3D%3D