I
A Torá não é um livro de salvação, não é um livro para um mundo futuro e messiânico, não é um livro de moral ou que apresente aspectos metafísicos.
II
A Torá é um Livro de “viver a vida na estrada”, de “atravessar mares e desertos reais”, de ponderação sobre processos de formação do mundo e de formação de um Povo, desde suas origens semíticas, mesopotâmicas, egípcias, canaanitas e, então, hebraicas, israelitas e judaicas.
III
A Torá é isso: Bereshit (reflexões de origem e fundamentos éticos e abraâmicos dos hebreus); Shemot (os nomes, direitos principiológicos e vidas fundantes dos israelitas); Vayikrá (o chamamento para processos religiosos dos antigos cultos sacrificiais e regramentos sacerdotais); Bamidbar (a experiência do deserto e a vida como ela é) e; Devarim (as palavras que retomam e estabelecem princípios que constituem o mundo judaico).
IV
Não tem metafísica ou projeção celestial na Torá, tem experiências reais do aqui e agora. Não tem moral, tem Ética e princípios de convivência! Não tem nada de messiânico e nada do “céu e além-mar”. Na Torá, há as lições primeiras de dignidade humana, de direitos humanos e de direitos para a convivência.
V
A Torá não é Velho Testamento ou Antigo Testamento, pois não precede a qualquer texto. A Torá é! A Torá é a ligação de Bereshit (primeira palavra) e de Israel (última palavra).
VI
Enfim, a Torá não é um livro de “chegada”, é um livro de processos abraâmicos, hebraicos, israelitas e judaicos. É livro de partida e de caminhada…
VII
É isso, resumidamente, e um pouco mais..
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(Pietro Nardella-Dellova)
NOTAS
1. Extratos de textos de Pietro Nardella-Dellova, in A Crise Sacrificial do Direito, (USP, 2000); A Morte do Poeta nos Penhascos (2009) e; Judaísmo e Direitos Humanos (PUC/SP, 2020).
2. Foto: Eu e a Torá na Sinagoga Massoret