Na Universidade de São Paulo, alastra-se uma estranha epidemia: uma dermatite moral, urticária antijudaica que acomete certos estudantes ao menor contato com ideias vindas de judeus.

Bastou o anúncio de que o cientista político André Lajst participaria de um debate na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco neste dia 13 para que alunos do Centro Acadêmico XI de Agosto irrompessem em surtos de intolerância.

Erupções cutâneas discriminatórias se espalharam por todo campus.

Emitiram nota de repúdio à presença de judeus ou israelenses que defendem o direito de Israel existir, o direito de autodeterminação do povo judeu.

“Inaceitável dividir espaço com sionistas”, disseram, o que nada mais é que advogar pela destruição do Estado de Israel, deslegitimando.

Como se conviver em uma mesma sala com um judeu ou israelense, liberasse algum tipo de agente infeccioso no ar. O espírito nazista mais elementar reaparece, agora travestido de virtude.

Esses novos puritanos instados a dialogar com judeus ou israelenses, a conviverem em um mesmo ambiente para um debate acadêmico, logo são acometidos de colapsos cutâneos, irrompem em bolhas, pústulas, borbulham em surtos, estouram em brotoejas, latejam em vergões e espocam em exantemas.

Dermatites de toda sorte, que corrompem a consciência e aviltam o caráter — sob risco de morte moral.

Argumentar pelo direito e Israel existir, pela da autodeterminação do povo judeu é inaceitável, perigoso.

No templo da razão, onde se ensina lógica e liberdade, hoje reina o medo higiênico do contraditório.

Em um local onde se supõe que a razão e o debate devam prevalecer, o contato com judeus e israelenses causa aversão e medo, como se uma nova praga estivesse por contaminá-los.

A medicina ainda não nomeou essa moléstia; proponho “psoríase moral”: doença autoimune que faz a mente atacar a si mesma quando exposta ao oxigênio do debate de ideias.

Os sintomas são claros: eczema ideológico, vergões dogmáticos, urticária performática e coceira intelectual diante do nome “Israel”.

Por baixo destas escamas acadêmicas, o velho vírus do racismo e do antissemitismo resistem — agora com camiseta de causas sociais e selfies indignadas.

Por Charles Schaffer Argelazi

Foto: Faculdade de Direito da Universidade de Direito da Universidade São Paulo – Largo São Francisco.

Acima, foto do Salão Nobre.