LULA JÁ

“ É uma cova grande pra tua carne pouca
Mas à terra dada, não se abre a boca
É a conta menor que tiraste em vida
É a parte que te cabe deste latifúndio
É a terra que querias ver dividida
Estarás mais ancho que estavas no mundo
Mas à terra dada, não se abre a boca.”

(João Cabral de Melo Neto, “Funeral de um Lavrador”)

Desde 2016, em vertiginosa e despudorada aceleração, as esquinas do país expõem vitrines e mais vitrines de famélicos: com cartazes toscos escritos à mão em papelão de mercado, com limões para emular malabares e com suas figuras dos “Retirantes” de Portinari, os miseráveis retratam o Brasil pós golpe.

Em setembro de 2014, em Roma, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) divulgou relatório no qual informava que, por critérios de medição por ela adotados há mais de 50 anos, o Brasil havia saído do Mapa Mundial da Fome. Indicou-o, por isso, como exemplo de País a ser seguido. “De 2002 a 2013, caiu em 82% a população de brasileiros considerados em situação de subalimentação.” (Revista Globo Rural, edição de 16/09/2014).

O deliberado retorno da produção da miséria teve início com a emenda constitucional do teto de gastos, promulgada por Michel Temer já nos seus primeiros meses no poder. A isso seguiram-se, com metódica e macabra sistemática, outras medidas de desmonte, agravadas ainda mais pelo desgoverno necropolítico de Bolsonaro e o ultraliberalismo de seu ministro Paulo Guedes. Dentre elas, destacam-se, o aumento do desemprego e a precarização do trabalho (“reforma trabalhista”), a diminuição dos valores do Bolsa Família em relação à inflação, e a extinção da política de valorização do salário mínimo.

Segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, no final de 2021, como consequência das altas taxas de desemprego e do cancelamento das políticas públicas focadas no tema, o número de brasileiros vivendo abaixo da linha de pobreza triplicou, atingindo cerca de 27 milhões de pessoas. Isso produziu o pior cenário da miséria no Brasil, nos últimos dez anos. (CNN Brasil, 31/10/2021).

No seu discurso de posse de 2003 o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez do combate à fome a principal prioridade de seu governo, convocando todo o povo brasileiro a um mutirão cívico contra aquele flagelo, e em defesa da dignidade humana.

Tal propósito foi levado a cabo através de um conjunto de políticas públicas estratégicas que resultaram, em apenas uma década, na saída do país do Mapa da Fome da ONU.

Mesmo que fosse só por isso – e não é! – o voto precisa ser Lula, já no primeiro turno.
LULA JÁ.

“Os boias-frias… sonham com bife à cavalo, batata frita e a sobremesa”

(João Bosco e Aldir Blanc, “O rancho da goiabada”).

Tânia Maria Baibich